Policial Sujo

14 Welcome Back, Sweatheart.


Notas iniciais
Não só recomendo, como OBRIGO vocês a ouvirem junto com a música "Hello Zepp - Charlie Clouser" (Ela é do meu filme favorito, Jigsaw, então é maravilhosa ♥) Bom, serve qualquer música de terror, só que essa tem só o fundo musical sem vozes. Acho que dá um arrepio ouvindo *o*

─ Que nostalgia.

Finalmente, estavam dentro da grande Mansão! Na entrada principal, Luffy observava a grandiosidade da casa por dentro, enquanto Law apenas tinha lembranças. Um tapete vermelho estava estirado no chão, móveis rústicos feitos com ouro maciço, diversos quadros na parede e uma escadaria enorme. Existiam centenas de cômodos e corredores.

─ É realmente bem grande.

Porém, não era apenas o tamanho ou estimado valor dos móveis que chamavam atenção. Aquela Mansão era fria e, se você ficasse em um silêncio profundo, conseguiria ouvir o tristonho e disforme som do vento batendo por entre as cortinas, carregando uma voz que agonizava em terror.

─ Luffy, vamos conversar. Precisamos de um plano se quisermos encontrar o Adams aqui.

─ Hã, pra quê? É só a gente ir correndo por aí e procurá-lo! Você sabe onde ele pode estar?

─ Provavelmente no escritório, mas não é tão simples assim! O Adams é um assassino terrivelmente forte. Ele não é igual ao Kira, duvido muito que morra só com um tiro no peito.

─ Que bom, porque não vamos matá-lo, nós só vamos prendê-lo e recuperar as crianças.

─ Prender o Adams? Essa é boa... de qualquer maneira, vamos fazer logo um plano. Nós precisamos ficar juntos e─

─ PETER! ─ Luffy ignora totalmente a presença do outro e sai correndo pela casa, gritando o nome de seu amigo ruivo.

─ EI, VOLTA AQUI! ─ Contudo, Law corre atrás dele e segura seu ombro.

─ Por que você tá me impedindo? Agora que chegamos aqui, vamos procurar pelo Peter!

─ Que parte de "precisamos de um plano" você não entendeu?!

─ Pra que plano? É só a gente achar o Peter! Enquanto você fica aí perdendo tempo o seu tio demoníaco pode estar fazendo coisas ruins com ele.

─ Não, isso é fato. O Poodle ou já tá morto ou tá traumatizado em saber quem é o pai.

─ Então para de ficar falando e vamos logo! ─ Luffy sai correndo de novo. ─ PETER!

─ Tsc, se o Poodle estivesse aqui nós poderíamos usar o focinho dele...

Ignorando a tentativa de fazer um plano para invadir a Mansão, os dois jovens foram correndo pela casa, sem rumo, procurando alguma pista do sequestro das crianças. Já haviam subido a escadaria da sala principal e, nesse momento, estavam no segundo andar.

Por ser uma casa bem antiga, apesar de cara, o chão rangia por onde eles iam pisando. A luz falhava e por isso ficara piscando toda hora, tendo que se contentarem com algumas tochas presas na parede, que aliás, estavam com a madeira exposta, já que o papel de parede estava em ruínas. O cheiro de mofo vagava pelos grandes e estreitos corredores.

─ Que casa antiga. ─ Luffy comenta, pisando em uma madeira no chão que estava quebrada e soltava um barulho bem alto.

─ Ele não reforma, diz que gosta de manter as coisas como são.

Sim, o original é mais bonito. Preserva a antiguidade e a beleza histórica.

─ É, isso também. Torna o clima mais aconchegante.

E o cheiro da madeira antiga é o melhor.

─ Apesar de dar um pouco de alergia.

Ah não se preocupa, alergia nós tratamos com remédios. O aroma é para sempre.

─ O aroma seria melhor se não tivesse a poeira, mas tudo bem.

Hahaha, realmente, mas são consequências da vida, não podemos fazer nada.

É, Tem razão.

─ Ér... Torao...

─ Oi.

─ Com quem você tá conversando?

─ Como assim, não era você quem tava falando?

─ N-Não...

─ Eu tô ouvindo vozes de novo?

─ Não, eu também ouvi, só quê...

Pararam de andar e ficaram se encarando. A voz sumiu. O vento gélido ainda batia na cortina e trazia os gritos noturnos, apesar de soarem um tanto fantasmagórico. Com um certo medo e hesitando um pouco, afim de verem se tinha alguém com eles, Law e Luffy foram se virando lentamente...

Não havia nada atrás deles.

─ Não tem ninguém aqui. ─ Afirma Law.

─ Então de onde veio essa voz? Era a voz do Adams?

─ Não parecia ser a voz dele... bom, vamos continuar.

Prosseguiram por entre o infinito corredor do segundo andar e Luffy ficou um pouco mais atento depois de ouvir a tal voz misteriosa. Haviam algumas portas também, todas de madeira e intactas. O menor perguntou se havia algo lá dentro que seria importante para eles investigarem, mas Law negou. Continuaram andando até acharem um pequeno invasor andando no chão.

─ Um rato! ─ Exclama Luffy, vendo o pequeno animal veloz indo em direção a eles. Contudo, assim que se aproxima em grande velocidade, o rato para e fica encarando Law.

─ Que foi? ─ Ele disse, vendo o rato o olhando fixamente.

─ Quick, quick. ─ O ínfimo barulinho fora soltado, junto com o pequeno focinho do rato que se mexeu. Contudo, o olhar do pequenino frizou e ele resolveu dar um pulo gigantesco em direção ao braço de Law, mordendo e arrancando sangue.

─ Ai! ─ Ele gritou, não conseguiu desviar tanto pelo rato ser pequeno, como também ser bem rápido. E falando em rapidez, assim que terminou de arrancar o sangue de Law, ele saiu correndo e fugiu por entre os corredores, desaparecendo.

─ V-Você tá bem?! ─ Luffy se aproximou do amigo, olhando seu braço.

─ Tsc, bicho imprestável, espero que não tenha doenças.

Não se preocupa, ele é limpinho.

─ Luffy, foi você quem disse isso..?

─ N-Não, foi você, Torao..?

─ Não...

Novamente, a voz misteriosa se manifestou e logo se calou. Os dois rapazes ficaram olhando para trás, para frente e também para os lados, tentando encontrar alguém, mas ninguém lá havia. Law já estava ficando impaciente e Luffy não entendia nada.

─ Então aqui é tipo uma Mansão mal assombrada? ─ Indaga o menor.

─ É, tipo isso. Você acredita em espíritos?

