Ponto De Paz.
10 Festa que não foi festa.
Notas iniciais
- Mari, o que você tem? – perguntou Karen assim que me viu quieta na mesa enquanto todos riam e se divertiam na festa de Halloween.
Eu não sabia exatamente. Mas tudo perdia a graça quando James estava longe. Renata o tirara para dançar e ele foi relutante, desde então fiquei chateada, pois era mais engraçado quando ele estava na conversa. Decidi ficar mais quieta enquanto eu comia e bebia suco.
- Eu estou bem, Karen, só que eu pensei que esta festa fosse melhor. Mas não está sendo muito agradável – respondi dando de ombros.
Ela falou algo com Rose e elas duas me puxaram para ficar de pé e me guiaram até os jardins, onde poderíamos conversar a sós.
- Desembucha, Marina – Rose falou cruzando os braços. – Fala logo o que aconteceu que te deixou bolada.
- Não foi nada, gente – respondi rindo. – Eu só estou meio desanimada com a festa.
- Espero que isso não tenha nenhuma relação com um certo membro da família Potter, ok, senhorita? – Karen disse como se fosse minha mãe.
- Gente, Alvo derrubou um pouco de bebida em mim, mas já secou, eu perdoo facilmente, tá bem? – respondi disfarçando o que elas queriam dizer.
- Você sabe que a pessoa da qual estamos nos referindo começa com “j” e acaba com James.
Dei uma gargalhada.
- Eu amo a presença de James, gente, e acho que ele anima a conversa. Mas nada a ver estar bolada porque ele não está perto de mim, né?
Rose se sentou no muro que separava os jardins do corredor da sala da festa.
- Sabe, Mari, Karen e eu viemos desconfiando que você sente algo a mais pelo meu primo cabeçudo. E vice-versa.
- Vou ser sincera com vocês – assumi. – Eu ando sentindo algo diferente em seu carinho, mas mesmo que esse sentimento seja permanente, qual é a chance de nós darmos certo? Nenhuma! Por isso mesmo já estou tratando de convencer a mim mesma que o excesso de carência está me fazendo sentir essas coisas. Fim.
Karen e Rose se entreolharam.
Sempre fui muito sincera com meus sentimentos, eu não podia negar que James não mexia comigo, mas também tinha que ser realista. Nós somos melhores amigos, se algo não desse certo eu teria que perde-lo como namorado e melhor amigo. Sem contar que as chances dele gostar de mim são nulas pelo mesmo fato de me considerar apenas uma irmã. Então é isso.
- Você está sendo muito pessimista, Mari – Karen disse. – Ouvi outro dia uma conversa de James com Renata e em todos os assuntos James mencionava você e algo engraçado que você fez. Isso deixou a garota irritada, viu? Você é alvo da inveja pela sua amizade com o cara que Hogwarts inteira cai matando em cima!
Dei risada do que minha amiga dissera.
- Fazer o quê se todas as meninas querem segundas intenções com ele e eu apenas quero sua companhia como amigo?
- Queria – corrigiu Rose.
- Ainda quero – confirmei. – Como eu disse é somente o excesso de carência que me faz ver coisas onde não tem.
- Espera mesmo que a gente acredite nisso? – Karen inconformou-se. – Você não pode mentir para a gente.
- Estou sendo sincera, Karen – revoltei-me -, só que agora você que decide se acredita no que estou dizendo ou não. Eu não tenho certeza de nenhum sentimento desses, como você acha que estou me sentindo? E outra, por que eu mentiria para vocês?
- Okay, okay – Rose disse. – Chega. Só prometa que antes de fazer qualquer coisa em relação a esse assunto vai nos contar.
- Eu sempre faço isso – pontuei para lançar uma indireta para Karen que havia me irritado muito, e eu nem sei direito o porquê. – Não preciso de promessas.
O resto da noite passou-se monotonamente chato. James voltou da dança com Renata, mas depois da conversa com Rose e Karen tinha perdido a vontade de permanecer lá. Estava com excesso de pensamentos e isso só me deixava mais quieta e com pessoas ao meu redor perguntando o que eu tinha para estar daquele jeito.
Como estava começando a me irritar, decidi ir para o dormitório mais rápido do que as outras pessoas. Era apenas meia noite e meia e eu me despedi do pessoal. Porém, percebi que Karen sinalizava para James ir atrás de mim, por isso tratei de ir mais rápido. Não estava com vontade de James também perguntar o que eu tinha, por que eu estava quieta e estranha.
Porém, ele me alcançou assim que eu estava quase subindo as escadas do dormitório. Puxou-me pelo braço e me fez parar.
- Mari...
- Eu estou bem, James! – respondi. E o pior que eu estava bem, apenas estava incomodada com Karen. – Não precisa se preocupar.
