Policial Sujo

16 A Queda do Rei


Notas iniciais
Recomendo Trick or Treat pro cês ouvirem ♥

O que antes era uma gélida noite, agora vai se transformando em madrugada. O céu, que se perdia em um infinito negro, com o tempo, em um tom azulado vai ficando para, posteriormente, ser adicionado traços laranjas até o, enfim, nascer do sol. E, contrastando com a noite, estava uma grande Mansão, onde encontravam-se diversas pessoas.

─ NÃO ME DIGA O QUE FAZER, EU FAÇO O QUE EU QUERO!

Um grito foi dado enquanto um corpo estava estirado no chão, sangrando. Peter havia recebido um corte no peito de seu irmão gêmeo e, no momento, apoiava suas mãos no ferimento e tentava se levantar. Trafalgar apenas observava, pois sabia exatamente que, se interferisse, as coisas só iriam piorar.

─ Por que você fez isso?! ─ Peter perguntava, com raiva e olhos trêmulos, encarando o irmão à sua frente, com uma faca na mão.

─ Poodle, fica calmo. ─ Porém, antes que Peter pudesse fazer algo como vingança, foi impedido por Trafalgar, que estava calmo como de costume. O irmão também tentava ficar menos tenso, apesar de não arrependido.

─ Calmo como? Você viu o que ele ia fazer! Primeiro eu descubro que o meu irmão é mulher, aí ele vira um assassino que quer me matar! Como você quer que eu reaja?

─ Eu não sou mulher. ─ Ele apenas faz biquinho. ─ E você também provocou.

─ Hã? Como diabos eu posso ter prov─

─ Poodle, cala boca. Ei, Poodlelina, não precisa ficar assim, ele só não está acostumado com o Adams ainda.

─ Hum, então é bom se acostumar, eu não quero um irmão fresco. Bom, eu vou continuar.

Enquanto Law segurava Peter para impedi-lo de fazer alguma besteira, o outro irmão continuava seu trabalho. Ele andou até uma das crianças que estava dormindo, segurando sua cabeça através dos cabelos e apontando uma faca para seu pescoço, com a maior calma do mundo.

─ E-EI, O QUE VOCÊ─

─ Para de gritar, cachorro! ─ Law tampa a boca do ruivo, deixando que ele veja o próprio irmão cortando a garganta da criança. Liliam, que estava lá, apenas voltou a fechar os olhos e fez força para não chorar.

─ O papai injeta drogas nelas, então elas não sentem dor. E as drogas fazem ele rejuvenescer. ─ Ele explica, cortando o pescoço da criança e descendo com a faca até o peito, colhendo o sangue com um pequeno pote.

─ Poodle, enquanto você estiver convivendo com esses dois, você vai ter que aguentar isso sem reclamar. Então, de agora em diante, não demonstre fraquezas. ─ Explica Law, ao outro que arregalava os olhos ao ver o irmão cheio de sangue de inocentes.

─ I-Isso é sério..?

─ É a sua genética.

─ Não se preocupa com isso! ─ O outro irmão vai até eles, sorridente, guardando sua faca e limpando o sangue em seu rosto e mãos. ─ Logo, logo, você se acostuma, hihihi. Se você quiser eu até deixo você brincar com o cadáver dela!

─ Você é doente...

─ Ei, deixa eu cuidar desse corte no seu peito, ele parece meio grave. Tio Law, você pode entregar isso ao papai enquanto eu cuido do meu irmão? ─ Ele entrega o pequeno pote, cheio de sangue.

─ Tá bom.

(...)

Ao mesmo tempo em que Trafalgar ia entregar o sangue para Adams, os dois irmãos foram até a enfermaria que havia na Mansão. Peter, que estava com um ferimento no peito, foi sentado em uma cadeira e o outro começou a ver o corte, limpando o sangue com algodão e cantarolando tranquilamente.

─ É tão bom te ver de novo, hihi.

─ Queria poder dizer o mesmo. ─ Seus olhos estavam sem brilho e ele falava, sem emitir emoções.

─ Você não ficou feliz em saber que eu estava vivo?

─ É claro que eu fiquei feliz, eu nunca tinha ficado tão feliz antes. Mas aí eu descobri o que você se tornou...

─ Ain, deixa isso pra lá! Vai, bota um sorriso nesse rostinho lindo. ─ Peter usa seus dedos para fazer o irmão sorrir.

─ Não vai rolar. ─ Mas ele só se afasta.

─ Credo, quanta amargura. Vem cá, vamos brincar!

Puxando o irmão pelo braço, ambos vão correndo pelos corredores, sendo que o menor estava saltitando e rindo feito um bobo; enquanto o outro tremia os lábios de tanta raiva, querendo soltar seu braço e parar de correr e ficar ali, parado, sem ir para lugar nenhum ou fazer qualquer outra coisa. E assim foram, arrastados, até finalmente chegar em um quarto. Era o quarto de Peter.

Um quarto totalmente rosa, cheio de decorações em preto de símbolos de morte, entre outros. Havia uma cama de casal enorme, roxa, com colchões de água e uma penteadeira. Em frente ao grande espelho cheio de luzes, havia um banco, onde o caçula se sentou com o irmão atrás dele.

─ O que você quer, exatamente? ─ Pergunta o mais velho, rispidamente.

─ O papai pode gostar de sangue, mas isso faz mal pra minha pele. ─ Ele olha para a penteadeira, tirando um lenço umedecido da gaveta e limpando o sangue em seu rosto. Passou também mais rímel e maquiagem, enquanto o outro só olhava através do espelho, atrás dele.

─ Você é muito estranho.

─ Para de reclamar! Vai, me ajuda a pentear o meu cabelo.

─ Que seja. ─ Ele tira os adereços do cabelo do outro, usando uma escova para penteá-lo. Ao mesmo tempo, Peter mais novo cantarolava uma canção, se olhando no espelho.

Música — Kagome Kagome

Em um prédio abandonado pelas sombras... ─ Ao passo que o irmão cantarolava, sorrindo e batendo as pernas umas nas outras como uma criança, Peter penteava suas longas madeixas ruivas. Ainda estava com raiva, tremendo as mãos enquanto tinha pensamentos aleatórios.

