Notas iniciais
Como prometido, aí está o capítulo MAMILOS!! É AGORA QUE A COISA FICA ESTRANHA Por incrível que pareça, recomendo ouvir junto com uma música emo e gótica. (Sorry pelo grande número de linhas. Só o Lemon ocupou 4.000) Falando em Lemon, este foi inspirado em uma poesia da Samara Deyse chamada "Sexo"

O céu estava cinza e as nuvens cobriam o sol do final de tarde. Mesmo com o clima nefasto, tudo parecia estar maravilhosamente bem naquele circo, já que as crianças divertiam-se vendo as apresentações. E, uma vez que a grande lona fora aberta, as gotículas de chuva que caiam do céu não assustavam ninguém.

Enquanto o espetáculo acontecia do lado de fora, outro ocorria do lado de dentro. Nosso médico estava por cima do garoto deitado, dando beijos em seu pescoço e levantando sua camisa vermelha, para que pudesse sentir o doce aroma de seu amado.

Os lábios carnudos iam percorrendo a pele lisa do menor, que abraçava o homem, segurando seus cabelos negros e os puxando levemente graças aos arrepios que seu corpo sentia. Pequenos gemidos inconscientes saiam da boca de Luffy, que já ficara excitado com um simples toque.

Indo do pescoço até a bochecha, e da bochecha até os ouvidos, Trafalgar sussurrava com sua voz melodiosa e afável, palavras que facilmente deixariam qualquer um excitado. Tudo isso, deslizando suas grandiosas mãos pelo peito do garoto, o despindo.

Luffy... só de sentir você tão próximo a mim eu já fico com uma vontade louca de nunca mais te soltar... e de te trancar no meu quarto... tudo pra você nunca fugir de mim...

Só o simples conjunto de frases sendo ditos de forma tão erógena e provocadora nos ouvidos do jovem púbere já era motivo de uma verdadeira paixão se formando. Uma paixão verdadeira e ardente, com traços de dominação e obsessão. Uma paixão forte e voraz, que ultrapassava as barreiras do infinito.

Sentia a respiração do outro em sua face, suas mãos passeando seu corpo e suas bocas se aproximando. Com desejo, com amor, com carinho e com calor. Os dois lábios encostaram-se, abertos, deixando que suas línguas fizessem todo o trabalho.

O pano vermelho que cobria Luffy foi retirado com êxito, deixando o corpo do garoto à mostra para que o jovem médico pudesse usufruí-lo da maneira que bem entendesse. Os dois corpos juntaram-se, descobrindo o que se promove nos demais instantes.

As bocas respirando uma na outra, exalando o que sentem e transpirando desejos. Respirando tesão nos pequenos intervalos que separavam-se em busca do tão aclamado oxigênio mas que, mesmo assim, não era motivo nenhum para que continuassem em busca da sintonia perfeita.

Os lábios de Trafalgar foram descendo mais uma vez, rispidamente, arrancando a pele do garoto. Indo do pescoço até o começo do peito e, sucessivamente, até o encontro da região rosada que eram os mamilos de Luffy.

Ei...

Iniciando com leves mordidas, que iam transformando-se em chupões, os lábios de Law puxavam os mamilos do menor, que enroscou suas mãos entorno dos fios negros de cabelo, puxando-os com intuito de arrancá-los, tão forte era o sentimento erógeno que sentia.

Pequenos movimentos com a língua em forma de oito eram o bastante para deixar Luffy mais excitado em ter uma parte de seu corpo tão provocante estimulada. Os mamilos eram beijados levemente e apertados entre os dentes, arrancando gemidos do menor.

O rosto era descido lentamente, por entre a pele lisa do púbere, que sentia todos os arrepios formados na região. Os lábios carnudos faziam questão de deixar pequenas novas marcas por onde iam passando, deslizando do começo do peito até o fim da barriga. Movimentos minuciosos, tudo para excitá-lo ainda mais.

Até chegar a região aclamada, também conhecida como início da cueca. A bermuda de Luffy era abaixada pelas mãos do médico, que seguravam sua lateral e despia até mesmo sua cueca junto. Law olhava para cima, com os lábios encostados na barriga do garoto, que retribuía o olhar malicioso com um rosto corado e quente.

Eu sei que você está me ouvindo...

Finalmente os panos foram abaixados, revelando completamente a nudez que o moreno portara. A área em que Trafalgar tinha o imenso prazer em fazê-la só dele, talvez por simples ciúmes ou qualquer outro sentimento de possessão. Não poderia deixar que ninguém vislumbre da visão provocadora que tinha naquele momento. Era dele e só dele.

Olhando para cima só para provocar, lambeu os próprios lábios antes de abocanhar por completo o membro de seu amado. Posicionou a ereção dentro da boca, batendo a glande na parte interna da bochecha para que o líquido gélido da saliva deixasse Luffy mais excitado do que já estava, se é que era possível.

Com a língua selvagem, conseguiu capturar todo o gosto salgado do amado para si, deixando barulhos propositais escaparem de seus lábios enquanto o chupava. Luffy deixava gemidos saírem automaticamente, segurando os cabelos de Law e o forçando a engolir mais profundo.

Cada vez mais acinzentado o céu ficava. A chuva que caia do céu afogava o coração, que antes chorava e chorava, gritando por um nome inexistente, mas que agora havia sido salvo. Os movimentos com a língua que Trafalgar fazia no membro pulsante de seu amante ganhava força, deixando sua saliva tomar o controle da situação.

Gostosa é a sensação de tocá-lo, beijar todo o corpo quente, unir-se completamente até que, depois de várias rodopiadas com a língua entorno da glande e diversos gemidos que escapavam aleatoriamente, se afogassem juntos em um mar de êxtase.

Ignorando as vozes de Luffy, o moreno chupou-o até atingir o prazer final. O líquido esbranquiçado, tão pouco transparente, foi jogado contra o rosto do médico, que apenas finalizou com um sorriso malicioso, lambendo seus próprios lábios sujos e indo ao encontro de seu amado garoto para arrancar-lhe um beijo.

Não me ignore...

Sentir o gosto de seu beijo delicado, saborear meus lábios com os teus, deixar o calor de sua pele fazer meu corpo se curvar de prazer e a maciez de seu toque, envolver nossos espíritos em um só. Era com esse pensamento que Trafalgar estava, sentindo Luffy cada vez mais perto de si e arrancando o próprio moletom, antes de continuar a prová-lo.

Com o peito já desnudo do companheiro, o garoto pôs-se a tomar iniciativa e virou-o na cama, voltando a beijá-lo e a percorrer com os lábios o pescoço do maior, deixando marcas de chupões do mesmo jeito que o outro fizera anteriormente.

