Pop Star - Uma Estrela No Céu
34 Começo da Turnê.
Tive muitos pesadelos durante a noite, um em que meus fãs atiravam ovos em mim, e outro que foi bem pior: Ramonn e Mayra estavam se beijando, e quando perceberam que eu estava vendo começaram a rir da minha cara.
– Você não passa de uma lata de lixo. – disse Mayra no sonho.
– Por que eu ia querer você se eu tenho a Mayra aqui? — disse Ramonn.
E o pior de todos, Mayra e Diego rindo de mim, comemorando o sucesso do plano.
Quando finalmente amanheceu tomei uma decisão: Eu iria pedir um tempo à Ramonn.
Esse tempo seria bom para nós dois. Eu precisava pensar em tudo que estava acontecendo na minha vida, e Ramonn precisava rever seu conceito de confiança.
Eu ainda estava cansada do show, mas meus pais tinham marcado com um corretor de imóveis. Nós iríamos comprar uma casa nova.
Ramonn não iria com a gente, então eu tinha pouco tempo pra contar minha decisão a ele.
– Ei, preciso falar com você. – disse eu.
Estávamos sozinhos na sala de estar, minha irmã estava dando banho nas bonecas e minha mãe estava tomando banho, meu pai tinha ido trabalhar.
– É sobre ontem a noite? — disse ele baixinho, e levou as mãos às suas áreas baixas.
– Não. – respondi secamente.
– Olha, não tem uma forma fácil de falar isso... – comecei.
– Então não fale. – ele me interrompeu.
Ignorei a interrupção.
– Eu quero um tempo. – disse por fim.
– Como assim? — perguntou ele.
– A gente tem que pensar no que estamos fazendo no nosso namoro. – disse eu.
– Eu sei bem o que a gente não faz. – disse ele com um tom de malicia e decepção.
– E nem vamos fazer.
– Por que?
– Porque eu não quero. Você não confia em mim. – respondi.
– É claro que confio em você. – disse ele.
– Ah, é mesmo? Você acredita até em um bilhete idiota, mas não em mim. E eu tenho certeza que você só deixou essa historia pra lá porque queria transar comigo ontem a noite. – eu disse.
Ele parecia ter levado uma bofetada na cara.
– Isso não é verdade. Não saia por ai falando o que pensa. – disse ele.
– Estou fazendo o que você vem fazendo comigo há meses! – falei.
– Eu não preciso de um tempo. – disse ele. – Preciso de você.
– Nós vamos dar um tempo sim, e quero que você respeite isso.
– Tudo bem. – disse ele.
Então pegou sua mochila e foi embora.
Me joguei no sofá e respirei aliviada.
Eu não me sentia triste, nem um pouco pra ser sincera. Já não agüentava mais tanto mimimi, desconfiança e cobrança.
Deu vontade de correr pela casa cantando “Let It Go”, mas me contive.
Minha mãe chegou na sala.
– Cadê o Ramonn? — perguntou ela.
– Me livrei dele. Pedi um tempo. – respondi.
– Você tá bem?
– Estou, mamãe. Ramonn vem me dando muito trabalho, e não confia em mim, eu já tenho uma vida corrida e agitada, não preciso disso, se ele ver onde está errando e mudar, eu volto, mas se não ficar sozinha é melhor.
– Eu não esperava essa atitude de você, filha. Mas estou orgulhosa. Não se prenda a ele, é só um namoro não um casamento. Agora vá se arrumar, seu pai chega já já.
– Ok.
Fui me arrumar, eu estava com uma sensação diferente dentro de mim.
Sabe quando você faz exercícios físicos com uma caneleira de um quilo em cada perna, e você tira a caneleira e começa a fazer sem, e suas pernas ficam leves parecendo ser feitas de papel?
Pois bem, eu estava me sentindo um papel, mas não me sentia vazia. Me sentia normal, essa era a verdade, eu estava muito bem.
***
Olhamos várias casas na parte alta da cidade, porém a que agradou a todos foi uma mansão.
Era uma casa enorme, na entrada havia muito espaço, uma garagem que tinha espaço pra cinco carros grandes. Um belíssimo jardim com esculturas de mármore, e uma estradinha que dava numa bela fonte, onde havia uma estátua média de Poseidon segurando seu tridente. A água jorrava na fonte, e haviam peixinhos nadando nela.
Por dentro a casa não era menos espaçosa,no térreo havia a sala de estar que era gigante, a cozinha ainda maior alguns quartinhos para se guardar qualquer coisa, dois banheiros e uma dispensa, no primeiro andar haviam cinco quartos, sendo três suítes, e um banheiro. E havia o sótão, que era enorme também, e assim que o vi, decidi que ali seria o meu próprio estúdio, onde eu poderia fazer vídeos para os meus fãs.
Ainda havia o quintal, era quase do tamanho da casa. Havia uma grande piscina muito bonita, a grama bem cuidada, e mais adiante tinha um grande espaço que poderia funcionar como quadra de esportes, ou um salão de festas. Todos nós ficamos satisfeitos com a casa, custava um pouco mais do que pretendíamos gastar, mas isso não foi um problema.
Agora eu estava rica!
Compramos a casa. Demorou uns dois para a papelada ficar pronta e assinada, mas a casa era oficialmente nossa.
Fizemos a festa, compramos tudo novo móveis, eletrodomésticos, tudo.
Uma semana depois estávamos devidamente instalados em nossa nova casa, os quartos estavam prontos, e meu estúdio também.
Meu quarto era o maior da casa, nele estavam bem postados, meu guarda roupas, minha escrivaninha, minha cama, e minhas estantes com meus livros, estava todo decorado com um tema “Pop Star”, e meu closet estava topado de roupas de show.
Fora a casa, haviam mais novidades em minha vida, gravei mais três videoclipes, e outro CD, as aulas na escola estavam pra acabar, e eu poderia começar uma turnê fora do Brasil.
E Ramonn... Bem, Ramonn tentava falar comigo todos os dias,mas nem sempre eu estava disposta ou tinha tempo pra falar com ele. Umas cinco vezes ele tentou levar a diante a idéia de voltar a namorar comigo, mas eu sentia que ele não tinha mudado.
Eu ainda gostava dele, nunca tinha dito a mim mesma que tinha acabado pra sempre, mas eu não queria que continuasse como estava.
***
Finalmente as aulas acabaram, e eu pude fazer minha turnê, comecei na Espanha.
Fiz shows em Madri e Barcelona.
Depois em Portugal, fiz shows em Coimbra e Valença.
E continuei fazendo a turnê, mas sem sair da América do Sul.
Quase um mês depois, quando eu ia fazer show nos Estados Unidos senti algo estranho, meu corpo não me obedecia.
Eu estava ensaiando pro show, e comecei a sentir uma falta de ar muito forte, os gringos demoraram um pouco pra compreender que eu estava morrendo por falta de ar, mas logo Rick chegou e me ajudou. O médico de plantão foi chamado, ele perguntou se eu já tinha sentido isso antes, e eu respondi que nunca sentira uma falta de ar tão forte, mas já sentira de leve.
E ele disse que eu precisaria fazer alguns exames imediatamente.
O show em Seattle foi adiado por duas horas.
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