─ Eu estou profundamente decepcionado com você.

─ Eu não ligo.

─ Você acha mesmo que eu vou cair nessa?

Após ingerir o veneno, Luffy caiu nos braços de seu amado médico e adormeceu, dando o último suspiro acordado, já que agora dormia feito um bebê. Adams ficara terrivelmente triste e decepcionado por não conter a morte que ele tanto almejara.

─ Tio, eu quero fazer um trato contigo.

─ Trato? Você ficou louco! Quer um psicológo? Eu tô falando sério! Você não me ouviu? Quer que eu repita? Ou você mata a Lolita, ou eu mato você! Que história é essa de envenenar? Ele só tá dormindo! Quer que eu te mate? Você ach─

─ EU JÁ ENTENDI, DESGRAÇA, DEIXA EU FALAR!

─ Ain, também não precisa gritar...

─ Tá, foi mal. ─ Ele se acalma. ─ Eu vou ser bem direto. Você está continuando a pesquisa do meu pai, certo? Eu quero fazer parte dela.

─ S-Sério? Então, em outras palavras... VOCÊ ESTÁ ACEITANDO MEU PEDIDO DE CASAMENTO?

─ Não, coisa, eu tô dizendo que eu quero voltar a morar com você.

─ AI MEU DEUS! SÉRIO?

─ Se é a pesquisa do meu pai, então eu tenho direito de participar e quero entender melhor essa história. O que você acha?

─ ÓBVIO QUE EU ACEITO! Vamos passar a nossa Lua de Mel em MILÃO.

─ T-Tá... mas tem uma condição. Eu só aceito ficar com você SE você deixar o Luffy ficar vivo.

─ MAS É CLARO! Matar é errado! A Lolita precisa viver! Não podemos matá-lo! Quem disse em matar? Quem falou em matar? Ele é jovem demais pra morrer! VAMOS NOS AMAR! Não devemos tirar uma vida! A Lolita viverá pra sempre!

─ Ótimo. Graças ao veneno ele irá dormir por três dias, então eu vou deixá-lo no carro, ok? E depois ligamos pro Dellinger vir tirá-lo.

─ Tá bom! Eu vou te esperar lá na entrada principal, aproveito e costuro a minha língua. ─ Ele limpa um pouco do sangue que restava em sua boca.

(...)

Com seu plano funcionando com êxito, Trafalgar Law desceu as escadas da Mansão até chegar ao portão da casa, onde finalmente saiu, indo procurar o carro de Luffy. Assim que chegou até seu destino, abriu as portas traseiras e deitou o pequeno corpo do garoto no banco, deixando-o confortável e olhando seus olhos adormecidos.

─ Eu vou voltar pra te buscar depois, tudo bem? Obrigado por confiar em mim.

Abrindo um leve sorriso na face, ele deu um beijo na testa do garoto e outro no canto dos lábios, observando seu amado dormir em um sono profundo. Logo depois, deixou as janelas abertas e voltou para a Mansão da Família Adams, encontrando seu tio sentando no grande sofá, bebendo um delicioso chá.

─ Aceita um pouco? ─ Fala Adams, levando a xícara até seus lábios e cruzando as pernas.

─ Até aceitaria, mas esse chá tem um cheiro estranho...

─ Sim, é sangue, se é isso que você quer saber.

─ Você tá bebendo sangue em forma de chá? ─ Disse, com um certo nojo, sentando na poltrona de frente para o ruivo.

─ É nutritivo.

Faz bem pra pele, hihi.

─ Quem disse isso? O gasparzinho?

─ Sim, e também a minha boneca mais especial de todas. Minha bonequinha de luxo.

─ E de onde ele tá falando, aliás? Eu lembro que eu e o Luffy ouvíamos a voz dele, mas não víamos nada.

─ Timidez. ─ Ele leva a xícara novamente até seus lábios. ─ Ah, isso é tão delicioso...

─ É sangue de criança? Você é mesmo um vampiro...

─ Deixa eu te contar, aposto que você não sabe nada sobre a pesquisa do seu pai. Era sobre imortalidade, mas não é sobre questão de idade, é sobre aparências. É graças a isso que eu não envelheço ou sinto dor, minha pele é de porcelana.

─ Em outras palavras, você mata crianças pra não envelhecer.

─ EXATAMENTE! Tá, eu posso ter matado umas cem ou duzentas, mas pelo menos agora eu tenho uma pele LINDA que faria a MADONNA TREMER DE INVEJA! Não é legal?

─ Pelo menos agora eu entendi porque o meu pai te odiava.

─ Odiava nada, ele me amava! Nós dois nos amávamos! Assim como você me ama e eu também te amo, né, coraçãozinho?

─ Claro...

Vocês falando desse jeito parece uma coisa ruim, mas não é! É muito bom ter uma pele linda com tanta idade!

─ Exato! ─ Confirma o ruivo. ─ E eu também não sinto dor, eu posso cortar a minha língua sem sofrer nenhum dano, basta costurá-la de novo.

─ Você dá sangue de criança ao Gasparzinho também?

─ Por que vocês dois não se apresentam formalmente? Vem cá, minha boneca linda! Eu vou te apresentar o meu coraçãozinho!

E-Eu não sei se devo...

