Poderosas

3 Boas-Vindas


Notas iniciais
Bem... É... Isso é meio constrangedor... Acho que primeiramente eu devo pedir desculpas pela demora, né? --' Mas olhando pelo lado bom! O capitulo saiu! Demorou um "pouco"? Sim. Mas acontece... Porém, nem tudo é má noticia. Agora que estou oficialmente de férias, sinto orgulho de anunciar que os próximos capítulos não demoraram uma eternidade pra sair! Então, é isso. Espero que curtem o capítulo! Bjs *-*

Após esperar quase três horas dentro de um aeroporto extremamente tedioso, e mais algumas horas de viagem em um avião que, por mais que fosse na primeira classe, ainda era muito claustrofóbico. A vontade de abrir um buraco naquela armadilha de metal e ir voando pra casa sozinha era forte, mas não seria nem um pouco educado com todas as pessoas ali. E além do mais, perdi minha licença de sobrevoar solo americano a muito tempo. Tudo que eu podia fazer hoje em dia era voar baixo, de preferência em áreas urbanas, que era menos perceptível para o governo me detectar. Então passei o resto da viagem de olhos fechados e headphones no máximo. Tentava dormir, o que não era nada pratico com as músicas tocando, mas era mais difícil sem elas. Aviões me deixavam enjoada, o que era meio irônico.

Turbulências, chuva e um filme muito ruim que deve ter acabado de sair de cartaz, e que provavelmente foi uma das maiores bilheterias do ano. Esses foram os divertimentos proporcionados nas minhas duas horas naquele avião. E antes de pousar, já havia percebido que era melhor ficar ali mesmo.

Quando o piloto chamou nossa atenção, indicando que estávamos a alguns minutos de pousar, eu abri meus olhos devagar e, a princípio, evitei olhar pra cidade. Mas como um sussurro, ela chamava minha atenção, inconscientemente puxando meus olhos. E eu a vi, e foi como olhar seu pior pesadelo através de uma porta, simplesmente esperando para atravessar.

A cidade estava triste. Essa seria a melhor definição que consigo pensar. Triste. Sem vida. Vazia, não de população, mas de espirito.

Aglomerados de prédios se estendiam pelo centro da cidade, em sua maioria residenciais, se espalhando de dentro para fora. Estruturas decadentes e mal cuidadas, como se tivessem sido esquecidas ali. Bem no epicentro de tudo, o famoso vulcão em frente ao parque principal se mostrava impotente como sempre. Já para perto da costa, a visão era outra. Um prédio enorme, que competia com o vulcão no quesito altura, brandia uma logo limpa e orgulhosa no seu topo, demonstrando a que veio. UtoniumTechnologies. Em volta, residências muitos mais limpas, com casas arquitetônicas sendo exibidas em conjuntos, sua grande maioria viradas para o mar....

A primeira coisa que passou pela minha cabeça ao ver tudo aquilo foi: era como um câncer. A parte ruim se mostrava predominante, e se espalhava de dentro para fora. Exatamente igual um câncer. Já a segunda coisa foi: “UtoniumTechnologies”? Só podia ser ideia da Lindinha...

Mais uma chamada, indicando que estávamos em processo de pouso. Essa parte sempre me dá um frio na barriga. O avião vai descendo devagar, dando um pouco de vertigem, e as rodas do avião começam a beijar o chão, se arrastando pelo chão da pista. Logo, finalmente paramos, os avisos de afivelar os cintos param de piscar, e todos começam a retirar sua bagagem. Minha mochila estava aos meus pés, então sou uma das primeiras a sair.

Pulando todos os processos técnicos do desembarque. Após uns vinte minutos dentro do aeroporto, finalmente estava com as minhas bagagens – minha mochila e mala – e pronta para tomar meu rumo.

“Finalmente”, eu murmuro o caminho inteiro até a saída da área de desembarque.

E fiquei muito surpresa com o que vi. Um homem, vestido exatamente igual Mike, segurava um cartaz escrito “DARCY” em frente a porta.