─ No final de um corredor sem vida... ─ Estava pensando, principalmente, em como um irmão tão gentil, o qual tinha sofrido uma vida inteira pela morte, poderia transforma-se em alguém assim.

Há um quarto, onde várias crianças abandonadas vivem... ─ Suas mãos tremiam só em escorrer a escova pelos seus cabelos, sujos de sangue inocente. Pensava principalmente em sua amiga, a qual viu crescer, e agora estava lá, aguardando a morte.

Em um orfanato, em uma floresta densa... ─ Seu corpo, olhos e boca também estavam trêmulos. Sentia só um arrepio adentrando sua espinha, ouvindo diversas vozes e vendo imagens de pessoas morrendo, dando seu último suspiro. Risadas entorno de choro.

Do cérebro de crianças pequenas... ─ Só ficava com mais raiva ainda. Triste, ao mesmo tempo, por ter aqueles pensamentos; mas não havia outros em sua mente. Será?

Um elixir milagroso da imortalidade pode ser feito... ─ Enquanto os fios alaranjados eram escorridos pela escova, seus olhos vermelhos só enxergavam fogo.

Elas estavam esperando sua visita... ─ Seu coração já havia se quebrado, seus olhos já perderam a cor original.

"Estamos felizes, estamos felizes..." ─ E a mão ficara mais dura, rígida, quase arrancando os pobres fios ruivos.

"Por favor, vamos brincar alegremente..." ─ Em sua mente, só conseguia ouvir as risadas do orfanato...

A criança que perder o jogo, não poderá escapar... ─ … Indo embora...

Durante a noite, ela vai cortar a sua cabeça... ─ … Seus amigos...

Olhe para trás, quem está atrás de você agora? ─ … É tarde demais para fugir.

─ Ei, Bolinho...

─ Sim? ─ Ele ainda só sorria.

─ Já tá tarde, eu vou dormir.

─ Tudo bem, eu vou ver o papai! Se ele ficar mais de uma hora sem beber sangue ele morre, então eu preciso cuidar dele direitinho. Hihihi.

─ Morre, é?

(...)

Deixando seu irmão de lado, Peter foi ver seu pai, que estava deitado, vendo um álbum de fotografias antigo.

─ Oh, você demorou! Onde estava?

─ Eu fui cuidar do meu irmão... cadê o Tio Law? Ele já foi embora?

─ Como assim 'já foi embora'? Ele não tá no quarto dele? Meu coração fugiu? Ei, não me assusta assim! Onde é que ele tá? Por que ele não estaria aqui? O que tá acontecendo? Me conta!

─ N-Nada, calma. É que eu pedi pra ele vir aqui, já que eu estava com o meu irmão...

─ Ele não veio aqui, não.

─ Han...

─ Eu vou lá ver onde ele está.

(...)

Trafalgar P.O.V

Beleza, isso pode ser muito arriscado, mas não dá pra não pensar em outra coisa. Eu acabei lendo a tal carta que a minha mãe havia entregado ao Adams e, como já era de se esperar, não é uma carta nada amigável. Além disso, eu simplesmente me recuso a ir até o quarto daquele vampiro de noite.

Deixei o vidro com sangue de lado e vim aqui para a biblioteca, onde eu poderia conseguir alguma informação sobre ele. Já que ele não sente dor e é muito mais forte que eu, não vai ser tão fácil matá-lo, então eu preciso de um plano. Basicamente, estou procurando livros sobre a pesquisa dele, pra ver os efeitos colaterais.

Mas porra, tá foda. Ele escreveu alguns livros sobre imortalidade, mas tudo o que eu vejo são poemas de amor, fotos que vão me fazer ter pesadelos por anos e até desenhos. Ele desenha incrivelmente mal, aliás. Como caralhos uma pessoa tão idiota pode ser tão inteligente?

Bom, é perda de tempo ficar procurando aqui, é melhor fazer outra coisa. Já que a Poodlelina se mandou, é melhor eu ir até as crianças e libertá-las de uma vez, antes que outro imprevisto aconteça. Nesse momento, eu estou descendo as escadas, já bem perto do esconderijo onde o monstro guarda suas vítimas.

Mas espera, eu ouço gritos... será que tem alguém lá? A Poodlelina voltou? Parando para analisar agora, a porta tá aberta, mas eu juro que tinha fechado ela antes de sair. Melhor entrar logo, talvez eu ainda possa... espera... mas que..

─ QUE PORRA É ESSA?

(…)

Assim que deixou o quarto do irmão mais novo, Peter foi até o quarto de Trafalgar. Sua mente só pensava em uma coisa, apesar de ainda ouvir uma voz tentando impedi-lo de cometer as ações. Indiferente. Seu corpo mexia-se sozinho, não importando-se com o chiado ou quaisquer interferências.

Entrou no quarto, ainda serrando o punho e pegou a espada que Trafalgar tinha. Ficou observando ela por um tempo, sentindo seu peso e sua linha. Notou que estava afiada, fazendo alguns movimentos no ar para se acostumar. De lá, desceu as escadarias, indo direto a onde as crianças estavam.

Sua mente estava vazia, ouvindo apenas alguns ruídos não-identificados. Colocou a senha que havia visto anteriormente, abrindo a porta. Todas as crianças que estavam acordadas e chorando, olharam para o garoto com uma espada na mão. Ficaram reclusas e suas lágrimas só aumentaram. Ele caminhou, lentamente, até Liliam.

─ P-Peter... o que é isso? ─ Disse a pobre garotinha, que já estava cansada de tudo. Já havia visto seus amigos morrerem e só ansiava a morte, relembrando sua família adotiva e temendo nunca mais poder reavê-la.

─ Liliam, eu vou salvar as crianças. ─ Respondeu, friamente, sem emoções.

─ M-Mas e essa espada? É pra quê? Cortar as nossas correntes?

─ Não.

─ E-Então... por favor, me responde... pra que elas são... ─ Liliam já tremia os lábios. Confiava no antigo amigo, mas ao mesmo tempo, já estava sem esperanças.

─ Eu vou salvá-las, não se preocupe. A espada é só o símbolo do renascimento; todas as almas aqui presentes já tiveram seu destino escrito. E o destino não se muda. Você pode atrasá-lo, mas as consequências serão as mesmas.

