Polissuco

7 Obliviate


Notas iniciais
Mil desculpas pela demora! Mas vocês sabem como é semana de provas... Esse capítulo foi dividido em duas partes, vou tentar postar a segunda o mais cedo o possível Espero que gostem!

A estreita faixa de luz passava pela janela, acertando em cheio o rosto do loiro que dormia no beliche de baixo, que foi abrindo os olhos à medida que eles se adaptavam à claridade.

Ainda enrolado no pesado edredom, Draco Malfoy juntou toda a disposição que lhe restava e andou, quase se arrastando, até a janela para fechar a cortina e retomar seu precioso soninho.

Com a cortina já fechada, o Malfoy atirou-se na cama e tentou dormir novamente, mas seus pensamentos não deixavam. Desde que conversara com Gwen, Malfoy tentava ser o mais sincero o possível com si próprio e tentava compreender o que todos esses sentimentos novos queriam dizer, sem grandes resultados.

Depois de duas longas horas tentando voltar a dormir, Malfoy decidiu tomar café da manhã e se preparar para a festa da equipe acadêmica de Durmstrang, já que Krum aceitara a proposta de Karkaroff de ser professor.

***

Ainda faltava meia hora para o horário combinado, mas mesmo assim Malfoy estava nervoso. Não que ele estivesse ansioso para ver o Krum ou a Granger, ele apenas acordara com uma estranha vontade de falar com as pessoas, ouvir o que elas têm a dizer e dizer o que estava pensando, mas, por não ter muitos amigos na Bulgária, não lhe restava opção a não ser esperar Krum. Nos últimos dias, Malfoy estava tão perdido em seus pensamentos que mal falava, e nas poucas vezes que falara usara respostas curtas como “sim”, “não” e uma espécie que grunhido que nem ele sabia o que queria dizer.

–Draco? –A voz feminina trouxe o loiro de volta à realidade. Era estranho ouvir Hermione, digo, a Granger o chamar pelo primeiro nome. Mas, por mais que ele odiasse admitir, Malfoy gostou de ouvir o seu nome pronunciado de maneira tão delicada. –Está esperando o Krum?

O loiro assentiu e virou-se para encarar a menina. Ela não estava linda, mas de alguma forma bonita, harmoniosa de um jeito que só ela conseguia ser. Para a surpresa de Draco, Hermione usava um vestido azul-escuro curto, não que estivesse muito curto, mas Malfoy sempre achou que Hermione era santa demais para andar com as pernas a amostra. Seu cabelo estava preso em um coque alto, mas a franja estava solta.

–Posso sentar aqui? –Perguntou a garota. Malfoy assentiu outra vez e a garota sentou-se na outra ponta do banco de pedra, próximo ao lago de Durmstrang.

Uma hora se passou e nenhum sinal do Vítor. Talvez ele já esteja na festa, pensou Malfoy, que logo descartou essa opção, já que os convites estavam com ele.

Hermione cochilava desconfortavelmente com a cabeça apoiada no próprio ombro. Ao ver a menina naquele estado, tão desconfortável, Malfoy a deitou no banco e apoiou a cabeça dela no seu colo. Enquanto ela dormia, ele a observava, se perguntando se alguém que parecia tão frágil e inofensiva era realmente uma ladra de magia.

–Quem é essa? –Perguntou uma voz feminina já conhecida de Draco, que virou a cabeça para encarar a mãe.

–Mãe? O que a senhora faz aqui? –Perguntou Draco, que não via a mãe desde o mês anterior, quando ainda estava na Inglaterra. Somente após pronunciar “Mãe”, Draco percebeu o quanto sentia falta dela, aah como era bom pronunciar essa palavra.

–Também senti sua falta, filho. –Respondeu a Sra. Malfoy, irônica. Não havia dúvidas de quem Draco herdara o sarcasmo e a mania de ignorar as perguntas dos outros. –Você não vai mesmo me dizer quem é essa? –Perguntou Narcisa, por fim.

–Ah, sim, essa é uma colega do Krum. –Respondeu Draco. Ele não estava mentindo, Hermione era amiga do Krum, mas ele também não disse que aquela era Hermione Granger, a sangue-ruim mais metida do mundo bruxo.

Narcisa examinou a garota cautelosamente, como se a estivesse avaliando. Por um segundo Draco achou que ela reconhecera a Granger, mas logo depois sua mãe sorriu – ela não sorriu, mas esboçou uma tentativa de sorriso — o que era um avanço, visto que sua expressão costumava a ser fria e rígida.

–Ela é bem bonita. –Disse por fim. Draco se perguntou por que a mãe havia dito isso, será que ela achava que ele e a Granger eram... não, Narcisa era mais esperta que isso. –Acho que eu já a vi antes, qual o nome dela?

