Poemas Profanos: Coração Necrótico
1 Sinfonia Profana
Sentado sozinho em um canto
A luz machuca meus olhos
As lágrimas ardem ao rosto
Sozinho, rejeitado, abandonado
Ó dor, porque me atormenta?
Porque me atormenta?
Por quê?!
De repente, uma sombra
A escuridão engole a luz
O corpo da deusa se ergue sobre mim
Com suas asas de penas negras
Com seus olhos azuis das estrelas
O cabelo negro esvoaçante sob a brisa
Tão perfeita...
Meus olhos não merecem te contemplar
Segundos de eternidade se passam
‘’A escolha é sua, meu caro poeta’’
A voz era sedutora, lábios alucinantes
Eu escolhi... e sua mão de pele suave
Tirou-me da luz, ceifou minha ignorância
Uma maldição caiu sob mim
Agora posso ver, sentir
Olhos de poeta, de emissário da Morte
A luz se esvaiu
Névoa negra e fria
Agora, minha realidade.
Na noite, no véu noturno
Com as estrelas como testemunha
Não temerei o desconhecido
Nasci novamente
Moldado em ódio
Os ossos duros como estacas
Olhos de ceifador
Alma corroída por chamas frias
A dor é trucidante
Grito em silêncio, no vazio
O paradoxo entre a vida e a morte
O amor é o ódio
O incêndio queima meus inimigos
A dor que eu sinto os castiga
Deixe as risadas de escárnio
Preencher as trevas
Rios virarão sangue
O céu será riscado
Meu tormento levará a humanidade
Ao fim, ao desconhecido, ao Inferno...
Eu já consigo ouvir
Os sinos infernais
Os murmúrios, os últimos suspiros
A misericórdia apenas alimenta o demônio
Seja bem vindo ao meu odioso mundo novo
Ao Caos!
Mas...
Por onde andas minha deusa?
Construí um novo mundo
Para o poeta e sua musa
Não... não!
Seus olhos azuis soltaram uma última lágrima
Suas asas alçaram vôo
Ela se foi, me deu as costas
Minha deusa, minha musa
Por que se foi?
Por quê?
Fui abandonado, inconformado
O amor me foi roubado
Apenas me resta ódio e mais dor
Voltei ao inicio...
Sozinho em um canto agora escuro
Chorando lágrimas de sangue
Entalhando versos fúnebres na pedra
Ainda esperançoso...
Ainda na esperança de liberdade.
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