─ D-Do que você tá falando..? Por favor, me tira daqui... eu quero voltar a ver a minha mãe...

─ Eu vou tirá-la, mas antes me responda. O que irá acontecer com essas crianças depois? Algumas foram envenenadas, outras viveram em cativeiro e viram centenas de morte. Você acha que elas irão voltar ao que eram antes?

─ N-Não sei, mas nós podíamos fazer isso juntos... ficarmos todos juntos... não é?

─ Há uma enorme diferença entre as vidas de crianças que, desde cedo, presenciaram a morte e a vida de crianças que cresceram em terra de paz. Você sabe disso, não é? Cresceu em um orfanato.

─ S-Sim, eu cresci, eu conheço a mamãe há pouco tempo, mas eu já a amo, Peter... ela cuidou de mim... eu posso pedir a ela que cuide de você também.

─ Não é com isso que eu me preocupo. Você não percebe? Todos aqui já foram condenados mas, se destruirmos a pessoa responsável, a morte de muitos será evitada. Entende o que eu quero dizer?

Peter se abaixou, ajoelhando-se até onde a pequena garotinha estava sentada e olhou em seus olhos tristonhos e repletos de lágrimas. Sua mente, que antes apenas ruía, agora lembra-se das risada e cartas de carinho e amizade que trocaram por anos. Ele larga a espada, pegando em seu bolso, o canivete que portara.

─ O que você...

─ Eu espero que você consiga descansar em paz, esquecer tudo de ruim que viu aqui. ─ Ele fecha seus olhos, dando um pequeno beijo na testa da garotinha, que se acalma de imediato e sente seu corpo leve.

─ Pe... ter...

─ Boa noite, Liliam.

Com seu canivete, ele perfura o coração da doce garotinha. Ela não grita, seus olhos apenas se abrem de imediato e, com certa dificuldade, ela dá seu último suspiro, descansando em paz, finalmente. Ele apenas observava, a palidez e a perfectividade do rosto a sua frente, com seus olhos sem brilho.

Levantou-se, olhando ao seu redor, todas as crianças. Algumas dormindo, outras acordadas, mas todas morrendo de medo do que iriam enfrentar. Todas lembrando de seus pais, amigos e familiares; pessoas importantes, que se preocupavam com elas, mas que nunca mais a veriam.

Sacou a espada. Suas mãos já haviam parado de tremer e ele estava ciente de todas as suas ações. Retirou a bainha, empunhando-a com precisão e começando seu trabalho. Seus braços subiram e, de forma bem veloz, ele desferiu um golpe mortal em cada criança. Menino ou menina. Os corpos foram cortados, gritos de desespero foram ouvidos, sangue foi espalhado. Até que, finalmente, todas as crianças já estavam mortas.

E Peter ficou parado, olhando. Seu coração batia em um ritmo aceleradamente perigoso, mas seu aspecto ainda estava calmo. Ele não se arrependeu, mas ouviu passos. Passos vindo na direção onde estava, seguindo de um enorme grito já conhecido.

─ QUE PORRA É ESSA?

─ Torao, você chegou.

Trafalgar havia chegado e, a primeira coisa que viu, foi uma carnificina. Diversos corpos infantis, todos cortados, sangrando. Membros de um lado, cabeças de outro. Além disso tudo, havia uma pessoa em pé, segurando sua espada. Um garoto ruivo sem emoção nenhuma.

─ Você ficou louco, cachorro?! ─ Batia os pés no chão, com raiva, segurando os braços de Peter o mais forte possível e o obrigando a soltar a espada.

─ Não fala assim comigo.

─ Mano, você tem alguma noção do que você acabou de fazer? Você matou essas crianças! Você matou todas elas!

─ Eu sei o que eu fiz, não precisa dizer.

─ Caralho... ─ Estava até desesperado. ─ VOCÊ AO MENOS SABE O QUE ISSO SIGNIFICA?

─ Que as famílias vão ficar tristes?

─ PIOR! Isso significa que eu vou ficar uns três anos sem sexo, no mínimo!

─ Hã, você é outro pedófilo?

─ Pedófilo o caralho, não subestime a capacidade do Luffy de fazer cu doce. MANO, QUE PORRA VOCÊ ACABOU DE FAZER?

─ Como você mesmo disse, matei as crianças. Todas elas.

─ POR QUÊ? Há poucos segundos você tava se cagando! O que houve? Puberdade?!

─ Não foi você quem disse que é a minha genética? Por que tá se doendo tanto? Nem são seus filhos!

─ FODA-SE A GENÉTICA, CARALHO! Você tinha que ter o mínimo de decência. Não raciocinou não? Por que diabos fez isso?!

─ Porque o Adams precisa beber sangue de uma em uma hora, certo? Eu acabei com o estoque dele. Simples, agora ele vai morrer.

─ Mano, você é idiota ou isso tudo é cérebro de cachorro?

─ Que saco, você é muito chato! NÃO ME DIZ O QUE EU POSSO OU NÃO POSSO FAZER!

Peter, já cansado de tudo, pega seu canivete e aproveita que ambos os corpos estão bem próximos uns aos outros. Nisso, ele enfia o objeto na barriga de Trafalgar e retira imediatamente depois, deixando o sangue escorrer pelas mãos do médico, que se apoiavam no corte.

─ S-Seu... ─ Ele começa a ranger os dentes de raiva, mas não conseguia se mexer muito bem. Peter simplesmente sai correndo daquele lugar, deixando a espada no chão e levando apenas seu canivete. Eis que, Adams surge.

─ Coração? ─ E a primeira coisa que Adams vê é Trafalgar, sozinho, com uma espada ao seu lado, sangrando e com várias crianças mortas ao seu redor.

─ T-Tio... não é o que você tá pensando...

─ VOCÊ FICOU LOUCO? ─ É claro, a culpa cai toda em cima do médico. ─ Pirou? Ficou de TPM? O que deu em você? Por que você matou as crianças? QUEM TE DEU ESSE DIREITO?

─ A-Adams...

Ainda segurando o corte que fora feito em si mesmo, Trafalgar tentava se explicar, mas não conseguia falar. Logo caiu, ficando de joelhos no chão e tossindo um pouco. Contudo, com sua queda, a carta que carregava em seu moletom também cai no chão.

