Pop Star - Uma Estrela No Céu
26 Não posso perder minha bolsa!
Eu não sabia o que ia acontecer depois, mas se eu perdesse minha bolsa por causa da irresponsabilidade de Rick eu iria demiti-lo.
Na segunda de manhã, o tempo estava ainda pior, liguei pros meus pais e contei que não poderia voltar por conta disso. Eles ligaram para a diretora da minha escola pra explicar a situação, mas eu não sabia se seria perdoada. Então armei meu próprio jeito de me salvar.
Tentei falar com Ramonn, mas ele não me respondia no chat do facebook, e Thays estava sem celular. Será que Armando concordaria em me ajudar? Mandei uma mensagem pra ele.
“Armando, você me faria o maior favor do mundo? Vou te contar o que rolou.
Eu ia pegar o avião pra voltar pra casa hoje de manhã, mas todos os vôos foram cancelados por causa das chuvas aqui em SP. Eu tô desesperada, vou perder aula, e isso não pode acontecer porque sou bolsista. Se eu faltar sem uma justificativa válida (doença ou morte), posso até perder a bolsa. Então o plano é o seguinte: Eu peguei uma gripe muito forte aqui e não posso viajar até estar melhor, vou até arranjar um atestado. Só preciso que você,Ramonn e Thays convençam os professores disso.
Provavelmente vou poder pegar um avião hoje a noite ou amanhã de manhã.
Ah, e deu tudo certo na gravação, quer dizer,nem tudo, mas depois te conto.
Obrigada, bjbj.
PS: Pede pro Ramonn entrar no face dele e me respondeeeeeeeeeeeer, pfv, vlw.”
Eu não sabia se Armando veria a mensagem, e se visse, não sabia se ele ia querer me ajudar.
Fiquei a manhã toda em meu quarto no hotel tentando assistir alguma coisa, mas eu não conseguia parar de me preocupar. No grupo da nossa turma no whats as pessoas não paravam de falar de um tal gato raivoso que, de alguma forma, conseguiu entrar na escola.
Era quase uma hora da tarde quando Armando respondeu.
“Ok.” .
Ok, então. Só o que eu podia fazer agora era esperar o tempo melhorar.
Passei a segunda toda esperando alguma empresa aérea ligar para dizer que os vôos foram liberados, mas isso não aconteceu.
Rick batia na porta do meu quarto a cada uma hora e tentava falar comigo.
– Lizzie, você quer ir ao cinema, sei lá. A gente não precisa ficar aqui no hotel esperando.
E claro, eu não respondia. Eu nunca iria perdoar ele se eu fosse expulsa da escola. Meus pais confiaram em mim, deixaram eu viajar pra outra cidade e eu os decepcionei quando não voltei no dia combinado. Deu pra sentir isso na voz deles.
Foi difícil dormir. Pensei em comer outra trufa, mas logo desisti da idéia, essa trufa só nos causou problemas.
Na terça de manhã bem cedo liguei o radio que ficava na mesinha. Ouvi uma melodia familiar.
Fiquei ouvindo por algum tempo, a melodia, a música, até perceber que se tratava da minha música. Um poema.
Eu não acreditei no que estava ouvindo. Achei que fosse só um sonho, mas quando a música parou de tocar o locutor falou.
“E este foi o primeiro lugar, top nas paradas: Um poema, de Annelise Ribeiro.”
Eu quase desmaiei. PRIMEIRO LUGAAAR!!! NA ESTAÇÃO MAIS OUVIDA DO PAÍS!!!
Sintonizei o rádio em outra estação. Também estava tocando minha música.
Coloquei em três outras estações, e também estavam tocando a minha música.
Fiquei tão feliz, tão emocionada que comecei a vomitar.
Tive que chamar o serviço de quarto pra limpar a sujeira. Rick aproveitou a porta estava aberta e entrou sem minha permissão.
– O que houve?- ele perguntou.
– Só vomitei. – eu disse.
– Por que?
– Porque minha música está tocando em todas as estações da rádio.
Ele começou a rir.
– É verdade?
– É.
Nós dois começamos a rir.
– Parece que tudo isso não foi em vão, afinal. – ele me lançou um olhar acusador.
– Acho que exagerei. Mas ainda estou com medo de perder minha bolsa de estudos. Meus pais estão decepcionados comigo.
– A empresa aérea acabou de me ligar. Os vôos foram liberados.
– Sério?? — perguntei.
– Sim, pega tuas coisas. Vamos pra casa.
Meia hora depois estava tudo pronto, as malas já estavam no carro, e estávamos indo para o aeroporto.
– Sinto muito por tudo, Lizzie. – disse Diego – A idéia da aposta foi minha. E eu insisti pro Rick aceitar. Chamei ele de bundão medroso.
Eu ri. Rick me olhou pelo retrovisor e revirou os olhos.
– Quando chegarmos, se estiver tudo bem na escola, eu digo se perdoarei vocês.
***
O vôo até que foi tranquilo. Fiquei comendo o caminho todo, e ouvindo as estações da rádio, e quase todas tocavam minha música.
As pessoas não paravam de pedir minha música. E eu não me cansava de ouvi-la tocar o tempo todo.
Cheguei em casa quase meio dia. Meus pais estavam me olhando estranho, uma mistura de orgulho e reprovação.
– Desculpe. – disse eu quando os vi. – Eu queria muito não ter perdido aula.
– Agora já está feito. — disse meu pai.
– Vai ter que encarar as conseqüências. – disse minha mãe.
– Mas minha música está tocando o tempo todo em todo canto. – eu disse. – Talvez tenha valido a pena.
– Claro que valeu a pena, minha filha. – disse minha mãe. – Mas correr o risco de perder sua bolsa de estudos não. Espero que tudo fique bem, agora vá se arrumar para ir pra escola.
Tomei um banho e descansei um pouco, minha mãe tentou me fazer comer, mas eu já tinha comido bastante no avião.
***
Meu pai me levou pra escola, no caminho tentei explicar pra ele como perdemos o vôo no domingo, mas ele não conseguia assimilar a idéia de uma trufa poderia fazer alguém entrar em coma.
Chegando na escola encontrei Armando rapidamente, e ele estava...
Estava de mãos dadas com Thays?? Só fiquei fora por um dia. O que eu perdi?
Me aproximei timidamente.
– Oi?
– Oiii, Lizziee! – disse Thays e me abraçou.
– Oi, Lizzie! – disse Armando, e deu um soquinho no meu ombro.
– Conta tudo sobre a viagem. – pediu Thays.
Enquanto caminhávamos pra sala de aula, contei a eles sobre a gravadora, como tive que fazer uma música às pressas, como conheci Luana, e a parte embaraçosa: as trufas do sono.
Eles me contaram uma história também. Armando salvou a Thays de ser atacada por um gato raivoso, e agora, eles estão pensando em namorar. Mas primeiro resolveram se conhecer um pouco mais.
Antes da aula, tive que ir na sala da diretora para justificar a minha ausência no dia anterior.
Estava torcendo para que ela não me expulsasse da escola.
Quando bati na porta e entrei na sala, meu coração congelou. A diretora estava com uma expressão enfurecida, e me encarava de um jeito nada amigável.
– Até que enfim resolveu aparecer. – disse ela. – Sente-se, vamos discutir o seu futuro nesta escola.
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