Notas iniciais
Bem... Aqui mais um capitulo! O com mais palavras até agora! Eu tento manter uma média de 2.000 e poucas por capitulo, mas extrapolei um pouquinho nesse (e tenho o pressentimento que vou acabar me excedendo mais daqui para frente). Eu sei que todos estão ansiosos para a reunião com as meninas, inclusive eu. E todos querem saber o que vai acontecer o que vai acontecer com o Professor, inclusive eu (não, pera. Eu já sei :P). E se a Docinho vai ficar ou não em Townsville, e blá blá blá. Bem, posso garantir pra vocês duas coisas: 1 - Próximo capitulo teremos as meninas reunidas. 2 - Eu ainda tenho MUITA coisa para contar nessa fic. E com isso em mente, aproveitem esse belíssimo novo capitulo que eu escrevi com todo o carinho e amor para vocês, introduzindo TRÊS personagens novas e completamente originais que espero que ganhe suas simpatias.

Quando você tem super-poderes, poucas coisas botam medo em você. E quando você já foi uma super-heroína que lutava contra monstros gigantes (entre outras coisas muito bizarras), poucas coisas ainda te surpreendem. Bellum tinha a incrível habilidade de realizar esses dois feitos sem esforço nenhum. Quer um exemplo?

Ao sair da limusine, a garagem estava impecável.

Aquela zona de guerra de alguns minutos atrás agora estava de volta ao seu estado original. O chão estava limpo e livre de qualquer sinal de rachadura, como se tivesse acabado ser pavimentado, o teto era a mesma coisa. Não havia indícios de poeira ali, o que dava a impressão de que alguém usara um aspirador de pó gigante naquele lugar. E as paredes... Livres de balas. Antes parecia que um exército havia passado por ali, deixando um rastro de lamento e destruição, agora a garagem estava nova em folha. E francamente, muito assustadora. Não pela aparência, mas pelo que ela representava. Bellum fez aquilo como um símbolo do que ela era capaz, e por mais infantil que isso fosse, funcionou. Eu fiquei assustada.

Mas não tanto quanto eu estava decepcionada. Com Bellum, e principalmente, comigo.

Eu espero a limusine sair da garagem, mas ela não se move. Simplesmente continua ali, parada, feito um monumento histórico. Então eu me dou o prazer de ir embora. Vou caminhando para fora da garagem, com aquelas luzes fluorescentes iluminando aquele cenário de filme de terror. Subo um andar, e não vejo carro algum, igual no andar anterior, e de novo, no próximo andar. Ando por um total de quatro andares até chegar a saída da garagem, onde não havia nem sequer um porteiro controlando as idas e vindas. Estava começando a teorizar se aquela garagem não foi feita com o único objetivo de me conter durante esse papo com Bellum. E se esse for realmente o caso, então as coisas só continuam a ficar mais e mais fodidas a cada segundo.

Já era final da tarde quando eu comecei a andar até a casa. Era meio estranho ver a cidade por baixo, como uma civil. Fiquei muito acostumada a voar em Townsville, e nunca tive a chance de aproveitar o cenário urbano a pé quando jovem. É meio triste pensar que quando finalmente tenho a oportunidade, já não existe muito o que se apreciar. Talvez fosse tudo na minha mente, mas esse lugar havia tomado um tom de tristeza, não na aparência, mas sim na essência. Não era exatamente “decadência” (principalmente porque estava em um lado relativamente bom da cidade), mas sim um sentimento de perda de cores. Agora, o enorme e imponente prédio da Prefeitura parecia pálido e sem vida. Os prédios comerciais, tavernas, bares, e mercados, todos cinzas. E o rosto dos cidadãos enquanto eu passo faltava brilho e eram franzinos em excesso.