O olhar sedutor que era lançado constantemente contra os olhos cinzentos, agora estavam se fechando para sentir o gosto salgado da pele dourada. Beijos eram dados no peito definido do médico, que abraçava o garoto e dava pequenos arranhões em suas costas.

Luffy desceu e, por fim, encontrou os mamilos do maior, chupando-os com vontade, enquanto suas habilidosas mãos tratavam de despir o cinto que era preso à calça jeans. Dava para sentir o volume formado naquela região tão falada e o prazer de ter seu membro exposto era sentido nesse momento.

Os lábios foram descendo, fazendo o mesmo percurso anterior, indo da região superior até a inferior, ao encontro do local proibido. Os grandes e provocantes olhos eram direcionados para cima, juntamente com um pequeno sorriso safado que era capaz de deixar qualquer pessoa sã, louca.

Por que não me dá outra chance?

Mordendo os próprios lábios e colocando a língua para fora, viu todo aquele corpo repleto de veias saltitantes á sua frente e não resistiu. Sentiu o gosto salgado ao mesmo passo que rodopiava com a língua em torno da glande, antes de colocá-la dentro de sua boca macia e molhada.

Com intuito de provocar o que já estava provocado o suficiente, Luffy pois todo corpo enrijecido em sua boca, deixando que sua garganta pudesse sentir o gosto de seu companheiro. Seus olhos foram novamente direcionados para cima e seu rosto corado, só ficara mais quente ainda.

Gemidos eram soltos e a intensidade da voz só aumentou quando sentiu seus testículos sendo acariciados. Um arrepio enorme foi sentido também, quando a língua molhada do menor deslizou até eles, colocando ambos em sua boca e brincando, com movimentos circulares.

Toda região do membro já estava incrivelmente molhada e lubrificada. Um sentimento de prazer era sentido, junto com a chuva, que só aumentava gradativamente. A tarde caía cada vez em demasia, deixando o cinza transformar-se em negro, assim como os cabelos de Luffy, que foram puxados para cima.

Seus lábios voltaram a encostar um no outro, sentindo o gosto de suas genitálias encontrando-se. O púbere foi novamente jogado na cama, tendo o corpo de seu companheiro em cima do seu. Mais mordidas no pescoço foram dadas assim que as mãos de Law seguraram suas coxas, elevando-as até as próprias costas.

Já mandei não me ignorar...

Posicionando-se e beijando a doce boca de Luffy, o médico finalmente conseguiu adentrar seu estreito corpo. Dentro dele era apertado e quente, permitindo que arrepios e um formigamento subisse por toda sua espinha.

Mais gemidos e gritos de prazer foram dados, junto a outros que não importavam no momento, mas que eram bem diferentes dos de Law e Luffy. O menor segurava com força nos cabelos do maior enquanto era penetrado. Os movimentos de estocada iniciaram-se.

A chuva do local apertou um pouco. Mais gritos foram dados, e mais gritos foram ignorados. A tormenta só aumentara com os movimentos de penetração que eram dados no pobre garoto deitado, que gemia e gemia, tendo seu corpo completamente dominado pelo mais velho.

Gotículas caiam e caim, por todo ambiente, deixando o vasto céu da noite correr pela floresta gélida que havia no local proibido. A simbologia daquele túmulo também fora sentida, intensificando-se mais e mais, até que, por fim, adentrou a mente de uma certa pessoa.

Você vai se arrepender por isso.

Um arrepio enorme é sentido no corpo de Luffy assim que o membro rígido do parceiro atingia sua próstata e todos os seus pontos de prazer. Os gemidos de ambos saiam em harmonia, pouco se importando em quem os ouviria ou não naquela noite. Logo em seguida, sentindo seus corpos friccionarem, o prazer absoluto ser atingido.

O líquido de seus corpos saíram, deixando-os pintados com o mais puro branco. Suas vozes estavam abafadas graças ao sentimento de orgasmo que atingia-os e não demorou muito para que Trafalgar caísse sob o corpo do menor, sentindo seus corações batendo no mesmo ritmo.

─ Luffy... ─ Disse, com uma voz baixa, abraçando o garoto em forma de conchinha e dando beijos em seu pescoço.

─ Hm... ─ Respondeu, segurando as mãos que o abraçavam e sentindo a chuva do lado de fora caindo de uma forma aconchegante.

─ Eu sei que você vai recusar, mas fica comigo mais um pouco?

─ Não posso... daqui há pouco vai ter outra tempestade e eu preciso ir ver o Peter.

─ Tá cedo ainda, o totó deve estar lá no palco. ─ Mais beijos foram dados no pescoço. ─ Fica comigo... ─ E o abraço intensificou-se.

─ Mas nós acabamos de ficar...

─ Não importa... ─ O abraço só ficava mais apertado. ─ Eu preciso de você... ─ E mais. ─ Pra sempre...

─ Você é tão insistente...

─ É que eu te amo.

Deixando a simples frase no ar, Luffy virou seu corpo e os dois olhares se encontraram. Suas testas bateram uma na outra e os dedos de Trafalgar foram tocando o rosto do amado, sentindo seus traços delicados, até finalmente selarem mais um beijo calmo.

Até que, sem mais delongas, ele subiu novamente no corpo de seu amado. As bocas uniram-se uma na outra, sussurrando gemidos. A mais erótica e intensa sensação de amor, de tesão, se inicia, causando espanto nas mentes sãs.

Um forte sentimento de desperto no coração do médico, fazendo-o estremecer-se junto à chuva, que só apertava. Contudo, o que antes era vivo, morre por instantes. Um raio surge indicando que algo está por vir e, minutos depois da rústica trovoada, o ritual se inicia.

... Eu te avisei...

─ Han? ─ Não sabe-se o motivo, só que Law interrompeu seus beijos e ficou encarando o garoto, confuso, por cima dele.

─ O que houve? ─ Indagou Luffy, não entendendo o porque do outro ter parado tão de repente.

─ N-Não, quer dizer, não aconteceu nada. Eu pensei que tinha ouvido alguém falar comigo...

─ Ahn... tá. ─ Continuou confuso, mas tentou desviar sua mente de certos assuntos.

Voltou a beijá-lo com intuito de espairecer sua mente e só sentir o gosto do amado mais de perto, o que funcionou imediatamente. Só a voz suave e delicada batendo em seus ouvidos como um anjo caído em uma tempestade ludibriosa e solitária.

Desviando a atenção dos lábios e descendo até o pescoço, ele dava mais beijos e lambidas, que eram correspondidas com unhas em suas costas. Já estavam ficando excitados novamente, tudo isso sentindo o clima nefasto da tempestade. Raios caiam no terreno como loucos, levando gritos e mais gritos para sabe-se onde.

