Poemas Profanos: Coração Necrótico
2 Poeta Atormentado
Tempos calmos, onde a chuva desce devagar
Onde os mortais continuam acelerados
Onde o mundo permanece mundo
Para mim, o poeta atormentado
Caminho e vejo as águas calmas dos rios
A névoa da manhã, vagarosa
O céu oscilando entre a alvorada e o crepúsculo
Divido a beleza da simplicidade
Entre minha amada musa e a solidão
Olhar para trás, para as cicatrizes
Quando tudo tinha cor
Onde sorrisos iluminavam tudo
Olhares sedavam as dores
O paradoxo entre o quente e o frio
A pele suave, delicada como uma rosa
Uma paixão fulgurante...
Então, tão rápido...
O jardim foi cortado com uma foice
A rosa caiu na terra
O fim de uma vida
O inicio da corrosão que bate em meu peito
Hoje, o sol me leva a escuridão
Preto, branco, cinza e escarlate mancham meus olhos
Não há mais luz no breu
A dor nunca para, por que não termina?
Gelo escorre pelos meus dedos
Tão pálido e com tantas cicatrizes
Um coração morto.
Uma alma sem descanso
Condenado a vagar pelo vazio
Onde grita, desesperado
Clamando por sua musa.
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