Poltrona 19

16 Apaixonada?


Notas iniciais
OI PESSOAL! Perceberam o caps lock, né? Claro que sim! Isso é porque eu estou EXTREMAMENTE feliz! O último capítulo bateu o recorde de comentários! Eu quero abraçar cada um de vocês que comentaram, isso é realmente muito importante pra mim! São vocês que me motivam a continuar escrevendo. Vocês são os melhores, sério s2 Continuem assim! Hahaha. Boa leitura a todos!

– Gabriel e Leandro, vocês poderiam buscar os materiais das meninas na sala de aula? – pediu a diretora Rosângela e os dois assentiram, se retirando logo em seguida.

Minha mãe não disse nada e eu preferiria que tivesse dito. Aliás, preferiria que ela tivesse começado seus berros ali mesmo, porque ai eu me sentiria mais calma. Minha mãe gritar mais alto que um auto-falante quando está nervosa é normal, eu já estou acostumada, mas ela permanecer em silêncio é bizarramente assustador.

A diretora cumprimentou uma última vez nossas mães e depois solicitou que eu e Bianca entrássemos em sua sala. Minha mãe apenas se sentou em um banco e começou a averiguar seu celular, enquanto aguardaria.

Nós entramos na sala, nos sentamos lado a lado e Rosângela se sentou em seu lugar.

– Eu conversei com as duas, duas testemunhas e as mães de vocês para tomar essa decisão. Ficou resolvido que as duas levarão uma suspensão de três dias, que as proibirão de participar das atividades escolares pelo resto da semana. — avisou Rosângela nos entregando uma folha que reconheci ser a declaração da suspensão. — Vocês devem assinar aqui... — ela disse indicando um espaço na folha. — E estão liberadas.

Eu nunca me senti tão feliz por ganhar uma suspensão. Eu não fui expulsa. Ela não me expulsou. Isso era inacreditável.

Bianca pegou a caneta primeiro e assinou com pressa o maldito papel. Percebi que ela estava tremendo e imaginava o motivo. Se minha mãe está furiosa, a mãe dela então deve estar querendo matá-la. Porque eu tenho certeza de que a mãe dela teve que concordar com essa punição igual para as duas e se ela concordou, é porque concordou que a filha dela foi a culpada.

Assim que assinou, Bianca se retirou da sala sem dizer uma sequer palavra. Então, peguei a caneta na mesa e comecei a assinar um papel que eu nem tinha mais direito de estar assinando. Queria poder abraçar a diretora de tão agradecida que eu estava.

– Eu me sinto decepcionada sempre que te vejo nessa sala. – disse Rosângela, me pegando de surpresa. – Você sabe que é bastante conhecida na sala dos professores, não sabe? – ela perguntou me olhando e eu apenas assenti. – Mas você imagina o que eles dizem sobre você?

– Não. – respondi sincera.

– Apesar dos seus problemas com alguns professores, a maior parte deles te defende, Isabelle. – ela afirmou me deixando embasbacada. – Quase todos os professores da área de humanas, que lecionaram para você, comentam sobre o quanto você tem potencial. Comentam sobre sua facilidade para entender as coisas, seu raciocínio rápido e sua inteligência.

– Isso é porque a única coisa na qual sou boa é em humanas. – rebati.

– Não, Isabelle. Você acha isso porque não se esforça no resto. – afirmou Rosângela. – Quer saber o que o resto dos professores dizem? Que é impressionante o quanto suas notas são altas nos últimos bimestres, quando você é obrigada a estudar. Você já percebeu isso? Já percebeu que quase fecha todas as matérias?

Eu nunca havia pensado sobre isso, mas era verdade. Quando chega no terceiro e no quarto bimestre, que eu estou desesperada por notas e com medo de reprovar, me foco nos estudos e tiro total em quase tudo. Inclusive nas matérias de exatas.

– Eu fiquei sabendo que você anda dormindo em todas as aulas, não foi isso que quis dizer sobre se manter longe de confusões, até porque deu pra perceber que nem assim conseguiu. – disse Rosângela.

– Você não se sente muito empolgada numa sala de aula, quando se é separada de todos os seus amigos no último ano do colegial. – afirmei.

– Foi necessário, Isabelle. E sei que você fez novos amigos, caso contrário Gabriel não teria vindo te defender hoje. – rebateu Rosângela. – Ele é um bom garoto, apesar de tudo. Só tem problemas demais na família e teve uma adolescência perturbada.