─ O que é isso? ─ O ruivo vai até a carta e a pega, sem se importar com o outro quase morrendo. ─ Onde você conseguiu isso? Você leu?

Porém, Law não conseguiu responder. Sua visão foi ficando embasada, confusa, até que ele, finalmente, desmaiasse no chão.

(...)

Ao mesmo tempo em que Law desmaiava, Peter, que havia fugido do local onde matou as crianças, foi tomar um banho para tirar o sangue de seu corpo. Terminou, voltou a se vestir com as roupas que haviam no armário do médico e seguiu pela Mansão.

Como a casa era muito grande, duas pessoas se encontrarem era difícil, então ele usou isso a seu favor. Foi em todos os cômodos, desde o do primeiro andar até o último, se esquivando sempre que via Adams ou seu irmão, para não ser notado.

Fechou todas as janelas e voltou para a Sala das Crianças, que já estava vazia, para pegar a espada. Assim que pegou-a, voltou para a cozinha onde conseguiu um fósforo e desceu, indo no andar inferior da Mansão, onde encontrava-se o disjuntor. Ateou fogo, causando um curto circuito e, antes do incêndio se iniciar, foi para onde o resto dos outros estavam.

(...)

Adams, depois que Law havia desmaiado, rasgou a carta e levou o garoto até um cômodo nos andares de cima, onde estava localizado uma pequena sala de tortura, que usava para diversão. Amarrou-o pelos braços em uma corda, tirando seu moletom e o pendurando em um gancho que havia no teto, como se fosse carne em um açougue.

─ ACORDA! ─ Ele grita, depois de ter estocado o sangue em sua barriga. Seu filho estava ao seu lado.

─ Ahn... ─ Law vai acordando, abrindo os olhos e vendo sua situação. Estava sem camisa, pendurado no teto através das cordas em suas mãos. ─ ADAMS, QUE MERDA É ESSA? ME TIRA DAQUI!

─ Huh, eu acho que não. ─ O ruivo apenas sorria sadicamente, segurando um chicote e batendo ele na outra palma de sua mão, olhando diretamente para Law, que tentava se soltar desesperadamente.

─ O que você pensa que vai fazer? I-Isso não tem graça nenhuma!

─ Talvez pra você não tenha, mas pra mim... ─ Com seu chicote, ele pega impulso com o braço e disfere o primeiro golpe em Trafalgar, direto em seu peito. Uma marca enorme é criada, repleta de sangue em sua volta e gritos de desespero.

─ AAHN! P-PARA.. POR FAVOR, NÃO FAZ ISSO!

─ Agora você me pede, mas quem te deu permissão de matar as minhas crianças? Você sabe o trabalho que deu capturá-las? ─ Com suas mãos fortes, ele dispara mais golpes consecutivos em Trafalgar, que apenas agonizava em dor profunda. Seu corpo inteiro estava sangrando, cheio de cortes e ferimentos.

─ AAhrg... A-Adams... AAhh!

─ Mas que seja, eu entendo a sua vontade de assassinar. O mais importante é, POR QUE INFERNOS VOCÊ PEGOU AQUELA CARTA? ─ Mais golpes com o chicote foram disferidos, arrancando mais sangue ainda. ─ VOCÊ LEU?

─ Aaahn! ─ Ele só conseguia sentir dor. ─ E-E se... eu tiver lido..? Idai..?

─ IDAI QUE VOCÊ ME FEZ LEMBRAR ESSA MULHER! ─ O ruivo ficara com mais sede de sangue ainda. Estava com raiva, desferindo golpes aleatoriamente. ─ VOCÊ SABE QUE EU ODEIO ELA!

─ P-Por quê.. AAHhh!! P-Pra quê... tanto ódio?

─ Frescura! Só porque ela era advogada queria fazer o seu pai mudar, como se o que ele fizesse fosse errado. ERA HORRÍVEL, TEMPOS HORRÍVEIS! ─ Com mais raiva, os golpes iam ficando mais fortes. ─ O único defeito do seu pai foi se apaixonar por aquela coisa ridícula!

─ Aaahn! ─ E ele continuava agonizando em dor. Seu peito inteiro estava marcado, repleto de sangue. ─ V-Você é doente..! NÃO FALA ASSIM DELA!

─ EU FALO O QUANTO EU QUISER! ─ A surra com o chicote foi tornando-se mais violenta. ─ Ela ficava mandando eu parar de te dar animais mortos como presente, porque você iria ficar "traumatizado" só por ter quatro anos. FRESCURA DEMAIS! E ELA TENTAVA ME SEPARAR DO SEU PAI PORQUE EU ERA "má influência"…

─ FODA-SE! ─ Ele fica com raiva e, mesmo tendo seu corpo inteiro cortado e sangrando, por entre os gemidos de dor, Law começa a gritar. ─ Minha vida era ótima graças a ela, ela ficava comigo enquanto o meu pai era um assassino escroto. NÃO FALA ASSIM DA MINHA MÃE!

─ NÃO FALA ASSIM DO SEU PAI! ─ Adams finalmente larga o chicote. Seus olhos estavam mais vermelhos do que nunca, tamanha era sua raiva. Ele, então, pega uma faca e parte para cima de Trafalgar.

─ VAI FAZER O QUÊ? Me matar? Vai em frente! Eu não tenho medo de você, Adams, eu não sou mais uma criança que você controla. Eu só não admito que você fale mal da única pessoa que eu amei, sem ser o Luffy!

─ CALA BOCA! ─ O ruivo se aproxima de Law, abraçando ele pela cintura com uma de suas mãos, enquanto a outra foi usada para apontar a faca em direção a seu pescoço. ─ Vejamos, o que eu faço com você agora? Só te matar seria muito sem graça.

─ Faça o que quiser, eu não me importo! ─ Ele ainda tentava se soltar, mas sem êxito. Não queria mais ter que fingir estar de acordo com os planos do ruivo, sua raiva falava mais alto. ─ Você já teve o que queria, não é, Adams? Parabéns! O "amor da sua vida" conseguiu tirar a pessoa mais importante pra mim. Eu imagino o quanto você tenha ficado feliz!

