Polissuco

19 A invasão


Notas iniciais
Olá! Quanto tempo, não? Como vocês estão? Mil desculpas pela demora! Eu estou viajando e é muito difícil conseguir wifi ou tempo para escrever, e pra piorar eu não estou com o meu "O enigma do príncipe" Mas, aos 45 minutos do segundo tempo eu consegui escrever esse capítulo, cheio de erros ortográficos, já que ele foi escrito pelo celular. Enfim, espero que vocês gostem do capítulo! (Que, se eu não me engano, equivale ao capitulo 27 do sexto livro!)

Ele acordou com um salto.

Piscando para se adaptar à escuridão e às lágrimas, Draco Malfoy sentou-se na cama, tentando em vão acalmar o coração que batia desesperadamente.

Com muito esforço, o sonserino se arrastou até o criado mudo para pegar o relógio de ouro que ganhou em seu décimo-sexto aniversário. 5:23h. Era a primeira vez em meses que dormia por mais de três horas, e mesmo assim sentia que a sua cabeça estava prestes a explodir. Malditos pesadelos, pensou Draco tentando, em vão, voltar a dormir.

Na cama de cima, Crabble se mexia violentamente e Draco não pôde evitar um sorriso ao perceber que não era o único ali com sono agitado.

Tentando ignorar os rangidos do beliche de cima, a mente de Draco flutuou para os pensamentos que por tanto tempo ele evitara, mas que ele sabia que mais cedo ou mais tarde lhe viriam à cabeça. Esse era o dia. Essa era a sua última manhã em Hogwarts. O que aconteceria dali em diante era um mistério, mas Draco sabia que acabaria com qualquer futuro que ele um dia planejara.

Com um grito abafado pelo travesseiro, Draco se deu ao luxo de afastar esses pensamentos uma última vez. Afinal, era seu último dia em Hogwarts, ele merecia pelo menos uma última noite de sono decente.

***

–Aonde o senhor pensa que vai, Malfoy? -Perguntou a professora com o seu forte sotaque escossês. Draco a ignorou por um segundo, como se naquele enorme corredor vazio pudesse ter outro Malfoy. -Que eu saiba os dormitórios da Sonserina ficam nas masmorras, lá em baixo.

Draco revirou os olhos antes de se virar para Minerva e responder, sem olhá-la nos olhos:

–Eu tenho detenção com a Trelawney em alguns minutos, professora. -O que era, em parte, verdade. Sim, ele tinha detenção com a Trelawney, mas só dali a dois dias.

–Então é melhor se apressar, senhor Malfoy, a Trelawney já é louca normalmente, quando fica irritada é pior ainda. -Respondeu McGonagall lançando-lhe um sorriso sincero. O garoto não pôde evitar uma pontada de culpa pelo que ia fazer. Até mesmo a diretora da Grifinória, que tinha a irritante mania de tirar pontos da Sonserina, iria fazer falta.

Mas nada lhe faria mais falta do que as suas amigas.

Enquanto perambulava pelos corredores de Hogwarts feito um zumbi, Malfoy não pôde deixar de pensar em Hermione e as suas conversas filosóficas, a sua capacidade de ficar irritada com qualquer coisa e a sua inocência, características que ele um dia odiara. Seus pensamentos também vagaram por Astoria, o oposto de Hermione, que costumava a agir sem pensar duas vezes, tudo parecia lhe divertir, sempre, e parecia ter um estoque ilimitado de piadas sujas. Mas, apesar das diferenças, as duas se davam estranhamente bem e, de alguma forma, acreditavam nos mesmos valores.

Ele fechou os olhos, não queria deixar nenhuma das duas pra trás, não queria estragar o dia nem a vida delas, mas ele não tinha escolha. O seu único consolo era saber que, ao contrario dele, ambas tinham outras pessoas com quem contar, Hermione tinha o Garoto que nunca morre e o seu mascote ruivo, além do seu esquadrão de Grifinórios, e Astoria tinha as irmãs e todos aqueles corvinos com quem almoçava. Já Draco, não tinha ninguém. Hogwarts podia ser seu lar, mas dava para contar nos dedos de uma só mão os alunos com quem ele se preocupava e que se preocupavam com ele.