─ Eu tô começando a acreditar...

─ Pois eu acredito que é uma brincadeira sem graça do Adams. Agora vai, ignora isso e vamos embora.

─ Tem razão, precisamos achar o Peter.

Voltaram a andar pelos corredores vazios, com detalhes rústicos esculpidos à mão, até finalmente encontrarem uma porta. De certo, portas eram comum lá, mas essa era diferente. Para início de conversa, essa porta estava quebrada e aberta, mas seu quarto era escuro e não podia se ver nada lá.

─ Ah, esse quarto! ─ Exclama Law, surpreso.

─ O que tem nele?

─ É o quarto que eu dividia com o Kid quando nós morávamos aqui.

─ Jura? É bem espaçoso.

─ É o quarto principal.

Adentraram o quarto, ligando as luzes que piscavam constantemente. As paredes estavam estragadas como as demais, porém a cama ainda estava intacta. Uma cama enorme, com muitos colchões e da cor do mais puro roxo. Também haviam vários quadros, vasos de flores mortas, uma escrivaninha e uma espada.

─ Olha, até a minha espada tá aqui! ─ Exclama ele, tendo mais nostalgia e segurando sua arma. ─ O Adams me deu ela quando eu tinha onze.

─ Nossa, uma espada, que belo presente pra se dar a uma criança. Seu tio é uma pessoa muito gentil.

─ Ele é. Ah, é nessa escrivaninha que eu guardei o bloco de notas que eu usava nos tempos da faculdade, será que ainda tá aqui?

─ Você e seus blocos de notas...

"Se a profundida mede 360mm aproximadamente, a altura mede 990mm e a largura um pouco mais de 280mm então o bebedouro não deve aguentar mais de 2L, sendo assim eu vou precisar saber exatamente a quantidade de GHB que eu preciso colocar aqui sem que ninguém descubra. É claro, seria mais fácil se o Kid não ficasse me importunando, mas por sorte a Nicole, minha heroína, me tirou de perto dele.

Falando em Kid, eu fiz um pequeno poema que demonstra o que eu sinto por ele.
Rosas são vermelhas,
Violetas são azuis.
Eu vou matar o Kid,
E eu tô pouco me fudendo se isso rima ou não."

─ Bons tempos... ─ Diz, pensando no amigo ruivo e tendo mais nostalgia.

─ Olha, você é carinhoso desde a infância. Que coisa linda.

─ Tenho que admitir, essa Mansão do capeta é bem nostálgica. Foi nesse quarto também que...

Silêncio profundo.

─ Foi nesse quarto o quê? ─ Pergunta, depois do outro parar de falar de repente.

─ Nada, esquece. Vamos logo embora daqui, o Poodle tá esperando.

─ Tem razão, estamos perdendo tempo, vamos!

Saíram do quarto, deixando tanto a espada como o bloco de notas lá, e voltaram a andar pela Mansão. Por entre os corredores, eles finalmente acharam a escadaria para o terceiro andar. Lá tinha uma grande sala cheia de móveis rústicos, poltronas e decorações antigas, parecendo a sala de estar principal. A diferença é que não havia luz, apenas uma lareira, várias tochas e uma grande pilastra.

─ Era aqui que ele costumava brincar.

─ Brincar?

─ É, ele é estranho, nem queira entendê-lo.

─ Tá, mas tem alguma luz? Tá meio escuro...

─ Sim, acho que tem uma aqui.

Arrastando a mão pela parede, Law consegue ligar o interruptor. A sala era realmente bem grande e as paredes do mais puro branco com entalhes feitos de ouro e desenhos antigos. Haviam diversos vasos e mais pinturas. Porém, o que mais chamou a atenção, é que havia uma boneca sentada, encostada na parede. Ela tinha tamanho real e deveria ter por volta de 1,30m.

─ Ah, então é com isso que ele brinca? ─ Luffy esboça um sorriso e vai até a boneca, alisando suas mãos por entre os fios dourados de cabelo. ─ Ela é muito bonitinha.

Enquanto o mais novo observa os olhos cor-de-mel da boneca, Law fica observando-o atentamente, um pouco relutante.

─ Ahn.. Luffy...

─ Sim?

─ Não toca nisso, não...

─ Ah, desculpa, é que tudo nessa casa é tão velho e a boneca parece ser tão nova. E eu também não sabia que assassinos brincavam de boneca...

─ Tudo bem, só vamos embora, esse lugar me dá arrepios.

Deixando a boneca de lado e saindo da sala de estar, eles agora estão em um novo corredor. Dessa vez, não existiam tantos quadros como antes, mas o cheiro de poeira havia sido um pouco modificado para um odor mais forte e apimentado. Um aroma que Law odiava. E, andando, eles foram obrigados a parar graças a uma voz.

"Sejam bem vindos à nossa família!"

─ De onde surgiu isso?! ─ Indaga Luffy, olhando para todos os cantos.

─ Adams... ─ Resmunga Law.

─ É ele? EI, CADÊ O PETER? ME FALA!

─ Luffy, não é assim que vamos conseguir achar o Poodle. O Adams deve estar usando algum comunicador pra falar com a gente, ele não tá aqui.

"É, tipo isso! Não tem câmeras aqui então eu só consigo ouvir a voz de vocês, mas... eu já tenho uma ideia de quem seja."

─ ENTÃO ME RESPONDE! ─ Luffy continua gritando ─ CADÊ AS CRIA─

─ Luffy, para! ─ Law tampa a boca dele. ─ Eu já disse que não é assim que vamos conseguir tirar alguma coisa do Adams.

─ Então o que você quer que eu faça?!

─ Ei, Adams! Tá me ouvindo?

"Não, não tô, não vou ouvir e não gosto quando você usa esse tom de voz comigo. Não vou te responder. Não quero saber. Morra logo. Não vou te responder. Não fala assim comigo. Não, não, não..."

─ Tsc, inferno. TIO Adams, você tá me ouvindo agora?

"CORAÇÃO, VOCÊ VOLTOU PRA MIM! AAAAAAAAWN, QUE FELICIDADE!! FAZ TANTO TEMPO QUE NÃO NOS VEMOS, NÉ? VOCÊ DEVE TER CRESCIDO TANTO! VAMOS NOS AMAR!"

─ Nossa, que bipolaridade. ─ Comenta Luffy.

─ Ele é um maníaco, vai se acostumando. ─ Law volta a gritar para a voz do fundo. ─ Agora que você tá me ouvindo, me diz, ONDE CARALHOS VOCÊ TÁ?

"Adivinha!"

─ No seu escritório?