Porém, não eram todos. Alguns adolescentes riam perto de uma fonte, tocando violão e fumando cigarros. Enquanto andava, via crianças admirando vendedores de balões e brinquedos em lojas. Idosos sentados na escadaria de apartamentos, observando as pessoas indo e vindo, com sorrisos nos rostos. O céu as vezes oscilava entre um puro azul e um cinza magoado. O cheiro da cidade trazia consigo um ar misto de nostalgia e arrependimento. Era como ver dois mundos se chocando um no outro, tentando conviver no mesmo espaço.

A verdade era: a vida seguiu sem as Meninas Super Poderosas. Só que nenhum de nós dois, nem eu e nem a cidade, se recuperou do trauma. Era como uma cicatriz profunda, constantemente pulsando de dor bem no coração de Townsville, e no coração de todos que residem nela. Ressoando feito um sonar, ela mantinha todos em alerta. Se acostumam, mas nunca esquecem. Aprendem a viver com ela, mas a mesma não os deixa serem completamente felizes, sempre vivendo em medo. Eu sei como é, não só por ser eu, mas também por lidar com esse sentimento desde que fui criada. As Super Poderosas eram símbolos, nós afastávamos esse medo dos corações das pessoas. Promessas de segurança, de amor, compaixão e felicidade. Não importava se um mostro de 22 metros atacasse, porque o povo sabia quem iria defende-los... E de repente, tudo acabou.

Nós éramos iguais, eu e a cidade. Quebrados, abandonados e traídos.

— Esse realmente é meu lar... — Sussurro para mim mesma. Por pior que isso soe aos meus ouvidos, era a mais pura verdade.

E era esse um dos motivos que me fazia odiar tanto esse lugar. Ele me lembrava de mim.

Eu continuo andando até a praça da cidade, onde o Vulcão reside, grande e magnifico como sempre. Um grande portão aberto indica a entrada para o parque, e eu entro, procurando o primeiro banco vazio disponível.

Me sento em um banco perto de uma lixeira, quase no centro do parque. O lugar estava praticamente vazio, já que era fim de tarde, mas não queria arriscar ser reconhecida por alguém. Mesmo com todo lance de “super-resistência”, meus pés estavam me matando, mas isso provavelmente se devia ao fato de ter que andar de All-Stars pelo inferno. Não era dor, e sim cansaço de estar ali.

Foi ali que aconteceu, no topo do vulcão, quando a merda foi jogada no ventilador.

Eu não queria pensar nisso agora...Tento reorganizar meus pensamentos. Precisava de foco para planejar meu próximo posso. Tinha que atravessar metade da cidade a pé, já que não possuía a opção de voar ou usar minha super-velocidade, para poder me reunir com minhas irmãs que eu não vejo a anos e que provavelmente devem me odiar.

Ótimo, simplesmente ótimo.

Eu estava com minha bolsa, que dentro tinha: U$2,36 dólares, umas gomas de mascar, um cantil vazio, e um celular com a bateria prestes a morrer.

Dentro da minha mala eu tinha...

Espera um pouco.

— Minha mala!

QUE MERDA! Eu esqueci minha maldita mala naquela maldita garagem com a maldita da Prefeita Bellum!

— ARHG! – Eu gritei, para ninguém em particular. Em um acesso de raiva, eu fecho minha mão, que estava segurando o braço do banco. Não preciso dizer que o entortei o mesmo.

Agora eu tinha uma mochila a menos e um banco torto a mais. Dava para melhorar?

— Que ótimo... – Eu digo, ajeitando o braço do banco.

Será que o radar da Bellum detectaria se eu usasse um pouquinho de super-força? Espero que não. Deve existir uma margem de erro para casos assim. Bellum não iria sair com todo o time da SWAT em cima de algum de nós por qualquer coisa. Mesmo assim, eu espero alguns minutos por algum tipo de reação vinda de sei-lá-onde. Por sorte, nada acontece.

Eu já não sei mais o que fazer. Estava sozinha, sem grana, sem carro e sem poderes.

— Merda... Será que esse dia poderia piorar ainda mais?

