Policial Sujo

1 Prólogo – Segunda Temporada!


Notas iniciais
[IMPORTANTE] Segunda temporada de Médico Sujo. Se você não leu a primeira temporada, não leia essa! A fanfic partirá do princípio do Bônus da primeira temporada. O caso é o mesmo, porém os rumos tomados são diferentes.

Trafalgar P.O.V

"O que fazer quando você tem uma vida estabilizada, é dono dos próprios negócios, tem uma pessoa disposta a dar sua vida por você e, do nada, você dá de cara com um ser humano baixinho e irritante que pega essa sua vida perfeita e queima ela no fogo dos infernos?

Bom, eu tinha uma vida perfeita. Eu tinha dinheiro e um ruivo idiota que, literalmente, deu o braço por mim. Eu tinha cumprido todas as minhas ambições. Eu tinha passado por cima de todas as pessoas que tentavam me impedir. Eu tinha conseguido tudo...

... Até surgir essa porra desse garoto, um certo policial que me seduziu, me prendeu e destruiu tudo que eu tinha. Agora eu estou com uma coleira no meu tornozelo que me impede de avançar num raio de quatro quilômetros. E pra piorar, além de eu não ter mais liberdade, ainda preciso ajudá-lo com as coisas da policia.

Pois é, antes eu podia fazer tudo que eu quisesse, por pior que fosse. Agora, tudo o que eu posso fazer é ajudar a Yard a botar gente na cadeia. Um dia eu fui a caça, agora sou o caçador? Que coisa mais ridícula!"

— Não, não, não... não vou começar a escrever mais anotações, não.

Cá estava eu, num hotel cinco estrelas já que eu conseguira dinheiro através de uma conta com nome falso no banco. O bom de estar num hotel desse nível é que, enquanto eu escrevia em meu bloco de notas, uma mulher qualquer massageava meus pés.

Apesar de tudo o que acontecera, decidi recomeçar minha vida. Bom, não é como se eu tivesse alguma escolha, já que o Luffy, o garoto irritante responsável por isso, me prendeu numa tornozeleira e consegue reastrear todos os meus movimentos. Para começar minha nova vida, rasguei o bloco de notas que tinha acabado de comprar e o taquei em algum lugar do quarto.

— Algum problema, doutor? — Disse a massagista.

— Não precisa me chamar de doutor, já tiraram a minha licença médica, agora eu não sou nada além de um inquilino.

Enquanto a mulher fazia seu trabalho, comecei a ler um dos livros que Luffy me mandara sobre leis e outras coisas chatas. Não sei como, só sei que ele quer que eu leia quarenta e três livros até amanhã, se não eu volto pra prisão. Tudo o que eu sei é que eu preciso de outro parceiro, já que essas coisas burocráticas ficavam nas mãos do Kid no passado e eu não tenho paciência pra tal.

E meus pensamentos foram interrompidos bruscamente com o meu celular tocando. Quem estava ligando? Só podia ser, a razão da minha vida virar uma bagunça, e também, por incrível que pareça, a pessoa que eu amo.

— Luffy! Recebeu minha mensagem?

Antes de vir para este hotel, eu havia sido abandonado em outro. O outro hotel era horrível, péssimo, fedorento e tinha um gato demoníaco na minha cama. Além de um homem gordo que fedia a estrume.

"De onde você tirou dinheiro pra morar aí? E você tá fazendo o que eu pedi?!"

— Tô, eu tô lendo os livros enquanto massageiam meus pés. Cara, eu tava com tantas saudades disso...! Valeu por me tirar daquele lixo.

"Você é inacreditável, Torao! Para com tudo isso e vem me encontrar aqui em casa. Nós precisamos conversar sobre o caso."

— Tá, tá, já tô indo.

Pode parecer coisa de menininhas adolescentes no início da puberdade, mas eu sou a prova viva de que a gente só se apaixona pelas pessoas erradas. Sete bilhões de pessoas no mundo e eu decido namorar com quem? Com um policial, lógico. Um lindo romance entre mocinho e vilão.

E é na casa desse mocinho que eu estou indo agora mesmo. Era um apartamento um pouco longe do meu hotel e eu não tinha carro, então precisei ir de transporte público. Minha vida não poderia estar pior. Mesmo assim, toquei à porta e fui atendido.

— Yo.

— Torao! Até que você veio mais rápido do que eu imaginei.

— É claro, eu não iria deixar você esperan...

Antes de completar a minha frase notei que havia outro ser vivo no local. Não era uma pessoa, mas sim, um cachorro. Ou melhor, não, isso não pode ser considerado um cachorro. Cachorros são criaturas fortes e ferozes. "Isto" é um POODLE.

— Rawr, rawr!