Senti vontade de perguntar: Que tipo de problemas? Como assim, uma adolescência perturbada? Me conte mais sobre isso? Mas é claro que eu não perguntei, ela não pode falar da vida pessoal dos alunos. Então, resolvi perguntar algo que ela poderia me dizer...

– O Leandro defendeu Bianca?

– Não, ele deu o mesmo relatório que o Gabriel. – ela respondeu e eu sorri. Ele ainda era Leandro, o meu melhor amigo.

– Obrigada por responder e pela chance que me deu hoje. – agradeci.

– Pense no que te falei, Isabelle. Você tem potencial e eu sei que dará muito orgulho aos seus pais, basta acreditar em você mesma. – ela disse e sorri em resposta.

Me levantei e quando minha mãe me viu na porta, também se levantou. Gabriel estava ao lado dela segurando meus materiais e então os vi se despedirem. Quando minha mãe saiu andando, peguei meus materiais com o Gabriel e disse um singelo "obrigada", enquanto ele me dava um beijo na testa. Então, sai andando na direção dela, caladinha e quietinha. Quando entramos no carro aconteceu basicamente o seguinte: Ela colocou o cinto de segurança, ligou o carro, saiu da vaga e...

– Você ta ficando com dois caras, Isabelle? – gritou.

– O que? – indaguei confusa.

– A diretora disse que Bianca a agrediu porque você está com Gabriel e Arthur.

Ai que momento constrangedor, até senti minhas bochechas enrubescerem. Agora minha mãe sabe que realmente já fiquei com Gabriel e também sabe que fiquei com Arthur.

– Eu recebi uma ligação no meu serviço pedindo para que eu fosse até a escola, porque minha filha se envolveu numa briga. Ai eu descubro que foi por causa de dois caras? – ela continuou a gritar.

– Calma, mãe. – pedi. – Eu não estou com dois caras ao mesmo tempo, fiquei com eles em momentos diferentes, só que Bianca descobriu agora e surtou desse jeito. Ela é uma vadia, ela está com o Leandro e me bateu por causa de outros dois caras! Isso é inacreditável!

– Menos mal. – ela disse. – A diretora e o Gabriel deixaram claro que você não teve culpa de nada, mas eu fiquei decepcionada por ter sido chamada no colégio. Fiquei preocupadíssima por saber que estava na enfermaria. E furiosa por saber que você poderia ser expulsa.

– Eu sei, mãe. Desculpa. Isso não vai acontecer de novo.

– Mas não vai mesmo, porque se você for expulsa do colégio, vai levar uma surra da sua mãe aos quase 18 anos de idade.

– Ta bom. – concordei.

– E você não vai ficar em casa pelo resto da semana sem fazer nada, não. Eu vou liberar a Elisa e você vai arrumar a casa. – afirmou minha mãe.

– Não mesmo, mãe. Eu não vou arrumar a casa esses dias tudo! – reclamei.

– Vai sim, ou você achou que iria ficar sem castigo nenhum?

– Mas eu não tive culpa! Eu fui agredida! Eu fui a vítima! – rebati.

– Isso é pra você aprender a pensar bem antes de sair beijando rapazes por ai.

– E quer que eu faça o que? Saia beijando moças? – provoquei.

– Isabelle! – ela repreendeu e eu ri.

– Ta bom. Eu arrumo a casa e esquecemos dessa história? – negociei. Ela não respondeu, mas como diria aquele velho ditado: Quem cala, consente. Fiquei feliz pela situação ter se resolvido assim, porque estava esperando pelo fim do mundo. Tenho certeza que ela está nervosa comigo, mas realmente eu não tive culpa.

Peguei meu celular e me assustei ao ver no relógio que já eram 12h40. A briga havia acontecido no intervalo e sai do colégio praticamente junto com o resto dos alunos, que por acaso, nesse exato momento, deveriam estar todos falando sobre mim. Mandei uma mensagem para todos os meus amigos, dizendo: "Domei as feras. Suspensão pelo resto da semana e virei a faxineira da casa durante esse tempo. Não se livraram de mim! Haha Amo vocês, obrigada por tudo".

Não demorou muito para chegarmos em casa, onde minha mãe nem entrou. Ela apenas me deixou na porta e seguiu para o trabalho. Quando entrei em casa Elisa fez o escândalo do ano por causa dos meus machucados, ai tive de explicar tudo para ela enquanto almoçava. Elisa sendo o amor de pessoa que é, prometeu que faria lasanha no dia seguinte para eu me sentir melhor. Ela sabe mesmo como deixar alguém feliz, porque eu amo lasanha.

