Pop Star - Uma Estrela No Céu
27 Escapei por pouco! Ou talvez não...
Sentei na cadeira em frente a sua mesa. Eu estava com medo de olhá-la nos olhos.
– Olhe para mim. – disse ela de um jeito intimidador.
Levantei o rosto e olhei para ela.
– Então quer dizer que a senhorita faltou aula porque viajou? — perguntou a diretora.
– Sim, senhora. Eu estava planejando voltar no domingo, mas os vôos foram cancelados por causa do mau tempo. – eu disse.
– Engraçado. – ela me olhou com cara de louca. – Eu estava em São Paulo, e voltei no domingo. E não estava chovendo nem um pouco.
Eu gelei, e não soube o que dizer.
– Bom, na verdade houve uma confusão, e perdi meu vôo, e as empresas aéreas só liberaram os vôos hoje de manhã. Sinto muito por ter faltado ontem.
– Você sabe que é uma bolsista. E em qual circunstâncias você pode faltar aulas?
– Doença ou morte. – respondi infeliz.
– Você estava doente ou morta? — perguntou a diretora, mas ela mesma respondeu. – Eu acho que não. Eu poderia expulsá-la ou castigá-la por três meses.
– Por favor, não me expulse. – pedi.
– Eu não vou te expulsar. – ela disse, e eu suspirei aliviada. – Se... – ah não, um “se” não é bom sinal. – Você participar das olimpíadas e levar ouro em uma das modalidades.
Fiquei atordoada com a condição dela.
– Mas... e se eu não conseguir levar ouro? — perguntei .
– Não te expulsarei esse ano, pois já está quase no fim do ano letivo, mas, você não terá mais sua bolsa de estudos no ano que vem.
– Por causa de uma falta? Eu nem perdi nenhuma prova, nem nada. – falei intrigada.
– Se você não quiser participar das olimpíadas representando a escola, você vai ficar de castigo pelo resto do ano letivo. – ela disse ameaçadoramente.
– Que tipo de castigo?- perguntei.
– Huuum, sem intervalo, você iria estar à disposição de todos os professores pra ajudar a digitar provas, corrigir, ajudar na limpeza das salas de aulas, dos banheiros, e você deverá tirar média 10 em tudo.
Fiquei em pânico, eu não seria expulsa, mas se eu não ganhasse as olimpíadas teria que passar por maus bocados, e se eu não aceitasse a oferta passaria por péssimos bocados. E pra completar, tinha muita chance de eu não estudar lá ano que vem com a bolsa de estudos.
– Eu não posso te prometer que vou vencer as olimpíadas. – disse eu.- Pelo que eu sei, as provas serão semana que vem, e tem gente que está se preparando há muito tempo.
– Isso não é problema meu. – ela disse friamente.
– Não entendo o motivo disso. Por que a senhora quer tanto que eu vença as olimpíadas? — perguntei.
– Porque a porcaria da minha irmã mais velha tem uma escola estilo internato, e a escola dela sempre ganha ouro nas olimpíadas de física, química e matemática. E há cinco anos eu me contento com o segundo lugar. E todo natal, páscoa e aniversários da família eu tenho que aturar ela passando isso na minha cara. – ela parou pra respirar. – E eu acho que você pode ganhar pra mim. Quer dizer, pra escola.
Ela me olhava com expectativa.
– Por que a senhora não me pedi isso antes? — perguntei.
– Eu tive medo de que você não aceitasse, por isso tentei forçá-la.
– Entendo.
– Sinto muito, Annelise. Você quer participar das olimpíadas? Se não quiser você só vai pegar uns trabalhos pra fazer.
– Não. Eu quero participar das olimpíadas. Vou vencer pela escola. – disse eu. – Tentarei trazer um troféu de ouro para enfeitar a sua sala.
Ela me olhou com um brilho nos olhos.
– Obrigada, Annelise. Saiba que você pode me pedir qualquer assistência que envolva a olimpíada.
Ela começou a me dar vários papéis.
– Estes são os assuntos que cairão na prova. Se você tiver dúvidas pode falar, que eu vou providenciar aulas particulares para você.
– Ok. Obrigada.
Eu me levantei para sair da sala.
– Está esquecendo algo. – disse a diretora. – Pra entrar na sala de aula vai precisar disto.
Ela escreveu algo no papel e me entregou.
Um pedaço qualquer de papel, onde havia carimbado o nome dela e espaço pra colocar a data, que ela preenchera com a data de hoje.
Sorri pra ela e sai da sala. Voltei correndo para a sala de aula.
***
Chegando na sala bati na porta e abri.
– Licença, professora. – disse eu.
Ela me olhou com uma cara que dizia “ Por que diabos você está interrompendo minha aula, criatura?” .
– Pois não? — disse ela.
– Eu estava na sala da diretora. – mostrei o papel a ela.
– Tudo bem, sente-se.
Ramonn estava me olhando com um sorriso estampado na cara. Me segurei pra não me jogar nos braços dele.
Sentei na minha cadeira e a aula prosseguiu.
Só na hora do intervalo tive oportunidade de contar o que aconteceu pros meus amigos.
Contei sobre a viagem, e a conversa com meus pai e a diretora.
– Também vou participar das olimpíadas. – anunciou Armando.
– Sério? Por que? — perguntei.
– Eu participava quando estudava no internato, sempre ganhava os troféus de ouro.
– Espera aí, deve ser o internato da irmã da nossa diretora. – sugeriu Sofia.
– É sim. – disse Armando. – Eu sempre ganhava, e como uma recompensa não oficial, a diretora me pagava rodízios pelo resto do ano.
Então a nossa escola perdia por causa do Armando? Então já que ele estava aqui eu não precisaria carregar esse peso sozinha.
– Não é fácil, Lizzie. Mas nós dois juntos vamos conseguir de boa. – continuou ele.
– Obrigada. – disse eu.
Ramonn estava apertando minha perna, era um sinal de que queria ficar a sós comigo.
– Gente, nós vamos... – eu disse.
– Beber água. – completou Ramonn.
– Sei... – disse Thays num tom acusador.
Nós caminhamos até a parte lateral do ginásio. Não ficava muita gente por lá. Assim que chegamos lá ele me deu um beijo.
– Eu tava com saudades de você. – disse ele baixinho.
– Eu também. – respondi.
E ficamos nos beijando.
Na nossa escola, sempre na hora do intervalo eles colocavam a rádio da escola no ar. Para contar as oportunidades de adiantar e recuperar matérias, as ofertas de cursos e até de empregos. Mas também colocavam músicas.
Quando estávamos voltando para a sala de aula, uma melodia familiar pairou no ar.
Minha música estava tocando na rádio da escola!
A voz familiar de Pedro, nosso colega que era o locutor, ecoou em todo o pátio.
“ A música mais pedida do Brasil: “Um poema” da nossa querida amiga Annelise Ribeiro.”
Minha música começou a tocar.
As pessoas começaram a gritar e aplaudir, todos olhavam e sorriam pra mim.
Ramonn, Sofia e Thays me abraçaram. Armando pareceu sem jeito mas entrou no abraço.
Todo mundo estava gritando. A música havia acabado, mas eles pediam mais.
Pedro, o locutor, saiu da sala da rádio com o microfone na mão.
– Canta, Annelise!
As pessoas entraram no coro. Logo, estavam mais de cem pessoas gritando.
– Canta, Annelise! Canta, Annelise!
Se era música que eles queriam, era música que iriam ter.
Agarrei o microfone.
– Vamos lá, galera! – falei.
Todos começaram a gritar e aplaudir.
Meu segundo show estava prestes a acontecer.
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