Daí você me pergunta, "quem tem um poodle em pleno século XXI?" E eu te respondo, o Luffy tem um. Um protótipo de animal de uns 10cm, todo branquinho e peludo que começou a latir pra mim.

— U-Um.. Poodle..?

— Rawr!

Fiquei olhando pra ele, em choque. Ele também me encarava com aquelas bolas pretas que ele chama de olhos. Nós ficamos nos encarando por curto milésimos de segundos, que mais pareciam uma eternidade, até que eu decido quebrar o silêncio.

— Essa coisa peluda é o tal do Peter..? — Apontei pro bicho. De certo, eu sabia que o Luffy tinha um cachorro, só não imaginava que era um poodle.

— É! — E ele responde, como se isso fosse coisa de gente normal.

— Eu não acredito... que comecei a gostar... de uma pessoa que tem um poodle...

— GRRRRRRRRH.. RAWR! RAWR! — Acho que o bicho compartilhou da minha raiva e indignação. Só sei que naquele momento ele estava mordendo a minha calça que nem um louco.

— TIRA ESSE TROÇO DE MIM, LUFFY!

Quando o Luffy pegou o bicho no colo, ele começou a agir como se fosse o cachorro mais simpático do mundo e ficou lambendo a cara do dono. Não sabia que poodles atuavam tão bem, ele deveria era fazer parte de um circo.

— Você é um monstro, isso sim! Como pode tratar o Peter desse jeito?

— Hã? Ele me mordeu!

— É claro que sim. Ele é inteligente, sabe que você é uma pessoa ruim.

— Argh, que seja então. Você me chamou aqui só pra me mostrar seu Poodle?

Deixando a história do animal de lado, eu me sentei junto com o Luffy em seu sofá e nós dois tomamos uma bebida juntos enquanto ele me explicava sobre o meu primeiro trabalho. Minha animação pra isso é zero.

Era sobre um roubo de uma Casa de Valores, ou seja, um banco apenas para guardar dinheiro, jóias e documentos importantes. Os investigadores conseguiram a impressões digital do suspeito junto com uma gravação dele de máscara, que foi posta pra eu assistir.

— Eles pegaram aproximadamente 180 milhões de dólares e nós já temos um suspeito. Tudo o que eu quero, Torao, é que você dê um jeito de entrar na casa dele. Entendeu?

— Do mesmo jeito que você fez comigo?

— É! Tipo isso.

— E como diabos eu vou fazer isso?

— Sei lá, se vira, finge que é médico dele. Como você vai fazer não me interessa, desde que você consiga entrar na casa dele e achar o cofre.

— Tá, não parece tão difícil...

— Ótimo! Se você não conseguir isso até no máximo três dias, você volta pra prisão. Entendeu?

— Hm... Pera, o quê? Sério?!

— Sim, boa sorte!

Porra, eu nunca fiz isso na minha vida e ele vem me dizer que se eu não conseguir entrar na casa do sujeito, eu volto pra prisão? Nem pensar! Depois do fora que eu dei no Kid, se eu voltar pra lá, ele vai ficar rindo de mim até eu morrer!

Mas que seja, não parece tão difícil. O que eu mais quero neste exato momento não é falar sobre coisas burocráticas, e sim, mostrar exatamente o motivo de eu ter aceitado esse emprego ridículo como Consultor da Polícia.

— Luffy... eu senti tanto a sua falta lá na prisão...

Subi em cima do sofá e fui engatinhando até ele. Sim, eu só aceitei esta merda por dois motivos: ficar longe do Kid e dormir com o Luffy. E era exatamente o segundo motivo que eu iria realizar neste exato momento.

— N-Nem pensa nisso..! Se você encostar em mim vai voltar pra lá, ouviu?

— Por favor... já faz tanto tempo...

— Não faz, não! No máximo uns dois meses.

— É tempo suficiente pra eu ficar com saudade de você.

Esqueci de mencionar, mas lá na prisão, enquanto eu era assediado constantemente pelo Kid, o Luffy ia me visitar de vez em quando. E nessas visitas ele conseguia uma salinha particular pra nós dois, onde poderíamos fazer o que quiséssemos por míseros minutos.

(...)

Acabamos ficando a tarde inteira no quarto e, quando finalizamos, ao invés de dizer que me ama ou fazer qualquer outra coisa que se faz depois de passar tanto tempo transando com alguém, o Luffy simplesmente vira de frente pra mim e fala.

— Beleza, agora volta pra casa e vai fazer o que eu te mandei!

— Ah, qual é... tá tarde já. Vai mesmo me expulsar daqui, Luffy?

— Não misture a nossa relação pessoal com o trabalho, Torao. Você saiu da prisão hoje e já fez várias coisas erradas. Eu não quero que você volte pra lá tão cedo, mas disso não sou eu quem cuido.

