Polissuco
8 A maior (e melhor) besteira
Notas iniciais
Esse capítulo continua onde o último parou e é, provavelmente, o último capítulo na Bulgária. Espero que gostem!
Quanto ao capítulo anterior, o desenho (Por razões desconhecidas) não apareceu. Eu concertei, mas se ainda não aparecer, me avisem, por favor!
3, 2, 1
Quando a contagem regressiva chegou ao fim, Draco afastou-se de Hermione e respirou fundo, pronto para começar o "teatrinho", mesmo sem saber que mentira contar.
–Granger, o que pensa que está fazendo? -Perguntou Draco, dando inicio à sua atuação. Hermione o olhou confusa, o que ela estava fazendo ali? Por que o Malfoy estava com ela? Do que ele estava falando? E por que ela se sentia estranhamente leve, como se fosse capaz de flutuar?
–O que? -Perguntou a garota confusa.
–Ah não! O feitiço funcionou! -Falou Draco, jogando a cabeça pra trás em um gesto de frustração. -Eu sabia que você não batia bem da cabeça, Granger, mas não a esse ponto!
–Feitiço? Que feitiço? -A garota não entendia nada que Draco falava, será que ele estava bêbado?
–Está vendo, você nem se lembra! O obliviate!
–Você apagou minha memória? Por que?
Draco respirou fundo, repassando a mentira em sua cabeça para ter certeza de que não havia falha alguma.
Hermione o observou, parecia que ele estava pensando no que ia falar, no melhor jeito de falar alguma coisa. À luz do luar seus cabelos adquiriam um tom perolado, e a sua pele pálida parecia brilhar, o que fazia com que ele irradiasse uma espécie de áurea prateada.
–Foi você, Granger. Você que apagou a própria memória, mesmo sabendo das consequências. Por algum milagre você ainda lembra o próprio nome.
–E-eu? P-por que eu faria isso? -Gaguejou a Granger.
–Não sei. Tudo o que eu sei é que você chegou chorando, murmurando alguma coisa sobre o Weasley, então decidiu esquecê-lo de vez e apagá-lo da sua mente.
–E-eu fiz isso pelo R-ron? P-por que eu faria isso?
–Não sei, mas pelo jeito o feitiço não saiu como esperado. A brilhante Hermione Granger não é tão brilhante assim.
–Aah, cale a boca, Malfoy! Tenho certeza que você não faria melhor! -Respondeu Hermione, mal humorada.
Acredite, Granger, eu fiz muito melhor do que isso, pensou Draco. Mas tudo o que ele disse foi:
–Esse mal humor todo é porque eu descobri da sua paixão pelo Weezy?
–Não chame o Ron assim! E não, não é por isso!
Malfoy olhou surpreso para a garota, ele estava brincando quando falou do Weasley, ele poderia ter usado o Potter ou o Krum. Ele queria rir por ter acertado, mas também sentiu uma espécie de raiva do Weasley, mais do que sentia normalmente.
–Vamos Granger, é melhor levá-la de volta à mesa antes que você faça outra besteira. -Disse Draco, mas ele estava com medo que ele fizesse alguma besteira, como a que fez minutos antes.
–Pare de falar como se isso importasse para você, Malfoy.
Mas isso importa, Granger, você importa! Quis dizer Malfoy, mas ele ficou calado.
–Tem razão, não importa. Se você quiser ficar aqui para se jogar no lago de Durmstrang, pode ficar! Eu vou voltar para a festa e jogar pedras em alguns professores fantasmas. -Mentiu Malfoy e subiu a colina. Deixando, com uma dor no coração, a Granger para trás.
–Finalmente te encontrei! -Disse um Krum agitado. Ele trazia uma garrafinha de algo que parecia aço nas mãos. -Onde você estava? Te procurei em todo canto!
Fazendo a pior (e melhor) besteira da minha vida, pensou Draco. Mas mais uma vez respondeu algo completamente diferente:
–Estava lhe procurando!
Então ele percebeu que não ficara mais do que alguns minutos fora, minutos que duraram uma eternidade, que mudaram a sua vida, e dos quais apenas ele se lembrava.
–Karkaroff quer falar comigo sobre você! Ele disse que conseguiu uma coisa muito valiosa, muito melhor do que tudo o que ele esperava, para o plano! -Krum tirou o Blazer e o entregou a Malfoy, junto com a garrafinha. -Eu sei que você prometeu que não fingiria ser eu outra vez, mas é justo que você vá no meu lugar. Eles estão na porta atrás da mesa, na terceira tenda!
Malfoy assentiu.
–E você, para onde você vai? Ele não podem te ver!
–Não se preocupe, estarei bem escondido.
Malfoy foi ao banheiro e bebeu a poção polissuco, sentindo a sensação já conhecida de virar outra pessoa. Vítor Krum estava em pé exatamente onde Draco Malfoy estivera segundos antes. Draco vestiu o blazer de Vítor e guardou o anel da família Malfoy no bolso, então saiu e foi á terceira tenda.