─ Huhuhu, não foi bem assim. ─ Adams joga a faca no chão e, com o seu rosto, ele vai se aproximando do pescoço de Trafalgar, sentindo todo o aroma de sangue. Enquanto suas mãos apertavam o corpo dele, sua boca começou a morder o pescoço, arrancando a pele até sair sangue e deixando a carne exposta. Com isso, ele lambeu a região onde só saia o líquido vermelho, graças ao corte.

─ AAAhh! I-Isso dói... filho da mãe.. desgraçado...

─ Tem uma parte da história que nem você, nem o seu pai conhecem, Sweatheart. ─ Ele mordia o pescoço de Trafalgar ao mesmo tempo que falava, causando dor e nojo no médico. ─ Na verdade, quem matou a sua mãe... fui eu.

─ Han? ─ Por meio segundo, Law parou de pensar. Sua mente não falava nada, apenas ouvia aquela declaração repentina ser quase sussurrada para si, mas logo voltou ao estado normal de raiva. ─ MENTIRA! ─ Gritou. ─ EU SEI QUE É MENTIRA! Eu vi meu pai fazendo isso, ele nunca escondeu de mim!

─ Tem toda razão, mas seu pai amava demais a sua mãe, ele nunca teria coragem. ─ Afirma, calmamente, com um sorriso no rosto e chupando o sangue do pescoço de Law. ─ Seu pai só matou a sua mãe depois que ela ficou doente, e mesmo assim, eu precisei insistir muito. Mas coração, adivinha só quem envenenou a comida dela pra fazê-la ficar doente?

─ Isso é sério? ─ Ele ficou completamente pálido. ─ Você fez o meu pai matar a minha mãe... por ciúmes?

─ Não, eu fiz ele matá-la por ÓDIO. EU ODEIO AQUELA MULHER, SEMPRE ODIEI E SEMPRE VOU ODIAR!

─ ADAMS, EU JURO PELA MINHA VIDA, QUE EU VOU MATAR VOCÊ! ─ Law começa a se debater mais forte para sair dali, sem êxito. Seu corpo inteiro estava sangrando e seu coração quase pulava de seu peito.

─ HAHAHA, QUERO VER VOCÊ TENTAR!

─ Ei, gente... ─ Peter, que só estava assistindo em silêncio, resolveu se manifestar, mas foi bruscamente ignorado.

─ ADAMS, ME SOLTA DAQUI PRA EU MATAR VOCÊ!

─ Hum... será que eu solto? ─ Ele só dava mais mordidas ainda no pescoço e apertava o resto do corpo, fazendo o outro agonizar e soltar gemidos de dor.

─ G-Gente... é sério... ─ O ruivo mais novo ainda tentava ser ouvido.

─ Huh, que foi? ─ Até que Adams ouve ele. ─ O que você quer, Doll? Eu estou no meio de uma brincadeira com meu coraçãozinho.

─ Desculpa pai, mas... você não tá sentindo um cheiro de queimado?

─ Cheiro de queimado?

Porém, enquanto Adams e Peter estavam parados, tentando descobrir com suas mentes de onde vinha o cheiro de queimado, o outro ruivo surgiu com, novamente, uma espada em sua mão. Assim que ele chegou no cômodo, não foi visto pelos outros estarem olhando em outra direção; então aproveitou essa oportunidade para chegar pelas costas do pai e acertar-lhe com tudo, a espada. Cravou o objeto bem na coluna, atravessando o peito.

─ POODLE! ─ Exclama Law, ensanguentado, observando Peter atravessar as costas de Adams com uma espada.

─ Wow, Torao, você tá péssimo! Hahaha, se fodeu! ─ Ele tira a espada do corpo de Adams.

─ PAI! ─ Exclama o outro Peter, indo em direção ao seu pai, que estava no chão.

─ M-Maldito... ─ Porém Adams se levanta, tossindo sangue e com as pernas meio bambas por ter sido atingido pelas costas. Peter aproveitou a distração do ruivo para cortas as cordas de Trafalgar, libertando o médico.

─ Você tá bem? ─ Disse Peter, segurando Law, que estava fraco demais para ficar em pé sozinho. ─ Ok, não precisa responder essa pergunta.

─ De onde caralhos... [Law tosse sangue] você surgiu...?

─ Foi mal pela demora, mas eu coloquei fogo na casa. Não dá mais pra sair pelo portão principal.

─ VOCÊ O QUÊ? ─ Law tenta gritar, mas estava fraco demais e quase desmaiando nos braços do ruivo.

─ Não dá mais pra sair da casa, precisamos ir pra cima antes que o fogo chegue até aqui! Você consegue correr?

─ E eu tenho outra escolha..? [Tosse mais sangue] Vamos sair daqui logo...!

Adams, embora não sinta dor, ainda sofre os efeitos físicos, apesar de ser bem forte e resistente. Ele estava tentando se levantar, mas como o objeto foi atravessado em suas costas, sua força foi diminuída bastante. Não conseguiu ir atrás de Law e Peter, que saíram correndo em direção ao escritório, mas seu filho ficou com ele. O caçula estava tentando ajudar o pai, o segurando.

─ P-Pai, você vai ficar bem? O que que eu faço? Quer que eu te dê o meu sangue?!

─ N-Não... eu vou ficar bem, não se preocupa...

─ Mas o que a gente faz? Aqueles dois não estão mais aqui, eles devem estar tentando fugir! Daqui a pouco o incêndio nos atinge, nós precisamos sair daqui o mais rápido possível!

─ Eu não vou morrer só com uma espadada, fica calmo. Vamos atrás deles!

(...)

O fogo já havia atingido tanto o primeiro, quanto o segundo andar da grande Mansão. Todas as janelas estavam fechadas, fazendo com que o incêndio se alastrasse com mais facilidade. Trafalgar, embora esteja sangrando muito, tenta correr o mais rápido que conseguia junto com Peter, indo até o escritório, onde ficariam mais seguros.

─ Por que diabos a gente tá indo pra lá? ─ Pergunta Law. ─ Aliás, por que diabos você pois fogo na casa? Não dá pra sair daqui!

─ Essa casa me dava raiva, então eu queria destruí-la.

─ Você é idiota? COMO DIABOS A GENTE VAI SAIR DAQUI?!

