Polissuco

6 Até aquele dia


Notas iniciais
Helloo! Mil desculpas pela demora! Vocês podem me xingar,me torturar, me matar, tudo bem, eu deixo!
O capítulo é meio chatinho, mas o Draco precisava desabafar e, vamos ser sinceros, precisava de alguns amigos de verdade!

-O que você está fazendo aqui?

-O que você está fazendo aqui? Pensei que depois do que aconteceu você voltaria pra Inglaterra! -Respondeu um Malfoy ensopado.

Gwen o olhou de cima a baixo, avaliando sua situação. O menino estava acabado, os olhos caídos, as roupas encharcadas, o cabelo bagunçado, aquele não podia ser Draco Malfoy. E, com um suspiro, disse:

-Ficar na chuva não vai te fazer bem algum.

Malfoy concordou com cabeça e se esgueirou pela porta semiaberta. O cheiro forte de madeira e incenso invadiram suas narinas antes mesmo que ele pudesse fechar a porta atrás de si.

Ao ver o garoto tremendo de frio, Gwen logo se ofereceu para tirar o seu casaco encharcado e acender a lareira. Enquanto Draco se aquecia, Gwen preparava um chá.

-Aqui. -Disse ela, entregando uma xícara de chá fulmegante ao loiro. -Então, não vai mesmo me contar porque você veio a minha casa no meio da noite?

-Aah, sim, claro. Eu vim pra te fazer uma pergunta. -Disse o sonserino. Ele não disse mais nada, apenas ficou encarando o nada. Gwen, que o olhava com expectativa, disse, depois do longo silêncio:

-E a pergunta é...

O loiro piscou com força e olhou para Gwen, como se só agora tivesse notado sua presença.

-Hã? Oi? Como? Aaah, sim! Desculpe, eu não estava prestando atenção. Eu queria saber se você foi sempre assim.

-Sempre assim? – Repetiu Gwen, confusa. –Assim como?

-Érr... hãã... diferente! Sim, acho que essa é a melhor palavra! Você sempre foi diferente do resto da sua família?

-Você quer saber se eu sempre apoiei os trouxas? –Perguntou Gwen lentamente. Um de seus passatempos sempre fora analisar as pessoas, tentar descobrir sua personalidade através de pequenas coisas como gestos, joias, modo de falar ou do brilho nos olhos, e nos olhos de Malfoy ela via medo. Ele estava ensopado em medo, as mãos trêmulas e os olhos cansados eram sinais claros disso. Ela se considerou sortuda por poder ver Draco Malfoy, que sempre fora independente e seguro de si, com medo. –Por quê?

Draco, ainda trêmulo, inclinou-se para Gwen como se fosse contar-lhe um segredo, e sussurrou:

-Eu estou com medo.

Gwen não ficou surpresa com a confissão, ele apenas disse o que estava estampado em sua cara, mas ela sabia o quanto era difícil para alguém orgulhoso como Draco admitir uma coisa dessas, e como era mais difícil ainda pedir ajuda. Alguma coisa muito séria estava acontecendo.

-Medo? De que?

-Gwen, eu não consigo mais dormir! Essas coisas não saem da minha cabeça! Eu não sei mais o que é certo ou errado, o que é bom e o que é ruim!

-Sobre o que você está falando?

-Os trouxas Gwen, os trouxas! Sempre me ensinaram que eles eram ladrões de magia, que eles eram sujos e queriam conquistar o que era nosso! Mas eu não vejo mais a superioridade em nós, sangue-puros, na verdade nós nos tornamos inferiores com esse preconceito! O que os trouxas fizeram para merecer isso? Nada! Mas ao mesmo tempo parece tão errado pensar assim! Isso vai contra tudo o que me ensinaram tudo em que eu sempre acreditei! Eu preciso de ajuda, Gwen! Me ajuda!

Draco estava com as mãos nos ombros de Gwen, sacudindo-a. Os olhos cheios de lágrimas, o rosto vermelho e inchado. Ele sabia que nunca tinha sido tão vulnerável, que jamais se abrira com alguém, que ele parecia ridículo neste exato momento, mas ele também sabia que, pela primeira vez na vida, precisava demonstrar seus sentimentos e que Gwen o compreenderia mais que ninguém.

