Notas iniciais
Atenção: Capitulo narrado pelo Ramonn.

Muitos chegaram pra mim e tentaram advertir que realmente tinha acabado, mas eu me recusava a acreditar.

“É só uma tempo.”, eu dizia a mim mesmo.

Passei noites sem dormir, dias sem comer, só pensando no que eu precisava fazer para que ela me aceitasse de volta, eu estava infeliz, quase entrando em depressão.

Minha mãe me convenceu a conversar com minha tia que é terapeuta, mas não foi de grande ajuda.

Eu só percebi o quanto a Annelise preenchia minha vida quando ela se foi.

Antes, na escola, todos me cumprimentavam, eu “tinha muitos amigos”, era muito popular. Mas depois que se espalhou a noticia de que Lizzie e eu tínhamos terminado as pessoas me tratavam como se eu tivesse uma doença contagiosa.

As meninas me olhavam como se eu fosse o culpado por todos os problemas do mundo, e os meninos me olhavam como se eu tivesse meleca no lugar do cérebro.

Mas o que mais me abatia era não ter ela comigo, eu poderia passar anos sendo desprezado por todos, mas não por ela, eu a amava, sei que errei e estava disposto a mudar, mas ela simplesmente parou de acreditar em mim.

Eu vacilei muitas vezes, vacilei em ter acreditado em tudo menos nela, eu sabia que ela era uma namorada dedicada, que podia ter qualquer cara que quisesse, porque alem de linda era incrível, mas ela estava comigo, e eu não dei valor a isso.

Minha mãe entrou no quarto sem bater.

– Coma alguma coisa, Ramonn. Você não come bem há meses. – disse ela preocupada.

– Não estou com fome. – disse eu.

– Você está só pele e osso! – disse ela.

– Eu não ligo, mãe.

– O que você quer que eu faça? Quer lasanha? Feijoada? Um bolo de chocolate? Me diga, que eu faço qualquer coisa pra você comer um pouco.

– Desculpe, mãe. Mas estou sem fome.

– Eu não queria apelar pra isso, as você não me dá escolha. – ela fez uma pausa. – Ou você come ou eu vou te levar ao médico.

– Tá, eu como, mas só um pouco. – disse eu por fim.

Ela pareceu ficar animada.

Colocou um prato de arroz com feijão, salada e carne cozinhada.

O cheiro estava ótimo. Comecei a beliscar um pouco, e de repente percebi que estava faminto.

Comi mais rápido do que deveria. Eu já tinha comido mais da metade quando levantei pra abrir as janelas, e minha mãe aproveitou e colocou mais comida no meu prato.

Ela jura que eu não percebi, mas comi mesmo assim.

Meu ânimo foi temporário, logo eu estava largado na cama de novo. Eu não a veria mais, as aulas tinham acabado. Ela estava fazendo muito sucesso pelo Brasil e pelo mundo.

Eu vivia vigiando a vida dela pelas redes sociais e sites de fofoca, porque quando eu tentava falar com ela pelo chat do facebook ou ligar pra ela, ela não atendia, e dizia que estava ocupada.

Até que um belo dia minha mãe resolveu fazer uma visita à mãe de Lizzie, e disse que queria que eu fosse junto.

– Tudo bem então. – respondi.

Ela ficou bem animada quando eu disse que ia junto.

Mas eu corri pro computador para acessar sites de fofocas, eu queria saber se Lizzie estava em casa, pois da última vez que eu tinha olhado, três dias antes, ela ia fazer um show em Seattle.

Acessei o site de fofocas mais confiável: babadonahora.com .

Lá tinha um vídeo recente falando sobre Annelise.

Apertei o play.

“Pois é, a cantora mundialmente famosa, Annelise Ribeiro adiou três shows nos Estados Unidos por problemas de saúde, mas a cantora afirma que é só um resfriado misturado com a rotina corrida. Seu empresário, Rick Fortinelli afirma que a cantora preferiu se recuperar em casa. Então é isso mesmo, galerinha, Lizzie Ribeiro está de volta ao Brasil e tuitou que está bem, será que está mesmo?”

Pausei o vídeo, já tinha o que eu queria saber. Lizzie estava em casa.

