Poderosas

4 47 Segundos


Notas iniciais
Oi... Então... Eh... Isso é meio constragedor... Como vão vocês? ^^' Ok, sim, eu não posto nada a meses. Ok, sim, isso foi muita babaquice da minha parte. Ok, sim, eu não tenho uma desculpa plausível para nenhum de vocês. Mas pelo menos saiu, né? :v ... Eu peço perdão pelo vacilo. Mas posso afirmar que todo esse atraso foi, de algum modo, bom para a história. Eu não me apressei, e tomei meu tempo trabalhando nós capítulos. Revisando, reescrevendo, planejando e etc. E está tudo bem polido para o proveito de todos. Eu tenho uma mensagem bem melosa para meus leitores, mas eu vou deixar para o final do capítulo já que vocês esperaram tanto por isso, né? Então até lá :3

Se ponha em minha situação. Você é obrigada a retornar à cidade que você mais odeia no mundo, porque seu pai está de cama em estado terminal, ou seja, a cada segundo mais próximo da morte. Além de tudo isso, a primeira pessoa a te dar uma saudação, um “bem-vinda de volta” apropriado, também é a pessoa que tem um batalhão de soldados apontando uma dúzia de fuzis pra sua cabeça.

E quer saber a parte mais triste disso tudo? Esse não é nem o pior dia da minha vida.

— Olá, Docinho. Bem-vinda de volta, querida. – Diz Bellum, com aquela voz intoxicante que preenche o ar com um tom de tranquilidade, serenidade. Ela sempre teve jeito com as palavras, e a calma que ela leva ao pronuncia-las é reconfortante, mas ao mesmo tempo preocupante. Sua presença é ameaçadora e impotente, como um lobo na frente de um bebê coelho.

Eu quase baixo a guarda ao ouvi-la, por força do hábito. Mas a forma como ela se portava feito um inimigo, junto ao fato dela ter um número considerável de armas apontadas para mim não me fez fraquejar. Mas também não era como as armas fossem um problema, elas não era nem um empecilho, por isso era tão fácil pra mim perder o foco. O que me preocupava era Bellum. Ela é o tipo de mulher que tem tudo na palma da mão e compreende as coisas ao redor dela como ninguém. E quando você tem uma mulher assim apontando armas pra você, é melhor ficar atenta.

Todos os soldados em volta dela engatilham as armas ao vê-la andando em minha direção, com exceção do Careca e seus amigos, que eram os únicos que se mantinham atrás de mim. Seus passos eram poderosos, e ecoavam por toda a garagem que antes era preenchida por um silêncio mortal.

Ela se projeta diretamente a minha frente, e me olha dos pés à cabeça, com um olhar misto entre admiração e curiosidade.

— Você cresceu... – Ela sussurra – É uma mulher agora.

Eu não sabia o que responder, eu não tinha o que pensar. Que merda estava acontecendo? Uma execução? Bellum não é idiota, sabe que isso não iria funcionar. Então por que ela me trouxe aqui?

Então uma ideia finalmente se forma em minha cabeça. Uma ideia muito ruim.

— Você me trouxe aqui? Você mandou o Mike para me buscar? – Pergunto.

Ela sorri, como se apreciasse uma peça de teatro com o roteiro da mesma na palma mão. Tudo aquilo era uma encenação, e ela ria de mim como um adulto ri de uma criança inocentemente burra.

— Não, querida. Sua irmã fez isso. Eu só vim te dar as boas-vindas.

Eu afrouxo um pouco minhas mãos. Minha atenção falha, e por um minuto eu fico alheia a aquele momento. Me coração aperta um pouco, e meu estômago se contrai. Bellum nota minha repentina mudança, e o sorriso some de seu rosto. Nós duas entendemos o que aquilo significa.

— Desculpe, Docinho... O Professor está realmente doente.

Uma onda de ódio percorre meu corpo. Sinto meu sangue ferver, e meu coração apertar um pouco mais. Como pude ser tão inocente ao ponto de ter esperanças de isso ser mentira? Eu sou estúpida.

— Não preciso das suas desculpas, Bellum... E meu nome não é Docinho – Minha voz fraqueja ao falar. E tudo que eu digo soa áspero – Você está me fazendo perder tempo útil. O que quer de mim? Veio tentar me matar?