Gwen respirou fundo, tirou as mãos de Draco de seus ombros e disse com a voz mais calma e suave o possível:

-Não existe certo ou errado, tudo é uma questão de ponto de vista, de crença. Você sempre foi ensinado a ver os trouxas como os vilões da história, mas agora percebeu que os vilões somos nós, não há ninguém que possa dizer qual é certo e qual é errado, isso é relativo, você não tem que fazer o que é certo, tem que fazer o que acredita.

Draco refletiu por um momento sobre o que Gwen falou. Agora eu sei porque ela foi para a Corvinal, pensou Draco.

-E o que eu devo fazer quando eu não sei em que acreditar? –Perguntou Draco depois de um longo silêncio. Gwen puxou uma cadeira da pequena mesa de jantar e Draco fez o mesmo.

-Você não pode não acreditar em nada.

-Quem me dera não acreditar em nada! –Disse Draco com um suspiro. – O problema é que eu acredito em duas coisas completamente opostas!

-Você pode não saber no que acreditar agora, mas com o tempo você vai ganhando conhecimento, vai formar sua opinião sobre as coisas e vai acreditar em alguma coisa!

-Você realmente acha que um dia eu vou tomar uma decisão?

-Claro! Eu já passei por isso, eu sei como é perceber que tudo em que você acreditou era uma mentira, sei como é sentir-se confuso e sei, mais do que tudo, que mais cedo ou mais tarde o tempo acaba e nós temos que fazer uma escolha. Não estou dizendo que sua escolha vai ser a mesma que a minha ou que sei exatamente como você se sente. Não, nunca! O que nós sentimos ou pensamos é sempre único e incompreensível, mas eu posso lhe assegurar que tudo passa, só precisamos dar tempo ao tempo.

Draco a examinou. Era muito parecida com Daphne, uma de suas irmãs mais novas, tão bonita quanto ela, mas era também muito diferente. Daphne era metida e orgulhosa, uma sangue-puro típica, enquanto Gwen era atenciosa e pensativa. Daphne acreditava naquilo que lhe foi ensinado e para ela aquilo já bastava, já Gwen tinha sua própria opinião a respeito de tudo e de todos, e estava sempre buscando aprender mais. Durante os dois meses em que namorou Daphne, percebeu Malfoy, ele nunca havia lhe contado nada sobre a própria vida, ela não sabia sequer sua cor favorita, já Gwen viu a parte mais profunda e vulnerável do Malfoy, coisa que ninguém jamais havia visto, na segunda vez que o viu. Elas também tinham outra irmã, Astoria, a qual Draco não conhecia, mas que ele acreditava ser a cópia de Daphne por ser sonserina. Elas não podem ser irmãs, pensou Malfoy, que, por não ter irmãos, achava que todos os irmãos eram iguais.

-Você não respondeu minha pergunta. –Disse Malfoy em um tom de voz estranhamente baixo depois de um longo silêncio.

-Qual pergunta?

-A primeira de todas, você sempre foi assim, diferente?

-Não, claro que não! Até os catorze anos eu era tão ignorante quanto você era alguns dias atrás!

-E o que fez você mudar?

-As pessoas. Eu sempre prestei muita atenção nas pessoas, e sempre questionei tudo, até que um dia eu mesma me perguntei “Por que alguém apoiaria os trouxas se isso é errado?” então eu me aproximei dessas pessoas, ouvi o que elas tinham pra dizer e percebi que pensava tão errado quanto eles, aos poucos fui formando minha própria opinião e hoje faço o que acredito.

-As pessoas. –Repetiu Malfoy lentamente.

-Sim, as pessoas! O que mais... –Começou Gwen, que foi interrompida por três batidas na porta. –Não pode ser ele, n-não pode! –Sussurrou enquanto ia em direção à porta com a varinha em mãos.

A corvina suspirou de alívio ao perceber que quem estava na porta era nada menos, nada mais que Vítor Krum .

-Krum? O que você veio fazer na casa da Gwen a essa hora da madrugada? –Perguntou Malfoy, que nessa fração de segundos já havia criado uma teoria que envolvia Krum, Gwen e um romance secreto.

-Vim te procurar, claro! Por mais estranho que isso pareça, eu sinto falta do seu ronco no beliche de baixo.