— Então nós temos uma relação? Interessante. Mas tá, eu volto pra casa, porém com uma condição.

— Condição?

— É, eu preciso de um incentivo. Se eu conseguir concluir este caso em menos de três dias, você deixa eu dormir junto com você?

— Hm... tá bom. Mas só uma vez! E até lá eu não vou ficar com você de novo, entendeu?

— Aff, sério isso? Eu vou concluir essa coisa em um dia então!

— Ótimo, melhor pra mim! Mas não faça nada ilegal, viu?

— Tá, tá...

Beleza, eu preciso de duas coisas: dar um jeito nesse caso pra fazer o Luffy ficar comigo e de dinheiro pra pagar a diária do hotel. Como uma pessoa como eu arranjaria dinheiro em poucas horas? Só conheço um jeito.

Por sorte, eu era realmente bom em jogos de azar, principalmente poker. Talvez por ter visto o meu pai jogando toda hora eu acabara aprendendo, mas o importante é que, neste momento, eu estava entrando em um Cassino.

Antes de vir, é lógico, eu vesti a melhor roupa que eu tinha para as pessoas não pensarem que eu era um indigente. Eu ainda tinha um pouco do dinheiro que usara para pagar o hotel, então seria com esse dinheiro que eu passaria a noite jogando.

Sentei-me à mesa já pronto para iniciar o jogo e notei logo que um certo homem me observava. Ele era da mesma altura que o Luffy, usava um boné estranho que escondia seus cabelos ruivos e carregava um sorriso sarcástico que me dava ânsias de vômito.

— É uma bela noite, não? — Ele me perguntou. Apesar dele parecer ser meio idiota, pelo menos pelas roupas dava para ver que era um sujeito bem rico. Bônus pra mim.

— Dependendo da sua sorte, ela pode não acabar muito bem.

— Haha, me desculpe, mas acho que hoje é meu dia de sorte.

Não sei se aquilo era um blefe, mas aquele homem era terrivelmente ruim em poker. Ganhar dele não foi difícil, e logo eu pude voltar para casa com os bolsos pesados. E foi o que eu estava pensando, até ter meu braço puxado pelo mesmo sujeito.

— Não vai se despedir?

— Por que eu deveria?

— Digamos que é pro seu próprio bem. – Do nada, ele decide que é uma boa ideia se aproximar de mim e puxar minha gravata, tentando ficar à minha altura, já que ele era meio baixinho. – É um belo acessório esse que você tem nas pernas. Estilo próprio?

Ele claramente estava se referindo à tornozeleira que eu usava nas minhas pernas. Com ela, eu não poderia ir a lugar nenhum sem que o Luffy soubesse e, também, era o motivo de eu não poder fugir. Mesmo assim não tinha como ele ter visto, já que eu a escondera muito bem na calça.

— Quem é você?

— Você não precisa saber quem eu sou, Trafalgar Law, mas eu sei tudo sobre você.

— O que você quer?

— Te fazer uma proposta irrecusável. E então, o que me diz?

— Nem pensar, essas “propostas irrecusáveis” são sempre ruins. Agora, se me der licença...

— Já vi que você é um cara esperto. Certo, você quer saber quem eu sou? Eu sou um aproveitador.

— Um aproveitador?

— É. Nós podemos conversar um pouco mais à sós? Tem pessoas demais aqui.

— Desculpe, mas... infelizmente eu não tenho interesse em ruivos. Até mais.

Naquele momento, tudo o que eu pensei é: uma cópia do Kid mais baixa. Que coisa, eu acabei de me livrar de um ruivo assediador e já aparece outro pra me importunar? Desse jeito não dá, é um absurdo total!

— Ei, pera, você tá levando as coisas pro lado errado, Law-nii. Não tenho interesses em você nesse sentido!

— Law-nii?

— Aqui, toma meu cartão.

"Vigarista, falsificador de artes, advogado. Penguin."

Ou melhor, uma cópia do Kid um pouco mais inteligente e prestativa pelo visto. Se eu tivesse uma pessoa como ele me servindo, eu não precisaria me importar tanto com burocracia e poderia ficar mais tempo ao lado do Luffy, que era o que me interessava.

Acabei o levando para minha casa, tendo certeza de que ele não tentaria dar em cima de mim, já que isso me incomodava profundamente. Não quero outro parceiro assediador. E além disso, ele me garantiu que já tinha uma namorada.

— Na verdade eu tenho trinta e umas.

— Uma mulher pra cada dia do mês?

— Mais ou menos isso! Se quiser, inclusive, te arranjo uma delas. São todas de alto nível, claro.

— Eu não te trouxe aqui pra conversar sobre mulher, eu te trouxe aqui pra saber mais sobre essa sua proposta. Você quer ser meu parceiro, certo?

