Pop Star - Uma Estrela No Céu
38 Um apelo e uma decisão.
Notas iniciais
No fim das contas, as coisas correram melhor do que eu pensei.
Lyah decidiu morar com os pais em Alagoas, e a avó veio junto.
Por pura coincidência, seus pais compraram uma casa na mesma cidade, no mesmo bairro, na mesma rua que minha família comprara uma casa. Nós éramos vizinhos.
Passávamos bastante tempo juntos, já que estudávamos na mesma classe também, ela e minhas irmãs eram muito amigas, ou seja, Lyah vivia na minha casa.
Demorei uns três meses para tomar coragem e pedir pra namorar com ela.
Felizmente ela aceitou. Nós fomos muito felizes, pelos próximos sete meses.
As coisas iam às mil maravilhas, quando os pais dela precisaram mudar de cidade por causa dos negócios, voltaram para o exterior, e levaram Lyah junto, foi muito difícil para mim.
Não terminamos o namoro de imediato, achamos que conseguiríamos manter um relacionamento à distância, mas os pais dela deram um fim nisso, disseram que não iam mais voltar para o Brasil, destruindo nossas esperanças. Então nós tivemos que terminar, mas eu achava que não ia mais conseguir ficar com ninguém, nunca mais.
***
Bom, depois da historia toda com o Rick, três anos depois, o sucesso veio até mim, tinha cabelos longos e usava salto alto, seu nome era Annelise. Lizzie não se importou em me carregar para seu sucesso, não se opôs à idéia de Rick, e deixou que eu tocasse em sua banda. Lizzie era generosa, bonita e divertida, e foi ai que eu achei que estivesse tendo uma queda por ela.
Mas logo percebi que não poderia gostar dela, ela era louca pelo namorado, apesar dele ser um babaca com ela.
Mas agora, em tempos atuais, estava tudo muito difícil para Annelise, ela queria terminar de vez o “namoro” com o tal do Ramonn, mas não conseguia pôr um fim nisso, eles tinham dado um tempo a quase três meses, e ela tinha esperanças de que ele ainda pudesse mudar, e eu sabia que aquele cara era sem futuro para ela, mas não tinha coragem de falar nada.
Eu estava chegando na porta da casa de Annelise, quando ia abrir a porta, Rick abriu e saiu apressado.
– Pra onde vai? — perguntei.
– Achar alguém que faça um serviço chato. – disse ele quase correndo pelo jardim.
Os pais de Annelise estavam na sala de visitas.
– Olá. – disse eu.
– Olá, Diego. – disse a mãe dela.
– Como vai, rapaz? — perguntou seu pai.
– Estou entrando em desespero. – disse eu.
– Por que? — perguntou dona Isabel.
– Meus pais vão se mudar para Londres. E eu vou ficar aqui sozinho, não posso abandonar meu contrato, nem Rick e Lizzie.
– Mas que pena. – disse o pai de Lizzie.
– Eu já estou procurando um apartamento, mas vai ser bem difícil me acostumar a morar sozinho.
– Por que não vem morar com a gente? — perguntou a mãe de Lizzie.
– Isso! – disse o pai. – Venha morar aqui, tem quartos sobrando, e bem, sempre quisemos ter um menino.
– Tem certeza de que não vou incomodar? — perguntei.
– Absoluta. – eles disseram
– Então vou aceitar, mas só por um tempo.
– Fique a vontade. – disse o pai.
– Muito obrigado! – disse eu.
A mãe de Lizzie me abraçou.
– A Lizzie está melhor? — perguntei.
– Do jeito que o Rick saiu desesperado, eu acho que não.
– Posso ir lá falar com ela?
– Claro que pode, meu querido. Você está em casa agora.
– Obrigado.
Subi a escadaria, e caminhei pelo corredor. Ao chegar na porta do quarto dela assoviei e esperei. Ouvi como resposta um assovio abafado. Entrei no quarto.
Lizzie e eu fazíamos a brincadeira do assovio, para ela saber que era eu quando chegasse.
Vi Annelise largada na cama com os olhos inchados devorando uma bacia de brigadeiro. Ela estava assistindo algo na televisão, e seu notebook estava ao seu lado na cama, mas ela não parecia dar importância a ele.
