Polissuco
13 Visita ao diretor
Notas iniciais
Os personagens Blaise (Blasio) Zabini, Adrian (Adriano) Pucey e Theodore (Teodoro) Nott pertencem à Queen J.K, ok?
Só o Thomas Muller que é criação minha.
Sem mais delongas, com vocês, o capítulo 13!
Knock Knock Knock
Três longas batidas ecoaram através da pesada porta de mogno, o único som no desagradável silêncio da sala. Sem contar com a respiração acelerada do Malfoy, claro.
-Entrem. –Disse a profunda voz de Dumbledore, fazendo com que o coração de Draco batesse ainda mais rápido. Ele sabia que era quase impossível que Dumbledore descobrisse que ele quem deu o embrulho amaldiçoado à Katie Bell, no Três Vassouras. Mas não conseguia afastar a sensação de que Dumbledore daria um jeito de descobrir tudo.
Não há nada a temer, Draco, não há nada a temer. Repetia Draco para si mesmo. Além disso, se ele soubesse que eu o fiz, ele não teria chamado esses dois.
Draco entrou, acompanhado dos dois garotos que o ajudaram a levar Astoria Greengrass para a enfermaria de Hogwarts, após ser torturada por alguns sonserinos.
-Sentem-se, por favor. –Disse Dumbledore, apontando para três cadeiras à sua frente. Os meninos o obedeceram, sem soltar uma palavrinha sequer. –Então, devo perguntar como o incidente com a Srta. Greengrass veio a acontecer?
Um menino pigarreou, então disse:
-A culpa foi toda minha, senhor, o Zabini disse que haveria uma “festinha” na casa dos gritos. Eu achei que convidar a Astoria não fosse má ideia.
-Acalme-se, senhor Muller, a culpa pode ter sido de qualquer um, menos sua. –Disse Dumbledore. –Agora, por que não respira fundo e nos conta o que aconteceu?
O garoto abriu a boca, mas as palavras não saíram. Ele sacudiu a cabeça e todos entenderam a mensagem: ele não conseguiria falar.
-Nesse caso, senhor Muller, podemos observar a sua memória do acontecimento? –Perguntou Dumbledore, e Thomas Muller fez que sim com a cabeça. Dumbledore apontou a varinha para a têmpora do garoto e tirou um fiapo branco, que logo mergulhou na penseira.
Os quatro se dirigiram à penseira, no canto da sala, e observaram enquanto uma imagem ia se formando.
***
Era um dia branco. O céu estava da mesma cor da neve que cobria o chão, dando a impressão de que o tapete de neve era formado por pedacinhos de céu caídos.
Uma menina era engolida pela multidão de alunos, se sobretudo roxo camuflado entre vários outros. Mas mesmo assim ele a viu.
O menino de cabelos castanhos destacava-se na multidão não só por sua altura, mas por sua beleza. Ele apressou o passo para chegar até a menina e passou seu braço pelos ombros dela. Ela sorriu para ele.
-Então. –Disse. –O que vamos fazer?
-Ah, eu também estou ótimo, obrigado por perguntar. –Disse o garoto sarcasticamente, mas a loira apenas revirou os olhos, soltando uma risadinha abafada. Esse tipo de formalidade já era desnecessária para eles há muito tempo. –O Zabini disse que vai ter uma festinha na casa do grito, nada muito grande. Talvez a gente pudesse dar uma passadinha por lá.
-O Zabini? Você quer mesmo ir? –Perguntou a garota.
-Ah, sei lá, achei que seria legal fazer alguma coisa diferente, a gente sempre vai pro Três Vassouras...
-Você sabe que eu não gosto muito do Zabini, Goyle e companhia. –Disse a garota.-Mas se você acha que vai ser legal, então eu topo.
A imagem começou a mudar. Agora, Thomas e Astoria já estavam na Casa dos Gritos, sendo recebidos por um Blaise* Zabini bêbado.
-Podem deixar seus casacos naquele armário. Minha casa, sua casa. –Disse o garoto, se aproximando perigosamente de Astoria, de modo que ela conseguia sentir o cheiro de bebida no seu hálito. Thomas puxou a menina para perto de si. Zabini começou a rir. –Calma, Thommy, só queria saldar a loirinha. Ah, se vocês precisarem de, vocês sabem, privacidade, aquele quarto está vazio
Blaise Zabini saiu e foi em direção ao círculo no fundo da sala. Astoria olhou pra Thomas e disse:
-Tem certeza de que quer ficar aqui?
Thomas apenas sacudiu os ombros.