— SOCORRO! – Eu ouço alguém gritar atrás de mim. Me viro e vejo uma mulher de cabelos castanhos sendo assaltada por um cara com o dobro do tamanho dela, vestido de preto dos pés à cabeça e com uma arma apontada para ela.

— Caralho, moça! Cala a porra da boca! – Diz o assaltante, avançando até a mulher com a arma na mão e o dedo no gatilho. Faça o que fizer, não mate a moça, eu pensei.

Por sorte, o cara simplesmente arranca a bolsa do ombro da mulher e sai correndo. Ela continua gritando por socorro, revezando entre frases como “me ajudem!” e “aquele filho da puta roubou minha bolsa!”.

Acho que acabei de receber uma resposta para minha pergunta.

Nisso, eu me levanto em um pulo e salto por cima do banco, correndo em direção ao bandido. Passo pela mulher assaltada, que para de gritar para observar minha caça ao ladrão. O mesmo que deve correr como se os cães do inferno estivessem atrás dele, porque se ele cair na minha mão, o coitado vai aprender o que é o verdadeiro inferno.

Ele atravessa uma boa parte do parque até chegar ao portão de saída, desviando de árvores e bancos pelo caminho. Eu faço a mesma coisa, ao mesmo tempo que tento me controlar para não correr demais. Por mais tentadora que seja a ideia, não podia usar minha super-velocidade. O cara olha para trás e me vê perseguindo-o, e dá um gás na própria corrida. Mal sabia ele que isso era completamente inútil.

Enquanto minhas pernas se esforçavam para se manterem no chão e não saírem voando, o cara parecia um ninja correndo por ai. Ele pulava por cima de carros, desviava de pedestres e pulava por cima de cercas. Tudo isso com uma resistência impressionante, considerando o quanto estávamos correndo. Provavelmente atravessamos duas quadras inteiras quando ele decidiu virar à esquerda em um beco sem saída, provavelmente achando que havia me despistado. Essa era minha chance.

Ou pelos menos, parecia ser.

Ao entrar no beco, vejo o cara apontando a arma no meu rosto.

— Parada! Parada ai, sua puta! – Ele grita – Ou eu explodo seu cérebro na parede!

Ótimo, simplesmente ótimo. Como eu pude cair em um truque barato desses? Realmente perdi o jeito para a coisa. O cara me encurralou (ou ao menos acha que me encurralou), e isso já era um erro por si só. Mas que bom faz ficar criticando a si mesma em um momento como esse, não é? Agora, como eu devo proceder com a punição desse canalha... Visão a laser? Quebrar uns dedos? Arrastar o rosto dele pelo asfalto por um tempinho? Eram muitas opções. E pra ser honesta, elas faziam meu corpo ferver de emoção. Eu não fazia algo assim em anos.

— Quero ver você tentar, babaca – Respondi, tentando soar imponente.

O cara obviamente não se assusta com aquilo. Afinal, para ele eu sou só uma pequena e frágil mulher com um misto de burrice e coragem na cabeça. Era engraçado essa sensação de estar do outro lado da arma como uma pessoa normal dessa vez.

Uma pessoa normal...

Na minha cidade, você não é mais do que uma pessoa normal. E você vai agir como tal, entendeu?

Ah, merda!

— Muito corajosa para uma piranha magricela feito você, não é? – Ele diz, se aproximando de mim. A arma em uma mão, e a outra vindo em minha direção.

Ele me segura pelo pescoço e me imprensa na parede. Porra, Bellum, será que não dava para ter uma clausula na sua lei idiota para autodefesa contra babacas?