"Não faz isso... por favor..."
"Você fica tão bonitinho assim... Sweatheart..."

Um mar de gritos adentrou o cérebro de Trafalgar! Não sabe-se o motivo, porém ele sentiu como se uma arma de choque o tivesse atingido com precisão e exatidão. Cores brilhavam na mente perturbada do médico que, em um grito de desespero, pulou e se afastou de Luffy, indo parar do outro lado da cama.

─ S-SAI Daqui... ─ Trafalgar estava completamente hipnotizado, olhando para o garoto mas, ao mesmo tempo, sem olhá-lo de fato. Seu corpo inteiro estava trêmulo, como se houvesse visto um demônio à sua frente.

─ O-O que houve?! ─ Perguntava o menor, querendo se aproximar do pobre médico. Luffy foi em sua direção, preocupado, voltando a ficar perto dele. Trafalgar, no entanto, despertou.

─ Han... ─ Seu coração batia forte e ele ainda estava trêmulo, mas foi voltando ao normal. ─ Luffy?

─ Aconteceu alguma coisa?!

Luffy finalmente se aproximou do outro, segurando seu rosto bem firme e sentando-se junto com Law na cama. Ele observava os olhos cinzentos bem de perto, mas algo estava estranho. Um brilho vermelho encontrava-se perdido no cinza, como um reflexo. Um reflexo da cor do mais puro sangue.

─ N-Não, quer dizer... d-desculpa por isso...

─ S-Seus olhos estão vermelhos... foi alguma coisa que eu fiz?

─ Claro que não. ─ Ignorando o sentimento de desespero que adentrou seu corpo de maneira estranha, para não perder seu costume, ele apenas soltou um leve sorriso e deu um beijo no garoto, acalmando-se. ─ Eu te amo.

─ Sério, tem horas que você me assusta...

─ Deixa isso pra lá. ─ Mais um beijo é dado junto com um sorriso malicioso. ─ Eu tenho coisas mais importantes pra fazer agora.

Deitando com seu corpo mais uma vez, ele obrigou Luffy a andar para trás na cama até ambos estarem estirados nela. Law ainda ficara por cima do garoto, descendo seus beijos até o pescoço, com intenção de irem até o peito.

"Não adianta fugir de mim... já está na hora de você ir dormir..."
"É sério... me deixa em paz..."
"Vamos ficar juntos pra sempre... vem, eu vou cantar pra você..."

─ QUE SACO, CALA BOCA!

Passando dos limites, ele acabou gritando e se afastando do menor mais uma vez, com uma simples diferença. Agora estava em prantos de raiva e seus cabelos eram vítimas disso, já que suas mãos o puxavam com força, tentando arrancá-los e fazer com que aquela maldita voz desaparecesse de sua mente perturbada.

─ É sério, o que tá acontecendo?! ─ Novamente, Luffy foi até ele, tentar acalmá-lo. ─ Desde ontem você tá agindo estranho!

─ Não é nada... ─ Ele tentava desviar o assunto, mas ainda com as mãos nos cabelos.

─ Para de falar que não é nada, é óbvio que é alguma coisa! Por que você não me diz a verdade?

─ Tsc, que saco. Quando eu era criança eu costumava ouvir a voz de uma pessoa durante uma tempestade de raios.

─ S-Sério? ─ Luffy ficou um pouco assustado.

─ Mas isso tinha parado há séculos!

Mini flashback mental

Durante a gélida madrugada, Law e Kid dormiam juntos. Ambos tinham dez e doze anos. Porém, uma chuva de raios aconteceu na região. Trafalgar despertou com um susto e todo seu corpo tremia, como se tivesse acabado de ver um demônio.

─ O que houve?! Perguntou o ruivo, vendo seu único amigo frisando os braços e com olhos arregalados.

É-É ele... Kid...

Quem? O que aconteceu?!

Porém, ao invés de obter como resposta, palavras, Law fez algo que não era de seu costume. Deitou no peito do amigo ruivo, puxando sua camiseta e sentindo o doce aroma de seu corpo. Lágrimas foram derramadas inconscientemente e o tecido branco que Kid usava era puxado com mais força ainda.

─ Kid... me promete uma coisa...

─ O quê? ─ Ele abraça o garoto. ─ Claro, qualquer coisa!

─ Me protege... e fica comigo... pra sempre... não importa o que eu diga... nunca saia do meu lado...

Fim do Mini flashback mental

─ E-Ei, isso é sério?! ─ Luffy ainda não acreditava no fato do companheiro ouvir vozes do além.

─ Por pior que seja, é. Esse cara tem algum tipo de pacto com o demônio! A presença dele é horrível, faz com que você nunca esqueça daqueles olhos e daquela voz infernal, principalmente da música ridícula que ele insistia em cantar pra mim quando eu era criança.

─ Voz, música, tempestade... tudo isso tá me lembrando o Peter. Ele disse que ouve essas mesmas coisas e ainda vê imagens de pessoas sendo queimadas e cortadas vivas.

─ Imagens eu nunca precisei ver, ele matava na minha frente. Dizia que eu tinha que ficar mais maduro e herdar a "vontade" do meu pai, então no meu aniversário de quatro anos ele me trouxe vários corações de animais e também o resto do corpo deles.

─ Quem é esse cara afinal?! Tá me parecendo a mesma pessoa...

─ Tsc, o que mais me irrita é esse poodle desgraçado! Desde ontem isso não me sai da cabeça, mas os dois são idênticos.

─ Se eles são tão parecidos, então esse cara pode ser o pa─

A voz de Luffy fora interrompida por uma grande trovoada seguida de mais raios! O céu brilhava intensificamente com a luz amarelada que corria em grande velocidade e causava catástrofes por onde passasse. O clima ficou mais nefasto do que nunca.

"J.. ior... CAD... VOL...A"

Mais vozes foram ouvidas na cabeça de Trafalgar, que estava em um tormento infinito. Seu corpo todo tremia e ele frisava os braços, ouvindo ruídos e mais ruídos, todos cobertos de gritos de desesperos. Diversas vozes apareciam e sumiam ao mesmo tempo, todas em tons agudos.

─ Luffy...

Seus olhos estavam terrivelmente trêmulos, assim como o resto de seu corpo. Sua boca balbuciava e lágrimas começaram a cair desesperadamente. O brilho vermelho tomou conta do cinza de seu olhar de vez, como a verdadeira visão dos infernos.

"Nã... ch..re... ven.. igo..."

