Notas iniciais
bem, resolvi postar mais uma história no nyah, e gostaria de reviews com opiniões, qualquer coisa.
-não há data definida para as postagens, apenas espero fantasmas se manifestarem.
Bem, é isso.

Não, isso não vai dar certo. E nem entendo o porquê de dar. Amasso a folha com toda a raiva que consigo reunir e a jogo para trás de minhas costas. Minha testa está úmida, resolvo passar a mão nela, talvez eu consiga pensar melhor. Mas simplesmente não consigo me concentrar o suficiente para isso, mesmo precisando tanto. Porra, mas que saco. Não entro no chuveiro há quase 72 horas, me sinto podre. Podre e inútil. Você é simplesmente incrível, Charlotte. Bato meu punho cerrado sobre a mesa encosto o rosto na madeira envernizada da escrivaninha.
Pensar, eu preciso... Pensar.
O que eu devo dar a eles é uma história, e uma história eu darei. Levanto rapidamente de minha cadeira e vou até a cozinha, onde minha caneca de café gelado repousa sobre a pia, coloco-o dentro do micro-ondas e marco 90 segundos.
Mordisco meu lábio superior, até lá, o prazo será estourado. Também preciso de mais tempo, droga. Dou de ombros, posso ver se o editor não possui nenhum fetiche estranho.
E mesmo se tiver, eu dependo disso. Ou então estarei realmente ferrada. O interior de minha cabeça dói, e eu preciso descansar, sinto como se alguém estivesse fazendo suco com meu encéfalo.
Fico na ponta dos pés e agarro anécessaireflorida com detalhes rosados que está em cima da geladeira; abro-a e tomo meu comprimido pálido, engolindo com força, preciso fazer esta madrugada render, e muito. Seguem-se dois sinais agudos vindos o micro-ondas e pego minha caneca nas mãos e a assopro. É mais do que óbvio que não está quente o suficiente para isso, mas que seja. Aspiro o aroma antigo e estimulante e coloco a peça de cerâmica decorada na pia novamente, não é disso que preciso. Abro o armário de baixo da pia e acho o que queria, vinho. Sorrio ao ver sua data de seis anos atrás, havia ganho de minha mãe, quando ainda vivia em Nápoles. A garrafa se encontra praticamente cheia, porque não gosto de me lembrar de casa com tanta frequência. Mas agora pode ser o momento perfeito para isso, puxo a rolha e a jogo longe. Viro a garrafa boca adentro enquanto volto para frente de minha escrivaninha. Bom, agora eu posso.

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Levanto a cabeça de cima do papel e olho em volta, não há nada que possa estar em ordem. Meu papel está no mínimo amarrotado e eu não escrevi nada mais que rabiscos ininteligíveis, que artístico. Sinto orgulho.
Decido levantar de onde estou e ir fazer algo a respeito de mim mesma, vou para o banheiro e jogo meu pijama mal odorado no chão. Não acho que uma lavagem resolverá isso, acho que apenas a combustão acabará definitivamente com esse cheiro. Quando foi que me tornei isso? Eu não poderia ser normal? Tentar uma vidinha medíocre, achar um palerma pra casar e fingir que sou feliz? Ah, não.
A verdade, Martin, queremos a verdade. É isso o que Coleen* faria? Não, ela tem uma sociedade pra salvar, não acho que se preocuparia com casar tão cedo, e, além disso, ela só tem 14 anos. Ligo o chuveiro no morno enquanto me esfrego, tudo o que sei não pode me ajudar agora. O que Mellie faria? Deixe pra lá, ela é mulher. Retardada como todas as outras. Casou com o cara que estava ajudando ela; meu melhor amigo também me ajuda bastante, e nem por isso me casei com ele. Ele possui sérias tendências homossexuais, mas de qualquer forma. Lavo meu cabelo também, e passo meu xampu aromatizado com baunilha. Esfrego meu couro cabeludo e passo sabonete por todo meu corpo e me enxáguo logo em seguida. Banho sempre me ajudou a pensar, mas não entendo o que está havendo, o porquê de me sentir tão bagunçada. Eu sempre fui uma ótima jornalista, mesmo. Mas vai ver minhas habilidades escritas não são suficientemente boas para um livro. Deve ser isso. Eu preciso desistir dessa babaquice, não recebo meu salário há bastante tempo, e venho enrolado meu senhorio tem quase um ano e meio. Desligo o chuveiro e me enrolo na toalha, e amarro outra na minha cabeça.
Ouço um barulho, e o que temo é inevitável. Espero com a mais pura das forças que não seja exatamente o que eu penso que é, porque se for. Ah, se for mesmo, adiós casa. Saio do banheiro e vou até a sala, é exatamente o que eu temia, ando com cuidado até a porta e ouço mais batidas contra a madeira velha e gasta. Deve estar cheia de cupins, mas não gastaria nem morta o dinheiro que não tenho para arrumar isso.