-Mas como você sabia que eu estava aqui? –Perguntou Malfoy, incrédulo.

-Simples, nos últimos três dias você olhou bastante para essa casa, e como eu não te encontrava em lugar algum resolvi procurá-lo aqui.

-Eu esqueci de perguntar, como você sabia que eu morava aqui? –Interrompeu Gwen, encarando Malfoy.

— Três dias atrás eu vi o Timoty tentando chegar perto da casa, mas sempre que ele tentava era jogado pra trás e as outras pessoas passavam rente à casa como se o feitiço não as atingisse, então presumi que era a sua casa.

-Você tem certeza que é sonserino? –Perguntou Gwen. Draco sorriu e a abraçou, o que deixou a garota surpresa.

-Obrigado pela ajuda, você não tem ideia de como me ajudou. –Sussurrou Malfoy, o que deixou a garota ainda mais surpresa.

-Hãã... Desculpe incomodá-la a essa hora, senhorita Grengrass, perdoe também o meu amigo, não é do feitio dele invadir a casa dos outros na madrugada. –Disse Krum com uma ligeira reverência.

-Não se preocupe, vocês não me atrapalharam nem um pouquinho, para falar a verdade, foi bom ter companhia. Quanto ao seu amigo, foi um prazer ajudá-lo, podem voltar sempre que quiserem. –Gwen disse isso em um tom tão orgulhoso e formal, que por um segundo Malfoy achou que Daphne tivesse dito as palavras. Coitada, pensou Malfoy, ela acha que o Krum é como os outros! O Krum é o Krum!

Então Vítor e Malfoy se afastaram, deixando a grande casa na vila para trás.

-Desculpa me meter, mas você não acha que é muito novo para a Gwen? Ela tem a minha idade!

-O que? –Perguntou Malfoy confuso.

-Aaah, qual é? Vocês ingleses tem mania de achar que os estrangeiros são burros! Eu vi o jeito que vocês se olhavam, como se divissem um segredo! E o que mais você faria na casa dela a essa hora?

Malfoy começou a rir. Ele poderia muito bem desmentir o que Vítor disse, mas já havia se aberto para Gwen naquele mesmo dia, e aquilo era o seu máximo. Além disso, não seria ruim fazer com que Krum acreditasse que ele tinha um caso com uma menina mais velha, principalmente uma bonita e inteligente como Gwen.

-Ora, se você pode ter alguma coisa com a Granger, que é da minha idade, por que eu não posso ter nada com a Gwen, que é da sua? –Perguntou Malfoy, tirando proveito da situação.

-Primeiro, não há nada entre eu e a Hermione. –Quando Victor falou isso Draco sentiu-se estranhamente feliz. Por que trasgos ele estava se sentindo assim?-Segundo, Gwen namorava o Timoty, que é um dos piores sujeitos que eu já conheci. E ela o deixou furioso, e para alguém deixar um sujeito como o Timoty furioso a pessoa deve fazer alguma coisa horrível.

Draco olhou para Krum por um instante, pensando no que falar. Não estava afim de contar porque Timy e Gwen terminaram, ele achava que tudo o que Gwen lhe Disse e tudo o que disse a ela era um espécie de segredo que só os dois dividiam. Não um segredo romântico como Krum sugerira, mas um elo de confiança entre os dois.

-Acho que lhe devo uma explicação, não? –Perguntou Draco, por fim.

-Sim, sim, achei que você nunca fosse me explicar o que aconteceu.

Então Draco contou sobre a coversa que ouviu, a poção polissuco (mas deixou de fora a vez em que a usou pela primeira vez, no jantar com Hermione) e a conversa com Karkaroff. No final ele se sentiu aliviado. Nunca havia dito tantas verdades em uma noite só, e ele gostou da sensação de ser ele mesmo.

Aquela foi uma noite de perdas e ganhos. Draco perdeu seu medo de pensar diferente e ganhou dois amigos, dois amigos de verdade, coisa que não tinha até aquele dia.

Notas finais
E aí, gostaram? Não gostaram? Algum erro/comentário/sugestão? Sua opinião é super importante pra mim!
Dramione shippers preparem seus corações para o próximo capítulo!