— Eu te ajudo com os casos dos policiais e, em troca, você me fornece informações direto do núcleo da Yard. É um bom negócio.

— Então você é tipo um informante? Eu conheço pessoas iguais a você, e nós nunca nos demos bem.

— Mas nós dois vamos nos dar! E além disso, eu posso te ajudar a fazer alguns tipos de serviços a mais.

— Serviços a mais?

— É, por exemplo, esse caso do ladrão de bancos. Ele roubou uma fortuna, a gente pode tirar proveito disso e pegar uma parte do dinheiro enquanto os engravatados estiverem distraídos.

— Hm... não é uma ideia ruim, mas não é meio arriscado?

— Relaxa, Law-nii, eu faço isso há anos. Tenho experiência.

— Se você diz...

— Então me fala mais desse caso aí.

Contei a ele do que se tratava. O suspeito por roubar tal quantia imensurável de dinheiro era Valerio Viccei, um italiano que atualmente morava aqui na Inglaterra. Não sabia muito sobre ele, só isso mesmo.

— Beleza. Agora me responde, do que italianos gostam?

— Sei lá, Pizza? – Porra, como diabos eu vou saber?!

— Não, festas! Ele provavelmente vai gastar todo o dinheiro em festas e belas mulheres. Bom, pelo menos é o que eu faria.

— Você não é ele...

— Mas ele também vai. E eu sei exatamente onde ele vai estar, visto que essa semana é a Semana da Moda e tem várias modelos internacionais. Também terão várias festas, claro.

Assim que acabamos de discutir sobre um possível plano para prender o sujeito e tirar proveito de cima disso, Penguin foi embora e eu fui dormir. No dia seguinte, depois de tomar banho, fui encontrar-me com Luffy para tomarmos café da manhã juntos.

— Yo.

Cheguei em sua casa e Peter rosnava pra mim que nem um louco. Eu decidi ignorá-lo por não querer arrumar briga logo de manhã, mas em vão, já que o próprio dono da casa decidiu comprar briga comigo.

— Torao, o que deu em você?!

— Como assim?

— Você esqueceu que eu posso te rastrear a hora que eu quiser? Eu sei tudo o que você faz! O que você tava fazendo em um Cassino ontem à noite?

— Ué, isso é ilegal?

— Não é ilegal, mas tem várias pessoas perigosas em um lugar desses e eu não quero que você se envolva com ninguém desse tipo.

— Ei, eu jogo sozinho, tá? Nem o Kid ia comigo. Ele não gosta dessas coisas e ficava com raiva quando eu ia jogar, como você está fazendo agora.

— Enfim. Hoje de manhã, antes de você vir pra cá, você foi em um laboratório também. Pra quê?

— Ah, isso foi por você. Eu arrumei um plano de entrar na casa do Viccei e precisei ir no laboratório preparar umas coisinhas.

— E que plano é esse?

— Antes de me encher de perguntas, pelo menos me deixa cozinhar pra você.

Saímos da sala de estar e eu fui levado até a cozinha, onde preparei um ótimo café da manhã, à modéstia parte, já que o Luffy gostava da minha comida. Acho que isso me torna uma espécie de cozinheiro particular, inclusive. Mais tarde eu preciso arranjar um avental.

Assim que eu finalizei os preparativos do café nós comemos juntos enquanto discutíamos sobre o meu plano, que era, basicamente, encontrar-me com o Viccei em uma festa cheia de modelos e ir para casa dele, procurar pelo cofre.

— Você? Numa festa? Com modelos? Essa eu quero ver...

— Eu não gosto de festas, mas por você eu faço tudo.

— Então eu vou te arrumar alguns ingressos e te botar lá dentro, depois vou ficar te vigiando do lado de fora, pra garantir que você não fuja.

— Fugir antes de dormir com você? Nem pensar. Deixa eu adivinhar, você vai me dar uma dessas canetas de vigilância que tem nos filmes?

— Tipo isso. E eu vou ficar com meus amigos do lado de fora, dentro de uma van. Se eu vir você fazer alguma coisa errada nós vamos invadir, entendeu?

— Tá, tá.

A única coisa que o Luffy não sabia sobre o meu plano é que eu estava planejando drogar o Viccei, colocando uma pequena substância em sua bebida e fazê-lo me levar até sua casa à força. Por isso eu fora visitar o laboratório mais cedo.

Acabei ficando com o Luffy a tarde inteira, discutindo o caso e outras coisas mais pessoais, embora ele tenha recusado a ficar comigo, já que combinamos que eu não poderia tocá-lo até o Viccei ser preso.

— Posso te perguntar uma coisa? – Eu disse, enquanto estávamos no sofá assistindo televisão, na maior calmaria e paz.