Nós trocamos olhares intensos. Por mais que ela tivesse essa falsa sensação de controle, sempre existia aquele 1% de chance de eu arrancar a cabeça de todas as pessoas ali presentes. Mas como a maioria das coisas, ela também tinha consciência desse fato. E eu não sabia a extensão do poder que a Bellum tinha sobre mim naquele momento. Sempre preparada, determinada e precisa. Essa era a Prefeita de Townsville. Um plano para cada resposta que eu desse. Nós estávamos lutando uma batalha sem mover um dedo naquele momento.

Eu não estava gostando do caminho pra onde essa conversa estava indo, e muito menos Bellum. Pude ver em seus olhos. Aqueles misteriosos olhos que não refletem nada. Por um segundo, eu pude ver algo de verdade neles. Tristeza.

E em um segundo veio, e em um segundo se foi. Bellum arruma seu blazer e ajeita sua saia, e então retorna a sua posse de supremacia anterior, e dispersa toda aquela dor que estávamos compartilhando. Ela sempre foi uma pessoa muito profissional.

— Não é exatamente para isso que vim aqui, Srta. Darcy.

— Então a que veio?

— Bem, irei lhe mostrar... Mas primeiro, tenho um assunto que preciso tratar. Espere aqui.

Sem mal me dar tempo de responder, Bellum dá as costas pra mim e vai em direção a sua limusine. Seus passos ecoam por toda a garagem novamente, deixando uma tensão no ar. O bater dos seus caríssimos sapatos de salto alto com o chão de concreto limpo se demonstravam em sincronia ao bater do coração de todos presentes ali. Não pude deixar de notar que aquilo era uma estranha atitude vinda dela. Ela não era o tipo de pessoa que trata alguém tão indelicadamente, independente se estivesse jantando com a pessoa ou prestes a meter uma bala em sua cabeça.

Foi então que me ocorreu. O pensamento veio, ironicamente, igual a uma bala, seguido por um sentimento de alerta ao perigo que confirmou o fato.

Ao chegar a porta da limusine, ela se vira pra mim, e sua expressão muda. Seu rosto irradiava ódio, talvez de mim. Talvez dela mesma. Não importava. O que importava era como eu vi aquilo transbordar pelo seu corpo, vindo do estomago até a garganta. E então chega a boca, onde ela explode seu ódio em palavras. Não foi essencialmente um grito, mas foi uma ordem, do tipo que podia ser sussurrada, e mesmo assim seria ouvida claramente por um exército. E ressoou no ouvido de cada presente ali. Ela falou vagarosamente, mas sem aquele tom calmo característico de Bellum.

E para mim, suas palavras doeram mais do que veio a seguir.

— Rapazes... Podem atirar...

Eu só consigo vê-la entrar na limusine. Então, uma saraivada de balas vem até mim.

Eu poderia desvia-las, mas não havia necessidade. Elas atingem meu corpo igual chuva, e tem o efeito da mesma. Não doem, mal deixam marca. Elas só ricocheteiam para todos os lados, sem deixar nenhum arranhão. Algumas passam por mim, mas a maioria simplesmente bate em meu corpo e se despedaçam ou voam em outra direção. No máximo fazem cócegas, como se alguém esfregasse um monte de algodão pelo seu corpo. Sinto um número considerável de balas atingirem a parte de trás da minha cabeça. O Careca e seus amigos tem uma mira admirável.

A garagem, que antes parecia recém inaugurada, agora era mais para um cenário decadente em algum filme de tiroteio.

E eu estava puta.

Tiros e mais tiros.

Bang. Bang. Bang. Bang.

Sempre odiei esse som.

Bang. Bang. Bang. Bang.

Um show de luzes cintilando a minha frente.

Bang. Bang. Bang. Bang.

Merda, acho que um deles pegou bem na tira do meu sutiã. Vou precisar de um novo...

Bang!

O último tiro é finalmente disparado. Eles começam a recarregar rapidamente, mal dá tempo das armas esfriarem. Eles são bons. São precisos.

Mas não são bons o bastante.

Agora era minha vez.