─ Deixa de timidez, vem logo! Um dia vocês dois terão que se apresentar, não é?

─ … T-Tá...

Saindo por detrás de alguma parede, uma pequena criança surge. Seus cabelos eram ruivos como uma laranja adocicada, levemente encaracolados, repletos de laços e flores para justificar sua beleza púbere. Sua pele branca e terrivelmente lisa, contrastava com seus lábios avermelhados e também com um pequeno coração no lado esquerdo, abaixo de seu olho com rímel.

Logo que apareceu, a pequena criança, que trajava um corselete roxo, um colar negro, babados sobre o ombro em um tom roseado e junto com uma saia esvoaçante verde, contrastando tanto com suas meias delicadas como com a luva negra, que ia dos braços até as mãos; saiu correndo em direção a Adams, sentando em seu colo com as pernas abertas e escondendo seu rosto delicado por timidez.

─ Eita, o Gasparzinho é mulher, eu pensei que era homem...

─ O-Oi... ─ Com uma voz fina e suave, seu rosto rosado é virado um pouco na direção de Law, apesar de seu corpo ainda estar se escondendo no colo do ruivo.

─ Ela é linda, não é? É meu maior tesouro! Não precisa ficar assim, minha boneca, o coração não morde. Pode ir lá falar com ele.

─ Tá bom, eu vou tentar. ─ Ela sai do colo de Adams, andando lentamente em direção a Law, até parar de frente a ele e abrir um gentil sorriso em seu rosto. ─ Oi!

─ Oi, então é você o fantasma mal assombrado. Até que você é bonitinha.

─ Ah, foi mal por aquilo, é que eu queria conhecer vocês! Peça desculpas ao Luffy por mim quando ele acordar, eu não tinha intenção de assustá-lo tanto...

─ Assustá-lo? Ele não ficou com medo de você.

─ Ficou sim, assim que me viu!

─ Ele te viu?

Ela solta os cabelos dos laços, arrumando-os levemente para mostrar algo a Law. Em seguida, sua face alegre começa a ficar receosa propositalmente, e ela coloca um de seus dedos na boca, falando com a voz mais infantil que conseguia e fazendo um olhar piedoso.

─ T-Tio, por favor me ajuda a achar minha família! Minha mãe disse que nós iríamos comemorar o meu aniversário juntas!

─ Oh, você é a Jenny...

─ Hihihi. ─ Ela volta ao normal, prendendo os cabelos novamente. ─ Foi só colocar uma lente de olho azul e algumas sardas que ele ficou morrendo de medo! Depois disso, eu puis o cadáver dela estrategicamente pra ele tropeçar.

─ Mas que fantasma safada. Graças a você ele quase morreu de asma, sabia?

─ Foi mal! ─ Ela dá um leve sorriso no rosto. ─ Ei, Law, quer que eu te apresente o meu amigo?

─ Claro, por que não?

─ Vem cá, Shion! ─ Foi só as palavras terminarem de serem ditas que um pequeno rato surgiu correndo, pulando no ombro da criança.

─ Ah, foi esse bicho que me mordeu! ─ Ele fica com raiva. ─ O nome do rato demoníaco é Shion?

─ Foi ele quem derrubou os vasos e rasgou os papéis de parede, hihihi.

─ E ele trouxe o seu sangue pra eu provar. ─ Afirma Adams. ─ É bem docinho que nem você, coraçãozinho!

─ Desculpa ter assustado vocês dois! ─ Ela se aproxima e senta-se no colo de Law, brincando com seus próprios fios laranjas de cabelo e cantarolando para si.

─ Tá, não tem problema, mas sai do meu colo. ─ Ele tenta empurrá-la levemente, sem êxito, enquanto Adams só observava com um pequeno sorriso e bebendo seu chá de sangue.

─ Por quê?

─ Porque eu não gosto de gente no meu colo.

─ Hm... tá! ─ Ela se senta ao lado dele, continuando a brincar com seus fios de cabelo e colocando também seus pés em cima do sofá.

─ A propósito, você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu.

─ Ah, eu esqueci de me apresentar!

Ela sai do sofá mais uma vez, pulando pela sala e dando voltas no ar, para depois ficar de frente para Law e abrir um pequeno sorriso para ele. Logo em seguida, estendeu sua delicada mão entorno de luvas, esperando que ele fizesse algo.

─ Quer que eu beije sua mão? ─ Ele disse, arqueando uma sobrancelha, não gostando muito do gesto. Porém, ela só respondeu com um sorriso, aguardando que ele o fizesse. Resolveu beijar a mão da garota então, para que acabasse de vez com isso.

─ Meu nome é Peter. Peter Lewis, pra ser mais exato!

Um silêncio profundo criou-se na mente do pobre médico, que ainda olhava para a criança a sua frente enquanto beijava sua mão. Ele ficou paralisado, sem saber o que fazer, apenas suando frio e tendo seu corpo inteiro arrepiado. Sua boca também balbuciava um pouco, mas ele finalmente conseguiu dizer algo.

─ V-Vo.. V-v-voc.... V-Você....

─ Sim, eu so─

─ VOCÊ É HOMEM?!