Aperto forte o nó de minha toalha e abro a porta, quisera não tê-lo feito. A figura pálida me encara na porta com a sua cara típica.

-Semana que vem, eu prometo. – falo rapidamente, ao mesmo tempo que ele deve estar pensando em falar algo. –Sério.

-Tomara mesmo, então. Escute, você ia me pagar semana que vem desde o ano passado, as pessoas cansam de esperar, Charlotte. — eu sinto um aperto na garganta, eu já entendi o que quis dizer. Ele pode ter sido gentil até demais comigo, mas não passa de um alcoólatra chato e frustrado. E incluindo meu primeiro aluguel, ele havia me cobrado uma garrafa de vinho. As quais costumava ter aos montes, antes de me desesperar e descobrir para o que servem de verdade.

-Olha, eu vou pagar, só não é o momento agora. Só mais um tempo... Mês que vem, quem sabe? — ele passa sua mão com veias salientes pela careca lisa, em sinal de impaciência.

-Aham, e depois, o mês que vem, a semana que vem, quem sabe no ano que vem? — ele aperta os olhos. -Você tem até semana que vem. E estou apenas te cobrando por um mês, e agradeça por não estar chamando a polícia nem mandando te deportar.

Lá vem ele de novo com essa história de deportação, isso não ia acontecer. Eu tenho um visto, para qualquer um que duvide por causa de minha pele morena.

Porco dio!Aonde diabos eu irei achar esse dinheiro?

-Mas onde eu...?- ele não me deixa terminar de falar, Albert coloca seus dedos calejados em meu queixo e aproxima-me dele.

-Use sua cabeçinha mirabolante, Duche mia. Estava mais que na hora de aprender como usá-la. — e com esse comentário feliz, ele se afasta e segura a maçaneta da porta. — Uma semana, contando... Agora. — ele diz, e fecha a porta atrás de si.

Eu aperto os dedos e quase grito, mas que droga. Não me sinto desse jeito há tempos. Há muito tempo, mesmo. Como se minha garganta estivesse se fechando e tudo ao meu redor girasse. E eu não sei o que eu faço para fazer isso parar, não sei mesmo. Volto para meu quarto e me jogo na cama desarrumada, está assim desde a semana passada; então começo a sentir um tipo de dormência no topo da cabeça, como se algo vibrasse... Pelo que eu saiba, cabeças não vibram, me levanto e procuro no meio das cobertas a origem da tremedeira repentina e acho o objeto liso e pequeno escondido no meio da bagunça. Olho na tela do meu celular e o encaro por alguns instantes. Sua iluminação me mostra uma figura, e percebo quanto tempo não reparo nela de verdade. Duas pessoas, e elas parecem estar se divertindo. Uma garota esbelta aponta seu longo indicador para o rapaz bem afeiçoado ao seu lado, que também parece achar graça de algo. Não entendo do que riem, não mesmo, e apesar de perceber que ambos possuem chantili em seus narizes, e eu sorrio para mim mesma. Zach, é o nome que aparece na tela, e então deslizo meu dedo no botão verde com a ilustração de um celular, e o coloco no ouvido.

-Alô.

-Onde você estava, estou te ligando desde ontem de noite.

-Ah. É, eu meio que tive um problema. Olha, Zack, talvez não seja a melhor hora agora, eu realmente preciso ir.

-Charlie, eu pedi a Lucy em casamento. Eu realmente fiz isso.- isso me atinge como um tapa, ele não pode ter feito isso. Não pode.

-Você... Fez o quê?

-Eu realmente falei com ela, Mart, vamos nos casar.

Notas finais
*: coleen e mellie (amelia, na verdade) são dois dos vários alter egos de charlie
-esse cap não esclarece muitas coisas, por ser o primeiro, e os meus I caps costumam ser assim mesmo.
Beijos ^-^