Após almoçar tirei um longo cochilo. Acordei ouvindo alguns barulhos e me levantei para me certificar o que era. Me surpreendi ao ver Natália no chão do seu antigo quarto, revirando as gavetas do guarda-roupa. Quando Natália se mudou, comprou quase todos os móveis novos, então seu quarto permaneceu com a cama de solteiro e o guarda-roupa velho. Minha mãe o transformou em um quarto de visitas, mesmo que ali ainda houvesse algumas coisas de Natália, principalmente no guarda-roupa que ela estava revirando.

– Oi – cumprimentei parando na porta do quarto.

– Oi, Isa. – ela disse sorrindo, me olhando por um breve momento e depois voltando a atenção para uma papelada à sua frente. – Te acordei?

– Sim, mas não tem problema.

– To procurando uma apostila que usei no quarto período, nela tem uma parada muito importante que to precisando pra um trabalho. – explicou Natália. – Ainda bem que não joguei quase nada das coisas que usei na faculdade fora. Mamãe vivia dizendo que uma hora ou outra precisaríamos dessas coisas de novo, ela estava certíssima.

– Quer ajuda? – perguntei.

– Se não for incomodar.

– Não vai não. – respondi, me encaminhando até o guarda-roupa.

– Na parte de lá também tem alguns papéis. – disse Natália apontando para duas portas fechadas. – Ela não é muito grossa e tem a encadernação azul. – explicou e depois me olhou, então fez uma careta. – Fiquei sabendo da briga, mas não fiquei sabendo dos arranhões.

– Pois é, foi a vadia da Bianca. – expliquei, abrindo as portas do guarda-roupa e me sentando no chão para averiguar a papelada.

– A Bianca do Arthur?

– A própria. – respondi.

– Mas o que exatamente aconteceu?

– Eu fiquei com o Gabriel, o cara que almoçou lá na vovó e ela já teve um rolo com ele. Ai eu também fiquei com o Arthur de novo. Ela descobriu dos dois, deu um ataque, começou a me xingar, me agrediu e enfim, eu espanquei ela. – contei.

– Perai, você ficou com o Arthur de novo? – ela perguntou abismada.

– Rolou o maior climão... – respondi envergonhada e ela disparou a rir, então taquei uma apostila qualquer nela.

– E esse Gabriel? Você ta me devendo uma explicação e eu quero a verdade.

Sempre tive minha irmã como minha confidente e a verdade é que eu queria uma opinião sobre esse meu rolo com ele. Então, resolvi contar toda a verdade. Contei a história toda, como nos conhecemos, a primeira vez que ficamos — talvez emitindo o fato de que a pegação foi bem... quente -, contei sobre Leticia ter surtado e sobre a opinião dela sobre ele, sobre Amanda, sobre o que Arthur havia me falado sobre o Gabriel e sobre ter pegado o Arthur, contei que Gabriel havia dito que desistiria de mim e nos dias seguintes ter me tratado bem, como se nada houvesse acontecido e finalizei dizendo:

– Eu fiquei mal com tudo isso, porque acho que estou apaixonada por ele.

– Apaixonada? – ela perguntou quase gritando, o que me assustou. – Eu achei ele um cara muito legal e pelo visto rolou uma química imediata entre vocês dois, mas você não está apaixonada por ele, Isabelle. Você tem uma atração forte pelo cara e essa química intensifica tudo, apenas isso.

Eu não respondi, continuei apenas olhando os papéis no meu colo, até que achei uma apostila azul.

– É essa? – perguntei estendendo a mão com a apostila na direção de Natália, que a pegou e analisou.

– É essa sim. Muito obrigada, sério! – ela agradeceu folheando a apostila.

Comecei a guardar as coisas de volta no lugar e vi que ela imitou minha ação. Fiquei pensando no que ela havia dito, achando que ela já havia esquecido do assunto, mas ela não esqueceu.

– Você só se apaixona por alguém que conhece de verdade... E me parece que você não sabe nada sobre ele. Só pelo fato de não ter certeza se ele é um completo canalha ou não, comprova isso. – disse Natália.

Era verdade, eu não sei quase nada sobre Gabriel. Sei que ele gosta de Oasis, que sai muito com os amigos, que gosta de sorvete de Ninho Trufado e que sua irmã faleceu, o que o perturba até hoje. Tirando isso eu não sei mais nada. Diretamente sobre ele, eu não sei nada.