─ HIAHAIAHAIAH!! ─ Adams, que antes estava apenas observando, agora começa a rir. ─ VOCÊ TEM QUE VER A SUA CARA, SWEATHEART! Tá hilária! Hahahaha, você caiu direitinho!

─ Homem... céus... o mundo tá perdido...

─ É tão inacreditável assim? ─ Ele indaga, alisando suas mãos no próprio rosto.

─ É óbvio, você é bonita demais pra ser homem!

─ Oh, obrigado! Hihihi.

─ Não foi um elogio! Por que você não me contou, tio?

─ HAIHASDIAHIA! ─ Ele tinha um ataque de risos. ─ Porque eu queria saber a sua reação! PERA, FICA PARADO, EU VOU TIRAR UMA FOTO!!

─ S-Se você é homem, por que caralhos tá usando uma saia e um corpete?!

─ Porque eu fico lindo assim! ─ Ele dá várias voltas, segurando sua saia e jogando seus cabelos ruivos aos ventos. ─ O Tio Dellin diz que eu deveria virar modelo, então nós dois saímos pro Shopping várias vezes!

─ E além disso, ela é minha bonequinha! ─ Adams chama ele e este vai correndo em direção ao ruivo, sentando em seu colo mais uma vez e deixando que ele apoiasse em sua cintura, suas mãos.

─ V-Você deu hormônio pra ele? ─ Pergunta Law, ainda chocado.

─ Não, baby, tudo natural! Minha beleza é hereditária, questões de genética!!

─ Genética? Espera... VOCÊ DISSE QUE O SEU NOME É PETER?

─ Nossa, agora que ele percebeu...

─ V-V-V-V-Você é o irmão morto do Poodle?!

─ Sim!

─ T-Tio, você transformou seu filho numa travesti?

─ Hahahaha, ele é igualzinho a mim, né? É MEU MAIOR ORGULHO!! NÃO ME ARREPENDO DE TER PARIDO ESSE GAROTO!

─ Hey, tio Law! ─ Peter vai em direção a ele. ─ O papai sempre falou muito bem de você, então eu sempre quis te conhecer!

─ T-T-Tio... Law... ─ O coitado estava pálido.

─ Agora que todo mundo se conhece, VAMOS FORMAR A NOSSA FAMÍLIA FELIZ!! ─ Comemora Adams. ─ O meu amado Sweatheart aceitou o meu pedido de casamento, então agora SOMOS UM SÓ!

─ Ebaaaa!

─ NÃÃÃO!!!

(…)

Flashback de sete anos atrás...

Depois de ter sequestrado o Peter mais novo em uma padaria qualquer, Kira o levou em sua caminhonete até sua casa, amarrando-o em uma cadeira qualquer.

─ Por que o papai tá me prendendo numa cadeira? ─ Ele perguntava, inocentemente.

─ Vamos combinar uma coisa? Papai de cu é rola, caralho, você é irritante pra cacete!

─ M-Mas... v-você é o meu pai, né?

─ Óbvio que não, se toca!

─ Por que não?

─ Porque eu não comi sua mãe, porra!

─ AH NÃO, O PAPAI TÁ FALANDO PALAVRÃO!!

─ EU NÃO SOU TEU PAI!

─ Eu vou contar tudo pra minha mãe! Falar palavrão é errado, seu boca suja!

─ Argh, que saco, tinha que ser filho do Adams! Puta que pariu!

─ Adams? Quem é esse?

─ É o seu pai.

─ S-Sério? Então, isso quer dizer que...

─ Sim, exatamente, ele é seu pai e nã─

─ Vocês dois são gays? Eu tenho dois pais? Wow, que daora!

─ Oi?

─ Foi por isso que vocês abandonaram a mamãe? Tá, isso foi meio cruel...

Ignorando a raiva que estava por uma criança desconhecida estar o irritando, Kira decide ligar para Adams e resolver a história de uma vez por todas.

─ Tio, problemas urgentes.

"O que houve? Alguém morreu? Eu morri? Mas eu já estou morto..."

─ Eu acabei de sequestrar o seu filho, ele tá me chamando de pai e eu quero matá-lo. O que eu faço?

"Hein? Por que você fez isso? Vai me pedir dinheiro do resgate?"

─ Ele disse que é filho daquela mulher lá, eu sequestrei ele por impulso. Mas ele é muito chato! Posso matá-lo?

"Claro que não! Óbvio que não! Você sabe o sacrifício que eu tive que fazer pra parir esse garoto? Minha barriga ficou imensa, eu fiquei gordo e feio..."

─ Eu sei, eu conheço a história. Então eu vou soltá─

"KIRAKIRA, EU ACABEI DE TER A MELHOR IDEIA DO MUNDO!"

─ Q-Qual?

"Tem uma coisa que eu sempre quis fazer, mas antes não rolava porque eu não tinha tempo. Mas agora que eu morri..."

─ O quê?

"Eu vou continuar a pesquisa do meu mozão, aí eu aproveito e volto a ter a pele mais BONITA DO MUNDO!! EU POSSO USAR MEUS BEBÊS NISSO!"

─ Então o que eu faço com esse carinha?

"Você ainda tem aquele meu veneno? Dá pra ele beber, ele vai dormir por três dias e vão achar que ele tava morto. Depois eu dou um jeito de recuperá-lo, mas me diz, você só sequestrou um deles?"