Ele ouvia somente uma música, sendo tocada com uma voz quebradiça, como se estivesse sendo usada como forma de tortura. Luffy é claro, ficou assustado ao ver o companheiro pálido e tremendo daquele jeito, então o abraçou. O abraçou forte, querendo transmitir um pouco do seu calor àquele corpo frio.

─ Torao, fica calmo... por favor...

─ Luffy... ─ Ele segurou nas costas nuas do garoto, quase arrancando-lhe sangue de tanto que arranhava. O garoto não se importou, apenas abraçou-o mais forte ainda, para que este ficasse seguro consigo. Nunca havia visto Trafalgar agir daquela maneira.

─ Não se preocupa... eu não vou te deixar sozinho...

─ Eu não queria que você me visse assim... não faz o meu tipo...

─ Esquece isso, não tem problema nenhum.

Luffy se afasta um pouco, levantando o rosto do companheiro e fazendo seus olhos avermelhados irem em direção aos dele. Os dois ficaram se olhando bem de perto, sendo que o menor tinha um leve sorriso nos lábios. Um sorriso de proteção, que fez com que Law se acalma-se.

─ Eu preciso de você... mais do que nunca...

Suas testas batiam uma nas outras e ambos se olhavam intrinsecamente. Os profundos olhos castanhos do menor faziam o coração de Law voltar aos ritmos cardíacos normais, e o pequeno sorriso, que sempre foi conhecido por ser o mais belo de todos, somente o dava mais certeza do amor e confiança que sentia naquele garoto.

─ Não se preocupa, eu vou ficar com você e vou te proteger. Nunca vou sair do seu lado e te deixar sozinho.

─ Pra sempre? ─ Ele disse em voz baixa, tendo suas lágrimas parado de escorrer. Seus olhos avermelhados foram voltando a cor original, brilhantes.

─ Até o meu último suspiro. E até lá, eu vou te abraçar todos os dias até que você nunca se esqueça, que eu sempre vou estar com você, Torao.

As vozes finalmente cessaram, junto com a tempestade revoltante. Só de ver aquele amado rosto tão próximo ao seu, com os olhos brilhantes e o leve sorriso carinhoso, Law ficou calmo. Seus olhos foram se fechando lentamente, a medida que o rosto de Luffy ia se aproximando para, enfim, arrancar-lhe um beijo.

Luffy P.O.V

Chega até a ser estranho ver o Torao desse jeito, principalmente com esse assunto de ouvir vozes na cabeça durante a tempestade que eu ainda não entendi muito bem, mas no fundo, eu fico feliz de ver que ele confia em mim aponto de me abraçar desse jeito. Ele realmente mudou demais desde que nos conhecemos.

Dei um beijo lento nele, para que parasse de chorar e pelo visto funcionou. A chuva também parou, apesar de ainda caírem algumas pequenas gotas do céu, mas pelo menos não têm mais raios ou trovoadas. Parece que a voz sumiu e os olhos dele voltaram a linda cor original.

Deitei-o na cama mais uma vez, ficando por cima dele e o beijando. Seus lábios estavam doces como o mel e ele me abraçava, bem forte, para que nossos corpos nus nunca se separassem. Desviei meus beijos até sua orelha e pescoço e pude perceber, o Torao estava bem mais sensível e os gemidos saiam quentes e abafados, instantaneamente.

Notei que ele ficara excitado só de sentir meus lábios em seu peito, e eu também estava do mesmo jeito, só de sentir seu coração batendo daquela maneira e sua voz tão calma e suave, além do corpo dele, que ficara sensível e muito bom de beijar.

Em nenhum momento ele parou de me abraçar e sempre segurava em meu cabelo, puxando-me para mais um beijo. Eu o estava masturbando com uma de minhas mãos, soltando mordidas por todo seu pescoço. Ele apenas soltava gemidos e chamava meu nome, o que me deixava facilmente excitado.

Seu corpo estava relaxado o suficiente e eu desviei minhas mãos até suas coxas, sentindo-as aproximarem de meu tronco enquanto nos beijávamos. Seus braços e pernas abraçavam minhas costas, e suas mãos puxavam um pouco mais do meu cabelo, permitindo que nossos corpos se unissem mais do que nunca.

Adentrei-o, posicionando meu membro contra sua entrada. De primeira ouvi um grito saindo de sua boca na altura dos meus ouvidos, mas logo o calei com mais beijos. Graças a voz abafada, nossas salivas saiam instantaneamente, junto com nossos gemidos, que estavam em sintonia.

Iniciei os movimentos de estocada, sentindo tanto o calor de nossos corpos quanto o doce frio da noite que, misturado ao cheiro de orvalho no final da chuva, só nos deixava mais confortáveis e unidos. Assim que já ficáramos estimulados o suficiente juntos, senti ele gozando em minha barriga e, logo depois, fui dentro dele, caindo em seu peito em seguida.

Luffy P.O.V off

Com ambos corações batendo em um ritmo acelerado de pós orgasmo, Luffy estava deitado no peito de Trafalgar, esperando suas respirações se acalmarem e sentindo um cafune sendo feito em sua cabeça, seguido de alguns beijos. Os dois rapazes ficaram naquele clima suave por um bom tempo, até o menor quebrar o silêncio.

─ Já está melhor, Torao?

─ Já. ─ Ele dá um leve sorriso, dando mais beijos nos cabelos negros de Luffy.

─ Bom, então vamos embora. ─ Ele simplesmente sentou-se na cama, botando sua cueca e sua calça.

─ Ah, não... odeio quando você faz isso...

─ Caramba, são oito da noite! Há quanto tempo nós estamos aqui?

─ Sei lá, há umas cinco ou seis horas. Pouquíssimo tempo, eu preciso de mais.

─ Eu preciso ir ver o Peter! Eu tinha prometido que ficaria com ele se houvesse alguma tempestade, mas aí eu descubro que você tem o mesmo problema.

─ Não tenho, não me compare com aquele cachorro. Foi só um deslize.

─ Claro. Hoje eu vou dormir com ele, mas amanhã nos vamos embora e você vai me contar tudo sobre essa voz demoníaca, tá?

─ Tá, eu conto. Tsc, que saco, eu venho a esse circo infernal com intuito de dormir contigo e tenho que dividir você com um cachorro que age igual ao capeta do Adams.

─ Ah, então o capeta tem nome, eu vou pesquisar mais sobre ele. Só uma pergunta, esse "Adams" trabalha em quê?

─ Luffy, não, ele não é o pai do Poodle. Amanhã eu te falo mais sobre ele, mas por enquanto eu preciso dormir e esquecer essa coisa.

