Polissuco
10 Jantar em família
Notas iniciais
Eu sei, eu enrolei muito pra postar esse capítulo! Fiquem a vontade para xingar essa autora irresponsável.
Esse capítulo começa algumas horinhas depois do ponto onde o último acabou (nas férias entre o 5° e o 6° ano).Ele centra mais na relação da Narcisa e do Draco.
Espero que gostem!
Então, quando nós menos esperávamos, ele começou a dançar! –Andrômeda Tonks contava uma história sobre uma festa nos seus tempos em Hogwarts, que envolvia Pirraça, um bicho-papão, muito hidromel e um Dumbledore alterado.
–Dumbledore? Dançando? – Perguntou Ninfadora, entre gargalhadas. Todos ao redor da mesa não conseguiam parar de rir.
–Sim, sim! E depois ele nos deixou fazer trancinhas na barba dele! –Disse Narcisa Malfoy, que também presenciou esse momento histórico.
Draco foi o primeiro a parar de rir. Não podia acreditar que sua mãe tivesse convidado duas partidárias de Dumbledore para jantar, e que elas estivessem conversando sobre Dumbledore. Por mais que amasse a campanhia das duas, ele não duvidava que houvesse veneno na comida da tia e da prima. Mas antes que pudesse impedi-las de beber a sopa, a porta explodiu e por ela entrou um professor furioso. Bem, um ex-professor.
Remus Lupin estava na porta, com a varinha apontada para a mesa de jantar, pronto para o ataque. Seu rosto, que estava ofegante e vermelho alguns segundos antes, era agora pálido, sua boca formando um perfeito “O”. Seja lá o que ele esperava encontrar na casa, com certeza não era um amigável jantar em família.
-Oh, Remus Lupin, a que devemos sua ilustre presença? –Perguntou Narcisa. Draco sabia que sua mãe estava fazendo o possível para não gritar com o lobisomem por ter acabado com sua porta.
-M-m-mas... –Balbuciou o homem, ainda em choque. Ele respirou fundo e virou-se para Ninfadora. –Você é louca? Como você tem coragem de vir a um lugar como esse, cheio de Comensais?
-Calma, querido, não há comensal algum aqui. –Disse Tonks, gesticulando para Narcisa, Draco e Andrômeda, as únicas pessoas na grande mansão Malfoy. Draco sentiu o rosto corar e a marca negra em seu braço doer. Infelizmente, Tonks estava errada, havia um comensal na casa.
-Mas e eles? Eles podem não ser comensais, mas também não são exatamente pessoas boas! –Gritou Lupin, gesticulando para Narcisa e Draco.
–Eles são família, e só porque eles vivem cercados de comensais, não quer dizer que eles sejam malvados! –Gritou Tonks, seu cabelo mudando de rosa para um roxo bem escuro, quase preto.
–Eu estou lhe dizendo, Dora, não é seguro ficar aqui. Vamos para casa, por favor!
Ninfadora simplesmente revirou os olhos e suspirou. Então virou-se para Narcisa e disse:
–Mil desculpas, tia, mas eu tenho que ir. Não que eu acredite nessas baboseiras do Remus, eu só não quero discutir com ele.
Narcisa a abraçou e disse:
–Não se preocupe, querida, eu entendo perfeitamente as desconfianças do seu... huh... amigo. Talvez, quando tudo isso acabar, nós possamos finalmente ter um jantar em família.
Draco olhou para a mãe, prestes a perguntar o que ela quis dizer com isso, mas antes que pudesse falar qualquer coisa foi esmagado por um super abraço da prima.
–Quanto a você, mocinho, -Sussurrou Tonks no seu ouvido. –Trate de se tornar o melhor apanhador da história da Sonserina e juízo!
Ela afastou-se de Draco e foi em direção a Lupin. Então virou-se para a mãe.
–A senhora vem?
–Ah, sim, claro. –Andrômeda deu um abraço rápido em Draco e em Narcisa então disse:
–Muito obrigada por tudo, Narcisa, a comida estava divina. E não se preocupe, vai dar tudo certo.
E, com uma piscada, ela sumiu, levando Tonks e Lupin consigo.
Sem as duas mulheres, um silêncio mortal caiu sobre a sala. Draco e Narcisa ficaram um bom tempo parados, fazendo o possível para não quebrar o silêncio. Aos poucos, Draco voltou a comer, mas sem se atrever a soltar uma palavrinha sequer. Alguns minutos depois sua mãe estava fazendo o mesmo.
Apenas quando os elfos domésticos estavam recolhendo as sobremesas, Draco criou coragem para falar.
-Mamãe, por que a senhora chamou a tia Andrômeda e a Ninfadora? Nada contra elas, é só que com tudo que vem acontecendo...
Sua mãe, porém, o interrompeu, levando um dedo à boca, pedindo silêncio. Então ela sussurrou:
-Segure as minhas mãos.
Draco não entendeu como segurar as mãos da mãe responderia sua pergunta, mas ele apenas apertou suas mãos.
Um calafrio percorreu a espinha de Draco e, por um segundo, tudo se apagou.
Quando ele abriu os olhos, percebeu que estava em um bosque, suas mãos ainda apertando as da mãe.
–Sente-se. –Ordenou Narcisa, apontando para um tronco de árvore à sua frente. Draco obedeceu. Narcisa respirou fundo e disse:
–Então, o que quer saber?
–Por que a senhora convidou a tia Andrômeda e a Ninfadora para jantar? –Respondeu, ou melhor, perguntou Draco.