─ É, eu não vi o outro...

"Então envenena o meu bebê e deixa uma carta bonitinha pro irmão dele. Aproveita e assina o seu nome nela também! E manda beijo!"

─ Pra que assinar meu nome? Vai me incriminar.

"PRA AUMENTAR SEU IBOPE, FOFO! PENSA DIREITO! Tchau."

Fim do Flashback.

─ Então foi isso que aconteceu, hihi. ─ Explica Peter.

─ Entendo... ─ Law já estava mais calmo com a situação. ─ E, só por curiosidade, cade o outro Poodle?

─ Ta lá na gaiola. ─ Afirma Adams. ─ Ele é muito nervozinho, nossa!

─ Nós temos uma gaiola? E aliás, a Poodlelina e o Poodle já se encontraram? Eu quero ver a reação dele quando descobrir que o irmão é uma boneca.

─ Ele ainda não me viu. ─ Fala Peter. ─ Eu sou tímido... e eu não o vejo há muito tempo, então...

─ VAMOS VISITÁ-LO! ─ Exclama o ruivo. ─ Assim eu aproveito e falo do nosso casamento, Sweatheart!

─ …

(...)

Desceram até os andares debaixo, encontrando o sótão da Mansão, onde havia uma grande gaiola e nada mais. Peter continuava no colo de seu pai, escondendo o rosto delicado graças a timidez, enquanto Law tentava ignorar toda aquela situação. Assim que finalmente estavam no sótão, a primeira coisa que viram foi um garoto raivoso soltando um grito.

─ ATÉ QUE ENFIM VOCÊ VOLTOU, EU VOU MATAR VOCÊ, DESGRAÇADO!

─ Wow, calma, bebê! ─ Exclama o ruivo maior. ─ Não precisa gritar.

─ E-Eita, o que diabos é isso? ─ Pergunta Law, com um sorriso debochado no rosto. ─ É você mesmo, Poodle?

─ T-Torao, não olha pra mim! ─ Ele tenta se esconder com as mãos.

─ Ai meu Deus, você tá uma gracinha! Foi obra sua, tio?

─ Ele usava umas roupas muito feias, então eu peguei uns vestidos emprestados da minha Doll! HAHAHA, FICOU LINDO NÉ?

─ Hahahaha, ficou ótimo! Você acabou de subir no meu conceito!

─ AI MEU DEUS, UMA DECLARAÇÃO DE AMOR! E-Eu não estou preparado...

Enquanto Trafalgar tinha uma crise de risos, Peter estava vermelho de raiva. Ele estava usando um vestidinho amarelo, cheio de babados e rendinhas, e vários bordados de desenhos infantis, tais como filhotes de animais, além de chuquinhas no cabelo. Tudo isso com uma meia 3/4 branca e um sapato preto.

─ T-Torao, me tira daqui, por favor! Esse cara é maluco! Ele me fez dormir e quando eu acordei, eu estava usando essas roupas ridículas e ele me botou numa gaiola!

─ Vai se acostumando, seu pai é maluco mesmo. Mas você fica lindo de vestido, isso eu preciso admitir!

─ PAI O CARALHO! Essa coisa não é meu pai, não, eu me recuso a acreditar!

─ Ain, que crueldade... ─ Murmura Adams. ─ É tão triste ouvir isso do filho que saiu da minha barriga... ingrato... eu tive cólica por você...

─ Ele não é meu pai, ele é um pedófilo! Ele diz que é meu pai, mas fica dando em cima de mim, Torao, me ajuda!

─ Deixa isso pra lá! Tem alguém que eu quero que você conheça.

Adams andou em direção a gaiola, carregando seu filho que estava com o rosto escondido. Assim que ambos ficaram de frente para Peter, o ruivo pois o outro Peter no chão e ambos ficaram se encarando. O mais novo estava com o rosto corado, enquanto o mais velho estava um pouco surpreso com aquilo.

─ O-Oi... ─ Peter disse, com o rosto vermelho e as mãos atrás das costas.

─ V-Você... ─ O outro respondeu, olhando bem para a figura a sua frente. Adams e Law apenas observavam a reação de ambos irmãos que não se viam há séculos.

Os dois ficaram se encarando, meio sem saber o que fazer ou o que dizer, já que não se viam há muito tempo. O mais novo estava com um leve sorriso no rosto, sem saber muito bem se o outro o tinha reconhecido ou não.

─ Já faz tanto tempo... eu senti tanto a sua falta...

─ Nossa, você... ─ Ele estava hipnotizado.

─ Você se lembra de mim? Eu fiquei com medo de você não me reconhecer.

─ Eu não faço ideia de quem você seja, mas tu é muito linda, puta que pariu!

─ Hein?

─ Eu tô falando sério! Pode não parecer pelas roupas, mas eu gosto de mulher e você é a garota mais bonita que eu já vi na minha vida!

─ Eita... ─ Murmura Law. ─ O Poodle se apaixonou pela Poodlelina...

─ Como assim ele gosta de mulher? ─ Resmunga Adams. ─ Eu falhei como pai?