(…)

Após botarem as roupas, Trafalgar insistiu em levar Luffy até seu quarto antes de se despedirem, então ambos foram andando até lá. Por sorte a chuva já havia cessado completamente e o céu estava totalmente escuro, com um vento incrivelmente gelado correndo. Porém, assim que chegaram no quarto de Luffy, notaram algo estranho.

─ Ué, cadê o Peter? ─ O quarto estava completamente vazio.

─ Eita, o Poodle fugiu, chamem a carrocinha...

─ P-Por que ele não tá aqui? Onde ele estaria uma hora dessas em um lugar como esse? ─ Luffy fica aflito, com vários pensamentos ruins rondando sua cabeça.

─ Ele deve ter ficado com medo da chuva e foi cavar um buraco pra se esconder.

─ Para com isso, não tem graça nenhuma! E se ele tiver sido sequestrado?

─ Claro que não, Luffy. Quem diabos sequestraria um Poodle?

─ Nós estamos procurando por crianças desaparecidas, uma criança some no meio do nada. O que você quer que eu pense?!

─ Eu sei o que eu estou pensando. ─ Law lança um sorriso malicioso. ─ Vamos dormir juntos!

─ Nem pensar, nós vamos procurar pelo Peter!

─ Ah, não...

─ Eu vou falar com o Dellinger, ele deve saber de alguma coisa. Você vem comigo.

Contra a vontade do médico que queria apenas descansar com o moreno, ambos foram até o quarto de Dellinger, que também ficava no circo. Chegando lá, Luffy bateu à porta com raiva, querendo ser atendido imediatamente. O loiro, entretanto, saiu com a maior calma do mundo e com o rosto estranho.

─ QUE PORRA É ESSA NA SUA CARA? ─ Exclamou Law, ao ver seu irmão mais novo.

─ Máscara facial, uma coisa que você deveria conhecer. ─ O rosto dele estava verde e fedia a pepino. ─ Posso saber o que vocês querem, interrompendo o meu precioso sono de beleza?

─ Onde tá o Peter?! ─ Indagou Luffy, diretamente.

─ Ah, vocês precisavam ver! ─ Dellinger mudou seu humor, ficando automaticamente feliz e dando pequenos pulos de alegria. ─ Foi muito emocionante, digno de filme americano!

─ O que aconteceu?

─ Se vocês não tivessem fugido das suas responsabilidades MAIS UMA VEZ vocês poderiam ter visto, mas tudo bem, eu vou contar. O pai dele veio buscá-lo e ele saiu daqui um pouco mais cedo.

─ Pai? ─ Indagaram em coro. Luffy ficou ainda mais aflito, já querendo saber de uma vez por todas quem era o homem por trás de tudo. Law ficou tranquilo, por não ser quem ele suspeitara.

─ É, o pai dele veio buscá-lo. Foi muito lindo, cheio de lágrimas e tal! Hahaha, vocês tinham que ter visto a cara que o Peter fez quando soube quem era o pai dele!

─ E-Ei, pelo menos me diz! ─ Luffy se aproxima de Dellinger. ─ Qual é o nome do pai dele?

─ Sei lá, não perguntei.

─ Você deixou uma criança sair com um desconhecido e nem perguntou o nome?

─ O que você queria que eu tivesse feito? Impedido o pai e o filho de se encontrarem, fazer cosplay de Angelina Jolie e adotar o garoto?

─ Não, mas pelo menos podia perguntar o nome!

─ Se bem que eu gostaria de ser casado com o Brad Pitt...

─ Para de mudar de assunto! Argh, agora eu tô começando a acreditar que você e o Torao são mesmo irmãos...

─ Ei.

─ Ah sim, então eu tenho uma boa noticia pra você, Law. Agora você já pode dormir com o Luffy!

─ ALELUIA! ─ Ele dá um grito de felicidade, jogando as mãos para o céu.

─ Então é isso, não me atrapalhem mais. Beijos de purpurina! ─ Dellinger entra em seu quarto e tranca a porta, deixando os garotos sozinhos.

(...)

Mesmo Luffy não gostando nada da situação e ficado preocupado com o fato de seu novo amigo ter sido, possivelmente, sequestrado, ele acaba indo para seu quarto junto com Trafalgar, que estava tendo um ataque de felicidade interno. Ambos estavam sentados na cama debaixo da beliche.

─ Finalmente sós... ─ Disse Law, dando beijos no pescoço do garoto, que olhava para baixo, pensando em Peter.

─ Torao, é sério, eu não tô gostando nada disso.

─ Luffy, relaxa. Eles não se vêem há anos, não é? Deveríamos ficar felizes pelo totó.

─ Um circo suspeito por sequestro de crianças. O Peter sendo tirado do orfanato pra vir até aqui. O pai dele aparecendo do nada e o levando, sem ao menos se despedir. Você não acha isso estranho? Ou você simplesmente não liga?

─ Foi mal, eu só consigo pensar que nós dois vamos finalmente dormir juntinhos depois de tanto tempo de espera. ─ Ele continua dando beijos no pescoço do garoto.

─ E ainda tem o fato desse demônio aí chamado Adams...

─ Pela última vez, o Adams NÃO é o pai do Poodle! Isso é impossível!

─ Como você pode afirmar isso com tanta certeza? Pra mim tá meio óbvio e eu nem conheço o cara!

─ Claro, se você o conhecesse você saberia que é impossível! Como eu posso dizer... ele é uma mistura de Kid com Dellinger.

─ Eu imagino que seja uma pessoa ruim e é exatamente por isso que eu me preocupo! E eu preciso de provas mais concretas do que "Uma mistura de Kid com Dellinger".

─ Tá, ele morreu. Essa é uma prova bem concreta e isso significa que não tem como ele ter vindo aqui e pegado o Poodle!

─ Você viu o corpo dele?

─ Como assim?

─ Você tem provas de que ele morreu de verdade? Que eu saiba, demônios podem muito bem forjar a própria morte.

─ Luffy, para com isso, não existe nenhuma probabilidade do Poodle ser filho do Adams!

─ Tsc, você também não ajuda. Quer saber? Eu vou liga pro Zoro e pedir pra ele pesquisar a família da Elizabeth Lewis, que é a mãe do Peter.

─ E-Espera... p-pera, o que você disse? ─ Law ficou pálido.

─ Que eu vou ligar pro Zoro.

─ N-N-Não, a outra parte... o nome da Senhora Poodle.

─ Elizabeth?

Mini flashback mental de quinze anos atrás.

"JUNIOR, ME AAAMEEE!!"

─ Que foi, tio? Já mandei não me ligar.