***

Eu e minha mãe fomos até a casa dela. No caminho eu estava tão ansioso e ao mesmo tempo perturbado. Será que ela estava bem mesmo?

Assim que chegamos em frente a casa dela pulei do carro e corri pra tocar a campainha.

Toquei duas vezes e esperei, alguns instantes depois uma moça abriu a porta.

– Oi, posso ajudar? — disse ela.

Eu não a conhecia, talvez ela fosse uma prima, ou a babá da irmã dela.

– A Lizzie está? — perguntei.

– Lizzie? Aqui não mora nenhuma Lizzie, desculpe. – disse ela com um ar sério.

Olhei pra minha mãe desesperado.

– Deve haver um engano, moça. – disse minha mãe. – A Lizzie mora aqui desde pequena.

– Ah, desculpem, mas eu comprei essa casa há duas semanas, não sei quem são os antigos donos.

Minha mãe me olhou com solidariedade, e eu parecia ter levado um soco no estômago.

Sai cambaleando até o carro, sentei-me e não disse nada.

– Sinto muito por isso. Você está bem? – disse minha mãe.

– Não vou mentir, estou péssimo.

– Vamos descobrir onde ela mora então. Ela é famosa, não deve ser difícil encontrar.

– Ela nem me falou que se mudou. Acho que ela não quer nada comigo mesmo, e eu fico aqui feito um otário sofrendo e chorando.

– Então talvez esteja na hora de refazer a sua vida, meu filho.

– Desde que ela ficou famosa ela só esnoba todo mundo. A Thays disse que elas mal se falam agora.

– Ela deve estar sem tempo, filho.

– Ela é uma metida! – explodi. – Não quero mais saber dela.

– Não fale assim, não julgue sem saber. A Lizzie nunca foi disso.

– A fama e o dinheiro mudam as pessoas, mãe.

– Não importa, você não sabe o que ela está passando, assim como ela não sabe o que você passou. Então pare com isso.

***

Nos dias que se seguiram continuei sem fazer nada que preste.

Eu só ficava na frente do computador, vigiando as redes sociais dela, os sites de fofoca, e qualquer coisa que falasse sobre ela.

Até que três dias depois ela publicou uma mensagem em seu facebook.

“Queria agradecer o carinho e as orações de todos vocês, estou bem melhor, e no final de semana continuar minha turnê nos Estados Unidos.

Muito obrigada, lindos, beijos.

P.S.: Meu twitter esá travado, como faz pra destravar? rs. “

Mais de meio milhão de pessoas curtiam e comentavam, davam dicas pra ela destravar o twitter.

Por curiosidade abri o twitter e visitei seu perfil @LizzieRibeiroOficial .

As tags mais postadas eram #PassaPraLizzie.

Cliquei em uma delas para ver o que era, e apareceu um enorme texto em inglês, cliquei para traduzir.

Era um apelo de uma mãe. A filhinha dela estava com câncer, e os médicos deram pelo menos mais três meses de vida pra menina, ela tinha seis anos e era super fã da Lizzie. Elas moravam em Manhattan, e o sonho da garotinha era conhecer a Annelise. E a mãe fez um apelo pelo twitter, pediu para que Annelise escrevesse algo para a filhinha dela, este era o último desejo da menina.

Fiquei chocado com aquilo, se uma pessoa está morrendo de câncer, seu ultimo desejo deveria ser conseguir se curar, e não conhecer uma pessoa famosa, mas ela era só uma criança.

Tive pena da família, tive mais pena ainda porque sabia que a Lizzie não ia mandar mensagem nenhuma.

Ela não respondia a mim, que fui importante na vida dela, imagina uma garota que ela nunca viu na vida.

Eu estava furioso com Annelise, furioso!

Uma raiva imensa crescia dentro de mim, e eu prometi a mim mesmo que não ia mais chorar por ela.

Nunca mais.

Notas finais
Então gente, desculpem a demora. Espero que gostem. O que vocês estão achando dessa promessa do Ramonn? kkkkk Será que vai durar? Já leram minha outra fanfic LizzexRamonn? Leiam, acho que vão gostar. https://fanfiction.com.br/historia/662039/Apenasquinzesegundos/