"Não..."

─ Então desembucha!

"Eu estou... no nosso ninho do amor!"

─ Então você está em um cômodo inexistente.

"EI, SWEEATHEART!! QUER CASAR COMIGO?"

─ Não!

"AI MEU DEUS, NÃO ACREDITO! É O 1.000º FORA QUE EU LEVO!!!!!!!"

─ Então para de me ped─

"CARAMBA, VOCÊ NÃO ACREDITA COMO EU TÔ FELIZ! Quando eu morri eu estava no número 999 e eu passei esse tempo todo esperando nosso reencontro pra você me negar pela MILÉSIMA VEZ! UM NÚMERO INTEIRO! Sabe a agonia que eu passei? Eu não gosto de números não-inteiros! Fiquei ANOS com o 999 na minha cabeça, queria logo formar o MIL."

─ Ahn... Torao... ─ Luffy ficou um pouco assustado.

─ Eu te avisei que ele era estranho, Luffy, agora não reclama.

─ S-Seu tio acabou de te pedir em casamento...

─ Ele me pede desde que eu tinha dez anos, ignora.

─ E o que a gente faz agora?

─ Parece que ele parou de falar, então ignora e vamos andando até achá-lo.

Deixando a voz do além de lado, eles continuaram a andar pelos corredores e, quanto mais caminhavam, mais o cheiro de antes ia ficando mais forte. O cheiro que Law odiava. Luffy não sentia muito então não se incomodou, contudo, acharam mais uma boneca sentada encostada na parede.

─ Olha, outra boneca. ─ Afirma Luffy, olhando para ela fixamente.

─ Esquece essas bonecas, Luffy, só ignora elas.

Mas Luffy não as esquece. Ao invés disso, ele sente uma flecha batendo em seu coração por algum motivo não citado. Com as pernas um tanto trêmulas, ele se abaixa, indo em direção a pequena boneca e a observando de perto, com uma feição depressiva. Ele tocou os longos cabelos cacheados castanhos e sua pele lisa branca.

─ Ela parece tão triste... ─ Comenta, em um tom melodramático. ─ E tão fria...

─ É claro, é assim que bonecas são. Vamos embora.

─ Será que ela tem família?

─ Família?

Não se preocupe, ela tem família sim. Nós cuidamos muito bem dela.

─ Que bom. ─ Um pequeno sorriso é esboçado. ─ Isso me deixa mais tranquilo.

Law cerrava o cenho enquanto olhava para o amado, conversando tão gentilmente com uma boneca vazia. Luffy levantou-se, deixando-a de lado e voltando a sua caminhada pela grande Mansão. O garoto estava calmo, com um leve sorriso preso a seu rosto, andando devagar. Porém aparências enganam. Seu coração estava terrivelmente acelerado.

"Yoy, Coraçãozinhooo!!"

─ Ad... quer dizer, tio Adams! O que foi agora?

"Está aproveitando bem a visita? Faz tempo que você não vem aqui, muita coisa mudou! Hahahaha!"

─ É, eu tô percebendo.

"Quer casar comigo?"

─ Não.

"EBA MEU 1.001 FORA!! MIL E UMA NOITES DE AMOR!!"

─ O que você quer agora? Desembucha logo, nós estamos indo aí te encontrar, então seja paciente.

"Hey, Junior..! Você quer brincar na neve?"

─ Hã?

─ Junior? ─ Indaga Luffy.

"Um boneco quer fazer..."

Ele começa a cantar a música tema do filme Frozen, deixando os dois rapazes terrivelmente confusos, apesar de Law já conhecer seu lado musical. O mais estranho não é isso, e sim, o fato da Mansão estar mudando. Com a voz melodiosa de Adams, os papeis de paredes intactos estavam rasgando.

─ O que tá acontecendo aqui?! ─ Indaga Luffy, vendo a parede se desfazendo.

─ Tsc, ele deve tá invocando o demônio.

"Você podia me ouvir..."

Os vasos que haviam lá começaram a quebrar no meio do nada e o vento gélido da noite adentrou as cortinas com mais força, deixando os garotos levarem um susto. Luffy andava para trás inconscientemente enquanto Law apenas pensava em como o ruivo estava fazendo aquilo e o porquê.

─ Adams, para com isso!

"E a porta abrir..."

Todas as portas do corredor abriram de uma vez só, mas logo se fecharam, deixando que o brusco odor manifestar-se de uma forma mais brusca. Luffy já estava encostado nas costas de Law o tanto que havia andando para trás e seus olhos tremiam. Sua boca também balbuciava e ele suava frio.

─ Adams, isso não tem a menor graça, para com isso!

"Mas meu amor, eu quero só te ver...!"

Ainda cantando a música do filme infantil, as coisas continuavam a modificar-se naquele local. Os ventos rugindo, as portas batendo, as luzes piscando e os vasos quebrando.

"... Nós éramos amigos de coração..."

─ Para com isso... ─ Dizia Luffy dessa vez, em um tom baixo, olhando para todos os cantos da casa.

"… Mas isso acabou também..."

─ É sério, para...

"… Você quer brincar na neve...?"

─ Eu já mandei parar...

"… Não tem que ser com um boneco..."

─ VAI EMBORA!

"... Tudo bem."

Finalmente, a voz cessou. Os ventos pararam de rugir, as portas pararam de bater, as luzes pararam de piscar e os vasos pararam de quebrar. O corpo de Luffy estava trêmulo e seu coração batia consideravelmente forte. A raiva de Law subia por sua garganta e seus punhos cerravam.

Ei...

─ A voz de antes? ─ Perguntaram ambos. ─ De onde essa coisa tá vindo?

Awn, que legal, vocês falam juntos! Eu queria muito conhecê-los.

─ Quem é você? ─ Disseram os dois novamente.

Hihihi, nós não nos conhecemos, não se preocupem. Eu gostaria de falar com o garoto mais novo em particular.

─ Comigo? ─ Indagou Luffy.

Sim! Se importa de ir para outro cômodo, Law?

─ Claro que me importo! O que você quer com ele?

Quero ser amigo dele, só isso! Vem comigo, depois vocês voltarão a se encontrar, eu juro.

─ Do que você tá falando? ─ Law fica furioso. ─ É óbvio que eu não vou deixar ele ir contigo, eu nem sei quem é vo─

─ Eu vou. ─ Luffy diz. Seus olhos estavam hipnotizados e seu coração parou de bater aceleradamente.

─ Luffy, não faz isso!

