Plurais

1 I - Deixa-me voar para a lua.


Notas iniciais
Dia 5 - Gay.

Se eu houvesse nascido como uma estrela, eu estaria brilhando onde todos pudessem me ver, e eu não seria esquecido mesmo que eu me fosse.

Eu queria ser importante para ele mesmo que eu me fosse. Minto. Eu queria não precisar morrer para que ele me dissesse que eu estava errado, e que realmente me amava.

Foi por pouco. Para lá e para cá em insinuações que me tiravam do sério. Éramos tão próximos, tão perigosamente próximos para minha saúde. Eu queria jurar a mim mesmo que era seguro, que ele nunca riria de mim se eu dissesse.

Mas eu pouco tive coragem. E ele esperou antes de ir para aquela viagem, e eu me arrependo tanto. Não pela namorada que conseguiu no exterior. Mas de não ter me dado uma chance, acima de tudo. Mesmo que nossos papéis permanecessem da mesma forma.

Porque eu sabia, ou devia saber na época, que eu valia a felicidade que temia em alcançar.

Eu nunca fui sozinho, mas querendo ou não, pensando, ele acabou por ser a minha estrela, para que eu não me repetisse desse jeito. E quando fiz isso, eu realmente pude achar a felicidade que era, dessa vez, abraçá-lo apertado em um futuro que eu não previ.

Ele estava lá com todo o seu brilho.

*

Ele não olhava muito para o céu, mesmo que eu lhe pedisse. Ele dizia que não devia nada às estrelas, apesar de não tirar os olhos de sua câmera, o mar em foco.

A água é múltipla, ele dizia, e tirava mais uma foto de uma onda. Outra e outra. As crianças brincavam na água, e nós estávamos molhando os pés em sua superfície.

Ele dizia que a água era múltipla, então por que nós não poderíamos ser também? O que você me dizia era um mistério, mas acho que eu conseguia entender.

Estava sempre querendo evitar tocar aquela estrela no céu como se o mundo inteiro fosse se quebrar. Mas havia tantas, tantas outras que não seria mal pegar uma delas para mim, ou nos alcançamos?

*

Eu nunca fui sozinho, mesmo que não tivesse o apoio de minha família. Tive a sorte de poucos: desde cedo, tive amigos que me deram suporte. Todos com suas dificuldades cotidianas, mas que faziam o seu melhor no dia a dia. Eram com quem eu podia contar tudo. Até mesmo sobre “ele”.

No fim, eu tinha o melhor apoio, mas ainda tinha que fazer as minhas próprias decisões. Haviam limites do quanto eles poderiam andar pela minha pessoa. Por isso, naquele dia quando o futuro imprevisível se mostrou para mim, fizemos uma pequena festa com todos. Eu não poderia estar mais contente.

Era como se eu sempre tivesse uma constelação própria aos meus olhos, mas só naquele momento estava vendo com clareza suficiente. De noite, eu não desejei nada aos brilhos celestiais, mas ainda assim sentia que eles me abençoavam em seu silêncio.

Uma mensagem de celular, entretanto, me sobressaltou um pouco de meu adormecer. Parecia que eu ainda iria ficar um pouco acordado.

Notas finais
Até!