Ponto De Paz.
11 Primeiro treinamento.
Notas iniciais
Eu estava a beira de loucura.
Bom, meu sonho sempre foi ser medibruxa, mas meus parentes sempre me desanimaram muito em relação a essa profissão, então eu desisti no meio do caminho. Porém, agora no sétimo ano, eu parei de dar ouvido a eles e estou decidida a me formar em medicina bruxa. E para isso preciso ter notas espetaculares no N.I.E.M.s. Ou seja, estava me matando de estudar para as provas antes das férias de final de ano para facilitar minha nota final no N.I.E.M.s.
Eu estava estudando tanto, mas tanto, que nem tive tempo para almoçar direito. Muitas vezes dormia no sofá e teve uma vez que James chegou no salão comunal de manhã e percebeu que eu tinha passado a noite inteira acordada para estudar e me deu uma bronca danada. Bom, James tinha resolvido dar uma chance para Renata já que ela disse que ia parar de ter ciúmes excessivo, mas eu ainda percebia seu olhar fulminante em minha direção.
Certo dia, James me convidou para passar as férias de final de ano na casa dele. Eu achei uma boa ideia para poder descansar e me distrair, então foi fácil convencer meus pais a isso. Sempre amei passar as férias com Harry, Gina, Lily, Alvo e James.
Bom, e aqui estou eu, na casa dos Potter, na varanda onde dá para ver a neve caindo e ao mesmo tempo estou protegida da nevasca. Eu adoro a neve, acho que todas as estações do ano poderiam se extinguir e existir a neve para sempre. E sim, isso foi gay.
- Bom dia, Mari – Gina me cumprimentou. – O café está na mesa, se não se importar, poderia acordar o folgado chamado James?
Assenti e fui chama-lo. O quarto estava com a porta entreaberta, pois Alvo acabara de levantar. Dei uma espiadinha e entrei.
James estava enrolado em trezentos cobertores, e só quando eu levantei os cobertores percebi o porquê de tantos. James estava apenas de cueca em pleno inverno. Tudo bem que a casa tem aquecedor e tudo mais, mas mesmo assim eu sou friorenta.
- Marina! – ele gritou enquanto eu me virava de costas para não ver a cena. – POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
- EU VOU ADIVINHAR QUE VOCÊ DORME ASSIM? – gritei de volta. – VAI POR UMA ROUPA E DESCE PARA O CAFÉ DA MANHÃ.
- QUE DROGA, SUA TARADA! SE QUERIA ME VER NU FALAVA LOGO! NÃO PRECISA ME ASSEDIAR.
- PARA DE SER GAY, MENINO! – falei enquanto saía do quarto e fechava a porta.
Infelizmente, Lily estava parada em minha frente rindo da situação.
- Shh, Lily – pedi. – Ele ficou envergonhado.
- Foi hilário, Mari! – ela riu descontroladamente.
Balancei a cabeça negativamente, mas dei uma risadinha também. Bom, okay. Vamos ignorar esse acontecimento.
Bom, com o preparativo da festa de ano novo, praticamente todos os membros da família Weasley se encontraram na casa dos Potter, que é relativamente grande para conseguir acomodar todos aqueles ruivos – e agora loiros, morenos, carecas, cabeludos... (Rei, ladrão, policia capitão, estrelinha do meu coração! Quem nunca cantou isso que atire a primeira pedra!).
Como eu praticamente vivi desde criança na casa deles, eu já estava muito familiarizada e Molly até me tratava como neta. É muito engraçado.
E bom, ano novo é época dos meninos jogarem quadribol. Eu sei que é estranho eles fazerem isso quando está nevando, mas é meio que uma tradição. Pelo menos, todas as vezes que passei o ano novo com eles, os garotos jogavam quadribol enquanto as meninas preparavam chocolate quente para os gripados no dia seguinte.
De tarde eles já estavam equipados com tudo o que é necessário e foram para o quintal enorme – e quando eu digo enorme, é enorme mesmo -, que tem os aros e bolas do jogo.
Bom, já eu, fiquei com Rose, Victorie, Dominique, Lily, Gina, Hermione, Fleur, Audrey, Molly (filha do Percy, e não a vovó Molly), Lucy, Angelina e Roxanne. Bom, se essas são só as mulheres, vocês devem ter ideia de como é a família inteira.
Porém, depois de uns trinta minutos, as mulheres mais velhas decidiram ir ajudar vovó Molly com as comidas e preparativos. Por fim, a conversa girou em torno de Rose e Scorpius. O casal “perseguido” da família Weasley. Como fiquei meio deslocada do assunto já que não podia me meter para manter os segredos de Rose ocultos, fiquei sentada na janela observando os garotos jogarem.
E como sempre, Harry é quase perfeito em seus lances. E apesar de ser uma brincadeira familiar, há uma grande rivalidade entre ele e Rony – de times opostos – para pegar o Pomo de Ouro.
- Eu já falei para o Rony que ele já não é mais o mesmo rei da época do colégio – comentou Hermione sentando ao meu lado.
Dei risada.
- Ele ainda faz os passes muito bons, Mione – respondi rindo.
