Sentado sozinho em um canto

A luz machuca meus olhos

As lágrimas ardem ao rosto

Sozinho, rejeitado, abandonado

Ó dor, porque me atormenta?

Porque me atormenta?

Por quê?!

De repente, uma sombra

A escuridão engole a luz

O corpo da deusa se ergue sobre mim

Com suas asas de penas negras

Com seus olhos azuis das estrelas

O cabelo negro esvoaçante sob a brisa

Tão perfeita...

Meus olhos não merecem te contemplar

Segundos de eternidade se passam

‘’A escolha é sua, meu caro poeta’’

A voz era sedutora, lábios alucinantes

Eu escolhi... e sua mão de pele suave

Tirou-me da luz, ceifou minha ignorância

Uma maldição caiu sob mim

Agora posso ver, sentir

Olhos de poeta, de emissário da Morte

A luz se esvaiu

Névoa negra e fria

Agora, minha realidade.

Na noite, no véu noturno

Com as estrelas como testemunha

Não temerei o desconhecido

Nasci novamente

Moldado em ódio

Os ossos duros como estacas

Olhos de ceifador

Alma corroída por chamas frias

A dor é trucidante

Grito em silêncio, no vazio

O paradoxo entre a vida e a morte

O amor é o ódio

O incêndio queima meus inimigos

A dor que eu sinto os castiga

Deixe as risadas de escárnio

Preencher as trevas

Rios virarão sangue

O céu será riscado

Meu tormento levará a humanidade

Ao fim, ao desconhecido, ao Inferno...

Eu já consigo ouvir

Os sinos infernais

Os murmúrios, os últimos suspiros

A misericórdia apenas alimenta o demônio

Seja bem vindo ao meu odioso mundo novo

Ao Caos!

Mas...

Por onde andas minha deusa?

Construí um novo mundo

Para o poeta e sua musa

Não... não!

Seus olhos azuis soltaram uma última lágrima

Suas asas alçaram vôo

Ela se foi, me deu as costas

Minha deusa, minha musa

Por que se foi?

Por quê?

Fui abandonado, inconformado

O amor me foi roubado

Apenas me resta ódio e mais dor

Voltei ao inicio...

Sozinho em um canto agora escuro

Chorando lágrimas de sangue

Entalhando versos fúnebres na pedra

Ainda esperançoso...

Ainda na esperança de liberdade.