- Srta. Mitchell – ele disse pegando em minha mão cordialmente e me levando para sentar no sofá. – Vai mesmo mentir para minha pessoa? Algo anda angustiando seu pequeno coraçãozinho e eu, mísero humano, apenas quero ajudar.
- Você é besta, Potter – respondi sorrindo. – É apenas um mal entendido com Karen que levei a sério demais. Exagerei para caramba. E quem tinha que estar brava era ela e não eu. Mas fazer o que se sou tão dramática e propícia ao exagero?
- E orgulhosa.
- Já chega.
- E teimosa.
- Parou.
- Estressada e tal.
- James.
- Ok, Mari, mas pensa bem pelo o que vale a pena brigar – James disse.
- Pensei que Renata estivesse brava com você – falei do nada. – E ela te tirou para dançar. Estranho, né?
- Tenho que lidar com essas criaturas terríveis que são as mulheres – respondeu rindo.
Ri também. Ele tinha que me aguentar, era a prova real que mulher dá trabalho e mais problemas do que soluções.
- Ai ai, Jay, o que eu faria sem você, hein? – perguntei bocejando.
- Você dormiria o dia inteiro igual um bicho preguiça e não teria a diversão digna que somente James Potter é capaz de fornecer.
Porém, foi nesse momento que a criatura que não devemos nomear – e não é Voldemort, ok? – apareceu. Pode parecer clichê, né? A pessoa sempre aparecer na pior hora. Mas é assim que funciona aqui em Hogwarts, nós pensamos que estamos a sós, mas tem três baratas, vinte e quatro pernilongos e trinta e dois professores nos espionando.
- James – Renata falou cruzando os braços.
- E aí, Renatinha – cumprimentou carinhosamente. – Por que está aqui?
Bom, esta é a hora que eu saio de perto. E foi isso que eu fiz, dei um tchau envergonhado e subi metade das escadas, porém, tentei escutar um pouco da conversa.
- Você me deixou plantada lá como idiota! – implicou Renata. – E ainda por cima, veio ficar com a Marina enquanto você está compromissado comigo!
- Não viaja – James respondeu. – Mari é minha amiga, parou de ciúmes bobo.
- Seguinte, James – Renata falou ameaçadora -, ou ela ou eu.
Prendi a respiração.
Ela estava lembrando a Milena, que sempre dava essas crises de ciúmes e proibia James de falar comigo.
- Não posso fazer isso, Renata – James respondeu firme. – Amanhã, quando você estiver mais calma a gente conversa, beleza?
Ouvi passos fortes se afastando.
Desci o resto das escadas e encontrei James pensativo na sala.
- Você escutou tudo que eu sei, bobona – ele falou se virando para mim.
Dei risada.
- Lógico – respondi rindo e me sentei ao seu lado. – Sabe, James, sinceramente, se você gosta mesmo dela, eu não me importo que você se afaste um pouco de mim, pelo menos até ela perder o ciúmes. Sério, vá em frente que eu quero o melhor para você.
James me olhou curioso. E ficou me encarando durante alguns segundos em silêncio. Fiquei desconcertada com a intensidade de seu olhar então desviei o meu para minhas mãos despertando James do transe.
- E você acha que essa seria a coisa certa a se fazer? – perguntou.
- Acho, você gosta dela que eu sei – falei. – E eu não posso ser um empecilho, mesmo sem querer, estou afastando vocês dois.
- Não, Marina. Você é muito idiota – ele disse. – Será que você não percebe que eu não posso trocar nossa amizade de anos por menina nenhuma? Nem por Renata, nem por Milena, nem por Lucy...
- Lucy?
- A gatinha da Corvinal que está me dando mole – ele piscou para mim.
Esse James não presta mesmo.
- Brincadeirinha – ele disse rindo.
- Okay, James – falei rindo também. – Mas voltando ao assunto, não quero que ela fique brigando com você por minha causa.
- Isso não irá mais acontecer.
- Por quê?
- Porque talvez eu não queira tanto assim ficar com ela.
Me surpreendi.
Tipo, Renata parece ser legal, gente boa, porém muito ciumenta. E o único motivo do qual eu não me aproximei dela foi: eu tinha ciúmes dela no início do ano passado, desde então não conseguia forçar amizade.
- Você disse que queria alguém para construir sua vida ao lado dessa pessoa.
- Renata não é essa pessoa, definitivamente.
- Por que você disse para vocês conversarem amanhã, então? – perguntei confusa.
- Porque eu não queria tratar essa discussão hoje – falou.
- Bom, vou deixar você sozinho para pensar mais a respeito desse assunto – beijei sua testa e desta vez, eu subi direto para meu dormitório.
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