Ao mesmo tempo em que Law e Adams observavam a cena, o Peter mais novo estava estranhando um pouco a situação, não sabendo muito bem o que fazer e balbuciando um pouco com a boca. O outro Peter só olhava fixamente para seus olhos cor de âmbar.

─ E-Então...

─ Ei, será que você pode me tirar daqui? E de preferência trazer algumas roupas masculinas também...

─ Desculpa, eu não tenho roupas masculinas. V-Você realmente não me reconhece?

─ Nós já nos vimos antes? Porque eu com certeza me lembraria de alguém tão bonita! A-Ah, d-desculpa, quer dizer...

─ N-Não, tudo bem. ─ Ele começa a brincar com seus próprios cabelos. ─ Eu sou linda mesmo.

─ É sim! Quando eu te vi, não sei porquê, mas eu senti uma coisa no meu coração e só em olhar nos seus olhos, sei lá... eu só sinto que eu te amo...

─ Awn! ─ Adams estava mordendo sua própria roupa e quase chorando. ─ Que bonitinho!

─ Meu Deus... ─ Law estava segurando o riso. ─ Isso é tão errado...

─ Errado ou não, já shippo, tarde demais.

─ Você é doente...

─ Idai? Você também não tá fazendo nada pra impedir.

─ Porque tá hilário!

─ Ahn... ─ O Peter mais novo estava sem reação.

─ D-Desculpa, eu sei que é repentino, mas eu não posso explicar! E-Eu acho que é a sua presença...

─ T-Tudo bem, eu entendo. Eu também te amo, eu acho...

─ S-Sério? ─ Os olhos dele brilhavam. ─ V-Verdade mesmo?

─ É, quer dizer, eu sempre quis te ver...

─ Então me tira daqui, por favor!

─ Não dá, eu não posso te tirar. Mas eu posso entrar...

─ Já é melhor do que nada...

Usando a chave que estava escondida debaixo de seu corsette, Peter entrou na gaiola e se sentou em frente ao outro, com um leve sorriso em seu rosto corado. Adams e Law só observavam, sendo que o ruivo estava dando ataques internos e o moreno estava tentando não rir.

─ Então, qual é o seu nome? ─ Pergunta o mais velho.

─ P-Pe... ér, quer dizer, Pe... t-tra...

─ Pietra?

─ Isso!

─ E o que você tá fazendo nesse lugar? Aliás, onde estamos?

─ Ah, eu moro aqui, e a partir de hoje você também vai morar! Hihihi.

─ Sério? Eu não sei se quero morar aqui...

─ Oh, não quer morar comigo? ─ Ele coloca um dedo na boca. ─ Eu já tinha até separado um quarto pra nós...

─ EU FICO!

─ Nossa, genética é algo assustador... ─ Comenta Law.

─ Essa é minha filha! ─ Exclama Adams. ─ Hey, vocês dois!

─ O quê? ─ Os dois Peter's viram para o ruivo.

─ Se beijem logo!

─ Adams, não faz isso! ─ Law bate na cabeça dele. ─ Eles são gêmeos!

─ Twincest!

Como Law e o ruivo estavam afastados dos outros dois, eles não se ouviam muito bem, então os dois Peter's só estavam encarando um ao outro, sem saber direito o que fazer. O menor tentava levar essa situação adiante para não chatear o pai, enquanto o outro só ficara tímido de repente.

─ E-Eu não sei... nós acabamos de nos conhecer... ─ Diz o gêmeo mais velho.

─ Tecnicamente eu te conheço há anos, você só não lembra de mim.

─ Então nós podemos?

─ Ahn... o tio Dellin disse que não é bom ficar sem boy por muito tempo, então...

Olhando um nos olhos do outro, os dois gêmeos vão se aproximando lentamente, fechando seus olhos alaranjados, até seus lábios finalmente se encostarem. Foi só um rápido selinho, mas já foi o suficiente para que Adams tivesse outro de seus ataques internos.

─ AI MEU DEUS, NÃO ACREDITO! QUE BABADO!!

─ Cara, são seus filhos... ─ Resmunga Law.

─ POR ISSO MESMO É UM BABADO!! Ai não, eu PRECISO contar tudo pro Dellinyan AGORA!!

─ Não acredito, os Poodles se beijaram mesmo... ─ Ainda estava chocado.

─ Por que aqueles dois estão gritando tanto? ─ Peter mais velho pergunta.

─ Deixa eles pra lá, me conta mais de você! Como você tem passado todos esses anos?

─ Eu tava ótimo, até esse retardado me sequestrar e colocar um vestido em mim!

─ Retardado..? ─ Ele fica com raiva, arqueando as sobrancelhas.

─ É, o cara é muito escroto, ele fica dizendo que é meu pai e sai pulando por aí feito uma gazela bêbada.

─ Não fala assim dele... ─ Ele começa a fechar os punhos.

─ Mas é verdade! E ainda por cima fica querendo me beijar e me colocando vários apelidos, parece um idiota. Eu preferia muito mais o tempo em que eu pensava que ele tinha morrid─

─ NÃO FALA ASSIM DO MEU PAI ─ Peter fica com raiva e pula em cima do outro, o derrubando no chão e tirando de suas pernas, uma faca, que foi apontada para o pescoço do irmão.

─ E-Ei, calma!