─ Sei lá como a gente vai sair! Nós só precisamos ir pro escritório antes que o fogo chegue até nós!

─ Cara, um dia o fogo vai chegar no escritório, sabia?

─ Quando isso acontecer nós pensamos em outro plano, agora para de reclamar!

Contudo, enquanto corriam para os andares de cima, acabaram precisando parar quando viram Shion, o rato da casa, parado em sua frente.

─ Quick, quick.

Trafalgar fica encarando o rato e toda sua raiva fora transferida para ele. Sem mais delongas, ainda muito ferido, ele resolve usar suas últimas forças para pisar no pobre animal, deixando-o completamente desfigurado e manchando seu sapato de sangue. O rato foi esquartejado e já estava morto.

Deixando o cadáver do bicho de lado, os dois continuaram correndo. Law se apoiava em Peter para não cair, mas tentava ir até o escritório o mais rápido possível. O cheiro de queimado estava cada vez mais forte e insuportável, até que, finalmente, chegaram em seu destino.

─ Beleza, o que a gente faz agora? ─ Law senta no chão, tentando acalmar as batidas de seu coração acelerado e, ao mesmo tempo, pensando em um plano.

─ Tem uma janela aqui, será que rola a gente pular?

─ Poodle, você pode, por favor, deixar o seu cérebro de cachorro de lado? Nós estamos no último andar de uma Mansão de DUZENTOS metros de altura!

Não tardiamente, Adams e o outro Peter também chegaram no escritório. O adulto estava com muita raiva dos outros dois, mas já havia se recuperado quase totalmente do ataque com a espada. Estava mais fraco, claro, mas seu ódio era suficiente para matar o primeiro que visse.

─ ENTÃO É AÍ QUE VOCÊS ESTÃO! ─ Exclama Adams, partindo para a direção de Law, que se levantou.

─ Como caralhos você consegue andar? Você tá pior que eu!

─ Que parte de "Poder do arco-iris" VOCÊ NÃO ENTENDEU? EU TÔ COM TANTA RAIVA, QUE TÔ POUCO ME FUDENDO EM ESTAR FODIDO!

─ EI, VOCÊ! ─ Peter mais novo sacou sua faca, indo em direção ao irmão e dando um corte em seu rosto. Como o outro virou, acabou atingindo somente a bochecha. ─ POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COM O PAPAI?

─ CALA BOCA, EU JÁ CANSEI DE VOCÊ! ─ Peter mais velho pegou seu canivete, desferindo um golpe no irmão. Os dois começaram a brigar com as facas.

─ Hã? Você não pode me vencer, eu fui treinado pelo papai! ─ O caçula novamente dá outro golpe.

─ Você passou anos comprando vestidos, eu passei anos na rua! Entendeu a diferença? ─ Mas Peter o defendeu, partindo para cima do irmão mais novo, com muita raiva e olhos vermelhos. Ao mesmo tempo, Law e Adams brigavam.

─ EU TE AMAVA! ─ Adams estava quase chorando. ─ Eu te dei tudo o que você precisava, por que você me traiu assim? ─ Como ambos estavam ofegantes e com muita dor no corpo, a briga deles não passava de pequenos tapas no rosto.

─ Seu filho te odeia, eu te odeio, e o mais importante, as duas pessoas que você amava foram mortas por MIM. SE FUDEU! ─ Law dá um tapa em Adams, que retribui. A briga dos dois prosseguia assim, com tapas e xingamentos.

─ INVEJOSO, RECALCADO! ─ Mas os dois irmãos, como eram mais novos, brigavam direito. Cada um dava golpes com facas, punhando como se fossem espadas, um contra o outro.

─ Quem teria inveja de você? Você se veste de mulher! ─ O mais velho finalmente consegue dar um corte no rosto do outro.

─ OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM O MEU ROSTO LINDO!

─ FODA-SE VOCÊ!

─ Não, foda-se você!

─ Foda-se você!

─ Foda-se você!

─ Foda-se você!

─ Foda-se você!

─ Foda-se você!

─ Foda-se você!

─ CHEGA!

Cansado de brigar com o irmão mais novo, Peter joga seu canivete no chão. O outro ficou parado, ofegante, sem saber o que significava aquilo ou se deveria interpretar como uma trégua. Adams e Law, que já estavam exaustos e sangrando muito, param com os xingamentos para observarem as crianças.

─ Acabou. ─ Afirma o mais velho. ─ Não tem mais saída e, mesmo que eu te odeie agora, eu não quero me despedir do meu irmão assim.

─ Do que você tá falando?

As chamas finalmente invadiram o quinto andar, adentrando o escritório. Trafalgar recuava, pensando que agora seria a hora de sua morte, de fato. Estava tudo muito lento, o fogo queimava as coisas ao seu redor, mas ele só conseguia sentir o oxigênio acabando. Ficou tonto. Entretanto, os demais estavam calmos, eles não se desesperaram.

─ Nós vamos morrer aqui, Bolinho, esse é o fim. A minha vida acabou partir do momento em que eu vi o meu irmão se transformar em um assassino, assim como o nosso pai. Desculpa te envolver nisso, Torao, mas eu vou continuar fazendo o que eu acredito.

O caçula estava paralisado, assim como Adams. Os únicos que se moviam naquele momento eram Law, Peter e as chamas do local. Com passos lentos, o irmão mais velho pega sua espada, indo em direção ao mais novo. O pai deles apenas observava, intacto, todos os seus minuciosos movimentos.

Peter retirou a espada da bainha, mais uma vez, se preparando para o último golpe. Se aproximou do irmão e o colocou no chão, até que ambos ficaram ajoelhados, um de frente para o outro. Seus corpos estavam bem juntos, seus corações batiam no mesmo ritmo e suas faces eram uma só naquele momento.

─ Obrigado por ter continuado vivo e ter se lembrado de mim durante todos esses anos, pois eu nunca te esqueci. Adeus.

Com suas últimas ações, o primeiro ato que Peter faz é, novamente, juntar os lábios um no outro, dando um beijo de despedida em seu irmão. Com suas mãos livres, ele pega a espada já despida e, finalmente, crava ela nas costas do irmão, indo em direção ao coração dele. Por seus corpos estarem juntos, ele continuou, indo com a espada até seu próprio coração e finalizando, atravessando ela até suas costas. Eles morreram, juntos, do mesmo jeito que haviam vindo ao mundo, unidos por uma espada em seus corações.