– Você tem razão. – concordei. – Acho que eu só estava confusa demais para conseguir perceber isso sozinha.

– Mas se as coisas continuarem assim, eu não duvido que alguém acabe se apaixonando. Então eu te pergunto uma questão que é muito importante nessa história, Isabelle... Mesmo depois de tudo que ouviu, você acha que esse cara é confiável ou não?

– Não sei. – respondi sincera.

– Não quero que alguém te magoe. – afirmou Natália fechando as portas do guarda-roupa ao mesmo tempo que eu. – E qualquer coisa que precisar, sabe que pode contar comigo. – completou me olhando.

Fui até ela e a dei um forte abraço. Eu tenho muita sorte de ter Natália em minha vida.

– Se não fosse tão clichê, eu diria que tenho a melhor irmã do mundo. – disse ainda a abraçando.

– Ah, eu não tenho não. – ela respondeu rindo e desfez o abraço. – Sou apenas obrigada a chamar uma pirralha encrenqueira que espanca patricinhas no colégio de irmã.

– Babaca. – xinguei enquanto ria e sai de perto.

– Te amo, linda. – ela gritou e eu sorri, mas ignorei.

Fui até a cozinha e procurei por algo de comer. Achei uma caixa de Sucrilhos no armário e então coloquei um pouco numa tigela que enchi de leite.

– Isa, preciso ir embora, só vim atrás dessa apostila. – avisou Natália aparecendo na cozinha.

– Tudo bem. – respondi. – Volta mais vezes, to com saudade.

– Volto sim. – ela disse me dando um breve abraço. – Manda um beijo pra mamãe!

– Ta bom.

Natália foi embora e eu me joguei sobre o sofá da sala. Liguei a televisão e fiquei assistindo enquanto comia meu cereal. Já era mais de 18h, então não demorou muito para minha mãe chegar em casa. Ela me cumprimentou e foi direto para o quarto, onde provavelmente tomaria um banho, como ela sempre fazia.

Quando cansei de assistir TV fui para o meu quarto e liguei o notebook, onde olhei minhas redes sociais. Ao abrir meu facebook, vi que Gabriel havia me mandado uma mensagem, havia um link do youtube e estava escrito: "eu já assisti umas mil vezes hahahaha". Quando abri o link, vi que era um vídeo da minha briga com a Bianca. Meu Deus, como essa porra parou no youtube? Essa galera não tem limites.

Agora que a tensão já havia passado, resolvi assistir o vídeo e dei bastante risada vendo Bianca apanhar feio. Senti orgulho de mim mesma. Voltei pra conversa com o Gabriel e vi o resto das coisas que ele havia mandado:

""Até puta de bordel ta valendo mais que ti, já que pelo menos elas cobram pra sair dando pra qualquer um" PEGOU PESADO HAHAHAHAHA
"O que te faz pensar que eu te deixaria viva depois de me agredir?" faltou pouco pra matar mesmo
"Sabe o que é brigar? Eu te explico! Em brigas damos socos e chutes, entendeu?" acho que agora sim
"não sou lésbica pra ficar de quatro em cima de outra mulher" COM CERTEZA FOI A MELHOR PARTE HAHAHAHAHA
você é a melhor, loira. espero que a sua mãe tenha te deixado viva pq vou colar na sua casa amanhã"

Ri tanto dos comentários dele, que precisei de um tempo para me recuperar e finalmente responder: "Você é um babaca, sabe disso né? Pois é, você é Hahaha Vem almoçar, vai ter lasanha". Depois de respondê-lo, parei pra pensar no que Natália havia dito, repeti diversas e diversas vezes suas falas em minha cabeça, até que desliguei o notebook e me deitei.

Comecei a me sentir inquieta, queria fazer alguma coisa, queria ao menos dar uma volta, mas não estava muito afim de caminhar. Então, tive uma ideia. Coloquei uma blusa de frio, porque estava ventando bastante lá fora, peguei meu celular, fones de ouvido e minha chave de casa. Fui até a garagem e lá encontrei o que estava procurando, uma bicicleta que não era usada há anos. Me certifiquei se ela ainda estava inteira e os pneus cheios, quando confirmei, sai de casa com minha antiga bicicleta sem um rumo certo para seguir.