─ Eita porra, a Poodlelina ficou revoltada! ─ Exclama Law, indo em direção a eles.

─ C-Calma, minha boneca, não faz isso! ─ Adams também vai até ambos.

─ CALA BOCA! ─ Ele faz voz grossa. ─ RETIRA O QUE VOCÊ DISSE DO MEU PAI, AGORA!

─ P-Pai? P-Pera aí, v-você é homem? O que tá acontecendo aqui?!

─ Doll, fica calmo, por favor! ─ Adams finalmente chega até a gaiola e segura o filho, levando-o para o outro lado e o afastando de Peter.

─ Ei, Poodle, você também é idiota, hein! ─ Law realiza a mesma ação, levando o garoto até o outro lado da gaiola.

─ O que houve? O que eu fiz?! ─ Ele estava confuso.

─ Por que você tinha que ter beijado ele? Isso é muito problemático...

─ E-E-Ele?!

─ Ele é seu irmão!

─ I-Irmão? Espera, isso quer dizer que...

─ Sim, ele é o Poo─

─ Eu tenho um pai pederasta e um irmão travesti? Mas que merda!

─ Tsc, você ainda não entendeu?

─ Entendi o quê? Que eu estou predestinado a ser gay? Isso eu entendi muito bem!

─ Não porra, ele é o seu irmão! Aquele seu irmão gêmeo que morreu há sete anos!

─ Ahn... quê?

─ Finalmente se tocou?

─ Meu irmão...

Assim que finalmente percebeu, Peter não conseguiu fazer mais nada além de olhar para Law fixamente, ainda tentando raciocinar direito. Estava paralizado, mas seu coração batia aceleradamente forte ao imaginar que o garoto em que conviveu por anos, e tinha morrido de forma tão drástica de repente, agora estava à sua frente. Seus olhos foram virando, com cuidado, até ele.

─ Pai, isso é tão injusto! ─ Contudo, o outro Peter estava chorando, de frente para Adams.

─ N-Não fica assim, por favor, não chora! ─ O ruivo estava secando as lágrimas do filho com os dedos. ─ Você é tão bonito, não deveria chorar...

─ M-Mas ele falou mal de você!

─ Eu sei, mas não liga pra isso. Se você ficar chorando, sua maquiagem vai borrar, meu amor.

─ Eu vou tentar parar... ─ Ele para de chorar. ─ Mas eu ainda preciso de algo pra me animar...

─ O que é? Me fala! Eu te dou qualquer coisa!

─ Aumenta minha mesada? ─ Ele abre um pequeno sorriso. ─ Eu quero ir pro Shopping com o Tio Dellin!

─ Claro! Eu aumento ela em cinquenta por cento, pode ser?

─ Hã, só cinquenta? VOCÊ ME ODEIA?

─ N-Nã, quer dizer...

─ SEU INÚTIL, COMO VOCÊ PODE ME DAR UMA MESADA TÃO BAIXA? Você quer que eu fique com esses vestidos velhos? EU PRECISO DE VESTIDOS NOVOS!

─ T-Tá, desculpa, e-eu te dou oitenta por cento! N-Não, CEM POR CENTO DE AUMENTO!

─ QUEM VOCÊ ACHA QUE EU SOU?

─ D-DUZENTOS POR CENTO!

─ EU PRECISO DE DINHEIRO! Ainda tem o meu vestido, as minhas maquiagens, a minha bolsa nova... e eu também quero que você dê uma mesada pro Shion. Ele precisa de roupas novas!

─ M-Mas ele é um rato...

─ COMO É QUE É?

─ T-Tá, eu te dou quinhentos por cento de aumento e ainda dou mesada pro seu amigo!

─ Awn, obrigado! ─ Ele abraça o pai. ─ Eu te amo!

─ Você é muito mimado, sabia? Um dia eu vou precisar te ensinar a falar direito comigo.

─ Ah, é? Eu acho que não... ─ Peter se afasta do abraço e deposita um selinho no pai. ─ Eu ainda acho que mereço mais.

─ EU VOU TE DAR UM MILHÃO DE EUROS POR MÊS.

─ ISSO!!

─ Ei, coração. ─ Adams se vira até Law. ─ Me empresta um dinheiro? É que eu vivo com salário de aposentado, sabe...

Porém, enquanto o pai e o filho discutiam, Peter continuava olhando para o irmão mais novo, sem saber o que fazer. Inconscientemente, ele andou em direção ao outro, sendo que suas pernas e boca tremiam um pouco. Assim que se aproximou, seus olhos voltaram a se cruzar e ele finalmente pode perguntar.

─ É você mesmo, Bolinho?

─ Você sempre falou mal do nosso pai. ─ Ele estava com um semblante triste, quase chorando de novo e com a maquiagem um pouco borrada. ─ Até mesmo antes de se conhecerem...

Lágrimas começaram a sair dos olhos do mais velho, que não mais conseguiu dizer nada. Seus movimentos estavam fracos por finalmente reaver uma pessoa que já pensara estar morta, mas finalmente, ele pode abraçar o irmão e sentir todo o calor de seu corpo.

─ É você mesmo... eu senti tanto a sua falta...

─ Carne... ─ Ele também não resiste ao reencontro e abraça o irmão, largando sua faca no chão.