Não tardiamente, enquanto Trafalgar e Adams observavam o ato, paralisados, o fogo alastrou-se. A mesa do escritório e os quadros já haviam sido tomados, juntamente com o corpo dos dois irmãos, que agora ardiam em brasas. Foram sendo queimados, lentamente, mas não sofreram um dano sequer, por já não conseguirem respirar.

─ Filho... ─ Adams finalmente desperta. O fogo já estava todo envolta dele e de Law, criando um círculo ao redor dos dois médicos, que se olham, bem nos olhos um do outro.

─ Acabou? ─ Law diz, com um ar de dúvida, outro de certeza. Embora o fogo já tenha tirado seu oxigênio, ele não sentia nada, assim como o ruivo. Ambos apenas estavam entregues à morte, que viria em questões de segundos.

─ Morrer em uma casa queimada... do mesmo jeito que ele... pelas mãos do meu próprio filho... vai ser uma honra. ─ Adams apenas olhava para o rapaz a sua frente que, graças aos seus olhos acinzentados, conseguia ter um reflexo do fogo. No canto de seu rosto, ele abriu um singelo e pequeno sorriso.

O fogo fez com que o vidro da janela, que estava fechada, explodisse e quebrasse. Trafalgar só sentia as batidas aceleradas de seu coração, sem saber o que fazer, completamente entregue ao seu destino e vendo o ruivo a sua frente, sorrindo calmamente, como de costume. O fogo finalmente veio até eles, levando assim, a última brasa de seus corações.

"Você ainda é muito jovem pra isso..."

Antes que seu destino fosse tomado por completo, seja pela falta de ar ou pelas chamas, Law sentiu uma mão o empurrando. Seu corpo fraco, desgastado e sangrento, agora estava caindo da janela do quinto andar, indo em direção ao chão do quintal da Mansão.

E ele não entendia muito bem o que estava acontecendo, sua mente apenas estava calma, mas seu corpo não. Sentia o vento batendo contra si, descendo em direção vertical, pronto para cair de uma altura de 150m, em velocidade constante que, para ele, estava lenta.

"É claro que eu te prometo, Law, eu vou estar sempre contigo."

E, ao mesmo tempo em que caía da janela, sua mente distraída o mostrava diversas imagens, frases, sons e lembranças nostálgicas. Sabe quando dizem que, quando você está a beira da morte, você se lembra de tudo o que aconteceu em sua vida?

... Das coisas boas...

"Ér... Olá! Boa tarde."
"Você... é o garoto que fica me espionando todo dia?"

… Dos momentos ruins...

"CALA BOCA! Céus, como você é irritante, garoto. Eu preciso mesmo te ensinar tudo."

… Dias em que você simplesmente precisa de um amigo...

"Tudo vai ficar bem, Law, eu vou te tirar daqui e nós vamos fugir juntos. Ok?"

… E até mesmo, aqueles dias em que você só precisa de uma pessoa especial...

"Não se preocupa, eu vou ficar com você e te proteger. Nunca vou sair do seu lado e te deixar sozinho."

… E todos esses momentos, todas essas lembranças, Law tinha enquanto caia do último andar da grande Mansão. Foi empurrado por uma mão, atravessado por uma janela e só assistia a casa pegando fogo, tudo sendo destruído em minúsculos pedaços. Só aguardava a morte.

E foi caindo...

… Caindo...

Caindo...

Caindo lentamente, até que, por uma intervenção divina, uma pessoa surgiu no gramado do quintal da Mansão, o pegando no colo, antes que o destino fizesse seu corpo estraçalhar no chão.

─ Oi. ─ Rob Lucci, a pessoa que o pegou no colo disse, olhando um homem todo ensanguentado perdido em pensamentos.

─ O-Oi, t-tudo bem? ─ Law respondeu, ainda com medo, não sabendo muito bem o que aconteceu. Pelo menos estava vivo, fora da Mansão, que já havia se perdido no incêndio.

─ Você é um anjo?

─ E-Eu... ahn...

─ Ele não é um anjo, mas é quase isso. ─ Monet surge, ao lado de Rob Lucci. ─ Ele é o Coração.

─ Oh, o famoso...

─ Se importa de colocá-lo no chão? Não é permitido tocar no protegido.

─ Eu não sabia que era ele, tá todo ferrad─

Contudo, assim que Rob Lucci pois Trafalgar no chão, Monet segurou um punhal em suas mãos e o esfaqueou, atingindo-o direto no coração. O homem tremeu os olhos, segurando a ferida em seu peito antes de, finalmente, cair no chão, morto.

─ N-N-Não p-precisava fazer isso... ─ Diz Law, vendo seu salvador cair morto no chão.

─ É claro que eu precisava, não devemos tocar no protegido.

─ M-Mas ele tinha me salvado...

─ Oh, perdão, eu não tinha visto. Foi erro meu.

─ T-Tudo bem, todos erramos...

─ Com sua licença, eu me retiro.

─ Tudo bem, Monet, obrigado.

Ela se ajoelha, colocando a mão no peito e fazendo reverência, antes de sumir pelos ares.

─ Foi um prazer servi-lo, Corazón.

Trafalgar agora estava sozinho, em frente a Mansão, que era tomada por fogo. Ficou observando-a, ofegante, com as mãos em seus machucados e tentando se acalmar, para conseguir ficar em pé com firmeza. Eis que, enquanto admira a casa, Cindry chega.

─ Boa noite, Law. Hoje é um lindo dia, não?

─ Cindry...

─ Os ventos da madruga surgem, dizendo-nos que um novo começo está por vir. É o fim de uma antiga geração, devemos agradecê-la e dar espaço aos que virão.

─ É... eu acho.

─ Venha comigo, por favor. Enquanto o fogo se alastra, diversas almas correm pelos gramados, todas sorrindo e pulando, felizes. É nosso dever honrar suas memórias.

Sendo guiado pela loira, Trafalgar vai até o cemitério. Cindry, que estava suja de terra, este tempo todo, abria mais covas. Diversos túmulos foram feitos, todas simbolizando as mortes que haviam tido durante a madruga, em especial um. Ela estava ao seu lado, com a pá jogada no chão. Law arqueou uma de suas sobrancelhas.

