Polissuco

11 Outra vez


Notas iniciais
Mais uma vez, mil desculpas pela demora! Eu juro que tentei postar o mais cedo o possível!
Esse capítulo já é em Hogwarts, no sexto ano, ok?
Espero que gostem ^^

-A mágica do reparar, de Rudolph Skewertz, por favor. -Disse o menino, quase sussurrando, sem olhar para a bibliotecaria.

-O senhor pode repetir? -Pediu a velha do outro lado do balcão.

-A mágica do reparar.

-Desculpe, não entendi. -Disse a senhora. Draco revirou os olhos e deu as costas à bibliotecária. Não tinha tempo para velhinhas surdas.

-Deixa, eu procuro sozinho.

Seus passos longos sobre o piso de madeira ecoavam pela sala, cortando o silêncio da biblioteca como um grito. Alguns alunos levantaram o olhar para encarar quem atrapalhava a sua preciosa leitura.

Se Draco fosse visto na biblioteca dois anos antes, haveria uma revolução. Mas Draco dedicara o 5° ano aos estudos, não só por causa dos NOMs, mas também para compreender o que se passava na sua cabeça, e mesmo assim ainda não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo com ele.

Quanto mais pensava em suas decisões, mais a tatuagem em seu pulso doía, como um lembrete do péssimo bruxo que ele era.

Família em primeiro lugar, Malfoy, família em primeiro lugar, lembrou-se.

-Com licença, você sabe onde eu posso encontrar os livros de reparação e restauração? -Perguntou a uma sonserina loira que lia um livro sobre como consertar bolas de cristais quebradas. Ao perceber que Draco falava com ela, seu rosto ficou estranhamente vermelho, como se ele a tivesse visto fazendo algo errado.

-É... hãã... No penúltimo corredor à esquerda. -Disse a menina com uma voz tímida, evitando o olhar de Draco.

-Obrigado. -Agradeceu o loiro, com a estranha impressão de que a menina era familiar. Ele seguiu até o final da biblioteca, entrando no antepenúltimo corredor, como a loira instruíra.

-O que você quer reparar? Posso saber? -Draco nem precisou virar para saber que era a Granger, o seu tom sabichão a havia denunciado. De todas as pessoas no mundo, ela era a quem ele menos queria ver, e a que ele mais queria ao mesmo tempo. Claro que ele jamais ousaria admitir isso para si mesmo, mas no fundo ele sabia que isso era verdade.

Um armário que trará vários comensais pra escola e destruirá um dos poucos lugares que eu gosto, pensou. Porém, como de costume, respondeu tão ironicamente quanto um ser humano podia ser.

-A sua cara, Granger. Mas pelo visto ela não tem jeito.

Hermione, já acostumada, apenas revirou os olhos e seguiu para o fundo do corredor, onde sabia que encontraria o livro que precisava. Equilibrando-se nas pontas dos pés, ela esticou os braços e tateou até tocar em um livro com a capa feita de vidro rachado, então o puxou, torcendo para que o livro não caísse em sua cabeça.

O livro, porém, não chegou a cair. Hermione olhou para cima e deu de cara com uma figura esguia que segurava o livro, o impedindo de cair. Uma risada seca e arrogante saiu da figura.

-Todo esse esforço por um livro, Granger?

-Não sei se percebeu, Malfoy, mas você está me atrapalhando. -Respondeu a Granger, tentando puxar o livro da prateleira, mas a mão do Malfoy impedia o livro de cair.

-Acontece que esse é o mesmíssimo livro de que eu preciso. -Respondeu Malfoy, tirando o livro empoeirado da prateleira e esticando o braço bem alto de modo que a Granger não alcançasse.

-Mas eu preciso mais do que você!-Argumentou a menina, pulando para pegar o livro, esquecendo-se completamente da magia.

-E pra que você precisa?

-Para estudar, oras!

-Mas nós não estamos estudando isso em matéria alguma! -Respondeu Malfoy, que fazia quase todas as matérias, assim como a Granger.