— Pergunte.

— Você me ama?

Acho que essa frase soou muito melosa, mas foda-se. Tudo o que eu recebi como resposta foi ele ter ficado com o rosto automaticamente vermelho e pegar uma das almofadas, jogando ela na minha cara com todas as forças do mundo.

— CLARO QUE NÃO! Por que você me perguntou uma coisa tão absurda dessas?

— Nossa... que violência. Como você é malvado.

— P-Por que você falou isso no meio do nada? Eu levei um susto, isso sim!

— Porque eu quero saber. Já que você me tirou da prisão pra me tornar seu cachorrinho particular, eu pensei que nós estaríamos namoran–

— É? Pensou errado, eu nunca namoraria um monstro como você! Já se esqueceu de todas as barbaridades que você fez comigo na sua casa, fora o assassino doente que você é?

— Você ainda guarda ressentimentos de mim? Poxa, você é muito exagerado, eu nem fiz nada demais.

— Você matou a minha irmã, a única pessoa que eu tinha da minha família! Em que mundo isso não é nada demais?

— Então por que você transou comigo ontem, na prisão e aceitou dormir comigo hoje à noite?

— C-Cala boca, não é da sua conta, eu faço o que eu quiser. E agora eu preciso conversar com uma pessoa pra arrumar os ingressos da tal festa de hoje à noite.

E assim, ele me deu a pior desculpa que eu já ouvira, levantou-se e foi embora, conversando com alguém no celular. Aproveitei essa oportunidade para ligar para Penguin, já que nós havíamos combinado algumas coisas antes.

"Law-nii! Tudo pronto, já consegui as cordas, o balde e as revistas. Nos encontramos lá?"

— Não sei porquê diabos você precisa de tudo isso, mas beleza. O Luffy vai me arrumar um ingresso e eu te encontro no local combinado.

"Tá bom! A propósito, o nome da sua garota é Robin, tá? Não se esqueça disso!"

— Ei, eu te disse CLARAMENTE que eu não queria esse lance de ficar acompanhado!

"Law-nii, você não pode ir sozinho numa festa como essas, né? Relaxa! Nenhum homem resiste à Robin, você não vai se arrepender."

— Que seja, o Luffy tá vindo, depois eu te ligo. Tchau.

Eu adoraria contar pro Penguin que eu tenho um caso com o Luffy, mas se eu disser isso, é capaz dele ser contra, assim como o Kid e o Kira foram. Esse lance de namorar um policial é arriscado demais, eu sei disso, e também não tem a menor necessidade dele saber.

— Pronto, eu liguei pro Zoro e ele vai colocar o seu nome na lista, Torao.

— Que ótimo, então o resto é esperar a hora certa. Eu também preciso de uma limousine ou algum carro desse tipo pra não pensarem que eu sou um indigente.

— Eu sei, eu também já arrumei uma limousine pra você. Você deve estar adorando isso, né? Sair da prisão, ir pra festas, andar de limo...

— A melhor parte é ficar com você, Luffy. – Me aproximei dele no sofá, pronto para dar-lhe um beijo, mas fui logo recusado.

— Para de falar essas coisas melosas...

— Tá bom, então a melhor parte foi me livrar do Kid. Você fica em segundo lugar.

— Você deveria tratar bem os seus amigos, apesar deles serem doentes que nem você.

O tempo foi passando e, quando eu me dei conta do horário, já era noite. Lá na festa, eu entrei com uma caneta espiã presa no meu peito, que permitia o Luffy assistir a tudo o que eu fazia e ouvir minhas conversas.

Ele havia ficado na van junto com dois outros policiais que ele tratava como amigos mesmo estando fora do trabalho. Ambos me odiavam, claro, mas não me importo.

Assim que entrei na festa me deparei com o cenário: uma fonte de água enorme junto com várias modelos espalhadas, todas acompanhadas de homens realmente ricos e bem apessoados. Um cenário horrível pra mim, já que odeio festas, então decidi ficar no bar, tomando um drink.

Enquanto usufruía das mordomias que era beber de graça, procurei com meus olhos a figura de Viccei, que era meu alvo. Também estava com a droga que eu iria usar contra ele escondida em meu bolso. Notei que uma morena alta, trajando um vestido decotado azul, se aproximara de mim.

— É uma bela noite, não?

— E ela fica ainda melhor.

Espero que isso não tenha soado falso demais, já que eu estava odiando aquela situação. Provavelmente essa é a Robin que o Penguin havia me dito, mesmo eu tendo sido contra encontrar esta mulher. Mesmo assim, para continuar meu personagem, nós conversamos abertamente.

— Então, o Sr. Trabalha em quê?