─ Quais são teus motivos, Cindry?

─ Todos os motivos e, ao mesmo tempo, nenhum. A memória de todos está aqui, mas e o resto? O amor que se perdeu no ar, as risadas alegres, as famílias destruídas. Quem se lembrará delas?

─ Eu não os culpo. Aliás, não culpo ninguém. Talvez tenha sido melhor assim, a solidão é algo frio demais.

─ Então encerremos por aqui, Law, toda nossa história. O destino terá que seguir em frente.

Trafalgar se aproxima da jovem mulher de corpo frio, depositando em sua testa, um pequeno beijo de despedida.

─ As memórias não precisam ir junto.

Ele segura sua mão, ajudando-a a entrar na cova solitária e fria.

─ E não irão, estarão sempre aqui. E, junto com elas, deixo meu corpo, entre o sol e a terra.

Assim que entrou, deitou. Seus olhos fecharam pela última vez e a loira só sentiu a terra sendo jogada em seu corpo, através da pá. Assim que estivesse cheio, seu túmulo, ela iria ter sua respiração tomada pelo sufoco, que era ter sido soterrada viva. Seu coração, apesar de tudo, estava calmo.

Law apenas, encerrado seu trabalho, pegou um simples papel amarelo que estava atirado ao chão e fez um origami, em formato de flor amarela. Todos os túmulos também estavam enfeitados com ele. Se despediu de Cindry, finalmente, indo até o carro em que Luffy estava deitado, dormindo. Abriu a porta e começou a dirigir.

(...)

Retornou ao circo. Seus ferimentos, com o tempo passado, acabaram ficando melhores, então ele conseguia se mover, apesar de ainda estar agonizando de dor internamente. Assim que retornou ao local de onde partiu, pegou Luffy em seu colo e levou o garoto até a Tenda Proibida, onde dividiram lembranças memoráveis. Deitou-o na cama e ficou-o encarando.

Olhou seus profundos olhos, que estavam fechados, em um sono calmo, completamente inocente de todos os devastos acontecimentos. Afastou os cabelos de sua testa, depositando um pequeno beijo e o observou um pouco mais, criando coragem.

─ Me desculpe por isso, Luffy...

Sofrendo internamente pela culpa, mas rangendo os punhos em raiva, ele continuou. Na estante da Tenda, ele pegou um pote de álcool e também fósforo, colocando-os no bolso de seu moletom. Seguiu andando pelo circo, com calma, até que seus pés esbarraram em um pequeno pedaço de madeira. Pegou também, antes de continuar sua caminhada sem fim.

Foi até o quarto de Dellinger, mas não ousou bater na porta. Entrou sem precedentes, invadindo o local com seus pés. Andou mais ainda, encontrando o pequeno garoto loiro que estava dormindo, como um anjo, sem nenhuma preocupação em sua mente.

─ Acorda. ─ Ele proferiu. Não gritou, mas estava sério.

─ Ahn... Law? O que você...

Usando o pedaço de madeira que havia encontrado no chão, Trafalgar desferiu um golpe no pescoço do loiro, que voltou a dormir, mas agora estava inconsciente. Logo mais, ele pegou o garoto em seu colo, arrastando-o para fora do circo, indo até onde estava o carro de Luffy.

Pois Dellinger dentro dele, no banco de trás, assim como seu amado também estava anteriormente. Colocou a chave na ignição e começou a dirigir, indo até um porto que havia perto daquela região. Por ser de madrugada, estava completamente escuro e vazio, havendo só os dois rapazes lá.

Carregou, novamente, o loiro em seu colo, indo até o final da ponte do porto. Embaixo deles, havia a água do mar e, ao seu lado, havia também uma corda, que normalmente era usada para atracar os barcos que chegavam. Pegou a corda, amarrou os braços e pernas de Dellinger e voltou a acordá-lo.

─ Acorda, é mais divertido com você acordado. ─ Proferiu novamente, chutando o pobre garoto jogado no chão, amarrado.

─ Law...? ─ Ele acordou e logo se deu conta de sua posição. ─ E-EI! O QUE É ISSO? O que você tá fazendo? O QUE SIGNIFICA ISSO?!

─ Você acha mesmo que eu já me esqueci?

─ D-Do que diabos você tá falando? Seu louco! Me desamarra AGORA! ─ Dellinger tentava se debater.

─ Foi mal, minha memória é perfeita.

Pegando em seu bolso, ele jogou todo o líquido de álcool no garoto amarrado, banhando-o completamente. Dellinger, é claro, teve uma reação imediata.

─ O QUE VOCÊ VAI FAZER? ME TIRA DAQUI, AGORA! ISSO NÃO TEM GRAÇA!

─ Fica quietinho, bebê, eu quero testar uma coisa.

─ D-Do que você tá falando, afinal? Me explica! Testar o quê, desgraçado?!

─ Eu quero ver se sai purpurina de dentro de você.

─ Hã?!

Deixando o garoto confuso de lado, no rosto de Law, só encontrava-se um pequeno sorriso malicioso. Ele, calmamente, pegou no bolso de seu casaco, o fósforo. Acendeu. Sem mais delongas, ateou fogo no pobre garoto, que agonizava em dor, tendo seu corpo inteiro queimado vivo. Sua carne, ossos e órgãos foram incinerados em questão de segundos. Trafalgar apenas deu as costas e saiu, enquanto Dellinger, ao se debater tanto, acabou rolando para fora da ponte, caindo no mar e afundando até a morte.

─ Que pena, não saiu purpurina. Estou decepcionado.

Notas finais
Agora sim, FINISH! Qual foi a morte preferida de vocês? Na minha humilde opinião, foi a do Shion, que foi brutalmente esmagado xD Bom, agora retornaremos a nossa sessão normal de LawLu............................. ........... .... E também, KidLaw!! E isso mesmo que vocês estão pensando! No próximo capítulo, segunda parte de "Dias na Prisão" + Law cuidando do Luffy como médico ♥ (Nossa, tenho ctz q todo mundo pensou nisso...) BEIJOS ARDENTES! (literalmente)