Respiro fundo. Fecho os olhos. Sinto a estrutura ao meu redor. Sinto as batidas dos corações dos colegas da Bellum, elas vão da ponta dos meus dedos do pé até o topo da minha cabeça. Posso senti-los. Quinze soldados, além dos três agentes atrás de mim. Bem armados, e com proteção. Aguentavam levar uma porrada, contanto que eu me contenha. Eles se projetavam em um semicírculo envolta de mim. Três caminhonetes militares se puseram em torno da limusine da Prefeita, duas do lado e uma atrás, com um soldado em cima da traseira de cada uma delas. Esses em especifico possuíam artilharia mais pesada que o resto, com armas táticas presas ao veículo, provavelmente as guardaram para a segunda saraivada de tiros. Havia mais dois carros-fortes de transporte para o resto do pelotão da Bellum. A artilharia especial poderia ser um empecilho, pois tiraria meu balanço. Concentração e foco... Quarenta e sete segundos. Era o tempo que eu tinha...

Era o tempo que eu precisava.

Solto o ar dos meus pulmões.

Abro os olhos.

Eles percebem. Estavam com medo de mim.

Deviam estar...

Eu avanço até o primeiro em super-velocidade, indo da esquerda pra direita. Pra eles, não existe mais uma garota parada no seu centro de visão, só um borrão verde vindo em sua direção. O mais próximo de mim está se cagando de medo, posso sentir o seu coração batendo tão forte que parece que só aquele equipamento de proteção estava mantendo-o no lugar. Eu o agarro pelo colete a prova-de-balas e o ergo no ar, arremessando-o no colega atrás dele. Os dois vão ao chão. Ouço algumas costelas quebrando.

Agora era um contra dezessete.

Avanço até o outro lado do carro-forte, mas por mais rápida que seja, um soldado em chão com um dedo rápido dispara sobre mim. Eu estava entre o carro-forte e uma das caminhonetes a direita da limusine, e os disparos ricocheteiam em mim e voltam no homem na traseira do veículo, uma das balas atingem com força seu capacete, o deixando inconsciente, mas a salvo. Eu agarro o fuzil do atirador e o puxo até mim. Ouço mais um osso quebrando, esse cara não vai atirar em ninguém por um bom tempo sem esse dedo. Eu despedaço a arma com minhas mãos e arremesso o cara em outro soldado que estava atrás dele, pronto para puxar o gatilho também. Com esses, são mais três.

Um contra quatorze.

Não havia me esquecido do Careca e seus dois amigos. Enquanto detonava os soldados, os três agentes imploravam por tiros limpos. Disparam contra mim umas quatro vezes. Eram bons, tentavam evitar os outros soldados, mas algumas balas perdidas poderiam ser prejudiciais. Eu vou em direção a eles, que diferente dos demais, não possuíam armaduras, então não podiam ser levados a sério, por mais que eu quisesse. E eu queria muito.

Eu levanto a limusine no ar e a jogo pela garagem.

O retrovisor bate na cabeça de um deles nessa brincadeira. Os outros dois não reagem de tanta surpresa. Eu corro e seguro eles, o Careca e seu amigo cabeludo (como a vida é irônica), e os levo ao chão. O soldado na caminhonete a esquerda da limusine de Bellum começa a atirar e me atinge bem no meio das costas.

Perco meu equilíbrio, assim como previ. Minha concentração some por um segundo. Respiro fundo e tento retomar o controle.

Vou em direção a limusine que estava caída com a carroceria para cima e arranco um pneu traseiro. O arremesso com força no atirador, que é derrubado da caminhonete e levado ao chão com um coro de ossos se partindo. Três ou quatro costelas, e um braço.

Um contra dez.

Muitos tiros veem até mim novamente. Ao voltar a posição inicial, os soldados viram uma janela para outra saraivada, só que eles possuíam um número consideravelmente menor de poder de fogo agora. E eu tinha mais três pneus.

Subo na limusine e arranco o solitário pneu restante da traseira e o arremesso no carro-forte da direita, em direção ao espaço entre o carro e a parede. Lá, o pneu atinge dois soldados. Não possuía visão clara, mas tinha certeza que foram incapacitados.

Vou em direção aos pneus frontais da limusine e arranco-os, segurando um em cada mão. Corro em direção a limusine de Bellum. Havia três soldados em cada lado da mesma. Arremesso o primeiro pneu na esquerda, em um ângulo perfeito, e o vejo voando até os três soldados.

Seus batimentos cardíacos se reduziram todos ao mesmo tempo.

O pneu atinge o primeiro, e os três vão ao chão em um efeito dominó.

Repito o processo do lado direito, e ouço o som da borracha entre ossos se partindo, levando consigo mais três soldados.