"Ah, eu só liguei pra te dar um aviso. O Kirakira vai morar na Inglaterra com você e o Leãozinho!" [N/A: Kirakira significa Glitter em japonês]

─ O QUÊ? NÃO! POR QUÊ?!

"Ele fez dezoito anos agora, é um costume de família. Os filhos precisam matar os pais quando atingem a maior idade pra se livrar de sentimentos inúteis."

─ Tsc, que saco. Minha vida tava tão fácil com vocês dois morando nos EUA...

"Os tempos estão mudando. Agora que você tá com o Loiro Magia, eu decidi dar um novo rumo na minha vida."

─ Sinceramente? Foda-se. Agora eu vou desligar, tchau.

"C-C-Calma, deixa eu te contar! Eu conheci uma mulher chamada Elizabeth Lewis e nó─"

─ Não quero saber, eu tô estudando e a sua vida não me interessa.

"Ain, como você é malvado... eu gosto tanto de você e você vive me dando foras..."

─ Tchau.

Fim do mini flashback mental

─ AI MEU DEUS, O POODLE É FILHO DO ADAMS!

─ EU SABIA!

─ O mundo tá perdido... ─ Law estava em prantos de desespero, analisando tudo em sua mente.

─ Ótimo, pelo menos agora nós temos um suspeito sobre o desaparecimento das crianças. Isso significa qu─

─ O ADAMS TÁ VIVO?! ─ Demorou, mas percebeu.

─ Quem é esse Adams afinal? Ele é outro médico assassino?

─ Ele é meu tio...

─ QUÊ? P-Primeiro a sua família tava morta, aí você me aparece com um irmão e agora você quer me dizer que o Peter é seu primo?

─ Primo o caralho! Não é tio de verdade, é que eu chamava ele assim antigamente. E PORRA, O ADAMS É PAI?!

─ É tão chocante assim?

─ É, inacreditável! Eu podia passar a noite toda argumentando o motivo de isso tudo ser impossível, mas eu preciso te contar uma coisa, Luffy.

─ O que é? Me conta tudo!

─ Se o Adams tá metido nisso tudo, então eu me recuso a ficar aqui. Eu vou pra casa. ─ Law se levanta, indo fazer suas malas.

─ Não vai, não! Você vai me contar tudo sobre o Adams e nós vamos salvar o Peter!

─ Salvar? ─ Ele fica com um semblante sério e vai até Luffy novamente, olhando bem fundo nos olhos do garoto e segurando seus ombros. ─ Eu preciso te contar uma coisa e eu quero que você me ouça com calma.

─ O quê..?

─ Provavelmente, enquanto nós conversamos, o Poodle já deve estar morto.

─ Han? ─ Só com aquela simples palavras, sendo levadas pelo vento noturno, Luffy já ficou um tanto perplexo. Seus olhos perderam o brilho só de imaginar o pequeno amigo tendo sido assassinado de maneira tão rápida, sem que ambos pudessem ao menos se despedir. Um silêncio foi criado.

─ Eu sei que você não quer ouvir isso, mas eu só estou sendo sincero.

─ Como você pode afirmar isso com tanta certeza?

─ Porque eu conheço o Adams.

─ Claro que não! ─ Ele fica nervoso. ─ Há poucos segundos atrás você achava que ele tava morto, então você não está em posição de afirmar nada com certeza!

─ É, eu sei que eu errei em não ter me ligado antes, mas isso não quer dizer que as coisas mudaram! Olha, Luffy, eu acho que eu sei onde estão as crianças sequestradas.

─ Ótimo, então me fala!

─ Você não vai gostar de saber...

Mini flashback mental, Law com seis anos.

Em uma tarde qualquer, o pequeno Trafalgar estava andando por sua casa como uma criança normal, até escutar gritos vindo em direção ao laboratório que havia lá. Ele resolveu espiar, e percebeu que Adams e seu pai estavam brigando como loucos.

─ M-Mas, mozão..!

─ NÃO ME CHAMA ASSIM, CARALHO! É essa sua mania de apelidar os outros que torna você uma pessoa insuportável!

─ Não fica assim, por favor, limãozinho. Olha, eu vou jogar um pouco de açúcar em você e nós dois vamos voltar a nos entender e a sermos felizes!

─ Vai à merda! Você percebe o que você fez, Adams?!

─ Salvei a sua pesquisa! A única pessoa que não tá percebendo isso, é VOCÊ!

─ Hã? Você não pode usar crianças nessa pesquisa, eu já disse isso! Você é doente?!

─ Por que não? Funcionou muito bem com elas, você já viu o quão perfeito o meu rosto está? Eu estou com a pele da Gisele Bundchen! Pareço uma modelo!

─ VOCÊ É UM PEDÓFILO, ISSO SIM!

─ Lamber sangue de crianças não é pedofilia, enfia isso na sua cabeça! E o delas é mais docinho, não tenho culpa de ser melhor.

─ Mas que merda, cara? Você é um vampiro pedófilo! Não lamba o sangue dos outros!

─ M-Mas, Hayhay...

─ Não me chama assim!

─ O-Olha, você tá muito nervosinho, vamos fazer o seguinte. A gente bota Rouge pra tocar e se perde no ritmo Ragatanga até os nossos problemas acabarem! Que tal?

─ SAI DA MINHA CASA, AGORA!

─ T-Tá, e-eu até saio, mas eu vou levar o Júnior comigo. Parece que o pai tá meio moralista demais...

─ FICA LONGE DO MEU FILHO! Olha aqui, eu não quero que você encoste UM DEDO no Law! Entendeu? Você é uma péssima influência!

─ Ah, não! Eu já amo esse garoto como se ele tivesse saído de dentro de mim, por favor não nos separe! Nós dois temos um futuro LINDO PELA FRENTE! POR FAVOR MOZÃO, NÃO FAZ ISSO! Por favor, por favor, POR FAVOR, POR FAVOR! Por favor...

─ VAZA DAQUI, ADAMS!

Fim do Mini flashback mental.

─ Eu te contei que, antigamente, meu pai guardava vários cadáveres dentro de uma sala lá em casa, não é?

─ Sim, disso eu lembro.

─ Ele fazia uma espécie de pesquisa com os mortos, tinha até alguns livros. Eu não cheguei a ler porque eu nunca me interessei por essas coisas, então eu não sei bem no que a pesquisa consistia, mas o Adams queria usar crianças no lugar dos adultos.

─ Então ele sequestrou as crianças pra usar de cobaia? Ele usaria o próprio filho nisso?!

─ Falando em filho, tem outra coisa me incomodando. O Adams e o Kira eram tipo, super melhores amigos. Eles moravam juntos nos Estados Unidos e viviam grudados. Não faz sentido o Kira ter matado o Poodle original.