Os dedos gordos do filho da puta envolta do meu pescoço podiam não ferir meu corpo, mas com certeza feriam meu orgulho. Eu queria lutar, queria mesmo. Mas eu estava vendo toda tempestade de merda que cairia sobre mim se eu levantasse meu dedo para derrubar esse idiota. Na melhor das hipóteses, só haveria Bellum e um exército da SWAT descendo de helicópteros e carros-fortes junto com sei-lá-o-que Bellum tem guardado na manga para me prender. Ela me daria uma bronca e provavelmente me expulsaria da cidade antes de eu ver o Professor. Na pior das hipóteses... Além de ser presa, eu seria processada por causa dessa maldita “Lei dos Poderosos”, e meu rosto tão odiado estaria estampado em cada TV, jornal e radio dessa cidade, isso se não for televisado para o país inteiro. Já posso ver as manchetes: “EX SUPER-HEROÍNA PRESA: RETORNO À CIDADE NATAL CAUSA PÂNICO GERAL”.

Ok, eu não era das melhores jornalistas para opinar sobre títulos de notícias, mas provei meu ponto.

E esse era só parte do problema, porque caso ele decida atirar, toda minha discrição iria por água abaixo. Ou seja, eu precisava pensar em algo bem rápido.

— Você até que é bonitinha vista de perto assim, chica ­— Ele diz, com rosto muito próximo ao meu. Ele começa a cheirar meu cangote, e acaricia minha cintura. “Chica”. Por que eu sempre atraio os latinos?

— Eu altamente recomendo você não fazer isso.

— É mesmo? E quem é você para falar alguma coisa?— Ele diz, sussurrando no meu ouvido. Droga, se ele continuar, eu vou ser forçada a quebrar os braços daquele cara. Meu medidor de raiva já estava quase no limite, principalmente porque o perfume dele estava me enjoando muito.

Então ele se afasta de mim, e eu finalmente posso respirar de novo.

— Nossa... Você realmente... Deveria considerar trocar de colônia... – Eu falo, entre tosses.

— Muito engraçado, chica. Mas eu já cansei de brincar. Não me siga, se não quiser se machucar de verdade – Ele diz, abaixando a arma.

Esse foi seu primeiro erro.

Antes que eu possa reagir, eu vejo o corpo do ladrão fedido caindo em minha direção. Eu desvio para a esquerda, e a cabeça dele vai de encontro com a parede, deixando uma mancha de sangue onde bate. Meio desorientado, o cara começa a tatear o chão, em busca da arma que ele deixou cair na confusão. Eu permaneço quieta, tentando entender o que foi que aconteceu.

Foi quando eu olhei para cima, e vi o que foi que o atingiu.

Era uma garotinha, e não estou exagerando quando digo isso. Devia ter uns 15 ou 16 anos, julgando pela altura. Era uma menina de curtos cabelos castanhos sujos, que usava um óculos de aviador velho que cobria quase todo o seu rosto, e um laço rosa no pescoço. Ela estava vestida com uma saia preta toda desbotada e cheia de rasgos amarrada por um cinto de espinhos, e uma camisa rosa com uma caveirinha. Tinha um corpo bem atlético, mas era bastante magra e baixinha. Carregava consigo um cassete na mão (o qual provavelmente foi usado para derrubar o ladrão) e uma arma de choque presa em um coldre no cinto.

— Se afaste dela, seu porco. – Diz a garota, com uma voz aguda de que acabou de sair da puberdade.

Eu não conseguia acreditar no que estava vendo.

— SUA VAGABUNDA! – Grita o ladrão, com a mão na testa, fazendo pressão no ferimento causado pela batida na parede – EU VOU TE MATAR!

Ele avança até a garota, a segura pela cintura e leva-a ao chão, dispondo seu corpo por cima do dela, segurando-a com força. O cassete da menina voa da sua mão, e ela esperneia e se debate, tentando com todas as forças se soltar, inutilmente procurando alcançar a arma de choque, mas o cara segura seu braço com a mão sangrenta que antes pressionava sua ferida aberta na testa. O ladrão consegue apontar sua arma entre os olhos da garota, sorrindo feito um maníaco, com o sangue escorrendo pelo rosto e respingando nas bochechas da menina.