Ótimo, vem pra cá, entra aqui! ─ Foi só a voz acabar de falar que uma porta se abriu. Ela estava escura. Luffy caminhou até ela lentamente e Law tentou impedi-lo, mas foi bruscamente negado. Luffy finalmente adentrou a porta. A porta fechou.

─ EI, O QUE SIGNIFICA ISSO? ─ Law batia na porta tentando quebrá-la, sem êxito.

Calma, é rapidinho!

─ CALA BOCA, ABRE LOGO ESSA PORRA! ─ Ele ficou com tanta raiva que deu um enorme chute na porta, arrombando-a, mas quando finalmente conseguiu adentrá-la, não havia ninguém lá dentro.

Ele não tá mais aqui, Law, não adianta.

─ Cade ele? RESPONDE!

Tem uma saída secreta no chão, eu abri ela. Ele está no segundo andar.

─ Tsc, que merda! ─ Ele sai correndo em direção ao segundo andar.

Não se preocupa, eu não vou machucá-lo. Eu gosto muito dele.

(...)

Quando Luffy adentrou a porta misteriosa, ele ficara hipnotizado por alguns segundos e, por tanto, nem fazia ideia do motivo de ter entrado nela. Porém, assim que chegou ao segundo andar da Mansão, ele voltou ao normal e percebeu que estava afastado do companheiro.

─ Ué, Torao? Cade você?

─ Q-Q-Quem é você?

Porém, ao lado do rapaz, havia uma pequena garotinha. Seus cabelos eram médios e da cor laranja, junto com seus olhos azuis e sardas. Ela também tinha um pequeno vestidinho cheio de rendinhas e babados, além de um sapato antigo preto e meia três-quartos.

─ Uma criança! ─ Luffy olhou para ela diretamente, feliz. ─ Finalmente achamos uma, então estamos perto de resolvermos esse caso!

─ C-Caso? ─ Ela estava assustada, então ele tentou ficar mais calmo.

─ Ah, perdão, meu nome é Luffy. E o seu?

─ Jennifer. P-Pode me chamar de Jenny, se quiser.

─ Então, Jenny, pode me contar o motivo de você estar em uma casa tão grande, sozinha?

─ E-Eu não sei... era meu aniversário, minha mãe disse que iria me levar ao cinema depois que chegasse do trabalho. Nós nunca fomos ao cinema então seria minha primeira vez e eu estava feliz!

─ E o que aconteceu?

─ Minha mãe estava demorando muito no trabalho, então eu fui encontrá-la porque eu estava com saudades dela. Nós nos vemos só à noite porque a mamãe trabalha muito. Ela disse que cinema era muito caro, mas como eu sempre quis ir em um, ela ficou mais tarde no trabalho pra ganhar mais dinheiro e me levar! Desculpa, eu falo um pouco demais, se você se cansar da minha voz pode falar...

─ Tudo bem, eu gosto de ouvir as histórias dos outros. ─ Luffy carregava um sorriso gentil. ─ Mas você não me contou o motivo de estar aqui.

─ Ah, sim, sim, enquanto eu estava indo ao trabalho da mamãe, eu encontrei uma moça muito gentil! Ela tinha cabelos verdes e era MUITO bonita, parecia um anjo ou uma harpia! Ela me deu um doce e prometeu que iria me levar ao trabalho da mamãe, porque era muito longe para eu ir apé.

─ Moça de cabelos verdes? Eu acho que a vi no circo...

─ Mas aí quando eu acordei eu estava usando esse vestido e esse sapato apertado. Que lugar é esse onde estamos? É uma casa muito grande! Eu nem acreditei quando vi, mas eu estou com saudades da minha mãe. Se eu não voltar pra casa, ela vai ficar preocupada e nós vamos perder o cinema...

─ Não se preocupa, Jenny, eu vou te tirar daqui! Vamos procurar a saída juntos, tudo bem?

─ Tá!

A pequena garota segurou nas mãos de Luffy e saiu andando, saltitando, junto com ele. Ela parecia incrivelmente feliz e falante, tanto é que contava várias histórias da vida dela para o rapaz, que ouvia tudo e conversava junto. Ele ficou feliz por finalmente conseguir devolver uma criança à sua família original.

─ Então, tio, aí nós comemos um hambúrguer DEEEESSE tamanho! ─ Ela fazia movimentos com a mão, demonstrando o tamanho da comida.

─ Caramba, isso é incrível, eu gostaria de comer um desses!

─ Já sei! Quando nós encontrarmos a mamãe, eu vou pedir pra ela te levar até a lanchonete onde ela trabalha! Que tal? Aí nós poderemos comer vários! O chefe deixa a gente comer de graça às vezes, ele é muito legal. Mas me conta mais de você! É chato eu ficar falando sozinha.

─ Bom, na verdade eu estava procurando por um amigo meu que está na Mansão também. Nós nos perdemos um pouco mais cedo.

─ LUFFY! ─ Foi só ele acabar de dizer que Law chega, correndo até ele e o abraçando. ─ Que bom, finalmente eu te achei...

─ Torao, você não vai acreditar em quem eu achei!

─ Quem?

─ Ela tá aqui do meu la... ─ Não havia ninguém do lado de Luffy. ─ Ué, cade ela?

─ Ela quem?

─ Você não a viu? Ela tava aqui há pouco tempo, era uma das crianças sequestradas! Ela é meio falante e gosta de saltitar, então ela deve ter corrido pra algum lugar.

─ Sério? Eu não vi ninguém com você.

─ Pra onde ela foi? ─ Luffy começa a olhar para todas as direções. ─ Ei, Jenny! Jennifer!

─ Ahn... Luffy...

─ O quê? Para de falar e me ajuda a procurar! Ela usa um vestido, é ruiva, tem sardas e olhos azuis.

O garoto do chapéu de palha segurou o braço de Law e começou a correr, procurando por sua nova amiga aleatoriamente. O médico estava um pouco preocupado com o estado dele, justamente por Luffy parecer pálido e começar a suar, além de seu coração estar batendo aceleradamente rápido. Até que, finalmente, eles voltam ao terceiro andar, no mesmo corredor que estavam antes.

─ Luffy, para de correr! ─ Afirma Law, parando com os pés.

─ Claro que não! Finalmente encontramos uma das crianças e você quer que eu pare?

─ Mas do que diabos você tá falando? Não tinha ninguém com você!

─ Tinha sim, você não viu porque ela saiu correndo!

─ Ah, é? Quando eu te encontrei, adivinha, você estava falando sozinho.

─ Do que você tá falando? ─ Ele fica com o corpo trêmulo e um pouco de raiva ao mesmo tempo. ─ Para de dizer besteira e me ajuda a procurá-la!

