Notas iniciais
Tenho um novo capítulo para vocês, e o meu muito obrigada a quem leu, mandou review e está acompanhando a história.
Este não é o meu capítulo favorito, mas acredito que ele seja realmente necessário para que vocês possam entender o rumo que a narrativa tomará a partir de agora.

[...] O som estridente da campainha dominava o ambiente, eram pouco mais de duas da manhã, o silêncio era a única coisa que devia pairar contrariado pelo ser insistente à porta do meu apartamento. Desci vestida em um hobby de seda negro, descalça e desprevenida para com a surpresa após se revelar o dono da insistência noturna parado com um olhar confuso. [...]

– Você me disse para que viesse quando desejasse, bem, seu nome ecoava em minha mente desde a ultima vez que nos vimos, então achei que seria esse o momento certo. – Selena estava à porta com inúmeros livros no colo.

– Nem se quer pensou nas minhas horas de sono. – disse blefando

– Se quiser eu posso voltar outra hora. – estava caindo em meu jogo

– Esta seria a quadragésima segunda noite sem dormir pelo peso de sua ausência, te deixar partir seria um erro imperdoável.

– Tudo bem, que comecemos então. Adiantei-me e fiz algumas pesquisas sobre casos que foram encerrados sem passagem pelo tribunal.

– Me recuso a acreditar que Selena Gomez tenha tocado a campainha da minha residência às duas da madrugada para falar sobre um debate insignificante. Você realmente veio para isso?

– Na verdade eu vim para isso. – depositou os livros na mesinha de centro, e pôs a mão delicada mente em minha nuca aproximando nossos rostos e selando um beijo; seus lábios eram doces e gentis, os movimentos suaves. Um impulso repentino empurrou-me e num silêncio desconfortável retirou-se.

Se as outras noites foram duras não me recordava, tudo que permanecia em minha mente era o gosto dos lábios de Selena, lembrar daquele momento me fazia delirar, me incendiava, e então a lembrança de sua partida encobria todas as outras.

Os corredores estavam vazios, situação diferente do cotidiano, a sala estaria aos fantasmas, mas a dona do meu coração insistia em poluí-la com a cena de seu beijo com um desconhecido, fugi batendo a porta com força para que me notassem, funcionou, fui perseguida pela mesma até o banheiro.

– Demi, me perdoe por ontem.

– Você acha que realmente merece as minhas desculpas? – Subi o tom.

– Eu não pude me conter, mas podemos conversar se você preferir.

– Cansei disso, sempre que nos encontramos eu termino magoada e você me propõe conversas e mais conversas, isso não é suficiente para mim. – A voz saiu baixa e chorosa.

– Ficará tudo bem, eu não vou magoar-te novamente. – Me abraçava, minhas lágrimas caiam em seu ombro.

– Promete?

– Prometo.

Após a aula seguimos para o meu apartamento, a tão esperada conversa aconteceria enfim, seria um momento decisivo, o fim ou talvez o começo de tudo. Minhas mãos estavam trêmulas, os lábios secos e os batimentos acelerados, entretanto Selly se demonstrava calma, não parecia que teria uma conversa importante, ou mesmo relevante.

– Bem, estou confusa sobre algo – estava de costas para ela, preparando uma xícara de meu café francês favorito.

– Sobre o que?

– Lembro-me de ter te contado sobre o que sentida, de ultrapassar as barreiras da amizade, de sentir um pouco mais, e sua reação inicial foi me abandonar em silêncio. Por que essa reação diferente agora? – Encarei-a

– De inicio eu estava confusa, não entendia como você podia ter se apaixonado por mim, até eu me ver sem você e perceber que também sinto a mesma coisa. – Aproximando-se a cada palavra tirou o objeto de minhas mãos me segurando pela cintura, depositou um beijo em meu ombro e firmou o abraço.

– E o garoto que você estava beijando esta manhã?

– Eu não o conheço, ele simplesmente me agarrou. Esquece isso.

– Não é tão fácil esquecer a dor de ver minha menina nos braços de outro.

– Mas agora eu estou aqui nos seus braços, não é mesmo? – Me apertou ainda mais.

– Saiba que não vou deixar você fugir deles tão facilmente.

– Por que fugiria se com você tenho tudo que... – Foi interrompida pelo toque de seu telefone.

“ – Alô, sim, sim.Ok, estou indo.”

– Demi, preciso ir, nos falamos depois – Mandou um beijo pelo ar e partiu, novamente me abandonava sem explicações.

SELENA POV.

Adam me ligou em um momento inoportuno, precisava convencer Demi de que meus sentimentos eram reais, não será uma tarefa difícil, mas um tanto complexa. Cortava-me o coração vê-la sofrer por minha causa, enganá-la era a saída mais fácil, um tanto divertido.

– Selena por onde você andou? Estou te esperando há horas. – Senti os braços fortes de meu namorado me envolverem.

– Estava por ai resolvendo uns problemas.

– Então, pensa que tem o direito de me deixar esperando? – Ainda fazia seu joguinho.

– Não valeu à pena esperar por isso? – Beijei- o.

– Não, mas por isso valeu. – Sentou-me em seu colo e me mordeu por todo o pescoço.

DEMI POV.

Talvez não fosse de todo mal, talvez tudo precisasse acontecer. Todos podiam perceber a minha felicidade, o sorriso no rosto intrigava a todos que me viram tristes durante toda a semana. A biblioteca era do outro lado do campus, lá encontraria minha parceira para o debate, faltavam poucos dias e os problemas pessoais estavam atrapalhando minha vida de universitária.

Encontrei quem procurava, mas ao seu lado estava novamente o “desconhecido” da ultima vez. Apenas observei de longe, eles pareciam muito animados em uma conversa. Ela estava mentindo para mim, ela o conhecia, ele a tratava bem, com certo carinho até. Esperei que fosse embora para finalmente me aproximar.

– Você gosta muito de conversar com desconhecidos, não é mesmo?

– Ah, Demi, oi! – Abriu um enorme sorriso, e me beijou ali mesmo, sem medo dos comentários, não correspondi em nenhum momento, então ela parou. – Qual o problema, não quer que todos saibam?

– O problema é que você me falou que não conhecia aquele garoto, mas estava agora mesmo em uma conversa muito animada com ele. – Falei em tom de ironia.

– Então, tudo bem. Sim, eu o conheço ele se chama Adam e é meu amigo.

– Que tipo de amigo beija suas amigas?

– Eu não sei, ele tem uma queda por mim, ou algo parecido, mas eu só tenho olhos para você, e tu bem sabes disso.

– Já não tenho tanta certeza.

– O que eu preciso fazer para que você acredite?

– Peça pra esse garoto, Adam..., não importa como se chama, te deixar em paz, ou peço eu mesma.

– Não, eu mesma o farei, porém não garanto uma resposta positiva da parte dele.

– Se não funcionar darei um basta nisso. Bem vamos ao trabalho então. – Mesmo mudando de assunto ainda restavam dúvidas sobre o tal garoto, Selena me parecia muito radiante com a sua presença, o brilho em seus olhos era diferente.

– Ei, eu estou falando com você, em que mundo você está? – Sel gritava comigo, me perdi em meus pensamentos por um instante.

– Ah, sim. Eu já encontrei o caso perfeito para apresentarmos no debate segunda. Está aqui, fiz cópias para você.

Notas finais
Obrigada por chegar ao final de mais este capítulo, estou realmente grata pela sua dedicação.
Liesel.