Quando finalmente chegou às portas da sala precisa, ou a onde elas deveriam ficar, o Malfoy fez o ritual de sempre, passou três vezes pela parede, visualizando o armário magico, então a porta se materializou e o Malfoy entrou na sala.

No centro da sala, encostado no armário, estava um homem alto, musculoso, uma mascara preta cobrindo seu rosto.

–Você está atrasado, moleque. -Disse o comensal. -Eu tive que sair do armário sozinho e, acredite, não foi nada fácil.

–Por que? A sua família é muito homofobica? -Perguntou o Malfoy Com uma risada seca. O seu senso de humor era uma das poucas coisas que não deixara pra trás. O comensal lançou-lhe um olhar de desprezo.

–Se eu fosse você eu teria mais cuidado com o que falo, garoto. -O Malfoy estava com uma resposta bem venenosa na ponta da língua, mas o outro comensal o interrompeu. -A sua tia deve chegar a qualquer momento.

Dito e feito. Nesse exato instante um baque indicou que Bellatrix Lestrange estava dentro do armário.

Relutante, Draco abriu as portas do armário para que a tia, com a ajuda do comensal, saísse. O Malfoy não queria ajudá-la, o Malfoy não queria aqueles invasores na sua escola, o Malfoy não queria deixar tudo aquilo para trás e o Malfoy não queria, sob circunstância alguma, acabar aquela missão. Mas o Malfoy não tinha escolha, ou, pelo menos, achava mais confortável fingir que não tinha.

Aos poucos, mais e mais comensais iam chegando, alguns velhos conhecidos de Draco, outros tão estranhos que lhe davam arrepios, mas o garoto não queria nenhum deles ali. Quando todos finalmente chegaram, Bellatrix deu dois tapinhas na bochecha do sobrinho e sussurrou:

–Rosmerta disse que o velho está na torre de Astronomia, essa é a sua deixa. Não vá decepcionar o Lorde das Trevas!

Draco forçou um sorriso e assentiu, mas naquele exato momento estava pensando em uma maneira de fugir dali e manter os pais a salvo. Não é preciso falar que ele não encontrou.

Por tempos ele achava que esse dia não iria chegar, que o tempo ia, magicamente, se redobrar de modo que nada disso fosse acontecer. Ele tinha até esperanças que alguém, mesmo que fosse o Santo Potter, derrotasse Voldemort antes disso. Mas nada disso aconteceu e aqui estava ele, arrependido por não ter pensado em uma maneira de fugir antes, por não ter pensado no que aconteceria depois.

–Está na hora. -Disse o lobisomem Greyback, sua voz metálica mais rouca que o normal.

Os grupos de comensais se dividiram, como combinado, mas antes fizeram questão de criar uma marca negra sobre Hogwarts, um amigável lembrete para o mundo do que os seguidores de Lord Voldemort eram capazes. Draco e o seu grupo sairam primeiro, em direção à torre de astronomia, sendo o mais discretos o possível, enquanto os outros grupos foram para os lados opostos, causando o máximo de bagunça e destruição que eles podiam.

Antes que o primeiro grupo pudesse chegar à torre, porém, membros da ordem invadiram o corredor, atacando os comensais.

–Draco, saia daqui, você tem que chegar a Dumbledore antes deles, nós vamos ganhar algum tempo pra você! -Disse Bellatrix enquanto lançava algumas maldições em um ruivo alto com um rabo de cavalo, um Weasley, provavelmente.

Draco virou à direita e seguiu em direção à torre de Astronomia, sabendo que o desvio levaria mais tempo que o caminho planejado. Correu o mais rápido que pôde, evitando a multidão de alunos que vinham da direção oposta. Já estava quase na base da torre quando tropeçou em alguma coisa, ou melhor, em alguém. Ele teve de resistir à vontade de checar se era alguém conhecido e seguiu em frente.

Quando finalmente chegou à torre, subiu os degraus o mais silenciosamente o possivel, para não chamar a atenção de Dumbledore. Chegando ao topo da escada, já mirando no velho que nem sabia de sua presença, Draco gritou:

–Expelliarmus!

A varinha de Dumbledore voou da sua mão e o professor, inabalado, disse:

–Boa noite, Draco.

Malfoy pisou adiante, enquanto olhava depressa ao redor para conferir se ele e Dumbledore estavam sós. Os olhos dele pararam na segunda vassoura.