A sensação do vento batendo em meu rosto e das músicas tocando em meu fone, me transmitiam uma paz inexplicável. Me senti tão bem pedalando enquanto cantava baixinho as letras de minhas músicas preferidas, que pedalei por muito tempo. Quando percebi já estava no Centro, passando na porta de bares que estavam cheios em plena terça-feira. Queria ter a vida dessa galera. Queria estar sentada num barzinho qualquer agora, tomando uma cervejinha e conversando com meus amigos. Eca, eu odeio cerveja.

Continuei pedalando até que passei na porta de um bar que conheço e parei ali perto para descansar um pouco. Até onde sei, esse bar é bastante frequentado por universitários, o que explicava o fato de estar lotado. Parece que a galera da faculdade possui o seguinte lema de vida: Todo dia, é dia de beber. Me lembro de quando minha irmã entrou na faculdade, ela saia quase todo dia. Meus pais sempre reclamavam, mas ela também sempre conseguia convencê-los de que precisava se enturmar com a galera, que na faculdade as coisas são assim. Eu morria de inveja por ter de ficar em casa dormindo, enquanto ela estava se divertindo com um monte de caras gatos.

Por falar em cara gato, a faculdade parece o point deles. E isso explicava a aglomeração deles naquele bar, bebendo, conversando, ficando com garotas. Tinha gente até em pé porque não tinha mais lugar pra sentar. Me perguntei se aquela quantidade de pessoas não teriam nada de importante pra fazer, algum trabalho, estudar pra alguma prova, ou simplesmente dormir porque amanhã ainda é dia de semana. Mas se tinham, não pareciam se importar.

Observando melhor, fiquei completamente perplexa ao ver três pessoas conhecidas. Bruno, Gabriel e Henrique, seu irmão mais velho. Henrique estar ali fazia total sentido, já que ele está na faculdade. Agora ver Bruno e Gabriel me deixou realmente perplexa, principalmente por um detalhe nada pequeno de que eles tem aula amanhã às 7h. Os três estavam numa roda de onze pessoas, seis homens e cinco mulheres.

Me senti incomodada ao ver Gabriel com o braço por cima do ombro de uma das garotas. Não conseguia ver se a garota era bonita ou não, porque eu estava um pouco longe, mas ela tinha os cabelos pretos longos e estava usando um short minúsculo mesmo com o frio que estava fazendo e uma blusa de frio do Gabriel, que reconheci por ser a mesma que ele usara essa manhã. Achei meio psicopático da minha parte continuar ali os observando, mas foi justamente o que eu fiz.

Estavam todos conversando animadamente, até que surgiu outros dois garotos segurando uma garrafa de cerveja cada um. Eles serviram o pessoal que estava com os copos vazios ou quase e se uniram à conversa. Em determinado momento vi Gabriel sussurrar algo no ouvido da garota com quem estava abraçado e esta riu, logo em seguida eles deram um selinho. É, plena terça-feira e Gabriel num bar pegando uma vadia qualquer.

Me lembrei do que minha irmã havia me perguntado: "Você acha que esse cara é confiável ou não?". Não sei porque exatamente pensei naquilo, talvez porque o vendo ali, ele parecia exatamente o tipo de cara que sempre me alertaram que ele é. Se eu não sabia o porquê de ter pensado naquilo, não soube muito menos porquê eu fiz o que fiz a seguir. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Gabriel, perguntando "Onde você está?". Assim que enviei a mensagem, ele colocou a mão no bolso como se tivesse sentido o celular vibrar e o tirou de lá. Vi ele mexendo no aparelho e algum tempo depois, o meu celular apitou. "Em casa, por que?", foi o que ele respondeu.

Ele mentiu. Ele não estava fazendo nada de errado. Ele gosta de sair e ta solteiro, então tinha o completo direito de estar se divertindo. Mas ele mentiu. Eu me senti irritada por ele ter mentido, me senti incomodada por vê-lo com aquela garota e me senti chateada por algum motivo que nem fazia ideia. Respondi a mensagem dizendo "Nada não" e o vi ler e guardar o celular. Agora eu estava era com raiva. Subi de volta na bicicleta disposta a voltar pra casa, mas como a vida é uma merda, é claro que deu tempo de vê-lo beijar a vadia.

Notas finais
Espero que tenham gostado e mais uma vez, quero agradecer pelos comentários! Aliás, não só os comentários, mas também por acompanharem a história. Tudo isso me deixa tão feliz que vocês não fazem idéia! Obrigada por tudo. Até o próximo capítulo!