Narcisa pensou por um momento, então olhou para Draco e disse:
–Eu sinto muita falta delas. Apesar de ter a sua tia Bellatrix 24 horas por dia lá em casa, as vezes eu sinto falta da outra parte da família, da parte com a qual... –Narcisa sacudiu a cabeça, como se afastasse um pensamento. –Além disso, sem seu pai, Você-Sabe-Quem, ou até mesmo a Bella em casa para representar algum perigo para as meninas, aquela me pareceu a ocasião perfeita para chamá-las, para ouvir uma opinião diferente.
-Opinião diferente... –Repetiu Draco, lenta mente. –Mãe, posso lhe fazer outra pergunta?
–Claro, filho.
–A senhora... –Ele hesitou. –A senhora concorda com tudo isso?
–T-t-tudo isso? –Perguntou Narcisa coma voz trêmula.
–Ah, você sabe do que eu estou falando. Tudo isso que o Lorde das Trevas vem fazendo, tudo isso que o papai apoia.
Narcisa olhou para o chão coberto de folhas, sem responder. Draco sabia o que isso queria dizer, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela falou com a voz estranhamente suave:
-Parece que você não é o único que está do lado errado.
Por essa Draco não esperava. Como ela sabia?
-Desde que eu vi aquela menina trouxa adormecida no seu colo eu passei a observá-lo, e percebi que você, assim como eu, discorda do resto da família.Eu sei como é difícil aguentar tudo sem falar uma palavra, sem mexer um dedo, e eu queria lhe ajudar com isso, mas se eu o fizesse seria pior para nós dois. Então eu fiz a única coisa que eu podia, eu fiz o possível para que você se sentisse confortável conosco.
Draco fechou os olhos e respirou fundo. Como eu fui tolo! Pensou, foi por isso que ela me mimou tanto, me tratou tão bem ultimamente. Ele lembrava de quando sua mãe começou a tratá-lo desse jeito, no início ele estranhou o fato de sua mãe demonstrar afeto em público, mas foi aos poucos se acostumando.
-E a senhora sempre foi contra isso? –Ele perguntou e lembrou de quando Karkaroff disse que Narcisa sempre foi uma sonserina diferente, e que ele não acreditava que ela pudesse amar um comensal como Lucius.
Narcisa assentiu.
–Sim, sempre.
–E por que você continua assim? Por que você não se juntou à tia Andrômeda e ao tio Ted?
–Por amor. Eu amava seu pai mais que tudo, ainda amo, e não conseguiria lutar contra ele.
–Então você realmente ama o papai? –Pergunto Draco. Narcisa assentiu. –Por que?
Narcisa respirou fundo.
–Apesar de todas as nossas diferenças, eu o amo. Apesar de todos os defeitos, eu o amo. E esse é o tipo de coisa para qual não existe explicação.
Draco apenas revirou os olhos. Ele queria respostas, não um discurso de conto de fadas.
–Sempre há uma explicação. Sempre há um motivo.
–Não. Pode até existir um motivo para não amar alguém, mas não existe motivo algum para amar alguém.
Ao ver a expressão confusa do filho, Narcisa explicou:
–Você gosta de melancia?
O menino fez que não com a cabeça.
-Por quê?
–É muito aguada, mal dá para sentir o gosto. Se é que há algum gosto.
–E de maçã, você gosta?
–Gosto.
–Por quê?
Draco pensou por um instante, depois olhou para a mãe e disse com um sotaque francês:
–Touché.
Narcisa riu, e o filho sorriu para ela. Eles ficaram um bom tempo sorrindo pela descoberta de que agora tinham em quem confiar.
O sorriso de Draco, porém, logo se desmanchou. A marca negra estava ardendo mais do que nunca. Ele sabia que isso era um chamado de Voldemort para os Comensais, e que por enquanto, não deveria atender a esses chamados, devia apenas cumprir a sua missão. Cumprir sua missão, agora que ele sabia de como sua mãe se sentia, de como ela tinha que esconder sua opinião e fingir que era a favor de algo que ia completamente contra a sua natureza, ele sentia a necessidade de completar sua missão, por mais impossível que ela fosse.
Ao ver o filho em posição fetal, segurando um grito, no chão, Narcisa Malfoy correu para ajudá-lo e logo percebeu que a dor vinha da Marca Negra.
-Filho, você está bem?
-Não muito. Ainda estou me acostumando com a marca.
–Aah, a marca. –Disse Narcisa Malfoy, ajoelhando-se ao lado do filho. Ela segurou o antebraço de Draco e examinou a Marca Negra, passando levemente o polegar por cima da tatuagem. –Você sabe que não precisava fazer isso, não precisava se tornar um deles, não precisava aceitar essa missão ridícula.
-Sim, eu precisava. –Ele respondeu, quase num sussurro. Narcisa o puxou para perto de si, encaixando a cabeça do filho em seu ombro.
-Por quê? –Sussurrou no ouvido de Draco.
Toneladas de possíveis respostas vieram à cabeça de Draco, mas ele preferiu falar a verdade, por mais ridícula que soasse.
–Eu não tive escolha.
Notas finais
Não ficou tãããoo bom, mas eu fiz o que eu pude.
Mal posso esperar para postar os capítulos em Hogwarts! Mas ultimamente, eu não tenho tempo nem para respirar.
Eu vou tentar postar o próximo capítulo o mais cedo o possível, se a minha criatividade colaborar.
Ééé... acho que é isso. Até o próximo capítulo!
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