A princípio, considerei que aquilo fosse para outra pessoa, mas o homem ao me ver, veio diretamente a minha direção. Ele usava um terno, óculos escuros, e aquela escuta de um lado que só agentes do governo ou seguranças de empresas privadas usavam. Ainda estava tentando entender em qual das duas opções ele se encaixava. Em questão de aparência física, ele era um monstro (não literalmente, mesmo que havia chances de ser possível), bem alto e forte. Possuía um cavanhaque muito bem alinhado, e uma careca perfeitamente raspada. Parecia um legitimo agente secreto da KGB.

Ele para de frente a mim e me analisa de cima a baixo. Então pega as minhas malas, sem dizer uma única palavra. O cara parecia ser bem sociável.

– Ei, careca! – Chamo, em tom de protesto – Já ouviu falar em educação?

Ele não se afeta pelo comentário e simplesmente continua andando. “Que merda”, eu penso, indo atrás dele. Nós atravessamos o aeroporto inteiro até chegar a porta principal, onde havia uma limusine na rua esperando por nós. Ele pega a minha bagagem e a coloca no porta-malas. Eu não faço nada além de observar. O cara então fecha o porta-malas e vai até a porta da limusine, a abrindo e me chamando para dentro...

Alguma coisa estava errada. Mesmo assim, eu entro no carro.

Logo, eu já estava perto do centro de Townsville, em direção a sei-lá-onde, em um carro com sei-lá-quem. A princípio, achei que esses caras eram só uns guarda-costas ou algo do tipo enviados pela Lindinha. Mas comecei a ter serias dúvidas sobre isso. O “Careca” (que foi p apelido carinhoso que dei para o agente ou sei-lá-quem que veio dentro da limusine comigo) não soltou um pio desde que entramos no carro, o que era no mínimo estranho. E havia outros dois caras nos bancos da frente da limusine, um que dirigia e outro no banco de passageiro. A janela interna estava levantada, então eu não tinha como ver os dois, pelo menos não por meios “comuns”. Mas usei a visão raio-X para saber como eles eram.

Estavam todos vestidos como o Careca, só que um tinha longos cabelos loiros que batiam nos ombros, e o outro tinha cabelos castanhos com um corte estilo militar. Um fato curioso, todos eles, incluindo o Careca, estavam armados.

Armas e trajes. Empresa privada? Possivelmente. Mas é muito improvável que a Lindinha tivesse algum conhecimento disso. Mas se não fosse ela, então quem seria?

Isso estava perturbando minha mente, mas havia algo a mais ali que atraiu minha atenção. Enquanto “passeávamos” pelas ruas de Townsville, tive a chance de prestar mais atenção no cenário. A cidade estava realmente acabada. Ruas cobertas de lixo e expressões tristes pintavam a maior parte do quadro. Um quadro tão entristecedor e melancólico, que poderia ser pendurado em um museu mal-assombrado, bem ao lado de todas as obras de Van Gogh.

As paradas de ônibus eram cobertas por adesivos e cartazes escritos “Vote Mitchell para Mudança!”. Propaganda política, mas pra quem? Tentei puxar lá do fundo da memória algum conhecido com o nome de Mitchell, mas nada veio em mente. E pelo visto, tudo que uma publicidade precisa para fazer efeito nos dias de hoje são letras grandes em um painel em branco. Não havia nenhuma foto do tal “Mitchell”.

Meus “raptadores” já estavam dirigindo a vinte minutos nesse silêncio quando eu decidi começar a fazer perguntas.

– Quem são vocês? – Perguntei ao careca, que estava sentado bem a minha frente. Ele ouviu, mas me ignorou completamente, voltando sua atenção para fora do carro.

Entretanto, eu vi algo que ele não queria que eu visse. Ele estava nervoso. Suas mãos estavam coladas ao corpo durante todo o trajeto, mas ao olhar para janela, sua mão direita tremeu, como se por um segundo, ele quisesse puxar a arma. Ele estava atento aos meus movimentos. Um cara como esse não deveria tirar seus olhos de mim, então fez questão de estar pronto para puxar o gatilho se fosse preciso.

Ou seja, ele sabia quem eu era. E do que eu sou capaz de fazer. Consegui uma vantagem, afinal.