— Eu sou médico. E a senhorita? Com certeza é uma das modelos mais elegantes daqui, por que estás sozinha em um lugar como este?

— Não sou modelo, não. – Ela ri baixinho. – Eu vim aqui pra passar o tempo, fugir do trabalho. Sou secretária, mas a vida fica meio entendiante as vezes.

— E o que uma moça como você faz para se divertir?

Senti uma vontade louca de espirrar. Não sei porquê, mas tenho a impressão de que na van, o Luffy estaria falando de mim. Cantar uma mulher com ele ouvindo é horrível, odeio o Penguin por isso, mas precisei seguir o personagem.

— Hum... quer descobrir o que eu costumo fazer para me divertir?

Nós nos aproximamos subitamente. Ela segurou minha gravata e eu fingi que segurava sua cintura, mas coloquei o pequeno vidro contendo a substância venenosa em suas mãos. Ela é claro, pegou e guardou num local seguro.

— Mas é claro.

— Ótimo, escolhe uma pessoa daqui. Qualquer pessoa.

— Pessoa..? O que você pretende fazer..?

— Eu vou pegar a carteira dela sem que a pessoa perceba. É um truque de família.

— Bonita e perigosa, do jeito que eu gosto. – Quase morri falando isso, mas deixando isso de lado, apontei para Viccei. – Que tal aquele ali? Parece ser bem rico.

— Entendido.

Claro, eu pensei que naquela hora ela iria colocar a droga na bebida dele e, assim que ele desmaiasse, eu, como médico, iria "resgatá-lo" e levá-lo pra casa. E foi isso que ela fez? Claro que não!

Ao invés dela seguir com o meu plano perfeito, assim que Robin se aproximou do nosso alvo, ela tirou uma espécie de adaga do meio dos peitos e esfaqueou o coitado. A reação do público foi imediata, todos gritaram, e a caneta gravou tudo. Naquele momento Luffy já deveria estar a caminho.

— MAS QUE PORRA? ELA É LOUCA!

A festa inteira parou pra olhar aquela cena: um homem foi esfaqueado e caiu no chão. Uma multidão forma-se envolta dele e as modelos gritavam como loucas. O Penguin simplesmente me arranjou a pior mulher que eu já conheci na minha vida!

— Se afastem, eu sou médico!

De um jeito ou de outro, eu continuei com o meu personagem. Puis um pano qualquer onde ele fora esfaqueado e estanquei o sangue, até perceber que alguns seguranças se aproximaram de mim.

— Tudo bem, deixa ele com a gente. Temos prontos-socorros por aqui.

— Nada disso! O Sr. Viccei é um cliente particular meu, ele só pode ser atendido por MIM!

— E quem é você?

Disse um nome qualquer aí e peguei o Viccei no colo, o arrastando até meu carro. Os seguranças me ajudaram a realizar tal ato, já que eu os convencera de deixar a vítima comigo. Eles, então, se apressaram para chamar a polícia e ir atrás de Robin.

— Luffy, mudança de planos, eu tô indo pra casa dele agora. Não tenta me impedir!

Falei pro alto, tendo certeza que ele ouvira tudo através da caneta espiã. Acho que deu certo pois ele não apareceu na festa, talvez tenha sido um pequeno voto de confiança. De qualquer maneira, depois de eu entrar no carro com Viccei, ele me ligou.

"O QUE ACONTECEU? QUEM ERA AQUELA MULHER?"

— Sei lá, uma louca! Eu não conheço.

"Depois a gente fala disso! Como tá o Viccei? Ele está respirando?"

— Ele tá bem, não se preocupe. Eu JURO que isso não fazia parte dos meus planos! Mas agora que surgiu essa oportunidade, eu vou usá-la pra ir até a casa dele.

"Não é assim que funciona. Ele está ferido e corre risco de vida, nós precisamos levá-lo pra uma ambulância agora, antes que seja tarde demais!"

— Eu sou médico, Luffy! Mesmo você não gostando disso e tendo confiscado o meu diploma, eu me formei aos dezessete anos, eu sei cuidar de alguém ferido.

"O problema não é esse. Eu sei que você sabe cuidar dele, o problema é a sua índole. Quem me garante que você não vai matá-lo como fez com os outros?"

— Você vai ter que confiar em mim.

"Confiar em você? Me dê só um motivo pra isso."

— No dia em que você me tirou da prisão, eu te prometi que não iria te decepcionar. Eu prometi que iria pelo menos tentar ser uma pessoa melhor, mas eu não vou conseguir provar isso pra você se você não me der uma chance.

"E o que eu faço? Te deixo sozinho com um homem esfaqueado, indo procurar por um cofre cheio de dinheiro?"

— Que tal você ir atrás daquela mulher louca? Porque ela sim é culpada, eu só estou tentando salvar o cara.

