Polissuco
12 Hogsmeade
Notas iniciais
Eu sei que vocês não aguentam mais os meus pedidos de desculpas por demora, mas mil desculpas, eu sei que eu disse que postaria no fim de semana, mas eu não tive tempo.
Quanto ao último capítulo, parece que o nyah engoliu a maior parte dos meus "travessão" mas eu já estou ajeitando isso.
Esse capítulo se passa durante aquela visita a Hogsmeade, em que uma garota é enfeitiçada a levar uma encomenda amaldiçoada pra Dumbledore, mas ela quem acaba amaldiçoada.
E quanto à formatação desse capítulo, eu juro como eu tentei ajeitar, mas por algum motivo fica assim.
A neve enfeitava os telhados de Hogsmeade, os alunos enfeitavam as ruas da vila e sorrisos enfeitavam os rostos dos alunos. Bem, de quase todos os alunos.
Draco Malfoy, porém, não era um desses alunos. Enquanto quase todos comemoravam por não ter com o que se preocupar, Draco repassava mentalmente sua longa lista de preocupações, tentando decidir suas prioridades.
Pansy Parkinson o puxava em direção à Zonkos, sem prestar atenção em quem atropelava. Draco percebeu que livrar-se de Pansy era a prioridade máxima no momento. Depois ele daria um jeito de fugir para encontrar a Granger, inventaria uma boa explicação para o que aconteceu na biblioteca e daria um jeito de fazer com que o “presentinho” chegasse a Dumbledore. O único problema é que ele não tinha a mínima ideia de como fazer essa coisas.
–Oh, Pansy, esqueci todos os meus galeões na escola! É melhor eu voltar para pegá-los antes que fique muito tumultuado.
–Se quiser eu pago pra você, não é como se seu dinheiro sumisse magicamente e você não tivesse como pagar depois. –Disse a garota, com uma voz tão enjoada que fez Malfoy querer sair dali o mais rápido o possível. Pansy era uma menina legal... com ele, e com mais ninguém. Ele realmente tentava gostar dela, mas não conseguia, por mais que os dois se dessem bem.
–Não, eu não deixaria que você- Começou o loiro, mas foi cortado pela risada da sua acompanhante. –O que? Por que está rindo?
–Não tente ser cavalheiro, Malfoy, todo mundo sabe que você não presta.
–Ta, eu posso até não ser a melhor das pessoas, mas eu realmente preciso do dinheiro.
–Tudo bem, pode ir. Almoça comigo? –Perguntou, dando um beijo na bochecha do loiro. Draco se virou e correu em direção ao castelo.
–Desculpa, vou almoçar com Crabbe e Goyle! –Mentiu enquanto se afastava da garota.
Quando Pansy não estava mais a vista, Malfoy parou de correr e começou a andar em direção ao Cabeça de Javali. Ele odiava aquele lugar. Tudo naquele lugar dava a impressão de sujeira e podridão, sem contar com as pessoas no mínimo estranhas que frequentavam o bar.
–Malfoy?- Perguntou uma voz fina quando Draco estava entrando no bar.
–Ah, Granger, ainda bem que você apareceu! Não estava nem um pouco a fim de entrar nesse chiqueiro só para te procurar. –Disse Draco, uma das primeiras verdades que ele disse no dia.
– Então, não vai explicar o que aconteceu? –Perguntou Hermione.
–Claro, claro. Mas antes vamos sair daqui. Esse lugar me dá arrepios e as pessoas que o frequentam não são... err... muito confiáveis. –O que era parte verdade, parte desculpa para ganhar tempo.
Eles caminharam silenciosamente, afastando-se do Cabeça de Javali. O bar não era a única coisa estranha nas redondezas, tudo ali parecia, de certa forma, sinistro. Draco sabia que Hermione, por mais humilde que fosse, jamais escolheria um lugar como aquele por gostar de lá. Ele sabia que ela o escolhera porque lá dificilmente haveria algum conhecido de ambos.
–Então? Não vai explicar? –Perguntou Hermione, quando eles já estavam suficientemente longe do bar.