Ok, isso já era demais. Eu não tinha nenhuma opção.

A parte de trás da minha nuca começa a arder, e meus olhos a flamejar. Fecho o punho, com a intenção de ataca-lo. Os olhos vermelhos da garota se esforçando para liberar lagrimas, enquanto o homem solta seu braço para apertar sua garganta. E eu não vou pegar leve.

De repente, outra surpresa. O homem é jogado para o lado por uma nova garota, essa vestida de verde, que o acerta com um golpe certeiro na orelha direita usando um taco de beisebol, o que o deixa confuso (e provavelmente surdo). Uma terceira garota, essa vestida de azul, se joga sobre suas costas e o vira de barriga para cima, chutando-o repetidamente. Ele grita de dor, mas a menina não para, botando cada vez mais força no chute. A garota de verde ajuda a menina de vermelho, agora sentada no chão, tentando respirar. Eu assisto tudo com espanto, sentindo um misto de alivio pela garota e pena pelo cara.

— Já chega! – Eu grito para elas – Ela vai mata-lo desse jeito!

A garota de verde se assusta com minha reação, mas compreende o que eu quero dizer, indo em direção a garota de azul para afasta-la do ladrão espancado. A menina não cai fácil, esperneando para solta-la, dizendo coisas como: “ELE QUASE A MATOU” e “O FILHO DA PUTA MERECE”. A menina de vermelho se levanta para ajudar a conter a garota de azul, que possuía um olhar assassino no rosto.

O assaltante agora não assaltaria mais ninguém por um bom tempo, largado no chão naquele estado. Por mais que ele merecesse, eu não conseguia acreditar em toda aquela violência vinda de um bando de pirralhas. Nem eu faria algo como aquilo. O cara ficou inconsciente com a surra, e havia pelo menos uns três dentes caídos ao seu lado, obviamente “chutados” para fora da sua boca, que por sinal, não parava de espirrar sangue. O nariz do coitado estava quebrado, e os dois olhos fechados de tão roxos, parecendo duas lagartas púrpuras bem gordas abraçadas. Eu não usei minha visão de raio-X, mas podia dizer com certeza que havia pelo menos três ou quatro costelas quebradas naquele saco de carne que já foi uma pessoa. Uma pessoa ruim, mas mesmo assim, uma pessoa.

Com um desgosto na boca, eu paro de olhar para aquele homem miserável, e vejo uma mão próxima ao meu rosto. Era a garota de vermelho, me oferecendo ajuda para levantar. Eu mesmo já havia esquecido que estava no chão, devido a toda a essa confusão. Eu seguro a mão da menina e fico em pé, apoiando minhas costas na parede do beco. A garota de azul estava em pé ao nosso lado também, enquanto a de verde estava examinando o ladrão.

Tive um momento para dar uma boa olhada nas duas. A de azul era bem bonitinha, olhos castanho-claros, um cabelo loiro esfarrapado que batia nos ombros, óculos esportivo com lente laranja, e um colar preto no pescoço. Usava uma bermuda jeans curta e rasgada, uma camiseta azul com um gatinho fofo na estampa, e carregava consigo uma mochila nas costas e uma machadinha desamolada presa de qualquer jeito no cinto. A de verde tinha um cabelo preto com corte masculino escondido em um boné verde com as escritas: “I ♥ TOWNSVILLE”, uma camiseta verde sem estampa, e a mesma bermuda jeans da azul, só que com uma meia preta longa cobrindo quase toda a perna.

As três eram muito novas, a mais velha parecia ser a de vermelho. Já as outras duas eram praticamente crianças, eu não daria mais de 14 a 15 anos para elas.

— Ele está vivo – Declara a de verde em alto e bom som, com um tom de alivio na voz – Ainda bem. Não queremos mais atenção da polícia do que já temos.

— Os tiras não ligam para babacas como ele, Docinho. Era melhor que morresse... – Murmura a garota de azul.