─ Awn, que fofo! ─ Exclama Adams.

─ Pelo menos com os dois Poodles vivos, o Luffy vai ficar feliz. ─ Murmura Law para si mesmo. ─ E se eu disser que fui eu quem os salvei, ele vai parar de fazer cu doce por um bom tempo...

─ Mas me conta! ─ Peter mais velho estava feliz ao rever o irmão. ─ Como isso foi possível? Por que você não me contou que estava vivo antes? E por que diabos você virou mulher?!

─ Oh, o Tio Kira me apresentou ao papai, mas eles decidiram te deixar fora disso. Fui eu quem pedi pro Tio Puppet te trazer pro circo! Hihihi.

─ Tio Kira? Você virou mesmo amigo do seu assassino?!

─ Sim, antes do Tio Law matá-lo!

─ C-C-Como assim, o T-Torao matou o Kira..?

─ Foi mal. ─ Ele fala, com a maior naturalidade possível. ─ E "Tio Law" é o caralho.

─ E-Espera aí... ─ Peter ainda estava receoso. ─ T-Todos vocês são assassinos?

─ Sim!

─ Eita, me ferrei...

─ Ain, pai! ─ Peter mais novo dá um bocejo. ─ Eu tô com soninho...

─ Vamos dormir. ─ Adams pega o filho no colo. ─ Quer dormir com seu irmãozinho hoje?

─ Claro que não, eu só durmo com o papai!

─ Awn, que amor!

─ Se eu não dormir com você, você vai morrer graças a essa sua mania com sangue. Se o papai ficar mais de uma hora sem beber sangue, ele morre...

─ É esse o efeito colateral? ─ Indaga Law. ─ É por isso que você toma chá de sangue?

─ É! E como o Doll é um ótimo filho, ele me lembra de colocar o soro antes de dormir.

─ Meu pai é um vampiro pedófilo?! ─ Peter ficou chocado.

─ Eu não sou pedófilo, mas que coisa! E que seja então, eu vou te deixar sair da gaiola, mas você vai ter que se comportar. Você e o coraçãozinho vão dormir juntos hoje.

─ COMO É QUE É? ─ Ambos gritam.

─ Tio, eu não aceito isso! ─ Law se zanga.

─ Quer dormir comigo então?

(...)

Após Adams convencer Law a dormir junto com Peter, ambos vão para o antigo quarto do médico. Chegando lá, o moreno estava tendo mais nostalgia ainda, enquanto o outro só arrancava o vestido amarelo de rendinhas e babados que usava.

─ Esse quarto... ─ Ele diz, nostalgicamente, olhando ao redor. ─ Eu odeio esse quarto...

─ Você tem roupas aqui? Masculinas, de preferência.

─ Deve ter umas antigas no armário, pode ir lá pegar. ─ Law senta-se em sua cama, pegando em seu bolso uma carta que ele havia achado na biblioteca anteriormente e olhando para ela fixamente, com semblante triste.

─ De quem é essa carta? ─ Pergunta Peter, colocando uma camiseta amarela.

─ É da minha mãe. Parece que ela enviou uma carta ao Adams, só não sei porquê.

─ Não vai abrir?

─ Não, pelo menos não agora. O Adams odiava a minha mãe, então coisa boa não deve ser. ─ Ele volta a por a carta no bolso.

─ Mas e aí, o que a gente vai fazer? Eu não quero continuar com esse cara...

─ Você odeia o seu pai, não é?

─ Odeio.

─ Ótimo, eu vou matá-lo. Quer me ajudar?

─ N-Não sei, eu não sou um assassino... e o meu irmão gosta dele...

─ Então fica aí dormindo, eu faço isso sozinho.

Law estava levantando-se da cama, indo em direção a porta, quando é impedido pelo ruivo.

─ Espera, eu vou com você.

─ Ótimo. Primeiro nós precisamos encontrar o resto dos pirralhos, eu prometi ao Luffy.

(...)

Andando um pouco sem rumo, indo principalmente aos andares que ficavam embaixo da sala principal, por não terem checado anteriormente, Law e Peter finalmente avistam um novo cômodo. Era muito maior que todos os outros e só era aberto com uma senha, tal como um grande cofre.

─ Você sabe a senha? ─ Indaga Peter.

─ A-Acho que sim, mas não olha...

─ Por quê?

─ Porque é meio nojento... ─ Ele coloca a senha, que era um conjunto de palavras. ─ Pronto, abriu.

Porém, assim que abriram a porta do grande cofre, se assustaram. Haviam cerca de vinte crianças lá, todas com vestidos elegantes, independente de serem meninos ou meninas, e cadeados nos pés e mãos. Algumas estavam dormindo, outras acordadas. Elas não disseram nada quando viram os dois rapazes, só ficaram reclusas.

─ Eita... ─ Os dois olham sem reações.

─ Achamos. ─ Afirma Law.

Peter?

Contudo, uma das crianças resolveu falar. Era uma pequena garotinha de cabelos loiros ondulados, poucas sardas no rosto e olhos verdes. Parecia ter cerca de dez anos somente e estava vestida com um vestidinho azul cheio de babados e rendinhas.