─ Eu não tô dizendo besteira, eu só quero te ajudar. Eu me preocupo com você.

─ Não se preocupa comigo, se preocupa com essas crianças que tem famílias esperando pela volta delas! Agora para com isso e me ajuda a procurar a Jenny!

─ NÃO EXISTE JENNY! ─ Ele acaba gritando sem perceber, o que deixa o outro com mais raiva ainda.

─ CLARO QUE EXISTE! Nós conversamos por horas, ela me contou que a mãe trabalha numa lanchonete e que iria levá-la ao cinema! Como ela pode não existir?

A Jennifer existe sim.

─ Viu só? Agora me diz, onde é que ela tá, voz-misteriosa!

Na terceira porta à esquerda, seguindo por este mesmo corredor.

Mais uma vez, o menor saiu correndo em direção a porta, mas dessa vez Law fez questão de ir na frente dele, ficando na frente da porta e bloqueando passagem.

─ Luffy, não abre isso.

─ Sai da frente, Torao!

─ Você não sente esse cheiro?

─ Cheiro? Que cheiro? Sai da minha frente!

─ Eu não vou sair e você não vai abrir essa porta. Você tá agitado, se acalma!

─ CALA BOCA E ME DEIXA ENTRAR! ─ Ele fica nervoso, empurrando o amigo para passar, sem êxito.

─ Argh, que saco! Faz o seguinte. Eu abro a porta, vejo o que é e depois te conto.

─ Por que eu não posso entrar? Tem segredo seu com o Adams aí?!

─ Não. E eu só vou deixar você abrir isso se você aceitar a minha condição.

─ Que seja então, mas não minta pra mim!

O garoto irritado e nervoso virou de costas à mando de Trafalgar, que finalmente abriu a porta de onde saia um cheiro infernal que, por algum motivo, não era sentido por Luffy. Contudo, ele abriu a porta por só alguns segundos, pois odiou cada imagem que viu, fechando-a logo em seguida.

─ Pronto, vamos embora.

─ Me diz o que tem lá!

─ Sua amiga não está lá. Não tem nada lá.

─ Para de mentir pra mim, eu sei que tem alguma coisa lá, você disse que iria me contar!

─ Eu mudei de ideia. Vamos logo. ─ Law se afasta da porta, segurando o braço de Luffy, mas este logo se solta e vai em direção a porta.

─ Você não vai me dizer o que fazer, que saco!

─ Luffy, não faz isso! ─ Ele já ficou com raiva, mas de nada adiantou. A porta foi aberta.

─ O quê...

Assim que a porta foi aberta, finalmente o cheiro atingiu as narinas de Luffy, que despertou do transe. Cheiro de carne putrefata, sangue amargo e defuntos em decomposição. Haviam diversas partes mutiladas de crianças, braços afastados do tórax, órgãos espalhados, olhos rolando no chão, pés separados de suas pernas e rostos sem o pescoço. A verdadeira visão do inferno.

O pequeno garoto agora estava com as pupilas pequenas. Seu corpo tremia por inteiro, seu coração parecia querer fugir de dentro de seu corpo tão forte eram as batidas. Andando para trás, não acreditando no que via, ele acabou tropeçando e caiu no chão. Olhou para ver onde havia tropeçado e só piorou.

─ Jenny... fer...

Era ela, a garotinha anterior, sentada no chão tal como uma boneca, encostada na parede. O cabelo ruivo combinava com o sangue que saia de seus olhos e do restante de seu corpo, que já estava cortado ao meio, juntamente com o vestido.

"Se eu não voltar pra casa, a mamãe vai ficar preocupada! Hihihi."

─ O que significa isso...

"Ah, então é com isso que ele brinca? Não sabiam que assassinos brincavam de boneca..."

─ Como...

"Ela parece tão triste... e tão fria..."

─ Por quê...

Ainda no chão, balbuciando solitariamente, Luffy tinha visões de um passado recente. Na hora em que ele viu a primeira boneca, ele sorriu para ela, alisando seus cabelos e sentindo a maciez de sua pele. Ela estava limpa. Na segunda boneca, ele sentiu-se triste, solitário. A segunda boneca estava ensanguentada.

A Jennifer está conosco há dois anos! Sempre que ela faz aniversário ela volta para nós. Nós somos sua família! Hihihi.

─ Dois... anos...

─ LUFFY! ─ Sem mais delongas, Law segura o garoto, o levantando do chão e olhando fixamente em seus olhos negros.

─ Me larga...

─ Desculpa, eu não queria te contar, não queria que você percebesse. Parece que a sua mente deu um jeito de aliviar as imagens pra você, isso é bom! Por favor, não fica assim...

─ Me solta... ─ Luffy começa a ranger os dentes de raiva.

─ Fica calmo, eu não vou te soltar. Eu não deveria ter te trazido pra cá, foi um erro!

─ ME SOLTA AGORA! ─ Ele se irrita, soltando suas próprias mãos e empurrando o médico com força, correndo para longe dele. Contudo, foi logo impedido com Law segurando seu braço.

─ ESPERA, não faz isso!

─ ME LARGA! ─ Ele tenta soltar seu braço. Seu coração batia rápido demais e sua respiração saia com dificuldade. ─ ME LARGA, EU QUERO DISTÂNCIA DE VOCÊ!

─ O que você vai fazer? Eu não vou te largar!

─ O QUE VOCÊ ACHA QUE EU VOU FAZER? Eu vou encontrar o Adams, não tenta me impedir!

─ Eu não vou tentar te impedir, só quero que você se acalme! Você tá nervoso!

─ CALA BOCA, EU JÁ MANDEI VOCÊ ME SOLTAR! Que saco, você consegue sequer imaginar como deve ser pra uma mãe receber a notícia de que a filha sequestrada morreu há dois anos?!

─ Não, não consigo.

─ ENTÃO ME RESPONDE! Como você acha que eu vou conseguir olhar nos olhos de um pai e dizer isso? Como você acha que eu vou conseguir admitir que as crianças foram assassinadas pelo tio da pessoa que eu gosto? COMO VOCÊ DIRIA ISSO?

─ Luffy...

Olhando para os olhos negros do garoto que suava frio e respirava com dificuldade, Law acaba hesitando e segurando o braço dele com menos força, o que dá chances finalmente de Luffy escapar e sair correndo, fugindo do médico. Law, é claro, vai atrás dele.

─ NÃO ME SEGUE!

─ O que você vai fazer sozinho? Enfrentar o Adams? Luffy, eu entendo como você se sente, mas você precisa entender. Nós dois somos uma dupla!