─ O que você quer dizer com isso? Que foi o Adams que matou o outro Peter?

─ Não sei, talvez ele tenha usado o Poodle original como cobaia também. Enfim, eu vou te contar uma coisa que até hoje ninguém sabe.

─ Ótimo, eu quero que você me conte tudo.

─ O Adams trabalhava no FBI e era ele quem mandava o Kira matar os agentes. Até hoje nunca o culparam por nada, o Kira sempre levou a culpa sozinho.

─ S-Sério? Nossa, esse Adams pelo visto é horrível...

─ Luffy, talvez o Poodle esteja vivo sim, eu não sei direito como funciona essa pesquisa. Tudo o que eu sei é que o Adams dava veneno às crianças, tanto é que ele tentou fazer isso comigo várias vezes.

─ Veneno? Então foi ele, o Peter me disse que o irmão tinha sido assassinado por envenenamento.

─ Então foi isso, o Kira nunca mataria alguém usando veneno, ele gosta de sangue. Mas, espera aí...

─ O que foi agora?

─ O veneno não matava. Eu lembro, ele injetava aquilo em um doce qualquer e dava pras crianças comerem. Uma vez ele deu pro Kid e, quando o Kid comeu, ele dormiu por três dias. Nós pensamos que ele tava morto, até fizemos um pequeno funeral, mas ele estava vivo...

─ P-Pera, isso quer dizer que...

─ Tem chances dos dois Poodles estarem vivos. E, se isso for verdade, o reencontro familiar deve tá mais emocionante do que a gente pensa.

─ A GENTE PRECISA IR AGORA VER O ADAMS! Você sabe onde ele mora?!

─ Sei, na Mansão da Família Adams.

─ Eu tô falando sério, para de fazer piada!

─ Não é piada, é o nome da casa. O Adams é maluquinho.

─ Tsc, que seja, a gente tá perdendo tempo! É muito longe?

(...)

Saíram do circo finalmente, sem nem ao menos se despedirem de Dellinger ou qualquer outra pessoa, e foram para o carro. Luffy estava dirigindo o mais depressa possível enquanto Trafalgar olhava pela janela, apreensivo, estalando seus próprios dedos para tentar se acalmar. Estava aflito.

─ L-Luffy, eu preciso te contar uma coisa...

─ Eu tô adorando ver que você tá me contando tudo, Torao, continue assim e nunca mais esconda nada de mim.

─ Não é sobre o Adams, é mais pessoal.

─ O que foi?

─ Quando eu fiz dezessete anos e terminei a faculdade, eu fui morar com o Kid e com uma terceira pessoa lá na Mansão da Família Adams.

─ Quem é a terceira pessoa, o Kira?

─ N-Não. Ele morreu há muito tempo e, inclusive, o corpo está enterrado no jardim. Eu tenho muitas memórias ruins sobre aquela Mansão, não sei se eu estou pronto pra voltar pra lá tão de repente.

─ Bom, eu sinto muito por isso, mas nós precisamos. É o nosso trabalho.

─ Eu sei, é que é muita coisa de uma só vez. Há pouco tempo eu nem sonhava que o Adams estaria vivo, e eu até agora não entendi como isso é possível, mas eu não gosto disso. Ele era horrível, eu odiava ele com todas as minhas forças, e ele foi responsável pelos dois piores anos da minha vida.

─ Que dois piores anos?

─ Desculpa, isso eu não posso te contar, mas eu quero que você saiba. Foi graças ao Adams que eu iniciei a minha vida lá na clínica, como assassino.

─ S-Sério..?

─ Ele cismou que eu tinha que "herdar" a pesquisa do meu pai, então ele comprou a clínica e colocou no meu nome. Eu comecei a trabalhar lá assim.

─ Nossa, eu nem conheço esse Adams, mas eu já odeio ele.

─ Luffy, aconteça o que acontecer naquela casa, não sai de perto de mim. Eu não quero nem pensar nisso, mas talvez o Adams tente te matar.

─ Eu não tenho o menor medo dele. Tudo o que eu quero é salvar o Peter... e talvez o irmão dele também...

─ Tsc, que saco, agora vão ter três Poodles me infernizando. Eu espero que a minha teoria esteja incorreta.

(…)

Finalmente, chegaram na tão aclamada Mansão! O terreno do jardim era enorme e a grama estava molhada graças a recente tempestade e, por entre os ventos, o doce aroma do orvalho da noite permanecia. Trafalgar estava terrivelmente nervoso em reaver aquele local, mas precisava fazê-lo pelo bem de sua relação com Luffy.

A Mansão era realmente enorme e completamente negra. Parecia ser uma casa bem velha por fora, mas conservada. O jardim também não deixava a desejar, o gramado era regado constantemente e belíssimo, sendo muito bem cuidado.

─ Então é aqui. ─ Law estava parado, em pé, de frente para a Mansão com Luffy ao seu lado. O vento batia e deixava que as roupas de ambos rapazes voasse enquanto eles admiravam aquela casa, dramaticamente.

─ Eu sinto muito por lhe fazer ter lembranças ruins, Torao.

─ Tudo bem, não é culpa s─

─ Oh, Law, é você. Quanto tempo.

Uma voz feminina surgiu por detrás dos rapazes, e ela não parecia emitir qualquer tipo de sentimento. Era como se aquela mulher realmente não sentisse nada, estivesse vivendo de aparências. E falando em aparências, assim que Luffy a viu, não pode deixar de levar um susto.

─ O-O-O Que aconteceu com você? V-Você tá bem?!

─ Cindry! ─ Exclama Law, preocupado, indo até a mulher e segurando seus ombros.

Quando se conheceram, Cindry era uma jovem mulher loira, bem sorridente. Ela era uma pessoa otimista e cheia de alegria, porém, atualmente não estava assim. Sua pele estava cinza graças a falta de circulação sanguínea e sua face estava toda costurada, cheia de remendas. Como tivesse sofrido vários cortes profundos e precisasse de um rosto novo.

─ Eu odeio pratos. ─ Ela também segurava vários pratos e começou a jogá-los no chão, assustando ainda mais Luffy.

─ Cindry, calma! O que houve com você? Foram o Adams e o Kira?

─ O Kira é um garoto bem energético, ele e o Adams ficaram muito felizes e comemoraram. Não aconteceu nada demais.

─ E-Ei, v-você tá bem mesmo? ─ Exclama Luffy. ─ Quer que eu chame um médico?!

─ Médico? ─ Ela fala. ─ Todos aqui são excelentes médicos. Tanto o Law, como o Kira e até mesmo o Kid. Todos foram treinados pelo Adams. Os quatro eram jovens bem unidos, não é? E felizes também.