Hermione abaixou a cabeça, como se lembrasse de algo e sorriu, porém, ao olhar de novo a janela se assustou e levantou rapidamente.
- É impressão minha ou alguém caiu da vassoura?
Olhei rapidamente para a janela e vi todos os jogadores aterrissando. Oops, aconteceu alguma coisa.
Alguns minutos depois, Harry apareceu com Alvo em seu colo gemendo de dor.
- Eu disse para vocês não abusarem na força – Rony falou vindo logo atrás de Harry.
Olhei para Alvo que segurava seu pé como se sentisse muita dor. Rapidamente percebi que ele havia caído em cima de seu pé. Porém, ele ainda conseguia movimenta-lo sem problemas, o que deve ser apenas uma torção. Lembrei-me de uma aula que eu tive no curso de férias para futuros medibruxos que ensinava as coisas mais básicas da profissão. E nesse curso, eles deram um kit de primeiros socorros. Subi para o quarto que estava dividindo com Lily e revirei minha mala. Achei!
Bom, vocês devem estar me perguntando por que eu trouxe para uma semana de férias um kit de primeiros socorros... Se vocês fossem desastradas igual eu, provavelmente levariam um consigo mesma.
- Ei, gente, eu sei reparar o estrago – falei quando cheguei na sala.
Todos se viraram curiosos para mim.
- Tem certeza que você sabe o que fazer, Mari? – perguntou Gina preocupada.
- Sim, Gina, eu fiz um curso para férias – respondi sorrindo.
- Ela quer ser medibruxa, mãe – James explicou. – E fica se dedicando a isso 24 horas por dia.
Gina ficou aliviada.
Logo com algumas poções, a dor havia diminuído e enfaixei desde o seu tornozelo até o seu pé. Hermione ficou boquiaberta de não saber algo simples como aquilo e me pediu para ensina-la mais tarde. Dei risada. Vovó Molly se surpreendeu comigo e como “recompensa” me deu o único cookie de chocolate preto e branco.
Depois da virada do ano eu voltei para o cantinho da janela. James sentou-se comigo também.
Droga! Droga! Estou começando a ficar vermelha quando estou sozinha com James. Isso não acontecia antes! Droga! Droga! Mil vezes droga!
- Você foi incrível, Marinazinha! – James bagunçou meu cabelo.
- Eu só fiz o que eu sabia para ajudar o Alvinho – respondi. – Não sou incrível.
- Ah, é sim! Veja por esse lado: eu quero ser Auror, mas ainda não sei nem aparatar sem ficar com minha sobrancelha deformada.
Dei risada. E era verdade.
- Você melhora, Jay.
- Eu sei que sim – ele respondeu.
Ficamos um tempo em silêncio até que ele começou a me encarar de novo muito profundamente.
Droga, droga, droga, devo estar vermelha!
- Como você tem passado muito tempo estudando, me conte sobre o que aconteceu com você nesses últimos meses, Mari – James falou.
- Bom, eu tenho estudado muito – respondi. – Estou beirando a paranoia. E quando não estou estudando estou comendo chocolate ou morrendo de dor de cabeça no dormitório. – Dei risada, mas ele ficou sério.
- Dor de cabeça?
- Sim, por quê?
- Será que não é excesso de dias sem dormir?
- Pode ser, Jay. Só sei que eu não posso dar bobeira.
- Sim, Mari, mas não quero que você fique mais pirada do que já é – ele comentou. – Sem contar que eu vou contar para sua mãe que você não come mais nada no jantar, viu, senhorita? Você me dá mais trabalho que um bebê, nunca vi isso.
Dei risada, agora eu estava mais a vontade com James. Porém, sua preocupação comigo era muito fofa, impossível de não reparar.
E eu gostava disso.
COMO EU GOSTAVA!
- Prometo que vou diminuir um pouco o ritmo pelo menos para jantar – dei minha palavra. – Porque ficar sem jantar tem me trazido problemas.
- Que problemas?
- Bom, não estou querendo me queixar nem nada, mas quando eu fico muito tempo sem comer acho que tenho hipoglicemia.
- O que é isso?
- Taxa de açúcar baixa. E dá tontura às vezes.
Ele fez cara de bravo.
- Marina! – exclamou. – Você é besta ou o quê?
- O quê.
- Estou falando sério, você realmente está ficando paranoica. Pode deixar que eu vou te ajudar a superar essa loucura.
Dei risada.
- Okay, vai fazer o quê?
- Vou roubar todos os seus livros. Você está ficando mais inteligente que eu, não posso admitir isso!
Abaixei os olhos envergonhada.
- Okay, fazer o que, né? – suspirei fingindo estar sem saída.
Ele riu e bagunçou meus cabelos de novo.
- É da hora mexer no seu cabelo – ele riu mostrando-me a língua.
- Espera só até a Renata saber que além de dormir na tua casa durante uma semana, ainda anda mexendo no meu cabelo.
- Eu não dou a mínima.
Dei risada.
Estou com saudades de quando eu via James apenas como amigo, eu conversava bem mais abertamente com ele.
Droga, tomara que seja somente a carência.
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