–Quem mais está aqui? -Perguntou o loiro.

–Essa pergunta eu deveria lhe fazer. Ou você está agindo só? -Rebateu o velho.

–Não, eu tenho ajuda. Há Comensais da Morte aqui em sua escola esta noite.

–Bom, bom. -Disse Dumbledore, como se Malfoy estivesse mostrando a ele um ambicioso projeto de lição de casa. -Realmente muito bom. Você achou um modo para os deixar entrar, como o fez?

–Sim. -Por mais que não gostasse daquilo Draco se sentia orgulhoso por fazer algo tão grande sem que Dumbledore percebesse. -Bem debaixo do seu nariz e você nunca percebeu!

–Engenhoso, -Disse Dumbledore. -Contudo... Perdoe-me... Onde eles estão agora? Você parece sem reforços.

–Eles se encontraram com alguns de seus guardas. Estão tendo uma briga lá em baixo. Eles não vão demorar... Eu vim na frente. Eu — eu tenho um trabalho para fazer. -Admitiu o Malfoy, de certa forma ele queria que Dumbledore entendesse qual era o trabalho e saísse dali.

–Bem, então, você tem que seguir com o que você tem que fazer, meu querido menino. -Disse Dumbledore suavemente.

Draco encarou Dumbledore que, sabe-se lá porque, sorria diante da situação. Ele sabia exatamente o que Draco tinha de fazer.

–Draco, Draco, você não é um assassino.

–Como você sabe? -Disse Malfoy, imediatamente percebendo como as suas palavras soaram infantis. Ele não queria ser um, mas isso não significava que ele não pudesse ser um. Será que Dumbledore achava que ele não tinha coragem de matar alguém? Ele já tinha feito coisas terríveis, não era como se matar alguém fosse muito pior, era? -Você não sabe do que eu sou capaz, você não sabe o que eu fiz!

–Oh, sim, eu sei, -Disse Dumbledore suavemente, um sorriso estampado no seu rosto. -Você quase matou Katie Bell e Ronald Weasley. Você tem tentado, com crescente desespero, me matar. Perdoe-me, Draco, mas elas foram tentativas fracas... Tão fracas, para ser honesto, que eu duvido se seu coração realmente esteve empenhado...

Ao contrário do que Dumbledore pensava, sua fala não fez com que Draco pensasse se realmente queria fazer aquilo, aquelas palavras bastaram para aumentar o ódio do Malfoy. Como Dumbledore ousa duvidar dele? Quando um sonserino quer uma coisa, ele a consegue!

–Estive sim! Eu tenho trabalhado nisso o ano todo, e hoje à noite...

Um grito agudo surgiu de algum lugar nas profundezas do castelo. Malfoy enrijeceu e olhou por cima de seu ombro.

–Alguém está tendo uma briga boa -Disse Dumbledore convencionalmente. -Mas você estava dizendo... Sim, como você planejou introduzir Comensais da Morte em minha escola que, eu admito, pensei ser impossível... Como você fez isso?

Mas Malfoy não disse nada: ele ainda estava escutando tudo aquilo que estava acontecendo abaixo, torcendo mentalmente para que a vítima não fosse ninguém com quem se importava.

–Talvez você deva seguir com o trabalho sozinho. -Sugeriu Dumbledore, tentando a velha tática da psicologia reversa. O Malfoy, porém, conhecia a tática bem demais para cair na conversa do diretor. Mas ele também não queria matar o velho.

–E se a sua ajuda foi impedida pelos meus guardas? Talvez você não tenha percebido, mas há membros da Ordem da Fênix aqui hoje à noite também. E afinal de contas, você realmente não precisa de ajuda... Estou sem varinha no momento... Eu não posso me defender.

Malfoy somente o encarou.

–Entendo, -Disse Dumbledore amavelmente, quando Malfoy nem se moveu nem falou. -Você tem medo de agir até que eles cheguem.

–Eu não tenho medo! -Rosnou Malfoy, entretanto ele ainda não tinha feito nenhum movimento para ferir Dumbledore. A atitude do mago estava o confundindo, não sabia se Dumbledore era sábio ou louco.-É você quem deveria estar assustado!