-Então por que você quer esse livro? -Perguntou Hermione em resposta e Draco foi pego de surpresa.

-Eu quero ser um reparador no futuro, e não vou aprender todos esses feitiços na escola. -Ele sabia que a explicação era ridícula, que os reparadores ganhavam muito pouco e eram extremamente rebaixados. Alguém com a sua capacidade intelectual e seu status social jamais seria reparador.

Sabe, eu não sou idiota. -Disse Hermione.

-Pior, você é uma trouxa. -As palavras saíram da boca de Draco antes que ele percebesse a besteira que tinha feito. Ele podia sentir o gosto amargo das palavras e o nojo de si mesmo. A verdade é que ele queria machucar a Granger do mesmo jeito que ela o machucara, mesmo que sem intenção.

Hermione jogou todos os livros que estava segurando no chão. Seu rosto vermelho de raiva. Por um segundo Malfoy achou que ela o esmurraria como fez no terceiro ano. Mas então ela respirou fundo e falou calmamente:

-Draco, por que você faz isso comigo? O que eu lhe fiz? Sempre achei que você fizesse isso por puro preconceito, mas você não é assim com os outros trouxas. Então coloquei na cabeça que você faz isso para aparecer, mas não há ninguém aqui. Eu sei que eu estou soando ridícula, e que você deve estar achando isso tudo hilário, mas, por favor, me diz o que eu fiz para ser tratada assim.

Outro soco seria menos doloroso que isso, pensou Draco. Ele não pôde deixar de notar como as palavras da menina pareciam com as que ela havia dito na Bulgária, no dia em que ele teve de apagar a sua memória. Ele olhou para os olhos suplicantes da garota e respirou fundo, tentando encontrar uma explicação plausível para as suas atitudes.

Mas antes que pudesse perceber, sua mão livre já estava na cintura da menina, a puxando para perto. A estranha proximidade dos rostos, a eletricidade que parecia passar de um para o outro, o modo como ele a segurava... Tudo parecia estranhamente familiar para ambos, mas apenas Draco sabia por quê.

Desta vez, porém, o garoto percebeu o que estava fazendo antes que permitisse que tudo acontecesse outra vez.

Ele se afastou, assustado com a sua própria falta de controle e olhou para a Granger que estava congelada, em choque. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, ele largou o livro no chão e correu, correu para o lugar onde sabia que ninguém o procuraria.

Ele fechou a porta do banheiro abandonado com toda a força e se jogou contra a parede, caindo sentado no chão.

Covarde, covarde, covarde! Ele repetia enquanto batia a cabeça contra a parede. Covarde, traidor, covarde, covarde, covarde.

-Draco, é você? -Perguntou Murta. Aparentemente, ela era a sua única amiga verdadeira. A que ponto eu cheguei! Pensou Draco. Qual o problema dessa vez?

-O problema, Murta, o problema é que eu não consegui me controlar, o problema é que eu sou um covarde, um traidor, um preconceituoso. -Berrou Malfoy. -O problema, é que eu não sei o que fazer, ou quem apoiar, ou o que sentir, ou o que pensar. -Dessa vez as palavras foram quase um sussurro.

Antes que Murta pudesse falar qualquer coisa, a porta do banheiro abriu. Draco se arrastou, tentando esconder-se atrás da pia. Mas ninguém entrou. A porta abriu o suficiente apenas para um livro passar, então se fechou novamente.

Draco rastejou até o livro para examiná-lo melhor. A mágica do reparar, por Rudolph Skewertz dizia a capa feita de vidro quebrado. Esse era o livro de que Draco precisava, o livro do qual a Granger também precisava, o livro que causou toda essa confusão.

A ponta de um papel estava para fora. Draco a puxou e examinou a caligrafia delicada que enfeitava o bilhete.

Você me deve uma explicação.

Não era necessária assinatura para que ele soubesse que o bilhete era de Hermione.

Ele fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, pensando na próxima mentira que contaria.

Notas finais
Entãããoo... Gostaram??
Vocês têm alguma ideia de que é a menina da biblioteca?