"Você não tem nada a ver com ela?"

— Não, nada.

"Então eu vou te dar uma chance. Eu vou ficar de olho em você pela câmera de vigilância e procurar a mulher, tá bom? Não me decepcione."

— Pode deixar, eu não vou.

Por sorte, eu já tinha o endereço do sujeito no meu GPS, já que os outros policiais haviam me dado anteriormente. Confesso que fiquei feliz de ter o Luffy confiando em mim, ou pelo menos me dando uma chance, mas precisava me concentrar no resto do plano.

Estacionei na frente da casa dele, subindo com o Viccei no meu colo até o apartamento, onde peguei suas chaves no bolso. Deitei-o no chão, indo até a cozinha e pegando um pano para estocar o sangue melhor. Ele não fora atingindo em nenhuma parte vital, então não corria riscos.

Depois de dar um jeito no homem, eu fingi que deixei a caneta espiã cair no chão e pisei nela por acidente. Foi arriscado? Foi, mas também foi a única coisa em que eu consegui pensar pra tirar o Luffy da minha cola. Em seguida, liguei para Penguin.

"Yo, Law-nii! Tudo certo com o plano?"

— CERTO? VÁ À MERDA, ESSA MULHER QUE VOCÊ ME ARRANJOU É SIMPLESMENTE LOUCA!

"Pera, eu tô indo aí."

Assim que ele desligou do telefone, ele magicamente apareceu na janela do apartamento, vestindo um uniforme meio sujo de quem acabara de limpar janelas.

— Como diabos você apareceu aí? E que roupas são essas?

— É pra isso que serve o balde que eu te falei antes. Aconteceu um "acidente" e as janelas do Viccei ficaram sujas, então eu me ofereci para limpá-las!

— Que seja, QUE LANCE FOI ESSE DE ESFAQUEÁ-LO? Isso não fazia parte do plano!

— C-Calma, é que a Robin achava seu plano muito chato, aí ela me convenceu de trocá-lo. Foi mal por não ter te avisado!

— Escuta aqui. – Me aproximei do ruivo que ria da situação como um bobo, segurei suas roupas sujas e o encarei bem nos olhos. – Se este homem morrer, EU MATO VOCÊ PESSOALMENTE! Entendeu?

— Law-nii, você tá com raiva à toa! A Robin não atingiu nenhuma parte vital, certo? Ele vai ficar bem, não se preocupe. Eu vou procurar pelo cofre.

Eu posso ter me desesperado à toa, mas porra, se esse cara morrer eu não vou poder dormir com o Luffy e ele vai ficar fazendo cu doce até sabe-se lá quando! Então sim, é uma questão de vida ou morte. Assim que o Penguin foi procurar pelo cofre eu liguei pro Luffy.

— Oi, eu–

"Caramba, basta tirar os olhos de você por meio segundo e você já quebra a droga da caneta! E nem vem me falar que foi um acidente, porque eu sei que não foi."

— Foi realmente um acidente, eu juro, eu acabei ficando nervoso. Você achou a mulher? Eu tô procurando o cofre.

"Não achei, botamos algumas pessoas procurando pelo esgoto, mas ela sumiu mesmo. E o Viccei?"

— Ele tá bem, tá dormindo.

"Eu tô indo aí, então. Eu espero que ele realmente esteja bem, viu?"

— Luffy, eu prometi que não iria te decepcionar. Eu posso ser um mentiroso ou um monstro como você gosta de me chamar, mas eu não descumpro promessas.

"Posso realmente acreditar nisso?"

Antes que eu pudesse responder, o Penguin aparece cheio de dinheiro na mão, fazendo um sinal de V com os dedos. Isso significa que ele achou o cofre e já pegou parte do dinheiro pra si, como havíamos combinado antes. Em seguida, ele pulou pela janela e fugiu.

— Achei o cofre, ele é realmente culpado.

"Você consegue abri—lo?"

— Consigo sim.

"Ótimo, eu estou chegando. Se tudo isso que você me falou é verdade, então eu me surpreendi com você, Torao."

— Eu só fiz isso pra você dormir comigo, então não mude de ideia, tá?

"Eu não vou mudar de ideia, não se preocupa. Eu também não deixo de cumprir uma promessa."

Caralho, nem acredito como esse plano maluco deu certo. Eu não tinha ligações nenhuma com a Robin, então não foi mentira eu dizer que não a conhecia. Deixando isso de lado, o Penguin ainda conseguiu pegar parte do dinheiro para nós dois usarmos e o Luffy não suspeita de nada!

Assim que os policiais chegaram, o Viccei foi levado pro hospital e foi dado como culpado. O dinheiro do cofre foi confiscado e o Luffy ficou feliz de ver que, pela primeira vez, eu salvei um homem à beira da morte. Até eu fiquei orgulhoso de mim depois disso.