–Mas por que? Eu não acho que você me matará, Draco. Matar não é tão fácil quanto você inocentemente acredita... Assim enquanto nós esperamos por seus amigos, me fale... Como você os contrabandeou para dentro? Parece ter levado muito tempo para calcular como fazê-lo.

Malfoy queria gritar para Dumbledore que ele não estava ajudando, que aquela situação já era difícil demais sem as coversinhas. Ele respirou fundo, enquanto fitava Dumbledore, com sua varinha apontando diretamente ao coração dele. Então percebeu o que o bruxo estava fazendo, ele estava ganhando tempo. Para quê, exatamente, Draco não tinha ideia, mas pelo olhar que o diretor o lançou ele entendeu que seria algo bom para ambos. Draco, então, entrou no jogo de Dumbledore.

–Eu tive que reparar aquele Armário quebrado que faz com que as coisas desapareçam, que ninguém tinha usado durante anos. Aquele onde Montague se perdeu no ano passado.

–Aaaah.

O suspiro de Dumbledore era quase um gemido. Ele fechou seus olhos por um momento. -Isso foi inteligente... -Draco não pôde evitar uma pontada de orgulho.

Dumbledore olhou pela porta , como se esperasse que alguém fosse entrar a qualquer momento. -Há um par, eu assumo?

–O outro está na Borgin & Burkes e eles têm um tipo de passagem entre eles. Montague me falou que quando ele estava preso no de Hogwarts, ele estava em um limbo, mas às vezes ele podia ouvir o que acontecia na escola, e às vezes o que estava acontecendo na loja, como se o armário estivesse viajando entre eles, mas ele não pôde fazer ninguém ouvi-lo... No fim ele conseguiu Aparatar para fora dele, embora ele não tivesse passado em seu teste. Ele quase morreu, fazendo isto. Todo mundo pensou que era realmente uma boa história, mas eu fui o único que percebeu o significado, nem Borgin sabia, eu fui o único que percebeu que poderia ter um modo de penetrar Hogwarts pelos armários se eu consertasse o quebrado.

–Muito bom. -Murmurou Dumbledore, genuinamente impressionado. Era uma pena que uma mente tão boa fosse usada para coisas tão ruins. -Assim os Comensais da Morte puderam passar da Borgin&Burkes para a escola e o ajudar... Um plano inteligente, um plano muito inteligente... E, como você disse, bem debaixo do meu nariz.

–Exatamente. -Respondeu o Malfoy, a voz carregada de orgulho.

–Mas houve tempos- Continuou Dumbledore. -Em que não teve certeza do sucesso reparando o Gabinete, não é? E você resolveu, julgando mal e cruelmente, me enviar um colar amaldiçoado que acabou por alcançar as mãos erradas... Envenenando um hidromel que havia só uma pequena chance que eu poderia beber...

–Sim, bem, mas você não descobriu quem estava por atrás daquela matéria-prima, não é?-Zombou Malfoy, Dumbledore deslizou um pouco sobre as plataformas.

–De fato, eu sabia. -Disse Dumbledore. -Eu estava seguro que era você.

–Por que você não me impediu, então?

–Eu tentei, Draco. Professor Snape tem mantido os olhos em você sob minhas ordens -

–Ele não tem o feito sob suas ordens, ele prometeu a minha mãe -Interrompeu o loiro.

–Claro que isso é o que ele lhe contaria, Draco, mas -

–Ele é um agente duplo, seu homem velho e estúpido, ele não está trabalhando para você, você pensa que ele está!

–Nós temos que concordar em diferir nisso, Draco. Acontece que eu confio no Professor Snape -

–Bem, você está perdendo seu controle, então!- Zombou Malfoy. -Ele me ofereceu bastante ajuda, querendo toda a glória para ele, querendo um pouco de ação. ''O que você está fazendo? Você que fez o colar, estúpido poderia ter acabado com tudo" -Disse o Malfoy com uma imitação debochada de Snape. -Mas eu não lhe contei o que estava fazendo na Sala Precisa, ele vai acordar amanhã e tudo estará terminado, ele não será mais o favorito do Lord das Trevas! -Draco não fazia ideia do quanto estava enganado.

