Poemas Noturnos
3 Aos teus sortilégios
Estou, há mui, preparado,
cansado, mas esperando a ausência de ti,
pois se és, de mim, o pedaço enfeitado
e, subjugado estou a tua presença,
pois, se de mim és parte por livre docência,
prefiro eu não ser a presença do eu,
mas viver a ausência do nós,
ausência, em suma, com sua presença.
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Por que estou preparado, há muito,
para domar-te em teus argumentos?
Estou, pois, se a mim faltam sortilégios ou sorte
que, em natura, fez de ti, frente a mim, forte,
curvar-nos-ei pelo sustento
baseando-me em outros que, por ausência, fazem o momento
levando o amor com o ímpeto no intento
de saciar-nos no momento,
pois, até ao ódio, sabe-se tudo, com maestria.
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Por que insisto em referir-me a mim como nós
sabendo que, em docência, somos dois, em dormência?
Saiba que assim o faço visando a essência
já que, em permanência, és minhalma,
paz longínqua que, em caos, se instaura,
paz que, em paz, pacificamente, atormenta
vida minha, minha vida
vida minha, vida outra,
vives tu, em minha vida,
vivo eu, em vida louca.
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