Ainda correndo, eu salto centímetros antes de atingir a limusine de Bellum, e caio em um arco sobre o carro. Eu quase a vejo pelo teto-solar, e imagino se ela está assistindo tudo isso, e se sim, o que passa pela cabeça daquela cobra? Meus olhos ardem só de pensar, e preciso me segurar para não explodi-la ali mesmo...

Antes de tocar o chão, o soldado que estava vendo um borrão verde em sua direção agora sentia uma repentina dor (muito forte) de cabeça. Eu o agarro pelo capacete com força, e puxo pra fora da caminhonete. Aterrisso de joelhos e levo-o ao chão. O impacto com o concreto ecoa por toda a garagem, e depois se perde em um silêncio tenso de fim da luta.

Me ergo devagar...

Cinquenta e um segundos.

— Que merda... Não consegui bater o recorde... – Sussurro para mim mesma – Perdi a manha, no fim das contas.

O suor escorre pela minha testa, e me recuso a levantar a cabeça por um segundo. O que me motiva é o olhar de pânico misturado com “quase-morto” que aquele soldado caído aos meus pés emite. Não gostava de olhar para aquilo.

Me viro, e vejo um universo paralelo. Era quase impossível para mim acreditar que aquele cenário imposto aos meus olhos já foi aquela garagem aonde fora levada como refém. O piso, antes plano, agora possuía rachaduras longas e grosseiras em todas as suas extremidades. A poeira levantada dava para fazer acreditar que uma tempestade de areia passara por ali. A limusine era agora somente um maço de aço e metal imponente que já foi um veículo, já que não possuía rodas para se mover. Os buracos causados pelas balas davam uma impressão de um céu estrelado mortífero naquele ambiente precário. A única coisa que se mantinha de pé era eu e a limusine branca, reluzente e imponente.

E o som ofegante da respiração daquelas pessoas caídas ao meu redor...

Alguns lutavam parar respirar. Outros sussurravam “socorro”. Muitas costelas quebradas, pernas e braços também. Dois deles tiveram seus pulmões perfurados. Sem assistência medica imediata eles podiam...

Eu estava pronta para erguer os dois soldados com machucados nos pulmões para socorre-los quando a porta da limusine branca se abre.

Espero uma reação, mais soldados, a própria Bellum... Mas não recebo nenhuma. Meus punhos se cercam e meu espirito se renova. Estava pronta para qualquer coisa que me mandassem...

Mas nada acontece.

A porta só permaneceu aberta, me chamando...

E eu entendi. Era um convite.

Nisso, eu relaxo meus punhos. Meu coração desacelera, e minha garganta resseca... E eu vou em direção a porta.

Relutante, eu entro no carro.

Agora era um contra um.

Notas finais
Então... Lá vai. Obrigado a todos vocês por escreverem essa fic. E sim, foram vocês, não eu. Porque se não fosse todo o feedback de vocês, que continuaram comentando (na verdade foram só dois comentários, mas foi o bastante pra mim) e simplesmente não parando de ler, eu não teria sentindo essa necessidade de continuar o que eu comecei. De repente, todos os planos, todas as ideais e toda a paixão por essa história que eu estava criando voltaram. E eu devo isso a vocês, porque eu simplesmente amo escrever, e toda a motivação que as vezes me falta e "recarrego" sempre que abro os comentários, que mesmo sendo poucos, me dão uma vontade enorme de continuar. Porque eu sinto que agora não é só pra mim, é pra vocês também. Então, sim, são vocês que movem esses dedos até as teclas. São vocês que escrevem essa história. Obrigado por doar um pouco do seu tempo para ler minha fic. Seria maravilhoso se vocês dessem um pouco mais de tempo comentando também. Acompanhando e favoritando então, nem se fala. Eu não tenho mais intenção nenhuma de parar de escrever. Nem vou mais fazer promessas falsas. Pode sim, demorar. Mas eu sempre vou tentar fazer valer a pena. Pode parecer que estou exagerando para vocês, porque estou no capitulo três aqui, mas é que na minha cabeça eu já acabei, e no Word já estou no quinto (revisando o sexto). Então rola um sentimento maior da minha parte por tudo isso :P Então... É isso. Até o próximo capitulo, gente ^-^ P.S.: Finalmente eu aprendi a responder os comentários! Então pode comentar sem medo que eu responde agora ;)