Uma pequena parte dele, escondida em seu lado mais sombrio, queria sim ser o favorito d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, queria ter o seu trabalho reconhecido, seu sofrimento recompensado. Afinal, ele passou a vida toda lutando para ser o melhor em alguma coisa e alguém sempre levava os créditos. No Quadribol, o Potter, nas notas, a Granger, as poucas coisas que faziam dele O Draco Malfoy não eram nem mesmo conquistas próprias.

–Muito gratificante. -Disse Dumbledore suavemente. -Todos nós gostamos de sermos apreciados pelo nosso trabalho duro!

Conversa vai, conversa vem, durante a grande enrolação Dumbledore mencionou Hermione, Draco, como parte do seu costumeiro teatrinho, se referiu à garota como "Sangue-ruim".

–Por favor, não use essa palavra ofensiva na minha frente. -Pediu Dumbledore.

Malfoy deu uma risada malvada. Esse homem era louco, só pode! Estava prestes a morrer e se preocupava com palavras que nem eram sequer usadas para descrevê-lo.

–Você se preocupa quando eu digo "Sangue-ruim?" Quando estou a ponto de te matar?

–Sim, eu me importo, mas sobre estar a ponto de me matar, Draco, você teve vários longos minutos. Nós estamos bastante a sós. Eu estou o mais inofensivo que você poderia ter sonhado em me encontrar e você ainda não agiu...

A boca do Malfoy se contorceu involuntariamente, como se ele tivesse provado algo muito amargo.

–Agora, sobre esta noite, -Prosseguiu Dumbledore. -Eu estou um pouco confuso sobre como aconteceu... Você soube que eu tinha deixado a escola? Mas claro que Rosmerta me viu partindo, ela passou a informação usando já que está sob a maldição Imperius.

–Está certo -Disse Malfoy. -Então, você se empenhou em planejar uma armadilha pra mim?

–Nós decidimos pôr a Marca Negra em cima da Torre para conseguir que você se apressasse para voltar, ver quem tinha sido morto. -Disse Malfoy. -E funcionou!

–Bem... Sim e não...-Disse Dumbledore. -Mas posso concluir, então, que ninguém foi assassinado?

–Alguém está morto. -Comentou Malfoy e a voz dele parecia subir uma nota enquanto ele dizia isto. -Um dos seus... Eu não sei quem, estava escuro... Eu pisei em cima de um corpo... Eu tinha que estar esperando aqui quando você voltasse, só que seu grupo da Fênix ficou no caminho...

–Sim, eles fazem isso, -Disse Dumbledore.

Houve um estrondo e gritos abaixo, mais alto que nunca; soando como se as pessoas estivessem lutando na escadaria em espiral que conduziam para onde Dumbledore, Malfoy e Harry estavam.

–Há pouco tempo, de uma maneira ou de outra, -Disse Dumbledore. -Assim nos resta discutir suas opções, Draco.

–Minhas opções! -Rosnou Malfoy. -Eu estou aqui com minha varinha — eu estou a ponto de matá-lo -

–Meu querido menino, você não me permitiu ter mais nenhuma pretensão sobre isso. Se você fosse me matar, você teria feito isto antes, quando você me desarmou, você não teria parado para esta conversa agradável sobre modos e meios.

–Eu não tenho nenhuma escolha! -Disse Malfoy com o rosto tão mortalmente pálido quanto o de Dumbledore. -Eu tenho que fazer isto! Ele me matará! Ele matará minha família inteira!

–Eu percebo a dificuldade de sua posição, -Disse Dumbledore. -Por que outro motivo você acha que eu não o confrontei antes? Porque eu soube que você seria assassinado por Lorde Voldemort se ele percebesse que eu suspeitava.

Malfoy estremeceu ao som do nome.

–Eu não ousei falar com você sobre esta missão quando eu soube que tinha sido confiada a você, no caso dele usar Legilimência contra você. -Continuou Dumbledore. -Mas agora, afinal, nós podemos falar claramente a um ao outro... Nenhum dano foi causado, você não feriu ninguém, entretanto, você tem muita sorte que suas vítimas por engano sobreviveram... eu posso lhe ajudar, Draco.

–Não, você não pode! -Gritou Malfoy, tremendo da cabeça aos pés. -Ninguém pode! Ele me disse que fizesse isto ou ele me mataria. Eu não tenho escolha!