Por um segundo Draco pensou em falar a verdade, mas não tinha muita certeza em relação a que técnicas de tortura a mãe usaria nele. Então teve uma ideia.

–Gwen, seu nome é Gwenevere Greengrass.

–Aaah, então essa é a Greengrass mais velha? Nunca tive a honra de conhecê-la. Ela não gosta de ir aos eventos, como as irmãs.

Draco assentiu. Sua mãe continuava olhando para ele de maneira muito estranha, como se soubesse que ele estava mentindo. Desesperado para mudar de assunto, Draco disse:

–Então, mãe, a senhora não me contou o porquê da sua visita.

–Então a coruja do seu pai ainda não chegou?

Draco fez que não com a cabeça.

–Bem, nós queremos que você volte para a Inglaterra. Por mais que a escola ensine magia negra, algumas pessoas aqui não são... confiáveis –Disse a Sra. Malfoy, e Draco teve a leve impressão de que Karkaroff estava incluso em “algumas pessoas”. –Além disso, nós sentimos sua falta, filho.

Draco ficou surpreso. Por mais estranho que isso pareça, seus pais raramente demonstravam qualquer afeto por ele.

–Érr... Hãã... Você vai ficar para a festa? –Perguntou Draco, ainda confuso pela declaração inesperada de sua mãe. Se meu pai estivesse aqui ele não deixaria a mamãe falar isso, pensou Draco, ele é orgulhoso demais para admitir qualquer coisa.

–Não, eu tenho que estar em casa para o chá. –Disse Narcisa, tipicamente britânica, andando na direção do filho. –Tudo o que eu quero é que você tome cuidado com o que você faz e na frente de quem você faz. –Ela disse enquanto olhava para a garota adormecida no colo do seu filho. Então, para a surpresa de Draco, ela beijou a cabeça do filho e, com o que parecia um sorriso estampado no rosto, desaparatou.

Draco não conseguia afastar a sensação de que seu coração estava mais pesado. A mãe veio até a Bulgária para falar com ele, pediu para que ele voltasse, demonstrou afeto não só uma, mas duas vezes, e tudo o que ele fez foi mentir pra ela.

Enquanto os pais, que sempre lhe deram tudo, que sempre o apoiaram, pensavam que ele estava fazendo novos amigos puro-sangue na Bulgária, ele estava refletindo sobre as injustiças sofridas pelos trouxas, o que estava acontecendo com ele?

Eu fui enfeitiçado, só pode! Por que eu teria pena dos trouxas? Se eles não tentassem roubar a nossa magia, eles não estariam passando por tudo isso! Pensou Malfoy, mesmo sabendo que, no fundo, ele estava errado.

–Malfoy? Não sabia que você e a Granger eram tão próximos! –A voz de Krum trouxe Draco de volta à Terra.

–Hahaha, muito engraçado, Krum. –Respondeu Draco. –Por que a demora?

–Karkaroff. Ele está obcecado com esse plano! Se eu fosse você eu teria cuidado com as atitudes. –Respondeu Krum, e Draco lembrou-se do que a mãe havia lhe dito minutos antes “Tudo o que eu quero é que você tome cuidado com o que você faz e na frente de quem você faz”.

Com um pulo, Draco, que esqueceu da garota que dormia em seu colo, levantou-se do banco, fazendo com que Hermione batesse a cabeça no banco de pedra.

–Aii! –Exclamou a menina. Vítor correu para ajudá-la a se levantar.

–Nossa, você está linda! –Comentou Krum. Draco, que adotara a sua antiga postura arrogante, típica dos puro-sangues, passou por eles e comentou:

–E você está cego!

Hermione apenas revirou os olhos.

***

–Que tédio! –Comentou Draco, sentado em uma mesa na monótona festa da equipe acadêmica de Durmstrang.

–Não fique tão surpreso Malfoy, a maior parte das pessoas aqui tem mais de 50 anos! –Disse Hermione e, relutantemente, Draco concordou. –Acho que vou procurar o Krum.

–Eu vou com você! –Disse Draco, levantando-se rapidamente e segurando o pulso de Hermione. A morena, que já estava em pé, olhou para a mão do Malfoy em seu pulso e respondeu:

–Obrigada, Malfoy, mas eu posso muito bem procurar o Krum sozinha.

–Não estou pedindo sua autorização, Granger, e também não quero lhe acompanhar. –Disse Malfoy rudemente. -Eu só quero sair do tédio.

–Tudo bem. –Disse Hermione, por fim.

Krum não estava no banquete, nem na pista de dança, ou na mesa dos professores. Após algumas discussões, Draco e Hermione concordaram em dar a volta ao castelo, à procura do Búlgaro.

