Plus Que Des Amis
1 Neblina
Notas iniciais
Liesel kisses.
As pálpebras estavam pesadas, não lembro ao certo quando adormeci, a ultima noite foi uma das mais longas desde o meu rompimento com Selena. Nossa amizade havia sido a coisa mais intensa que já vivemos, até o momento em que decidi contar-lhe os meus reais sentimentos.
Um mês e meio se passou e as únicas pessoas com quem falei foram os caixas do supermercado; não atendo ligações, tão pouco à porta, sinto-me completamente vulnerável, a única pessoa a quem confiaria meus sentimentos ameaçava desaparecer da minha vida.
Meu rosto como em todas as manhãs do ultimo mês, estava levemente avermelhado e as olheiras insistiam em completar a aparência fantasmagórica. Seria aquela a quadragésima noite em claro se em algum momento não tivesse desmaiado em meio às lágrimas. Superar esta fase não está em meus planos, prefiro habituar-me ao estado de apatia.
Mais um período da faculdade se inicia, o convívio social me amedronta, porém jamais abandonarei minha futura carreira de advogada.
Estava tudo exatamente como me lembrava, o ambiente calmo de mentes agitadas permanecia acolhedor, e por mais que gostasse de percorrer seus corredores, distante da companhia de Selena me parecia uma tarefa deprimente; durante a minha torturante tour pelo campus questionavam-me sempre sobre sua presença e surpreendiam-se com a resposta de que não mantínhamos contado há algum tempo.
Ao soar do primeiro sinal dirigi-me à sala a passos lentos.
A aproximação foi cuidadosa, evitei olhar em seus olhos quando me sentei ao seu lado, como em todas as outras vezes, não obtive sucesso e fitei-os; ao contrário do esperado eles sorriram para mim com um ar de simpatia.
--- Demi, senti sua falta — Selly me abraçava ternamente – Por onde você andou?
--- Supus que minha presença seria desprezível aos teus olhos – Disse fria
--- O que conversamos antes não implica de forma alguma em nossa amizade, eu não permitiria que o fizesse.
--- Mas você... – Fui interrompida
--- Eu estava confusa, ainda estou, masnossa amizade é mais importante. – Aquelas palavras me confortavam e perfuravam meu ego ao mesmo tempo. Então respondi o que estava em minha mente.
--- Eu não quero te perder, mas recuso sua amizade, pois da mesma maneira que me dói a tua ausência, se faz mais forte tê-la ao meu lado sem possuir o seu amor.
--- Não se precipite.
--- Está decidido. Agora percebi em seu abraço e em suas palavras de amizade que a dor associada a elas é maior que a ferida criada pela quaresma de lágrimas desde que você rompeu comigo.
--- Me desculpe.
--- Não é sua culpa. – Novamente as lágrimas brotaram seguidas por um abraço que eu julgava ser de adeus.
A tranqüilidade da aula levou-me as lembranças amargas. Tentei ignorar a presença da figura amada ao meu lado, tal atitude impossibilitada pela mesma que insistia em deixar à mostra toda sua graciosidade e persistência em conservar nossos laços de amizade, o que me doía a cada instante em que ela me chamava pelo nome. Hesitei em fazê-lo mas acabei magoando-a de uma vez por todas, mas antes magoando a mim mesma por deixá-la triste.
A decisão tomada fora dura porém a mais viável no momento, ter Sel tão próxima de mim era perigoso, se ela queria preservar nossa amizade por mais contraditório que possa parecer a única maneira de realizá-lo seria nos afastando. Seria fácil perder o controle diante do sentimento aprisionado.
A cada dia pesava mais em minha mente magoá-la de tal maneira, na verdade, não existia maneira correta para magoar alguém que se ama. Pode soar um tanto manipulador, mas eu gostaria de saber até que ponto eu seria realmente importante na vida dela, manipulador até demais. Atitude maquiadora para a explosão de desejo que estava em minha pele.
Continuava sentando ao seu lado como sempre fora, não gostava de responder questionamentos vindos dos colegas de classe e dos professores de direito que insistiam em nos pôr juntas na dupla de debates. Havia um previsto para a próxima segunda, debates da disciplina de Mr. Harry exigiam muita pesquisa e dias de preparação argumentativa. A dupla de sempre, como ele gostava de chamar: The SemiSI, estava formada.
--- Temos que preparar isso, mas antes precisamos conversar. – Selena adiantou-se
--- Claro que temos de conversar, isso é debater. – Fiz-me de desentendida.
--- Poupe-me do seu sarcasmo. Temos assuntos sérios a tratar, não desistirei de uma amizade tão sincera.
--- Tudo bem, amanhã na minha casa, apareça o horário que você desejar. — Levantei guardando os livros em vez que o sinal para a troca de sala havia soado.
O som estridente da campainha dominava o ambiente, eram pouco mais de duas da manhã, o silêncio era a única coisa que devia pairar contrariado pelo ser insistente à porta do meu apartamento. Desci vestida em um hobby de seda negro, descalça e desprevenida para com a surpresa após se revelar o dono da insistência noturna parado com um olhar confuso.
Notas finais
Liesel.
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