–Venha para o lado certo, Draco, e nós poderemos escondê-lo de forma que você jamais será encontrado. E mais, eu posso enviar os membros da Ordem, hoje à noite, à sua mãe e escondê-la também. Seu pai está seguro, no momento, em Azkaban... quando chegar a hora, nós poderemos o proteger também... venha para o lado certo, Draco... você não é um assassino.

Malfoy encarou Dumbledore. Era uma oferta tentadora, mas ele tinha certeza que Voldemort estava acompanhando a sua mãe de perto, e que qualquer passo em falso do menino, que estava sendo monitorado, significaria a morte dela. Além disso, temia muito mais Voldemort do que Dumbledore. Era tarde demais para mudar de lado.

–Mas eu fui já fui longe demais, não fui? -Ele disse lentamente. -Eles pensaram que eu morreria na tentativa, mas eu estou aqui... E você está em meu poder... Eu sou o único com uma varinha... Você está sob minha clemência.

–Não, Draco. -Disse Dumbledore, baixinho. -É minha clemência, e a não sua o que importa agora.

Malfoy não falou. A boca dele estava aberta, a mão da varinha ainda tremendo. Harry, paralisado debaixo da capa, pensou ter visto ele abaixar a varinha por uma fração de segundos.

Mas, de repente, passos ressoaram pelos degraus e em uma questão de segundos, Malfoy foi empurrado longe quando quatro pessoas com vestes negras passaram pelo baluarte de entrada.

Ainda paralisado, olhando sem pestanejar, Harry contemplou com terror aos quatro estranhos: parecia que os Comensais da Morte tinham ganhado a batalha lá embaixo.

Um homem de aparência lupina com uma estranha virada para o lado, olhou de soslaio e deu uma risadinha ofegante.

–Dumbledore acuado! -Ele disse, e virou para uma pequena mulher que parecia sua irmã e que estava sorrindo ansiosamente. -Dumbledore sem varinha, Dumbledore sozinho! Bem feito, Draco, muito bem feito!

–Boa noite, Amycus, -Disse Dumbledore calmamente, como se dando boas-vindas ao homem para o chá das cinco. -E você trouxe Alecto também... Encantandor!

A mulher soltou um risinho furioso. -Pensa que suas piadinhas o ajudarão na sua hora da morte, então? -Ela zombou.

–Piadas? Não, não, de maneira alguma! -Respondeu Dumbledore.

–Faça isso logo, Malfoy! -Disse o estranho de pé mais próximo a Harry, um grande e musculoso homem com o cabelo grisalho emaranhado e bigode, cujas vestes pretas de Comensal da Morte pareciam desconfortavelmente apertadas. Ele tinha uma voz como nenhuma outra que Harry alguma vez tivesse. ouvido: mais um latido áspero que uma voz. Harry poderia cheirar uma mistura poderosa de sujeira, suor e, estranhamente, de sangue que vinha dele. As mãos imundas tinham unhas amareladas há muito tempo.

–É você, Fenrir? -Perguntou Dumbledore.

–Isso mesmo. -Disse o outro, com voz rascante. -Feliz em me ver, Dumbledore?

–Não, eu não posso dizer que eu estou...

Fenrir Greyback arreganhou e mostrou os dentes pontudos. Sangue pingava pelo queixo dele e ele lambia os lábios, obscena e lentamente. -Mas você sabe como eu gosto de crianças, Dumbledore.

–Eu devo entender que isso leva você a atacar até mesmo agora, sem a lua cheia? Isto é muito incomum... você desenvolveu um gosto por carne humana que não pode ser satisfeita apenas uma vez no mês?

–Correto. -Disse Greyback. -Está chocado, Dumbledore? Assusta você?

–Bem, eu não posso fingir que não me repugne um pouco -Disse Dumbledore. -E, sim, eu estou um pouco chocado que Draco aqui tenha convidado você, de todas as pessoas, para a escola onde os amigos dele vivem...

–Eu não o fiz, -Respirou Malfoy. Ele não estava olhando Greyback; parecia não querer olhar direto para ele. -Eu não sabia que ele viria -

–Eu não perderia uma viagem para Hogwarts, Dumbledore. -Falou Greyback. -Não quando há gargantas para serem arrancadas... Hmmmmmm

E ele levou uma unha amarela e passou nos dentes da frente olhando de soslaio para Dumbledore. -Eu o poderia fazer de aperitivo, Dumbledore.