-Não temos nada a perder.
E, mais uma vez, a cena mudou.
Agora estavam todos sentados numa roda no chão, uma garrafa de hidromel passava de mão em mão, o cheiro de bebida estava mais forte do que nunca.
-Sua vez, Greengrass, verdade ou desafio? –Perguntou um Zabini dez vezes mais bêbado do que o da cena anterior.
-Desafio. –Respondeu a garota, aparentemente uma das poucas pessoas ainda sóbrias no círculo.
-Aah, Greengrass, todo mundo sabe que você só escolhe desafio para ter uma desculpa pra beijar o Tommy aqui outra vez. –Ele pôs a mão no ombro do Thomas e pensou por um segundo. –Por que não escolhe verdade? Está escondendo alguma coisa?
“Claro que não!” Queria dizer a menina, mas não conseguiu. Havia Veritaserum, a poção da verdade, no hidromel, o que entregou a menina. Sem que ela pudesse evitar, um “S-sim” escapou.
Todos na roda olharam pra ela com um estranho interesse.
-Nesse caso, eu te desafio a falar o que está pensando nesse exato momento.
Qualquer sinal de houvera alguma cor no rosto da garota se fora. Ele estava tão branca quanto a neve lá fora.
A menina abriu a boca, mas com muito esforço conseguiu fechá-la. Thomas se levantou e a levantou junto.
-Vamos, Astoria, você não está muito bem, é melhor comer alguma coisa.
Mas antes que eles pudessem sair da casa, um círculo de Bruxos apontavam a varinha para eles.
-Vamos lá, -Disse Theodore Nott. –Vocês sabem muito bem as regras. Se não responderem, terão de lidar com as consequências. E eu estou doido pra testar uma maldição que eu aprendi semana passada.
Astoria respirou fundo e, antes que Thomas pudesse fazer qualquer coisa, disse:
-O que estou pensando agora? Tudo em que consigo pensar agora é em como eu vim parar entre esses idiotas bêbados. Minha irmã estava certa, eu fui para a casa errada. A sonserina só tem covarde, que dedicam suas vidas a coisas fúteis e a apreciar o sofrimento dos outros. Talvez seja por essa covardia e esse amor ao sofrimento alheio que vocês apoiam Voldemort, que vocês fazem o que fazem com os trouxas.
Pronto, estava feito, toda a verdade estava ali, cuspida no chão, fazendo com que ódio brotasse no coração dos Sonserinos ao seu redor.
Thomas segurou o braço de Astoria e tentou aparatar para longe dali, mas seu corpo foi jogado longe por algum feitiço. Ao aterrissar de costas no chão, cordas brotaram e amarraram seus braços e pernas. Ele ficou lá, parado, sem poder mexer um dedo para ajudar a menina que gritava e se debatia no chão à sua frente.
Adrian Pucey, o garoto que ajudou Thomas e Draco a carregarem Astoria, ajoelhou-se ao seu lado e começou a desfazer os nós que o seguravam.
Quando Thomas estava finalmente solto, os gritos de Astoria já haviam cessado, e uma voz grave pedia por ajuda para levar a menina. Rapidamente, Adrian ergueu o amigo e os dois ajudaram uma figura esguia a levar a loira que descansava inconsciente de volta para hogwarts.
***
Quando a visão terminou, Dumbledore olhou para Thomas e disse:
-Muller, você foi incrivelmente corajoso, realmente aprecio suas atitudes. Mas não consigo acreditar que você e o Pucey frequentem esse tipo de “festa”.
Vale ressaltar que Thomas Muller e Adrian Pucey, ambos em seu último ano em Hogwarts, eram exemplos de aluno. Thomas era chefe dos monitores e um dos melhores alunos do sétimo ano. Pucey era artilheiro do time de quadribol da Sonserina e, apesar de não se destacar por suas notas, tinha um histórico escolar quase perfeito.
-Só porque nós nos divertimos de vez em quando não quer dizer que pensamos como eles. –Disse Pucey. Dumbledore apenas assentiu e coçou a barba. Algum quadro às suas costas resmungou algo sobre os sonserinos serem todos iguais.
-Devo perguntar como você, senhor Malfoy, chegou a essa festas? –Disse Dumbledore e Draco não pôde deixar de notar como sua voz exalava... sabedoria, de certo modo. –Não me leve a mal, mas a jugar por suas companhias e atitudes passadas, o senhor é um dos poucos que eu diria que estavam na tal festa.