─ TÔ NEM AÍ PRA ISSO, TUDO O QUE EU QUERO É ACAB...

Antes que conseguisse terminar sua frase, Luffy sentiu um aperto gigante no coração. Sua respiração, que já estava saindo com dificuldade, agora só piora. Ele passa a respirar apenas pela boca, com o corpo completamente trêmulo e o coração batendo terrivelmente rápido, como uma parada cardíaca imediata.

─ LUFFY! ─ É claro, Law fica mais preocupado do que nunca. Com as condições em que estava, não demorou muito para que o pobre garoto caísse no chão, mas fora segurado pelos braços do médico antes que sofresse tal destino.

─ T-To... ra.. o... ─ Ele olhava fixamente para os olhos acinzentados, tentando falar, mas não conseguindo graças a respiração e os batimentos cardíacos. Sua boca estava aberta e saliva corria instantaneamente, prestes a desmaiar pela falta de ar.

─ Não fode, você tem asma?! ─ É claro, ele fica desesperado, então senta-se no chão colocando Luffy em seu colo. O menor começa a puxar o moletom do maior, com bastante força, tentando respirar pela boca mas cada vez ia ficando mais difícil. Ele estava prestes a desmaiar.

Com objetivo de acalmá-lo, Law abaixa um pouco mais seu queixo para que a boca dele abra completamente. Em seguida, abre sua própria boca e a aproxima do menor, trocando respirações com ele. Os lábios não se encostavam, mas o médico forçou sua respiração para ficar tão eufórica quanto a do menor.

─ Aahn... Ahhn...

Os dois soltavam vozes juntos, sendo que o médico segurava os cabelos negros do outro com bastante jeito, sentindo as mãos dele apertando seu moletom. As respirações que saiam de ambas as bocas se encontravam, bastante saliva corria pelos lábios de Luffy, que ia se acalmando gradativamente.

─ Se acalma... ─ Law punha uma mão no peito do companheiro, deixando que suas respirações diminuíssem de ritmo juntas. As mãos de Luffy, que antes quase rasgavam o moletom amarelo, também vão ficando mais fracas, até que ele, finalmente, voltasse com os ritmos cardíacos normais.

─ Torao... ─ Aproveitando que estava no colo do outro, Luffy o abraça e deita sua cabeça no ombro de Trafalgar, que logo retribui o abraço.

─ Por que você não me contou que tinha asma?

─ Porque eu não tenho há anos... e isso nem fazia mais diferença pra mim...

─ Pois isso é uma coisa que você OBRIGATORIAMENTE precisa me contar! O que você faria se eu não estivesse aqui com você? Você não pode ficar sem tratamento, Luffy.

─ Pra começar, se nós não estivéssemos aqui, eu não teria isso...

─ Que seja, eu vou pedir uma radiografia de tórax pra você e uma tomografia também. Assim que nós sairmos daqui, você vai começar um tratamento.

─ Hã? Claro que não...

─ Eu não estou perguntando se você quer fazer, eu estou te obrigando.

─ Olha aqui, eu tirei a sua licença médica com o maior prazer e tiraria ela quantas vezes fosse possível. Eu nunca vou te deixar cuidar de mim, tira essa ideia da sua cabeça.

─ Por que não?!

─ Não sei, talvez pelo fato de você ter matado a minha irmã enquanto cuidava dela?

─ Affs, deixa de frescura. Vai ficar com medo de médico agora?

─ Sim, graças a você e os seus amiguinhos eu tenho medo de médico e nunca mais vou ir a um.

─ Criatura, enfia na sua cabeça, eu não vou te matar. Você vai se tratar querendo ou não.

─ Não vou e você não pode me obrigar!

─ Posso sim, vou colocar remédio na sua comida. Eu ainda sou seu cozinheiro, lembra?

─ Era.

─ Tsc, como você é irritante...

─ Aliás, por que a gente tá perdendo tempo? ─ Luffy se levanta. ─ Eu ainda preciso achar o Adams!

─ NÓS precisamos.

─ Então vamos logo!

Sem mais delongas, ambos levantaram-se e foram em direção a escadaria do quarto andar, subindo o mais depressa que conseguiam. Este seria o penúltimo andar, sendo que a Mansão tem ao todo cinco pisos. Era também onde estava localizada a cozinha.

─ Tá afim de fazer uma pausa?

─ Por incrível que pareça, eu tô sem fome.

─ Oh, descobri como tirar a sua fome, é só te mostrar uns cadáveres.

─ Para de brincar com isso, que coisa! Seu insensível.

Hahaha, vocês são muito engraçados! Podem ficar à vontade se quiserem. ─ A voz misteriosa surge conversando com Luffy.

─ Não rola, nós precisamos achar o Peter e o Adams. Eles estão no último andar?

Não sei... estão? Hihihi.

─ De onde você tá falando afinal? Sua voz parece tão perto, mas não tem ninguém aqui.

Você não tem medo de mim?

─ Não, você parece ser uma boa pessoa. É um fantasma?

Talvez, hihi. Ou você pode estar alucinando e tudo isso ser um sonho.

─ Torao, eu tô maluco?

─ Nós dois devemos estar...

─ Que seja então, sonho ou realidade, tudo o que precisamos é achar o Peter!

Caminhando mais um pouco e saindo da cozinha, eles notaram outro grande cômodo. Era de uma verdadeira e completa biblioteca, repleta de livros de diversos gostos e gêneros. Law sentiu nostalgia ao ver aquele lugar onde ele vivia trancado por gostar de estudar.

─ Olha... eu passava mais tempo aqui do que no quarto.

─ Tem muitos livros mesmo. Será que tem alguma coisa envolvendo a pesquisa que o seu pai e o Adams faziam sobre crianças?

─ Provavelmente tem, quer dar uma olhada?

─ Só se for rápido.

Eles, então, entraram na biblioteca e Luffy pegou um catálogo para ver quais eram os gêneros que lá haviam, para irem procurar direto na sessão correta. Até deram uma olhada rápida em alguns livros, mas como nem sequer sabiam o motivo da pesquisa, não acharam nada.

Saíram de lá para voltar a procura por Peter e Adams, porém, assim que estava prestes a sair, Trafalgar acabou pisando em uma carta. Olhou para o chão, pegou-a e guardou-a, já que o nome da remetente chamou-lhe a atenção e estava endereçada para Adams. O nome dela era "Eva Diaz".

Andando por entre os corredores, finalmente puderam ter o deslumbre da escadaria que levava para o último andar. Foram correndo até lá, sendo que Law estava aflito e Luffy estava ansioso por finalmente conhecer a pessoa que mais odeiava. Chegando lá, havia apenas uma porta, que era a do escritório.

