Tempos calmos, onde a chuva desce devagar

Onde os mortais continuam acelerados

Onde o mundo permanece mundo

Para mim, o poeta atormentado

Caminho e vejo as águas calmas dos rios

A névoa da manhã, vagarosa

O céu oscilando entre a alvorada e o crepúsculo

Divido a beleza da simplicidade

Entre minha amada musa e a solidão

Olhar para trás, para as cicatrizes

Quando tudo tinha cor

Onde sorrisos iluminavam tudo

Olhares sedavam as dores

O paradoxo entre o quente e o frio

A pele suave, delicada como uma rosa

Uma paixão fulgurante...

Então, tão rápido...

O jardim foi cortado com uma foice

A rosa caiu na terra

O fim de uma vida

O inicio da corrosão que bate em meu peito

Hoje, o sol me leva a escuridão

Preto, branco, cinza e escarlate mancham meus olhos

Não há mais luz no breu

A dor nunca para, por que não termina?

Gelo escorre pelos meus dedos

Tão pálido e com tantas cicatrizes

Um coração morto.

Uma alma sem descanso

Condenado a vagar pelo vazio

Onde grita, desesperado

Clamando por sua musa.