Oi? Como ela acabou de chamar aquela menina?

— Você não sabe o que fala, Lindinha – Diz a garota de vermelha. A de verde, Docinho, se aproxima da roda – Se ele morresse, imagine como fica nossa imagem. Já não somos bem vistas sem matar.

— Mas ele ia te matar, Florzinha! O maldito merecia! – Responde a menina de azul, que pelo visto atende por “Lindinha”.

Que merda estava acontecendo? Quem eram aquelas meninas?

— Mas ele não matou, não é? Falando nisso, obrigado pela ajuda, Docinho – Diz a de vermelho, Florzinha, dando um tapinha nas costas da colega.

— Disponha.

— E eu? Eu imobilizei ele. Cadê meu obrigado? – Questiona “Lindinha”.

— Imobilizou? Sério? Está mais para “quase matou” – Responde “Docinho”, com sarcasmo.

— Obrigado por me salvar, Lindinha. Você foi de grande ajuda também.

Ok... MAS QUE PORRA ESTAVA ACONTECENDO? Eu estava sonhando? Acabei pegando pesado demais e usei minha super-velocidade, então Bellum chegou e me nocauteou, e agora eu estava delirando enquanto me afogo na própria saliva, sendo carrega para dentro de um caminhão? Viajei para uma linha do tempo alternativa?

Mas quem caralhos eram essas meninas vestidas iguais as Super-Poderosas?

— Então... O que devemos fazer sobre essa mina aí? – Pergunta Docinho (ou seja lá qual fosse seu verdadeiro nome, porque aquilo era ridículo), falando baixo pelos ombros da mais velha.

— Ah, sim! – Exclama “Florzinha”, agindo como se tivesse esquecido que eu estava ali. Ela se vira para a menina de azul e fala – Lindinha, pegue a bolsa dessa moça, por favor.

— Sim, senhora! – Lindinha faz uma saudação de sentido e vai em direção ao homem caído. Ao lado dele, estava a bolsa, jogada no chão durante a luta. Ela se abaixa por um segundo para pega-la, e ao levantar, chuta as bolas do cara mais uma vez, que geme de dor. As outras duas ficam apreensivas ao verem aquilo. Ela responde com um sorriso largo e um sinal de paz – Foi só para garantir!

— Deus... O que eu faço com você... Me dê essa bolsa – Florzinha murmura, enquanto recebe a bolsa das mãos de Lindinha – Aqui está, senhora – Ela diz, entregando-a para mim.

Eu pego a bolsa delicadamente, ainda muita confusa com aquela situação. Juro que minha cabeça já estava começando a doer. Minha garganta estava seca, e eu estava oficialmente desgasta. Percebi que havia anoitecido, e que iria me atrasar para o jantar na casa das meninas, caso ainda decide chegar lá hoje. Mas nada disso importava agora, porque minha mente estava muito ocupada processando as três garotas vigilantes ostentando o nome das três Meninas Super-Poderosas a minha frente.

— Q-Quem são vocês? ­— Eu pergunto, com a voz rouca e fraca.

As três abrem um sorriso largo, e proclamam em alto, todas ao mesmo tempo, com um orgulho estampado no rosto.

— Somos as DAMAS PODEROSAS!

Ok, é oficial. Eu estava em um universo paralelo dentro de um sono em futuro alternativo. Não era possível que isso estava realmente acontecendo...

Notas finais
♥ P.S.: Próximo capitulo tem uma personagem MUITO underground do desenho fazendo sua estreia nessa fic. ELA (essa já foi a primeira dica) é uma favorita minha em especial, e foi "protagonista" do seu próprio episódio na série (segunda dica), fazendo um meme clássico de MSP (Terceira dica). Se alguém adivinhar, eu irei responder o seu comentário com minha melhor onomatopeia para "palmas" :3 Beijos, até o próximo capitulo! Tchaaaaau!