–Ele não está aqui. –Disse Hermione quando os dois desceram uma colina de grama.

–Nossa, Granger, só alguém com a sua inteligência para perceber isso. –Respondeu Malfoy, ironicamente. O loiro deu as costas à menina e começou a subir a colina novamente, mas uma mão pequena e delicada segurou seu pulso com força, impedindo que ele continuasse. Ele virou-se para encarar a Granger.

–Por quê? –Perguntou a menina com a voz chorosa, embora não houvesse sinal algum de lágrimas em seus olhos. –Por que você faz isso?

Ao ver a expressão confusa de Draco, a menina explicou:

–Você sempre coloca defeito em tudo o que faço, mesmo que eu não tenha feito nada, mas às vezes você é bom e gentil com os outros, como se fosse outra pessoa. No início eu achava que você fazia isso porque eu sou trouxa, mas você não fala mal dos outros trouxas. Draco, eu não estou pedindo para você parar de fazer isso, até porque eu sei que não vai adiantar nada, eu só quero saber por que você me trata assim, o que eu lhe fiz?

A esse ponto as lágrimas já brotavam dos seus olhos.

Draco sempre estivera consciente de seus xingamentos a Hermione, mas nunca parou para pensar que a garota também tinha sentimentos. Ele respirou fundo, Hermione sabia que a resposta seria longa, mas, para a sua surpresa, ele não disse nada, apenas segurou seu rosto com as mãos e inclinou-se.

Antes que algum deles pudesse perceber o que estava acontecendo, seus lábios já estavam grudados em um beijo longo e terno. Inicialmente Hermione enrijeceu e ficou parada, sem reação. Mas, com o calor dos lábios do loiro sobre os seus, ela foi cedendo e logo estava beijando Malfoy com tanto entusiasmo quanto ele a beijava. Essa é mesmo a Granger?

Isso pode parecer estranho, mas o primeiro a perceber o que estava acontecendo foi Malfoy, que estava inconsciente de suas atitudes, até agora. O loiro afastou-se da morena, só então ela percebeu o que estava fazendo.

–O que foi isso? –Sussurrou Hermione.

–Desculpe, por favor, me desculpe! –Implorou Draco. –É só que sempre me disseram que os trouxas eram horríveis, burros, interesseiros, mas você sempre foi exatamente o oposto disso, você sempre foi contra tudo aquilo que haviam me ensinado, e agora que eu percebi que nem tudo o que meus pais me ensinaram é verdade... –Começou Draco, mas logo foi calado pelos lábios da morena, que passara seus braços pelo pescoço do loiro.

Cada vez que a morena o tocava, Draco sentia um pequeno choque. Mas agora que estavam grudados, o seu corpo todo formigava e ele podia sentir a adrenalina correndo em suas veias.

Toda a ternura e delicadeza do primeiro beijo foram substituídas pela urgência e o calor no segundo. Draco não podia deixar de pensar que estava fazendo algo terrivelmente errado ao estar daquele jeito com uma sangue-ruim, mas essa sensação só fazia com que beijasse Hermione com mais entusiasmo, e a garota retribuía.

Crack

O som de um galho sendo partido tirou Draco do seu momento de êxtase, e ele se afastou da garota, percebendo a besteira que tinha feito. A besteira que tinham feito.

Estavam em tempos de guerra, em lados completamente opostos. Beijar a Granger era como dar uma facada em um membro da família. E se isso continuasse? E se eles passassem a alimentar sentimentos de verdade um pelo outro? Nenhum dos dois poderia simplesmente mudar de lado nessa guerra, e Draco não queria que a Granger sofresse cada vez que lembrasse que ele é o inimigo. Ele sentia alguma coisa pela Granger, alguma coisa estranha e confusa, não podia mais negar, mas sua família era muito mais importante do que uma garota.

–Granger... –Ele começou.

–Não. –Murmurou a menina, afastando-se dele.

–Hermione. –Tentou. Era estranho chamá-la pelo primeiro nome, mas ele gostou da sensação. A garota não disse nada dessa vez, apenas o encarou com seus grandes olhos castanhos.

–Vem cá. –Sussurrou o loiro. A menina continuou o encarando. –Por favor.

Hesitante, Hermione caminhou em direção ao loiro e se jogou em seus braços.

–Desculpe. –Sussurrou Malfoy. Ele não queria fazer isso, mas sabia que seria bem mais fácil para os dois se ele o fizesse.

–Obliviate. –Recitou o feitiço com tanta delicadeza quanto a lágrima solitária que escorria pelo seu rosto.

Notas finais
E ai? Gostaram? Não? Sua opinião é mais que bem vinda! Até o próximo capítulo!