Chegando na casa dele, depois de tudo resolvido, nós caímos imediatamente no sofá e tiramos as roupas pesadas. O Poodle irritante começou a latir assim que me viu pegando seu precioso dono, mas eu ignorei.

— Ei, Torao... – Antes de continuarmos com os beijos, ele me interrompeu.

— Sim?

— Me diz a verdade, quem era aquela mulher?

— Luffy, eu juro pra você, ela não fazia parte do meu plano. Quer que eu te conte o que eu planejava fazer?

— Quero.

— Hoje de manhã eu fui no laboratório e peguei um líquido que iria fazê-lo dormir na hora, e eu planejava botar na bebida dele. Assim que o Viccei desmaiasse, eu iria levá-lo pra casa como eu fiz.

— ISSO É CRIME! Que saco, eu sabia que não podia confiar em você!

— Mas eu salvei ele, Luffy! Você deveria ficar feliz por isso. Eu não tive culpa dele ser esfaqueado, eu juro. Além disso eu prefiro drogar as pessoas do que matá-las desse jeito.

— Eu vou acreditar dessa vez, já que no final tudo acabou bem. Agora me dá.

— Hm? Te dar o quê?

— A droga que você iria usar no Viccei. Você acha que eu vou te deixar carregar uma coisa tão perigosa assim?

— Ahn... não tá comigo...

Caralho, agora que eu me toquei, eu dei a droga pra Robin usar no Viccei, mas acabou ficando com ela no final. Porra, tava tudo dando certo, por que aquela mulher louca tinha que estragar tudo?!

— Mentiroso, é claro que tá com você! Vai, me dá.

— N-Não tá, eu devo ter deixado cair na correria...

— Quer que eu acredite nisso?

— Você ficou o tempo todo comigo, onde mais eu esconderia a droga?

— Nas roupas...?

Melhor trocar de assunto antes que o Luffy perceba a minha mentira. Ele desconfia de mim por absolutamente tudo, é muito chato isso. Aproveitando que ele estava sentado no sofá, eu sentei em seu colo e tirei minha camisa, lançando-lhe um olhar malicioso.

— Ah, é? Por que você não vem procurar, então?

(...)

Melhor noite da minha vida depois de séculos. Nunca dormi tão bem, nunca acordei tão bem. Existe uma diferença enorme entre você dormir com um monstro vermelho ao seu lado na prisão e de você dormir ao lado de um anjo num palácio.

— Bom dia, Luffy.

— Hoje de manhã, depois de você fazer o meu café, eu vou te levar pra Central de polícia. Lá você vai se comportar direitinho, viu?

— Ah, não...

O dia poderia ser maravilhoso se o Luffy não ficasse toda hora me irritando por causa desse maldito trabalho. É sério que eu vou precisar ficar num escritório? Vai ser o pior dia da minha vida, sem dúvidas.

Mas que seja. Fiz o café da manhã dele e fiz também, o do poodle, que assim como o dono, seguia uma dieta muito específica de carne nas quatro refeições diárias.

E é assim que minha vida seguiu. Eu estou preso à uma corrente, sendo obrigado a servir ao governo britânico e o único pagamento que eu recebo por isso é sexo, já que eles não me dão dinheiro.

Agora tudo o que eu preciso fazer é me encontrar com Penguin pra pegar a minha parte do dinheiro no caso do Viccei. Se ele for de confiança, aí sim eu terei outro parceiro. Aí sim, eu terei me livrado do Kid de uma vez por todas.

Notas finais
Inspirado em: Knightsbridge Security Deposit robbery (Este foi só um prólogo, por isso foi meio blérgh, mas as coisas vão começar a esquentar no próximo capítulo) Por essas vocês não esperavam!! E cá estou eu, como prometido, trazendo a segunda temporada desta fanfic tão maravilhosa. Preciso deixar alguns avisos que eu considero importante. - O Lemon não será censurado. Ou seja, ao final de toda saga (ou no meio) terá vários pornos, já que eu sei que vocês odiavam a 4Kids aparecendo na minha outra fanfic u_u - Cada capítulo terá em média de 3 a 7 mil palavras. Na verdade eu ainda não me decidi. Eu não sei exatamente o que vocês preferem, se vocês querem que eu divida o capítulo pra leitura não ficar muito cansativa ou jogue logo um capítulo de tipo 8 mil palavras. Bom, isso eu vejo com o tempo! ^^ - Contém assuntos de cunho pesado, tais como: Mutilação, Drogas, Estupro, Prostituição, etc. Ou seja, esses tabus que dão audiência. (-nnn) Bom, acho que é isso. =3 Enjoy it!!