─ Lilian?! ─ Peter vai correndo até ela. ─ O que você tá fazendo aqui?

─ E-Eu não sei direito, eu estava dormindo na minha casa e então acordei aqui. E você? Por que não está preso?

─ P-Preso? Eu é que pergunto isso! Por que você e essas crianças estão presas?

─ Você conhece ela? ─ Law fala, indo em direção a ambos.

─ Conheço, ela é a minha amiga do orfanato! Por que ela tá aqui, Torao, o que tá acontecendo afinal? ─ Ele ficou nervoso.

─ Longa história. ─ Law se vira para a garotinha. ─ Abre a boca e fala "Ah"

─ A-Ahh... ─ Ela não entendeu muito bem, mas obedeceu. Law tocou a língua dela com dois de seus dedos e, em seguida, os levou até sua boca.

─ Você tá envenenada. Como acordou?

─ O-O que você fez?!

─ Eu tenho bom paladar, sua língua tá com gosto de veneno.

─ Ahn, eu não sei muito bem, eu acordei quando ouvi uns gritos...

─ Gritos? ─ Peter fica mais assustado ainda. ─ Dá pra alguém me dizer o que tá acontecendo?!

─ Depois eu explico, primeiro nós soltamos as crianças das correntes e deixamos elas fugir por aí, pra bem longe dessa casa.

─ Como? ─ Lilian interfere. ─ Algumas crianças estão dormindo, não podemos sair todas juntas daqui.

─ As que estão dormindo vão morrer, foi mal, mas precisamos salvar a maioria. Depois a gente se preocupa com o resto.

─ M-Mesmo assim, e aquela garotinha? Ela não vai perceber?

─ Garotinha?

─ É, aquela garota malvada. Todo mundo aqui tem medo dela, então não falamos com estranhos, mas sempre que ela chega...

Silêncio profundo.

─ Sempre que ela chega o quê?

O que vocês estão fazendo aí?

Assim que o outro Peter chega, todas as crianças, inclusive Lilian, fingem que estão dormindo ou simplesmente ficam mais reclusas ainda, tremendo um pouco. Law e Peter se viram, olhando o pequeno garoto que gostava de usar saias, com uma faca na mão e olhos vermelhos.

─ Bolinho! ─ Peter exclama. ─ O que significa isso?

Psiu, não fala assim... ─ Lilian sussurra. ─ Ela vai te matar...

─ Matar?

─ Ei, Tio Law, irmão, o que vocês estão fazendo aí? Pensei que tinha dito pros dois irem dormir.

─ Eu queria mostrar a Mansão a ele. ─ Fala Law, pegando no braço do mais velho e se retirando. ─ Vamos, Poodle.

─ Vamos o caralho! ─ Ele se solta, irritando-se. ─ Que merda tá acontecendo aqui?

─ Eu vim pegar sangue pro papai. ─ Afirma o mais novo.

─ S-Sangue? Espera aí...

─ Quer que eu te ensine a fazer? ─ Peter vai em direção a Lilian e segura seus cabelos loiros, apontando a faca para o pescoço dela. A garotinha tenta chorar, mas estava com tanto medo do que iria acontecer, que apenas fechou os olhos e esperou o inevitável.

─ EI, O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO? ─ Contudo, o Peter mais velho empurra seu irmão, que cai no chão imediatamente.

─ V-Você... me empurrou?

─ POR QUE VOCÊ APONTOU UMA FACA PRA LILIAN?

─ Ele me empurrou... ele me empurrou e eu não fiz nada de errado... por que ele me empurrou? Por quê? Eu só queria pegar o sangue dela...

─ E você ainda me pergunta? Você é louco!

─ Louco? Você me chamou de louco? Por quê? Eu não fiz nada... qual é o problema? Qual é o problema em matar alguém? É por um bom motivo! Eu preciso deixar o papai feliz!

─ Do que você tá falando? Você é igual a ele? Meu irmão é um ass─

─ CHEGA, CALA BOCA! ─ Peter se levanta e começa a dar facadas no ar, com intenções de atingir seu irmão. ─ POR QUE VOCÊ ME EMPURROU? POR QUE VOCÊ ME IMPEDIU DE MATAR ELA?

─ E-Ei, calma a─

─ EU VOU MATAR VOCÊ! Por que você fez isso? POR QUÊ? Por que você odeia o nosso pai? POR QUÊ?!

─ D-Do que voc─

─ QUAL É O PROBLEMA? VOCÊ NÃO ENTENDE! Você é idiota? Eu estou decepcionado. SEU FRESCO!

Enquanto ia andando, Peter tentava atingir seu irmão com as facadas aleatórias, mas este apenas andava para trás, tentando se esquivar. Não adiantou muito, assim que o mais novo se aproximou, finalmente conseguiu dar um risco no peito do garoto, que caiu no chão, sangrando.

─ NÃO ME DIGA O QUE FAZER, EU FAÇO O QUE EU QUERO!

Notas finais
Esse foi só um capítulo transitório! "O que isso significa, autor-senpai?" Significa que eu tô fazendo cosplay de Oda e enrolando pro final, qqq. No próximo acaba o arco Circus =3 PS: Sim, eu puis o nome do rato de Shion pq eu sou uma pessoa muito criativa.