Please remember me.
4 Capítulo 4 - Ciúme
Notas iniciais
Alex estava na escola, no horário da manhã. Era o intervalo e ele discutia sobre o jogo, do dia anterior, com os jogadores e as líderes de torcida. Todos estavam sentados, em uma mesa do pátio.
–Alex. — Nicole apareceu, sentando no colo dele. — Você não acha que está na hora de terminar com a Clara? — Perguntou, fazendo o garoto rir e a tirar do colo.
–Nicole. — Alex disse, calmamente pegando nos cabelos dela e fazendo-a se aproximar. — Eu não gosto de meninas que ficam dando em cima de caras que namoram. — E sorriu de forma intimidante. Nicole ficou vermelha de raiva e apressou-se a sair, seguida de Kelly e Rebeca, suas amigas.
Ambas eram loiras e muito mimadas, sempre tentando se intrometer entre o namoro de Alex. Ele, ao contrário de outros meninos, não gostava de tipos como Nicole: loira, pomposa, metida e enjoada.
–Elas não se cansam? — Michael perguntou, olhando Nicole ir embora. Os dois estavam conversando, antes dela aparecer. Michael é um negro que faz parte do time de basquete, e Alex o conheceu antes mesmo de Clara. — Clara ficaria furiosa se visse a cena, Alex. — Falou como que alertando seu amigo.
–Com certeza — Alex lembrou de algo e sorriu sarcástico para Michael. — Apesar dela estar muito bem, em Londres. Fez até amizade com um cara lá, um tal de Patrick.
–Alex, você está com ciúmes? — Michael riu, fazendo Alex rir também. — A Clara é incrível. Consegue te deixar assim, o melhor atacante do time de futebol ficar sofrendo por causa de um "ciúme".
–Cala a boca. — Alex deu um soco leve no braço de Michael.
–Hey,cara, isso doeu! — Michael disse, brincando. Ele reparou no anel de Alex, na mão direita. — Aliança? — Michael perguntou.
–É, comprei à pouco tempo. — Abriu um sorriso feliz, lembrando da dificuldade para encontrar a aliança perfeita. Ele passou por várias lojas e achou as ideais , que combinavam com o tom da pele dele e de Clara.
–Você é muito cego, Alex! Fica brisando que nem bobo, cara! — Michael disse, fazendo Alex sair do transe. — A Clara te deixa perdido, velho. Você tem dificuldade para respirar, quando ela não está com você?
–Ás vezes. — Ele brincou. — Na maior parte do tempo. — Se corrigiu, rindo com o amigo.
–Você precisa de um médico, cara. — Michael disse. — E não é um médico qualquer, tem que ser cardiologista profissional da universidade de Massachusetts. A doença "tá" fazendo muito efeito e subindo para a cabeça, amigo. Precisa de um médico logo, ow! — Deu um tapa nas costas de Alex, brincando.
–Quer ser meu terapeuta do amor? — Alex soou sarcástico.
–Nem "fudendo", cara. — Michael respondeu, quando o sinal tocou. — Vamos! Se você não levantar, ninguém levanta. — Michael apontou para as mesas, no qual todos estavam sentados: o time e as lideres de torcida.
–Eu sei, eu sei. — Falou levantando. — Vamos pessoal, todo mundo desaparecendo! — Disse batendo palmas. Todos se levantaram e foram se dispersando, na multidão, seguindo para o corredor.
Michael era alto, bem mais alto que Alex e mais robusto. Ele gostava de Clara como amiga, e apoiava o namoro dos dois, mesmo quando Alex ficava completamente distraído, em seu mundo com Clara.
Os dois tinham a mesma aula e foram para a sala juntos.
Alex pensava sobre o novo amigo de Clara, Patrick, mesmo na aula de física com a pior professora da escola. Ela era muito brava e não gostava que dormissem ou se dispersassem na aula dela. Alex estava fazendo o que ela não gostava: olhando para a janela e pensando em Clara e Patrick, enquanto ela explicava um exercício na lousa.
–Sr. Lonson! — A senhora Carmen gritou, chamando a atenção de Alex. Ele se virou e olhou para ela, nem um pouco surpreso. — Poderia resolver esse problema? — Ela o desafiou, sabendo que ele não prestara atenção em suas aulas.
–Claro, com todo o prazer Sra. Carmen. — Alex bocejou, se levantando e seguindo até a lousa. Ele achava as aulas dela muito fáceis e resolveu o problema rapidamente, sem esforço. — Pronto. Feito. — Disse após colocar o último número e deixar o giz em cima da mesa, sorrindo para a velha Carmen.
A Sra.Carmen olhou para a lousa analisando cada detalhe para ver se achava algum erro. Todas as fórmulas estavam corretas e o resultado era o mesmo que o da apostila. Ele tinha acertado tudo e ela estava totalmente humilhada e com raiva.