Foi meio difícil entrar pela porta quando ninguém estivesse olhando, mas depois de um tempo encontrou a sua deixa e entrou. A sala era escura e úmida, no centro havia uma longa mesa de mogno com elegantes cadeiras ao seu redor. Nas cadeiras estavam sentados vários comensais da morte, Draco reconheceu vários, mas seu pai não estava entre eles. Na cabeceira estava Karkaroff.
–Krum, que bom que resolveu juntar-se a nós essa noite! Você não se arrependerá!
Draco, ou melhor, Vítor sentou-se na outra cabeceira da mesa, já que era a única cadeira disponível.
–Como vocês já sabem, Lucius Malfoy, adorado seguidor do Lorde das Trevas, negou o lorde das trevas após a sua queda. Este ano, porém, ele voltou a apoiar e a adorar o Lorde Das Trevas como se nunca o tivesse abandonado.
–Aaah, cale a boca, Karkaroff! Você fez o mesmo! -Gritou uma bruxa de cabelos desgranhados, sentada a direita de Draco. Aquela era sua tia, Belatrix Lestrange. Ela deveria estar na prisão. -Na verdade, quase todos vocês o fizeram! Enquanto eu sofria em Azkaban pelo meu Lorde, vocês o negavam e seguiam suas vidinhas inuteis.
–Isso não vem ao caso. -Prosseguiu Karkaroff.-Eu os reuni aqui hoje para mostrar que a família Malfoy é, na verdade, uma amante de trouxas.
Draco sentiu o sangue ferver. Karkaroff podia falar que a sua família era arrogante, preconceituosa, mas jamais adoradora de trouxas!
–Você sabe que é da minha família que está falando, não sabe? -Rosnou Belatrix. Karkaroff olhou assustado para ela e disse:
–Sim, eu sei Sra. Lestrange. Eu jamais insultaria você ou a sua família, mas as provas me obrigam a dizer que a sua família, ou melhor, a família de sua irmã apoia os trouxas.
–E que provas são essas, Karkaroff? –Perguntou um homem corpulento, o Sr. Goyle, reconheceu Malfoy.
–O seu filho. –Respondeu Karkaroff, como se falasse uma coisa óbvia.
–Draco? Como ele pode provar alguma dessas tolices que você está falando? –Perguntou Belatrix.
–Vocês conhecem o ditado “Com quem tu andas é quem tu és”? Então. Narcisa Malfoy costumava simpatizar com trouxas quando estudava em Hogwarts, eram poucos os sonserinos com que ela costumava a andar, e vocês sabem muito bem disso.
–Ah, cale a boca, Karkaroff! Você só está falando essas bobagens porque recebeu um chute da Cissa! –Interrompeu Belatrix.
–Já o seu filho está apaixonado por uma. –Prosseguiu Karkaroff, ignorando o comentário de Belatrix. -Com a esposa e o filho apoiando os trouxas não há como Lucius sair imune, isso é uma espécie de doença contagiosa.
–Draco?? Apaixonado por uma sangue-ruim?? Ele é mais sangue-puro do que todos vocês juntos! –Gritou Belatrix, e Draco teve de resistir ao impulso de agradecer à tia.
Apaixonado por uma trouxa? Do que esse cara está falando? Acho que ele exagerou no whisky de fogo, pensou Draco.
Karkaroff pegou a varinha e apontou para a própria cabeça. Por um segundo Malfoy achou que ele ia se matar. Então ele afastou a varinha da cabeça, puxando um fio prateado que dançava no ar. Com um gesto da varinha, ele fez com que o fio mergulhasse na bacia no centro da mesa. Uma penseira, percebeu Draco. Uma névoa perolada saia da penseira à medida que uma imagem começava a se formar. Inicialmente tudo o que se via eram as folhas de um arbusto, então, mãos afastavam as folhas e um casal era revelado. Os dois estavam grudados em um beijo apaixonado, ele mexia nos cabelos dela, desfazendo o seu penteado, enquanto a garota se prendia a ele como se ele fosse uma boia e ela estivesse se afogando. Demorou um bom tempo pra Draco perceber que ele era o garoto esguio, e a menina de cabelos ondulados era a Granger.
Quando a imagem finalmente chegou ao fim, sussurros inundaram a sala, comentários do tipo “Não pode ser ele!”, “Aquela é a amiga do Potter?”, “Ele tem apenas 15 anos! O coitado ainda não tem noção das coisas!”, “Ele deve ser uma vergonha para a família!”. Draco não sabia se esganava cada um deles ou se cavava um buraco para se esconder. Então ele lembrou que estava no corpo do Krum.
–Karkaroff, você sabe que aquela pode não ser uma trouxa, não sabe? –Perguntou um homem de voz grave.