─ É aqui... ─ Fala Law, com os punhos cerrados.

─ Então essa é a cova do demônio.

─ Olha, nós precisamos fazer um plano agora. O Adams pode estar do outro lado dessa porta e ele é uma pessoa muito perigosa que fez coisas terríveis comigo durante a infância, então nós temos que ser pacientes e agir com caut─

─ ADAMS, PETER, APAREÇAM! ─ Luffy abre as portas do escritório, sem mais nem menos.

─ PORRA, ME OUVE, CARALHO!

As portas do grande escritório finalmente foram abertas! Uma sala bem grande surge, com uma escrivaninha e vários quadros pendurados pela parede, além de papéis espalhados pelo chão. Porém, o que chamava a atenção era o homem deitado de costas para eles, em cima de sua mesa, dormindo feito um bebê.

─ Ufa, ele tá dormindo, não vamos incomodá─

─ ACORDA! VOCÊ É O TAL DO ADAMS?

─ PORRA, LUFFY! ─ Deu um tapa na cabeça do outro.

─ Ahn...? ─ Ele acorda, coçando os olhos. ─ Nossa, vocês demoraram muito... acabei dormindo...

─ Ótimo, então continua dormin─

─ AI MEU DEUS, É VOCÊ MESMO, MEU CORAÇÃOZINHO LINDO E MARAVILHOSO QUE EU AMO TANTO?! ─ Ele desperta, indo em direção a Law. ─ AI MEU DEEEEUS, VOCÊ CRESCEU MUITO, TEM ATÉ BARBINHA! MEU BEBÊ CRESCEU!

─ P-Pera aí... quem raios é você?

─ Ah, não tá me reconhecendo? ITS ME, SEU TIO QUE VOCÊ AMA DEMAIS! ─ Ele abraça Law. ─ AIN, VOCÊ TÁ TÃO LINDO E TÁ A CARA DO SEU PAI! Só não tá igual por causa do bigodinho que você podia deixar crescer...

─ V-Você age igual ao Adams... mas a sua aparência...

─ O que tem a minha aparência? AH SIM, CLARO, EU SOU LINDO! ─ Ele se afasta de Law e começa a girar com as mãos pro céu. ─ COMO UMA DEUSAA!

─ É que tipo, nós nos não nos vemos há treze anos e você não mudou nada. Eu pensei que você ia estar mais velho, sei lá. Fez plástica?

─ NÃO! TUDO NATURAL, PRO TERROR DOS INVEJOSOS! ─ Ele para de girar e olha diretamente para Luffy, que estava paralisado, e ficou o encarando. ─ Eita, uma das crianças fugiu...

─ Eu não sou criança, não... ─ Estava em choque pela estranheza do sujeito ruivo.

─ Você é o boy que o Dellinyan mencionou? Awn, você é tão bonitinho! Eu quero te comer!

─ Adams, menos, por favor. ─ Diz Law, ficando bem próximo a Luffy.

─ NÃO ME CHAMA ASSIM, NÃO FOI ASSIM QUE EU TE CRIEI. ─ Ele fica com raiva, pega sua faca terrivelmente afiada e dispara contra Law, bruscamente, que só não foi atingido por desviar no último segundo.

─ T-Também não precisa partir pra violência, calma!

─ ENTÃO NÃO ME CHAMA PELO MEU NOME!

─ F-Foi mal, tio...

─ Awn, você é tão lindo! ─ Ele larga a arma e abraça o garoto novamente, esfregando seu rosto no dele. ─ Eu te perdoo!

─ Você tem uma tara pelo seu sobrinho? ─ Indaga Luffy.

─ Ele não é meu sobrinho, ele é meu filhotinho lindo! Né, Júnior? Ele saiu da minha barriga! Eu sou a mãe dele! REVELAÇÕES!

─ N-Não... ─ Murmura Law.

─ MAS ME FALA DE VOCÊ! ─ Adams vai girando em direção a Luffy e se abaixa até ficar com os olhos grudados nos dele, há pouquíssimos milímetros de distância e um sorriso sádico no rosto.

─ O-O que você quer? ─ Ele fica paralisado de novo.

─ Vamos nos apresentar. ─ Adams fica normal e abre um sorriso simpático. ─ Oi, qual é o seu nome?

─ Ah, meu nome é Lu─

─ Eu vou te chamar de Lolita. Enfim, Loli, você é o novo boy do Júnior?

─ Ahn, não, eu ach─

─ É tão interessante isso! Até hoje eu só vi ele namorar pessoas com o triplo do seu tamanho.

─ Nós não estamos nam─

─ Meu nome é John Adams, mas pode me chamar de sogro se quiser.

─ Eu prefiro te chamar de Ad─

─ Me diz, quantos anos você acha que eu tenho?

─ B-Bom, você tem cara de vinte cinco ou trinta, mas você é tio do Tor─

─ Eu tenho sessenta e três! Não é legal isso? Minha pele é mais suave que o de qualquer modelo que apareça por aí! Quer me tocar?

─ Não, obrigado, eu acred─

─ Não, eu não uso Boticário e nem produtos Ivone.

─ Eu não disse iss─

─ Então, Lolita, onde você trabalha?

─ Para de me interromper! E por que você quer saber?

─ Porque você tem o cheirinho da Yard. Você é policial?

─ C-Como você sab─

─ Eu sou Diretor-chefe do sistema de investigação do FBI, responsável por comandar todos os agentes do Estados Unidos, independente da área deles. Ah, e eu sou médico nas horas vagas. E cabeleireiro! Eu cortava o cabelo do meu bebê antigamente.

─ Não devemos julgar as pessoas pela aparência...

─ Eu era, aliás, já que eu tive QUE MORRER, ENTÃO EU PERDI TUDO! E SABE DE QUEM É A CULPA? ─ Adams olha com raiva para Law. ─ SUA! SEU TRAÍDOR!

─ Eu? Eu não fiz nada...

─ MAS TUDO BEM, EU TE PERDOO, PORQUE VOCÊ É MEU BEBÊ LINDO!

─ Como você tá vivo, aliás?

─ Ah, o Rex disse. ─ Ele tenta imitar uma voz grave. ─ "O Law te odeia, então eu vou deixar você viver." MAL SABE ELE QUE NÓS NOS AMAMOS!

─ Maldito Rex...

─ Quem é Rex? ─ Indaga Luffy.

─ Mas me conta, Sweatheart! Que babado é esse de você namorando polícia? Virou Crepúsculo agora, os assassinos namorando gente do bem?