Draco abriu a boca para lançar uma grande mentira, mas antes que as palavra saíssem de sua boca um grito cortou o ar. Um grito agudo, de dor e desespero, que Draco jurava já ter ouvido.
–Eu acho que veio da casa dos gritos. –Disse Hermione.
–É lua cheia? –Perguntou Draco, pensando em Remus Lupin, seu antigo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas, um lobisomem que usava o lugar durante as luas cheias.
–Não. –Respondeu Hermione e imediatamente os dois correram em direção à casa.
Os dois pararam na porta da casa para recuperar o fôlego. Através das janelas quebradas era possível ouvir várias risadas e xingamentos, intercalados pelos gritos agudos de uma menina. Hermione olhou pra Draco como se perguntasse “devemos entrar?” e o garoto assentiu.
Draco não sabia o que esperava encontrar na casa, mas com certeza não era isso. Uma roda de amigos com whisky de fogo riam enquanto uma figura loira se debatia no chão, gritando. Draco aproximou-se um pouco mais do grupo, com Hermione às suas costas, mas pareceu não ser notado. Deitada no centro do círculo estava uma menina loira, seus olhos azuis cristalinos preenchidos com pânico, marcas de dedos decoravam o seu rosto e pescoço e seus traços suaves e marcantes eram estranhamente familiares a Draco. Aquela era a sonserina que o ajudou na biblioteca.
O Sonserino estava tão interessado na menina que só foi prestar atenção nas pessoas que a cercavam quando uma bota, ainda suja de neve, pisou em suas costelas, fazendo-a gritar ainda mais. Todos na roda riram e só então Malfoy os deu atenção. Na roda estavam Crabbe, Goyle, Zambine e vários outros sonserinos que outrotra Draco considerara amigo.
–O que é isso? –Perguntou Draco com sua voz mais grave, aplicando o máximo de fúria que conseguia no momento. Não conseguia entender porque seus amigos estavam fazendo algo tão terrível.
–Draco, irmão, vejo que veio se juntar a nós. Foi mal por não te convidar, nós achávamos que você ia passar o dia com a Pansy. –Disse Zambine, sorrindo com os braços abertos. Só então ele percebeu a presença da Granger. –Que bom que trouxe mais uma, sempre quis ver a Granger sofrendo.
–Eu não vim por causa da sua festinha, eu vim aqui pra saber por que vocês estão torturando essa menina. –Disse Draco, o mais grosso o possível.
–Eiei, vai com calma. Por que se importa com ela? Huumm vou contar para a Pansy que você tem outra. –Disse Zambine.
–Melhor, conte para a Daphne que o ex dela lhe trocou pela irmã. –Sugeriu Goyle, puxando mais uma onda de risadas.
–Não dou a mínima para o que você fala ou pra quem você fala. –Respondeu Malfoy, ajoelhando-se ao lado da menina. Então aquela era a famosa Astoria Greengrass, irmã da Gwen e da Daphne. Draco se perguntou se ela seria como a Gwen, que jamais apoiaria os ideais de Voldemort, ou como Daphne, que seria a primeira da fila para pegar um autógrafo do Lorde das Trevas. Bem, se ela estava com essas pessoas, ela com certeza era como Daphne, mas então por que fizeram isso com ela? –Por que vocês fizeram isso com ela?
–Porque ela é uma traidora, uma porca nojenta, assim como a irmã. Ela admitiu tudo. –Sibilou uma menina baixinha de cabelos castanhos. Draco apenas revirou os olhos
–Ajudem-me a levá-la de volta ao castelo. Ela precisa ir pra enfermaria. –Falou Draco, ignorando a menina baixinha, mas pensando no que ela disse.
Dois sonserinos saíram do círculo e ajudaram Draco a levantar a menina.
–Ah, qual é, Malfoy, você vai mesmo ajudar essa traidora? Ao menos deixe a Granger para nos divertir. –Disse Henrich Nowaltz, um sonserino magrelo com um nariz mais empinado do que o do Malfoy. Draco apontou com a cabeça em direção à porta e Hermione entendeu o que ele quis dizer. Antes mesmo que os sonserinos se preparassem, Hermione já tinha disparado e já estava bem longe da casa, correndo o mais rápido que podia.