Um plano se forma em minha cabeça, e com tudo o que descobri em mente, me aproximo do cara. Ele se mostra um pouco surpreso, mas ainda não puxa a arma, assim como eu esperei que ele não faria.

– Então, Careca... Pra onde vocês estão me levando?

Ele permanece imóvel e silencioso. Mas é possível sentir a tensão se formando no ar. Como ele soubesse de algo importante, e tivesse medo que eu descobrisse. E eu ia descobrir, ia quebra-lo.

– Sabe... Eu posso fazer coisas bem ruins com você. Muito ruins... – Me aproximo mais ainda, e posso sentir a respiração do Careca cessando por um segundo. Homem treinado, prende a respiração para melhor chance de acertar o tiro, mas sem sinais de violência imediatos. Ele sabe que não pode comigo.

– Sabe... Acho que você só teria uma chance... Caso desse certo... – Eu digo. O suor começa a escorrer por sua testa, e sua mão vai em direção a arma – ... Mas não adianta, ela não pode me machucar. Você sabe disso. Agora, acho melhor você me dizer pra onde estão me levando, antes que eu faça um buraco nesse carro e esprema seus olhos igual espinhas...

O cara engole em seco, e toda aquela marra de “machão” desaparece do seu rosto, mesmo sendo visível o seu esforço para mantê-la. Ele perdeu o controle da situação, e estava desesperado.

– Ok... Eu digo o que você quer saber... – Exclama ele, desistindo – Nós estamos indo para a Prefeitura...

É de se imaginar que ao voltar a um lugar do qual passei maior parte da minha infância, minha primeira reação seria algum tipo de “nostalgia”. Bem, não foi o caso. Na verdade, quase foi. Por dois segundos, ao ver de longe aquela janela que dava para o gabinete do Prefeito, eu quase senti o vento no meu rosto e o estilhaçar de vidro ressoando nos meus ouvidos. Uma lembrança velha... Que não durou muito. Invés disso, quando finalmente chegamos ao enorme complexo que era a Prefeitura, um sentimento de estranheza tomou conta de mim, e foi pelo motivo mais idiota possível.

Eu nunca entrei na Prefeitura pela porta da frente. Nem uma única vez.

E essa ainda não seria minha chance, porque o motorista da limusine entrou na garagem. E fiquei mais surpresa ainda pelo fato da Prefeitura ter uma garagem.

Nos descemos até o segundo piso da garagem, onde estava tudo vazio, e estacionamos na última vaga. O número de coisas estranhas já havia se elevado ao absurdo, mas continuei no jogo deles.

– Chegamos – Afirmou o Careca.

– Sério? Não diga, gênio.

– Espere aqui – Ordenou ele, tirando a arma do coldre, prestes a abrir a porta.

– Como se diz? – Brinquei, para ter certeza de mantê-lo nas rédeas caso fosse tentar algo “engraçadinho”, como uma tentativa de execução.

Ele voltou sua atenção a mim e apertou a mão que ele segurava a arma. Vi seu rosto ficar levemente vermelho, mas então ele cedeu – Por favor, espere aqui.

Ele saiu em um pulo e começa a dar voltas no carro. Ouço o abrir e fechar das duas portas da frente, indicando que os amiguinhos dele fizerem o mesmo. Alguns minutos depois o Careca volta ao carro e abre a porta para mim.

– Pode sair – Ele anuncia – Está tudo limpo aqui.

– Como se fosse haver algum tipo de perigo comigo por perto... – Murmuro, ao sair do carro.

Do lado de fora, não existia indicio algum de que qualquer alma viva já havia passado por aquele lugar. Estava absolutamente deserto, e... Limpo. Limpo demais pra uma garagem. Como se tivesse acabado de ser inaugurada, e fossemos o primeiro carro a parar ali.

– O que estamos fazendo aqui? – Questiono o Careca – Vieram tentar meter uma bala na minha cabeça?

– Não, nossas ordens foram que esperemos. Não podemos tocar em você.

– Então é isso? Ordens de quem?

O Careca troca olhares com seus “amiguinhos”, e responde:

– Não temos permissão para lhe falar mais nada, se quiser saber, terá de esperar...