─ Não é da sua con─

─ Não me diga que você ficou com ele só pra se livrar da prisão? Nossa, você se vende tão fácil...

─ Claro que não foi is─

─ Mas tudo bem, eu te perdoo, todos temos nossos deslizes. E o Leãozinho, você abandonou ele lá?

─ O Kid gosta da prisão, então e─

─ Eu preferia quando vocês eram um casal, era tão bonitinho! Vocês correndo pelados pela casa.

─ Isso nunca aconteceu e nós nunca fomos um cas─

─ E esse gorrinho que você usa! Você gosta tanto dele, eu lembro que uma vez você saiu do banho e se recusou a vestir qualquer outra coisa se não esse gorro, então ficou correndo pelado por aí.

─ I-Isso nunca acontec─

─ Aí teve aquela vez em que você queria fazer um bolo de aniversário pro seu tio lindo e botou um avental cor-de-rosa, sem nada por baixo, e ficou se lambuzando de glacê...

─ ISSO NUNCA ACONTE─

─ Ah, e também teve aquela clássico em que voc─

─ PARA COM ISSO, SEU DOENTE!

─ NÃO ME INTERROM─

─ FODA-SE VO─

─ PAR─

─ NÃ─

─ CHEG─

─ CALA BO─

─ XI─

─ AQUIE─

─ PARA DE F─

─ FICA QU─

─ SERÁ QUE VOCÊS DOIS PODEM PARAR COM ISSO?! ─ Luffy se irrita. ─ EI, ADAMS!

─ Oi, Lolita, o que houve?

─ Onde o Peter está?

─ Ué, o Gasparzinho não contou a vocês?

─ Gasparzinho? Então ele é um fantasma mesmo...

─ Fantasminha camarada. ─ Completa Law.

─ AI MEU DEUS, AGORA QUE EU PERCEBI, CORAÇÃO!

─ Q-Que foi, praga?

─ Você tá com a mesma idade que o seu pai tinha quando você matou ele! É O DESTINO!

─ Ahn... foda-se...

─ Ain, você é tão lindo, como eu senti sua falta, meu bebê! Mesmo você matando meu Crush e meu outro bebê eu não consigo não gostar de você!

─ Que porras é um Crush? E foi mal pelo seu Kirakira.

─ Pelo Kirakira eu te perdoo, mas matar Crush é sacanagem. Bom, que seja, vamos brincar!

Mudando completamente de assunto, Adams fica sério e saca uma de suas espadas, atirando-a na direção de Law, que a pega ainda no ar. O ruivo, que ainda estava com outra faca na mão, foi andando na direção de Luffy, girando o objeto pontiagudo por entre os dedos.

─ O que diabos você tá planejando? ─ Indaga Law. Luffy observava atento.

─ Eu quero que você mate a Lolita.

─ Como é que é? ─ Law fica boquiaberto e Luffy começa a suar frio, olhando para ele diretamente.

─ Não ouviu? Ou você mata ele, ou eu mato vocês dois.

─ Que tipo de brincadeira sem graça é essa agora? Você ficou louco!

─ Primeiro, eu vi como ele reagiu na sala das bonecas, ele é fraco demais pra você. Segundo, eu não shippo.

─ Que caralhos você acha que tá falando? É claro que eu não vou fazer isso!

─ Ah, é? ─ Ele lança um sorriso sádico, puxando o cabelo de Luffy e apontando a faca para seu pescoço. ─ Há quanto tempo você não mata alguém? Você ficou muito frouxo, Sweatheart.

─ LARGA ELE, AGORA! Eu não sou que nem você, eu não preciso ficar matando todo mundo sem motivos! ─ Law aponta a faca pra Adams. ─ Mas eu mudo de ideias se for pra matar você.

─ Me matar? ─ Adams Larga Luffy. ─ Deixa eu te mostrar uma coisinha.

Com sua faca nas mãos, ele mostra a língua e aponta o objeto pontiagudo direto para ela. Não demorou muito, sem nem ao menos hesitar, ele começa a cortar a própria língua e seus olhos ficam mais vermelhos ainda. Litros de sangue saiam de sua boca assim que o órgão estava partido ao meio, completamente rasgado.

─ Que porra é essa? ─ Law fica o encarando.

Biu zó? Eo zô imodal, dão borro!

─ Mas vai ficar falando tudo errado agora, se fodeu.

─ QUEM DISSE QUE VOU? RÁ! ─ Ele volta a falar com a língua ainda rasgada.

─ C-Como diabos?!

─ PODER DO ARCO-IRIS, BABY! NUNCA TE ENSINARAM?

─ Arrume uma desculpa científica...

─ Isso não importa! Vai matar a Loli ou eu vou precisar fazer isso contigo? Meu sonho sempre foi te abrir ao meio e nadar nos seus órgãos! Eles devem ser lindos como você!

─ Eu não vou matar o Luffy, enfia essa porra na sua cabeça!

─ Ora, então, se essa é a sua respos─

─ Torao. ─ Luffy, que antes estava só observando, decide chamar pelo nome do companheiro. Ele estava calmo, não se importando com nada a sua volta, o que deixou o outro um pouco confuso.

─ Luffy...

─ Eu confio em você. ─ Ele abre um sorriso no canto dos lábios. ─ Acaba com isso logo.

Trafalgar ainda estava receoso, não entendendo muito o significado de tais palavras e nem o fato do outro parecer tão calmo assim. Suas mãos tremiam um pouco, mas depois de olhar para o sorriso do amado, ele finalmente captou a mensagem.

─ Tudo bem, eu vou fazer isso. ─ Law joga a faca no chão. ─ Mas precisa ser do meu jeito.

─ E que jeito seria esse? ─ Pergunta Adams.

Andando em direção ao amado, ele pegou em seu bolso o frasco de veneno que havia encontrado no circo. Em seguida, abriu o vidro do conteúdo, abrindo a boca de Luffy com os dedos e despejando tudo lá dentro. Não demorou muito, depois da tontura, ele sentiu o garoto caindo em seus braços depois de dar o último suspiro.

Notas finais
O Adams é a melhor pessoa? [] Sim [] Claro [] Óbvio [] Sem dúvidas [X] PORRA VAI SE censurado SEU AUTOR DE censurado COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COM A censurado DO LUFFY? VAI PRA censurado EU VOU ACHAR SUA CASA E VOU INVADI-LA COM A censurado DA MINHA BAZUCA SÓ PRA TE MATAR! QUE FINAL DE censurado FOI ESSE?! Tbm amo vcs ♥