Ele e os outros dois rapazes desceram as escadas da casa dos gritos, entrando em um túnel subterrâneo que os levaria a Hogwarts. Apesar de vaiarem e protestarem, nenhum sonserino tentou impedi-los de chegar à escola.
–É tudo culpa minha. –Disse um dos rapazes que ajudavam Draco a levar Astoria ao castelo.
–Não cara, não foi sua intenção. –Respondeu o outro rapaz. Pelo jeito como se falavam dava para perceber que eram muito amigos.
–Hã? –Perguntou Draco, confuso.
–Eu a convenci a vir a essa festa, eu a convenci a jogar verdade ou consequência, eu achava que seria legal, eu não fazia a mínima ideia de que ela guardava tudo isso pra si. Se eu soubesse, jamais a teria levado pra festa. –Explicou o garoto. Draco não pediu detalhes da festa. Ele já esteve em várias festas como essa e sabia que nessas “reuniõezinhas” acontecia de tudo um pouco. Veritaserum, a poção da verdade, era indispensável na verdade ou consequência, assim como o whisky de fogo. Também era normal torturar um trouxa apenas para “animar” a festa.
–Você é o namorado dela ou algo do tipo? –Perguntou Draco. Não que estivesse interessado no assunto, a pergunta apenas veio à sua mente.
O garoto riu.
–Algo do tipo. –Ele respondeu.
Os três, ou melhor, quatro, seguiram seu caminho até Hogwarts sem dar uma palavra. Por fim, deixaram a menina aos cuidados de madame Pomfrey que os expulsou da enfermaria e disse que Dumbledore queria conversar com os três mais tarde.
Draco, percebendo que já eram quase duas horas, correu o mais rápido que pôde em direção a um dos lugares de que menos gostava: o Cabeça de Javali.
Uma figura encapuzada o esperava na porta e Draco agradeceu, pela segunda vez no dia, por não ter que entrar no bar.
–Trouxe a encomenda? –Perguntou Draco. A figura assentiu.
–Trouxe o pagamento? –Perguntou uma grave voz, vinda da figura encapuzada. Draco assentiu. Em um movimento rápido, Draco lhe entregou um saco cheio de galeões e ele entregou um embrulho a Draco. –Muito cuidado, senhor Malfoy.
Draco assentiu.
–Pode deixar.
E seguiu para o Três Vassouras, onde colocaria seu plano em prática.
Escondido no meio da multidão, Draco consegui chegar até uma espécie de beco bem ao lado do banheiro feminino. Ele se encostou na parede, esperando a sua vítima. Ele sabia que o que ele ia fazer era imperdoável –literalmente- mas ele não tinha outra escolha. Se não o fizesse, Voldemort o mataria, ou mataria seus pais, e ele não queria que isso acontecesse, não mesmo.
Uma garota de cabelos escorridos ia em direção ao banheiro e Draco a reconheceu como um nascida trouxa da escola. Se algo desse errado, era preferível que fosse culpa de uma trouxa do que de um puro sangue. Assim, pelo menos, Draco tinha uma desculpa para não virar café da manhã da Nagini.
Ele puxou a garota pelo capuz em direção a beco, tampando sua boca para que ela não fosse ouvida. Apontando a varinha para a cabeça da garota, ele sussurrou:
–Imperius.
Uma onda gelada percorreu seu corpo, ele se sentiu podre, mas ao mesmo tempo em êxtase. Ele não sabia explicar, mas de certa forma se sentia incrivelmente bem em fazer o mal.
–Você vai entregar esse pacote a Albus Dumbledore e a mais ninguém. Certifique-se de que o pacote chegou a ele. Está ouvindo? –Perguntou Draco lentamente. A garota assentiu. –Só mais uma coisa. Obliviate.
Então Draco desapareceu, deixando uma menina enfeitiçada com a memória apagada sozinha num beco escuro em um restaurante lotado. Isso tinha que dar certo.
Notas finais
Até o próximo capítulo!
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