– Há... Ótimo. Muito engraçado. Eu posso simplesmente sair voando daqui, sabia disso?

– Temos total conhecimento das suas habilidades, Srta. Darcy... Mas também sabemos que se você sair, não saberá quem nós mandou lhe trazer aqui. Então iremos esperar.

Bem... Droga! O maldito me pegou. Eu poderia simplesmente quebrar cada um dos seus dedos até ele falar, mas não faria isso. Ele foi estupido o bastante para cair nas ameaças, mesmo sabendo que eu teria o destroçado antes de sair do aeroporto se esse fosse o caso, mas não pode ser estupido o bastante para não perceber que eu estava realmente morrendo de curiosidade para saber quem estava por trás de tudo isso.

O jeito então foi esperar. Uma longa espera de uns... Vinte minutos.

Durante esse tempo eu fiquei sentada no teto da limusine, enquanto os três malucos fazendo cosplay de “Homens de Preto” formaram um círculo de costas pra mim, evitando comunicação e contato visual. Eu não tentei falar com eles também, invés disso, peguei minha bolsa do porta-malas e de dentro tirei o meu “cantil de emergência”. Eu e o meu velho amigo Jack sempre tínhamos assunto para conversar.

Então um barulho ensurdecedor quebra o silêncio. Três carros fortes entram na garagem queimando pneu. Os três se espalharam em volta de nós, se projetando de frente para o nosso carro. O Careca e seus amigos não ficaram surpresos com nada daquilo, o que indicava que essa era a “grande deixa”. Então eu desço de cima do carro e fico bem no meio daquela confusão, entre a limusine do Careca e os três carros fortes. Por um segundo, pareceu que uns dos amigos do Careca ia tentar me impedir, mas ele o parou antes.

Uma nova limusine, praticamente idêntica à que me trouxe aqui, só que branca, vem descendo até o nosso andar. Bem devagar, diferente dos outros carros. Ela se projeta entre os três carros fortes, e dentro da limusine sai o motorista. Um homem velho, porém bem sadio à primeira vista, que vai em direção a porta de trás. Antes de abri-la, uma dúzia ou mais de homens altamente equipados, com fuzis e roupas especiais da SWAT, saem dos carros fortes. Surpresa nenhuma pra quem eles estavam apontando.

O careca e companhia também tinham suas armas viradas pra mim, percebi isso pelo som de suas pistolas sendo engatilhadas.

– Por favor, Srta. Darcy... Faça o favor de não se mover agora... – Disse uma voz atrás de mim, claramente a do Careca. A parte mais engraçada foi a forma como ela fraquejou um pouco. Ele estava nervoso. Ele sabia o que viria agora...

Aquilo estava prestes a ficar bem divertido ou bem feio, bem depressa. Ou os dois.

Então, o motorista abre a porta da limusine...

Eu estalo cada um dos meus dedos usando o polegar, me preparando. Não vou mentir, meu sangue estava fervendo. Aquelas pessoas ali não tinham ideia do que eles estavam fazendo. Onde estavam se metendo. E isso pode soar meio errado, mas aquilo me empolgou.

Do carro, à primeira vista, surge uma mão. O motorista a segura, como se a ajudasse a sair. A porta bloqueava a visão da pessoa, a primeiro instante. O motorista fecha a porta, e tal “pessoa misteriosa”, a mandante de tudo isso, finalmente toma uma forma...

Era uma mulher. Ela era absolutamente linda, e irradiava uma aura de poder e magnificência.

Vestia um blazer branco com uma camisa vermelha por dentro, e uma saia igualmente branca.

Seus lábios possuíam um batom extremamente vermelho, quase como sangue...

Seus olhos... Bem... Seus olhos eram um mistério. Sempre foram um mistério.

Mas os belos cabelos ruivos encaracolados não deixavam dúvida. Era a Prefeita Bellum em pessoa, e sua comitiva de boas-vindas.

Notas finais
Espero que tenham curtido o capítulo! ^-^ Logo, a continuação! E se você ficou surpreso(a) com esse final. Bem... Ainda vai rolar muita coisa hehe :v