–Eu admito que não tenho certeza se é ela, mas o Sr. Krum pode nos dizer, não é, Vítor?
Draco entrou em desespero. O que ele faria? Tudo o que importava agora era salvar a própria pele.
–Érr... não tenho certeza, senhor. Ela parece com a Granger, mas essas características são muito comuns, senhor. Além disso, o Malfoy odeia a Granger ou qualquer um que tenha sangue trouxa. –Disse, em legítima defesa.
–Então não nos resta opção senão vasculhar a mente da garota. Tragam-na.
Dois homens entraram. Um deles carregando uma Hermione inconsciente.
Karkaroff pegou a varinha e apontou para a cabeça de Hermione, tirando um fio prateado e mergulhando-o na penseira, assim como fez minutos antes.
Ao invés de mostrar a Granger beijando o Malfoy, apareceu a Granger brigando com o Malfoy. Draco deixou escapar um suspiro de alívio.
–Mas... como... não pode... E-eu juro que eu vi... –Balbuciou Karkaroff. Mais cochichos ecoaram pela sala.
–Com todo o respeito, Karkaroff, mas acho que a sua memória foi alterada. –Disse um homem que Draco reconheceu como o professor de feitiços de Durmstrang.
–Eu não posso acreditar que eu ouvi tamanho absurdo vindo de você, Romeo! –Disse Karkaroff.
–Na verdade isso é completamente plausível. –Disse um homem franzino com ar de intelectual. –Quantas pessoas sabiam do seu plano para tentar expor o Lucius?
–Muitos. –Respondeu Karkaroff. Várias pessoas ficaram surpresas por descobrir que Karkaroff tinha um plano para acabar com o Malfoy.
–E quantas dessas pessoas eram amigos ou tinham contato com o Sr. Malfoy?
–Algumas.
–Vocês não concordam que, sabendo do plano, algum amigo do Lucius tentaria frustá-lo? Alguém pode ter lhe confundido, para fazê-lo passar de bobo. –Concluiu o intelectual e todos murmuraram em concordância.
–Bem, parece que deu certo. –Disse Belatrix e todos começaram a rir.
Draco se juntou a eles e riu também. Não por causa do comentário da tia, mas porque quem teve a memória alterada fora Hermione, não Karkaroff, quem estava sendo feito de bobo eram eles, não Karkaroff.
–Há outras provas. –Disse Karkaroff, recompondo-se. –Alguns dias atrás Draco confessou seus sentimentos pelos trouxas para a jovem Greengrass.
Os mesmos homens que trouxeram Hermione entraram com Gwen, e Draco se perguntou o que eles tinham feito a Hermione, que já não estava mais ali. Ao contrário de Hermione, Gwen estava acordada.
–Diga-lhes o que Draco lhe disse, mostre-lhes que Draco apoia os trouxas.
Draco olhou para Gwen, transbordando de ódio. Pela primeira vez na vida ele abriu seu coração e ela o trai desse jeito? Quando seus olhares se encontraram, Gwen pôde ver seus lábios formando a palavra “traidora”.
–Ele não disse nada, ele não fez nada. –Gwen falou tão baixo que teve de repetir.
–Se ele não disse nada, você não se importa de mostrar a sua memória da madrugada da terça, não é?
O que ela está fazendo? Se ela contou para o Karkaroff, por que não quer repetir agora?
–Por que você quer saber? –Perguntou Gwen.
–Só para mostrar para alguns amigos como Draco não é tão malvado quanto parece. –Respondeu Karkaroff com um sorriso falso no rosto.
Ele pensa que eu sou retardada ou algo do tipo? Pensou Gwen. Ela deu o seu sorriso mais falso e disse:
–Eu adoraria ajudá-lo, mas Draco foi conversar comigo sobre a minha irmã nesse dia, e acho que as confissões que ele fez são muito pessoais para mostrá-las a vocês, sinto muito.
Gwen, então desaparatou.
Os comensais também desaparataram, com comentários do tipo “Não acredito que perdi meu tempo com isso”, “O Karkaroff só fez isso porque tem inveja do Malfoy”, “Eu sabia que era tudo mentira, eu conheço os Malfoy! Um exemplo de sangue-puro”.
Draco, que ainda não podia aparatar, saiu pela porta pela qual entrou. Sem acreditar na sua sorte, ele foi para o quarto, procurar o Krum.
A reunião não só mostrou do que Karkaroff era capaz, como lembrou Draco da besteira que tinha feito. A maior, e melhor, besteira de toda a sua vida.
Notas finais
Eu não tenho certeza se vou poder postar durante a semana, e no sábado eu viajo. Então não fiquem com raiva de mim se eu demorar a postar, ok? (Mentira, podem ficar, podem me xingar, podem me caçar e me torturar, eu mereço)
Fale com o autor