Parte de Draco queria voar no pescoço de Dumbledore naquele exato momento e cumprir logo a sua missão, como esse velhote pensa uma coisa dessas? Que tipo de pessoa ele pensa que eu sou? Mas sua parte racional entendia perfeita mente o motivo de Dumbledore pensar algo desse tipo, afinal ele nunca fora uma “boa pessoa”.
-Eu estava andando por Hogsmeade, senhor, quando eu ouvi os gritos da menina. Eu nem sequer sabia da existência dessa festa. –Disse Draco, e, de algum modo, ele pôde sentir que Dumbledore sabia que ele falava a verdade.
-A senhorita Parkinson o acompanhava? –Perguntou Dumbledore.
-Não. Eu a deixei em Hogsmeade para pegar uma mesa e fui dar uma caminhada, precisava de um tempo para pensar. –Respondeu Draco, que sempre esquecia que ele e Pansy eram uma espécie de casal. Por fim, ele disse: -Eu estava sozinho.
Pucey e Muller o olharam como se perguntassem “Por que você mentiu? Quem era a garota?”. Dumbledore apenas o fitou com seus olhos prateados. Ele sabia que Draco estava mentindo.
-Muito bem. –Disse por fim. –Estão dispensados.
Os três garotos saíram sem dar uma palavra. Draco, por ser o último, puxou a porta para fechá-la. Mas antes que fechasse a porta de fato, Dumbledore o chamou.
-Draco?
O menino parou onde estava.
-Pois não? –Perguntou. Seu coração batia desperadamente. Ele descobriu.Ele descobriu.
— Você soube do que aconteceu com a Katie Bell, da grifinória?
Draco sabia. Katie Bell era a garota que ele enfeitiçara para entregar o pacote a Dumbledore.
-Sim, eu soube.
-Alguns alunos o viram no Três Vassouras. O senhor viu qualquer coisa suspeita?
Se Dumbledore esperava que Malfoy confessasse o crime, ou que ele desse qualquer sinal de que havia o cometido, ficou muito decepcionada. O Malfoy mais novo apenas disse, firmemente:
-Não, senhor. Eu nem sequer vi a Bell.
Estava mentindo, claro. E mais uma vez ele teve a sensação de que Dumbledore podia ver através dele, que ele sabia que o garoto escondia alguma coisa.
-Draco, você sabe que pode me contar o que quer que você saiba. Isso não lhe fará mal algum.
Pelo menos ele não me acusou de enfeitiçá-la, pensou Draco.
-Se eu soubesse de alguma coisa, eu o contaria, diretor.
Ambos sabiam que Draco estava mentindo.
-Muito bem, senhor Malfoy, pode ir. Tem que estar descansado para o jogo contra a Grifinória amanhã.
Draco se levantou e saiu da sala do diretor o mais silenciosamente possível. Ele podia sentir o olhar do diretor o acompanhando até a porta.
Ao chegar na sala comunal da Sonserina, braços o atacaram. Ele levantou o olhar para ver quem o atacava, ou melhor, abraçava, e lá estava Pansy Pakinson, fazendo trilhões de perguntas. Draco não processou uma palavra da garota sequer.
-Olha, desculpa Pansy, mas eu não to bem e preciso descansar para o jogo de amanhã. Boa noite. –Ele a beijou rapidamente e deu-lhe as costas, sem se importar com a resposta da garota. Sentia péssimo por não dar o mínimo valor à garota, mas sabia que Pansy era uma das poucas coisas de sua vida antiga que ele não odiava.
Ao chegar ao dormitório, pegou um pergaminho e uma pena e escreveu:
Crabbe/Goyle,
Avisem que eu estou doente e acho que não vou conseguir jogar amanhã.
D.M
Então fechou as cortinas de veludo da sua cama e, apesar de ter dito para Pansy que iria descansar, ficou encarando o nada, fazendo o possível para não dormir.
Por mais acabado que estivesse, Draco puxava o próprio cabelo para não cair no sono. Se dormisse, ele viria, ele brigaria e sabe-se lá o que mais o que ele faria ao loiro.
Draco havia falhado com o Lorde das Trevas. O pacote amaldiçoado não havia chegado a Dumbledore. Draco teria de sofrer as consequências.
Depois de longas horas de luta, o sono venceu.
Assim que as pálpebras do loiro fecharam, uma figura de olhos vermelhos apareceu. Draco sabia perfeitamente que, mesmo que ele estivesse dormindo, aquilo não era o sonho. O Lorde das Trevas realmente estava falando com ele. E não parecia nada feliz.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Dramione shippers, o próximo capítulo é pra vocês! Até lá!
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