─ I-Isso é sério..?

─ A Cindry é a empregada daqui. ─ Explica Law. ─ E era ela quem cuidava da casa quando o Adams estava nos Estados Unidos também.

─ Sim, isso mesmo. ─ Ela confirma. ─ E você, Law, veio aqui para vê-lo?

─ É, eu vim ver o Adams. Ele está aqui, não é?

─ Não é ao Adams que eu havia me referido.

─ Não?

─ Já faz tanto tempo, não é? Vocês quatro eram jovens bem unidos, não é? E felizes também.

─ E-Ei, Cindry...

─ Os quatro eram jovens bem unidos... e felizes... não é?

─ Quatro? ─ Indaga Luffy. ─ Quem é essa tal terceira pessoa?

─ Os quatro eram... jovens bem unidos... não é, Law? Bem unidos e felizes...

─ Cindry, eu acho que já entendemos essa parte. Eu só quero entrar na Mansão mesmo.

─ Por que você os traiu, Law?

─ Hein?

─ A culpa é sua. Eu odeio pratos. ─ Ela joga mais alguns no chão. ─ Ele costumava quebrar todos os meus pratos...

─ C-Cindry...

─ Por que não vai visitá-lo, Law? Ele sente sua falta.

─ Eu não sei se devo...

─ E qual é o problema? É sempre bom relembrar os momentos felizes. Momentos felizes... união... traição.

Cindry acabou os convencendo a ir visitar o tal túmulo, mesmo sendo contra a vontade do médico, que cerrava os próprios punhos e andava com insegurança. Luffy não entendeu muita coisa, estava preocupado, mas ao mesmo tempo queria saber quem era a terceira pessoa. Até que, finalmente, chegaram ao pequeno cemitério que lá havia.

─ Então é isso. ─ Afirma Luffy, assim que viu o túmulo do tão falado. De praxe ele já entendeu o motivo de Trafalgar parecer tão aflito, então perguntas foram desnecessárias.

─ Eu nunca pensei que o veria de novo... ─ Law estava melancólico e olhava para aquela sepultura, tendo vários sentimentos tristes de nostalgia. O nome que estava escrito naquele túmulo também era conhecido.

Mini flashback mental, Law com 17 anos.

─ EU NÃO ACREDITO NISSO, LAW!

─ O que foi agora, ruivo idiota?

Enquanto Kid e seu amigo discutiam, dentro da Mansão, uma certa pessoa se manifestava. Era um tanto desengonçado e, por isso, ao mesmo tempo que os dois jovens conversavam, ele tentava se equilibrar. Mal havia chegado na grande casa e já tropeçara, apoiando-se no vaso mais caro da sala de estar, derrubando-o e quebrando tudo no chão. Como se já não bastasse, seu ombro estava pegando fogo também.

─ VOCÊ TROUXE O IRMÃO-DA-PERDIÇÃO PRA CÁ?!

─ Não chama ele assim!

─ Cara, você ficou maluco! Por que você fez isso?

─ Hã? Olha aqui, eu vim morar com ELE. Quem veio de penetra foi VOCÊ!

─ Como é que é? Você conhece esse TRAIDOR há dois anos, enquanto a mim você conhece há oito! E eu preciso te falar que você morou na MINHA casa durante todo esse tempo?!

─ Foda-se.

─ Leãozinho, para com isso, não me odeie! ─ A terceira pessoa se manifestou, indo em direção a Kid, com o corpo todo cheio de ferimentos por ter tropeçado em alguns pratos, que se quebraram nele.

─ Não me chama de Leãozinho, traidor!

─ Não me chame de traidor, Leãozinho!

─ Hã? Eu te chamo como eu quiser, Irmão-da-perdição!

─ PAREM COM ESSES APELIDOS! ─ Exclama Law, com raiva. ─ Nomes foram inventados para serem USADOS.

─ Ei, Irmão-da-perdição. ─ Kid ignora os gritos do outro.

─ Oi.

─ Seu ombro tá pegando fogo.

─ AI MEU DEUS!

E, novamente, ele saiu correndo para os quatro cantos da casa, tentando apagar o fogo. Tudo o que conseguiu foi mais ferimentos, vasos e pratos quebrados.

─ Porra, Kid, não assusta ele!

─ Law, me ouve! Você não pode deixar ele viver aqui, é suicídio!

─ Para com isso, que merda!

─ Você não percebe o quão errado isso é? Você trouxe esse traidor justamente pra casa do Adams! Ele não vai durar muito tempo, Law, ele vai morrer!

─ ELE NÃO VAI MORRER, PARA DE FALAR ISSO!

─ É claro que vai, isso foi suicídio!

─ Quem vai morrer vai ser você se não parar de falar merda, ruivo idiota!

─ Argh, por que você não me ouve?!

─ Porque você só fala merda!

─ Eu tô tentando te alertar! Sabe por quê? Porque quando esse desgraçado morrer, adivinha quem vai ficar com você como sempre? EU!

─ CALA BOCA, EU NÃO PRECISO DE VOCÊ! ELE NÃO VAI MORRER!

─ VAI SIM. Vai morrer, você vai começar a chorar e vai vir correndo pra cima de mim, porque é só pra isso que eu sirvo. Pra salvar você de si mesmo e da sua família maluca!

─ Hã? Você nunca me salvou, ruivo idiota, você só me atrapalha!

─ Como é que é? Eu salvei sua vida pela segunda vez há cinco minutos atrás!

─ Não, quem me salvou foi ele!

─ Hã? Ele só tropeçou!

─ MAS ELE TROPEÇOU POR MIM!

Kid ficou grunhindo os dentes e cerrando os punhos de raiva, querendo arrancar seus fios vermelhos de cabelo um por um.

─ Argh, vai se foder então, ingrato! Só não vem chorar pra cima de mim quando ele morrer.

─ Ele nunca vai morrer! NUNCA! NUNCA, NUNCA, NUNCA, NUNCA, NUNCA!

Mini flashback off

Nas escrituras da sepultura...

Donquixote Rosinante
(20 anos)
"Cora-san"

Notas finais
Ficou tão polêmico quanto eu acho que ficou? Próximo capítulo vão começar as MORTES!! "Mas autor-senpai, já tiveram mortes. Lembra do Caesar?" Eu quis dizer morte de pessoas importantes. Próximo capítulo o Torao também vai descobrir que o Luffy teve ASMA na infância! ( ͡° ͜ʖ ͡°) (Só quem viu Kuroshitsuji manja) Aliás, vocês gostam de flashbacks tanto quanto eu? -q