– Se sente melhor? — perguntei.
– Um pouco. – ela disse calmamente.
Sentei-me ao seu lado na cama.
– Tenho uma novidade. — eu disse com um sorriso.
– O que?
– Seus pais me convidaram para morar aqui.
– Sério?? Isso é ótimo, Diego! Que bom! Agora vou ter você perto de mim sempre. — ela me abraçou.
Mas logo voltou a ficar com uma expressão infeliz de novo.
– O que foi agora? — perguntei.
– O mesmo de sempre, estou preocupada com Ramonn.
– Por que não liga pra ele?
– Não quero dar esperanças a ele, Diego. Ele não muda, sempre vai ser egoísta, mandão e opressor, nunca mais vai confiar em mim, vai reclamar quando saio de saia curta, vai achar ruim quando eu parar pra falar com meus fãs, vai continuar sem gostar das minhas viagens por causa de shows, e nunca vai aceitar meu estilo de vida. Ainda mais agora que eu... – ela começou a chorar.
– Ei, não pense assim. – eu a abracei. – As coisas vão se resolver, Lizzie, vai ficar tudo bem.
– Não diga isso pra, Diego, eu estou...
– Frágil. – interrompi. – Isso vai passar.
Ela balançou a cabeça.
– O que houve com seu notebook?
– Nada, só o twitter que trava de tanta notificação.
– Então veja-as. Vai parar de travar.
– Estou com preguiça.
– Vou fazer isso pra você.
Peguei o notebook e coloquei nas pernas. Comecei a olhar as notificações, não parava de chegar mais, pelo menos 15 por segundo.
– Minha nossa! – exclamei.
– O quê?
– Tá chovendo notificação mesmo.
– Sobre o que são?
–Huuum, — parei pra olhar mais atentamente. – a maioria é uma hashtag “PassaPraLizzie”.
– O que é isso? — perguntou ela animada.
– Se parar de atualizar em notificação eu clico em uma.
Depois de três minutos consegui clicar, era um compartilhamento de uma publicação, encontrei a publicação original.
– Achei. – disse eu.
– Leia, por favor.
– Está em inglês, deixa eu traduzir.
Comecei a ler.
– Eu gostaria muito muito que vocês lessem até o final esse meu apelo, e que vocês me ajudassem a fazê-lo chegar até a cantora Lizzie Ribeiro (@LizzieRibeiroOficial).
Minha filhinha, Maia, tem seis anos de idade, e é a maior fã da Annelise, o sonho de minha filha é ver um show dela, mas isso não é possível, porque minha filha está morrendo de câncer.
Ela passa a maior parte de seus dias internada no hospital, ou internada em casa mesmo, o estado dela é gravíssimo, seu câncer é no pulmão e está em um estagio muito avançado, seria muito perigoso tirá-la de casa. Os médicos deram a ela mais três meses de vida, a coisa mais difícil que já fiz foi contar à minha pequena filha que ela iria morrer. Mas ela me disse “ Não chore, mamãe, nós todos vamos morrer um dia, eu só vou um pouco mais cedo”.
Minha filha é corajosa, um amor de menina, e ela me disse que queria mais uma coisa antes de morrer: que Annelise escrevesse um texto pra ela, ou que dedicasse uma música pra ela em seu próximo show.
Nós moramos em Manhattan, e Maia quase enlouqueceu quando soube que Lizzie estaria nos EUA, e ficou triste por não poder vê-la.
Então, Lizzie, por favor, se estiver lendo isto, realize o desejo de minha filha, serei eternamente grata.
@Savannah Chase.
– Foi isso. – eu disse por fim.
– Ah, meu Deus, eu preciso falar com essa moça, eu quero conhecer a garotinha. – disse Lizzie.
– Lizzie, espere, não vá se desesperar, você não pode...
– Não, Diego. – ela cortou. – Eu vou e pronto, a menina quer me conhecer, não posso negar isso a ela, me dá isso aqui que eu vou escrever uma resposta.
Ela tomou o notebook das minhas mãos e começou a digitar furiosamente.
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