Pluto Will Always Be A Planet In My Room
15 Chapter 16 — Gravity
Existe uma diferença entre escolher alguém e aprender a ficar.
Duas semanas se passaram desde a noite em que decidimos “tentar como adultos”. Duas semanas de cafés compartilhados, risadas no metrô e beijos roubados na cozinha do meu apartamento minúsculo em Manhattan.
E também duas semanas de silêncio desconfortável quando o assunto “futuro” surgia.
Charlie estava sentado na minha cama, com o laptop aberto, encarando a tela como se ela pudesse lhe dar respostas.
— A transferência não é tão simples quanto eu pensei — ele disse, finalmente.
Eu já sabia. Ele vinha pesquisando há dias.
— Quanto tempo? — perguntei, apoiada na escrivaninha cheia de rascunhos e livros de literatura espalhados.
— Talvez seis meses. Talvez mais.
Seis meses. Em outra cidade. Em outra rotina.
O problema não era a distância.
Era o medo de repetir o passado.
— Nós conseguimos antes — ele tentou soar confiante.
— Não, Charlie. Nós sobrevivemos antes. Não é a mesma coisa.
O silêncio caiu pesado entre nós.
Eu odiava que parte de mim estivesse calculando probabilidades, como se amor fosse estatística.
Na semana seguinte, comecei oficialmente na editora. O escritório ficava no quinto andar de um prédio antigo no SoHo. Janelas enormes, mesas de madeira desgastada, pilhas de manuscritos esperando por alguém que acreditasse neles.
Eu me sentia viva ali.
Importante.
Inteira.
Meu chefe, Eleanor, me chamou na sala dela na sexta-feira à tarde.
— Riley, estamos expandindo um projeto internacional. Existe a possibilidade de você passar três meses em Londres no próximo semestre.
Londres.
Meu coração pulou — de excitação e de pânico.
— É… obrigatório?
Ela sorriu.
— É uma oportunidade.
Eu sabia o que isso significava.
Crescimento. Experiência. Sonho.
Mas também significava oceanos.
Encontrei Lucas naquela noite. Ele estava sentado no chão do meu apartamento, montando uma estante enquanto eu andava de um lado para o outro.
— Londres? — ele repetiu. — Isso é incrível.
— Ou desastroso.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Você sempre quis o mundo, Riley. Desde que éramos crianças olhando mapas na biblioteca.
— Eu também sempre quis estabilidade.
— Estabilidade ou segurança emocional?
A pergunta me atravessou.
— Eu amo ele — falei, mais baixo.
Lucas assentiu.
— Eu sei. Mas você precisa decidir se quer um relacionamento que cresce com você… ou um que precisa que você diminua para caber.
Eu sentei no chão ao lado dele.
— Eu não quero escolher entre amor e carreira.
— Então não escolha. Veja quem escolhe você também.
Quando contei a Charlie sobre Londres, ele ficou em silêncio por tempo demais.
— Três meses — ele disse, como se testasse o peso das palavras. — E depois?
— Depois eu volto.
— E se você não quiser voltar?
Eu senti a mudança na atmosfera. Não era acusação. Era medo.
— Você acha que eu estou procurando uma saída?
— Eu acho que você está correndo atrás do que sempre sonhou. E eu não sei se eu faço parte disso.
Aquilo doeu mais do que eu esperava.
— Você faz parte da minha vida. Mas minha vida não pode ser só você.
Ele passou a mão pelo cabelo, frustrado.
— Eu estou tentando, Riley. Estou tentando ser a versão de mim que você merece.
— Eu não preciso que você se transforme por mim.
— Então o que você precisa?
Eu demorei para responder.
— Que você caminhe comigo. Não atrás. Não na frente. Comigo.
Os dias seguintes foram estranhos. Não brigávamos, mas também não estávamos em paz. Era como se estivéssemos medindo forças contra uma gravidade invisível.
Na noite anterior à resposta final para a editora, Charlie apareceu com duas passagens impressas.
— Eu não posso me transferir ainda — ele disse. — Mas posso passar um tempo em Londres. Trabalho remoto. Economias. O que for preciso.
Eu olhei para os papéis nas mãos dele.
— Você não precisa provar nada.
— Eu não estou provando. Estou escolhendo.
Eu senti lágrimas queimando meus olhos.
— E se der errado?
Ele deu um meio sorriso triste.
— Então a gente aprende. Mas eu não quero perder você por medo.
A palavra “perder” ecoou dentro de mim.
Eu sempre tive medo de ser pequena demais para manter alguém.
Como Plutão.
Distante demais. Difícil demais.
Mas talvez eu estivesse olhando para isso da forma errada.
Talvez amar não fosse sobre manter alguém preso na mesma órbita.
Talvez fosse sobre confiar que, mesmo à distância, a gravidade ainda existe.
Eu respirei fundo.
— Eu vou para Londres.
Ele assentiu, os olhos brilhando.
— E eu vou com você, quando puder.
Não era um final perfeito.
Não era uma promessa eterna.
Era escolha.
Era movimento.
Era crescimento.
Enquanto ele me abraçava, eu percebi que pela primeira vez não estava escolhendo entre amor e futuro.
Eu estava escolhendo a mim.
E esperando que ele escolhesse ficar — não porque precisava, mas porque queria.
A cidade lá fora continuava pulsando, indiferente às nossas decisões.
Mas dentro daquele apartamento, pela primeira vez, a gravidade não parecia uma força que nos puxava para baixo.
Parecia algo que nos mantinha conectados.
Mesmo quando o universo ficava maior.
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