–Não -Disse o quarto Comensal da Morte nitidamente. Ele tinha um rosto pesado e brutal. -Nós temos ordens. Draco é quem fará isto. Agora, Draco e depressa.

Malfoy estava tonto, o corpo tremendo. Ele não queria fazer isso, não tinha força ou coragem o suficiente. Ele se xingava mentalmente por ser um covarde, todo esse tempo ele esperou que alguém magicamente surgisse ali e o salvasse, ou salvasse Dumbledore, mas isso não aconteceu, e agora ele tinha de fazer o que lhe foi mandado, não pela própria vida (Ele percebera que a sua vida até agora fora tão inútil e insignificante que isso não importava mais), mas pelos pais. Ele lançou um olhar apavorado para Dumbledore, indagando mentalmente onde estava a ajuda que o velho o prometera silenciosamente.

–Ele não parece de qualquer maneira perigoso, se você me perguntar! -Disse o homem torto, acompanhando a irmã dele que estava rindo ofegante. -Olhe para ele! Oque é aconteceu a você, Dumby?

–Oh, resistência mais fraca, reflexos mais lentos, Amycus! -Disse Dumbledore. -Idade avançada, em resumo... Um dia, talvez, acontecerá a você, se você tiver sorte.

–Sempre o mesmo, não é, Dumby? Falando e não fazendo nada, nada, nem mesmo sei por que o Lorde das Trevas se está aborrecendo para matar você! Venha, Draco, faça!

Mas naquele momento, houve sons renovados de luta abaixo e uma voz gritou:

–Eles bloquearam os degraus — Reducto! REDUCTO!

–Agora, Draco, depressa! -Disse homem brutal furiosamente.

Mas as mãos de Malfoy estavam tremendo tanto, que ele mal conseguia apontar.

–Eu farei isto! -Grunhiu Greyback, e se moveu para Dumbledore com as mãos estendidas, os dentes à mostra.

–Eu disse não! -Gritou o brutamontes; houve um flash de luz e o lobisomem foi lançado para trás; ele bateu na parede e cambaleou, parecendo furioso.

–Draco, faça ou fique contra nós -Guinchou a mulher, e por um instante Draco ponderou pegar uma das vassouras encostadas à janela e fugir, mas naquele exatoth momento a porta para as muralhas foi escancarada mais uma vez e lá estava Snape, a varinha apertada na mão. Com os olhos pretos ele varreu a cena, de Dumbledore que afundou contra a parede aos quatro Comensais da Morte, inclusive o lobisomem enfurecido e Malfoy.

–Nós temos um problema, Snape. -Disse Amycus grosseiro, olhos e varinha apontada para Dumbledore. -O menino não parece capaz -

–Severus...-Suplicou Dumbledore, tão suavemente que o som se sobressaltou em meio aos grunhidos brutais dos comensais.

Snape não disse nada, mas caminhou adiante e empurrou Malfoy asperamente para fora. Os três comensais da morte se retiraram sem uma palavra. Até mesmo o lobisomem pareceu se acovardar. Snape contemplou por um momento a Dumbledore, e havia resolução e ódio marcadas nas linhas rígidas do rosto dele.

–Severus, por favor...

Snape elevou a varinha e apontou diretamente para Dumbledore.

–Avada Kedavra!

Um jato de luz verde saiu da ponta da varinha de Snape e acertou diretamente Dumbledore no peito. Dumbledore foi lançado no ar: durante um segundo onde ele pareceu ficar suspenso em baixo da Marca negra que pairava sobre a escola, e então ele caiu lentamente para trás, como uma grande boneca de trapo, em cima das ameias e longe da vista.

Notas finais
Entãããããoooo, gostaram? Eu mudei algumas falas do livro, já que na fic Draco quem entrega o colar à Katie Bell, não Madame Rosmerta, e também narrei à minha maneira (que não é nada comparada à da J.K., mas eu não queria que essas partes fossem diferentes do resto da fic) Bem, feliz ano novo! Que 2014 traga lemranças maravilhosas para cada um de vocês! Aah e hoje também é o aniversário do Tom Riddle! Hoje o nosso querido Voldy faria 87 aninhos!