–Pode se sentar, Sr. Lonson. — Falou sem alterar a voz. — E não pense só porque acertou o exercício que pode ficar se distraindo na minha aula. — Avisou com um olhar terrível e ameaçador.
–Sim, senhora. — Alex disse, voltando para a carteira. Os alunos murmuravam e falavam orgulhosos dele, dizendo que ele era incrível por desafiar a Sra. Carmen.
Alex não prestava atenção nos comentários e nem na Sra. Carmen. Ele continuou a olhar a janela, onde haviam dois pássaros em cima da árvore e um ninho sobre o galho. Lembrou-se de Clara quando criança, cuidando de um passarinho que estava ferido, não podendo voar. Ela cuidou dele durante uma semana, até que pudesse novamente voar. Clara adorava o pequeno passarinho marrom, e chorou muito quando este voltou a voar e foi embora para bem longe. Alex foi quem ficou ao lado dela quando chorava no parque sozinha, com 12 anos e ele 13.
–Clara! — Grazielle gritou das escadas. — Anda logo!
–Já vou! — Clara respondeu estressada. — Mas que droga! — Resmungou descendo as escadas.
Clara estava nervosa, pois não gostava quando a acordavam , exceto o Alex. Ele era muito gentil chamando-a pelo nome, sussurrando em seu ouvido e passando a mão em seus cabelos até ela abrir os olhos. Quando Alex a acordava assim, Clara sempre sentia-se bem, disposta a fazer tudo e alegre o dia todo.
–Clara, a comida já esfriou! — Grazielle lavava a louça. — Você devia ter descido mais cedo! Todos já comeram, menos você. E, já são 21:00 horas! — Grazielle olhou para o relógio da cozinha.
–Mãe, eu entendi. — Ela apertou os olhos. Estava com dor de cabeça. — Eu lavo o prato depois de jantar. — Avisou, antes de discutir com a mãe. Pegou o prato e pôs a comida, depois esquentou no microondas.
Clara estava com sono e mal humorada, bricando com a comida. O macarrão com molho de tomate não era o seu preferido, mas ela ainda comia, mesmo estando sem fome. Seu iphone estava em cima da mesa, com a foto dela e do Alex na tela bloqueada. Ela o levava á qualquer lugar, até no banheiro. Ele começou a tocar e ela largou o garfo, atendendo. Era a Jessie.
–Alô? — Clara disse. — Jess?
–Oi, Clara! — Jessie respondeu, animada. — Amiga, desculpa, eu estava no hospital. Minha tia sofreu um acidente e eu fiquei com ela o tempo todo, até agora. Não pude sair de lá, sorry.
–Tudo bem. — Clara disse, depois ficou entusiasmada. — Jess, eu achei um cara perfeito para você!
–Quem?! — Jessie sorriu através do celular. — Quero toda a informação. Ele é gato?
–Jess, ele se chama Patrick e é do jeito que você sempre quis: lindo, atraente, alto, moreno e bom de conversa. — Clara pensava em Alex quando disse as palavras "lindo" e "atraente".
–Como o conheceu? — Jessie estranhou, quase se esquecendo de perguntar.
–No avião. Ele estava sentado do meu lado e me ajudou a pôr o cinto de segurança, quando não entrava. — Clara afastou o prato e apoiou o braço na mesa.
–O cinto não entrava?! — Jessie riu. — Você está precisando de um regime, amiga.
–Ai Jess, como você é idiota. — Clara riu. — O cinto não entrava porque ficava enterrando e não porque estou gorda.
–Ok, e depois? — Jessie perguntou, mas atropelou a pergunta e fez outra. — Você contou ao Alex?! — Falou apressada.
–Sim, por que? — Clara não entendia.
–Clara, como você é idiota! Você disse tudo, até a parte do "lindo, atraente, alto, moreno e bom de conversa"?! — Jessie disse, lentamente, para confirmar.
–Eu não falei tudo, só disse que ele era alto,moreno, bonito e bom de conversa. Não falei o "atraente" nem o "lindo".
–Tanto faz, dá no mesmo! E ele não disse nada?! — Exclamou com a inocência da amiga.
–Não, mas a gente quase que brigou. Eu perguntei se você e o Patrick dariam certo e ele respondeu que não porque a distância é muito grande e você nunca viu o Patrick, pessoalmente, nem ele a conheceu. — Clara se emburrou.
–Clara, você já pensou em alguma vez na possibilidade de seu namorado estar com "ciúme"? — Jessie perguntou, calma, para não gritar com Clara.
–Bom, não, porque ele é o meu namorado, certo? — Clara respondeu, como se fosse óbvio.
–Sim, mas não quer dizer que ele não tenha ciúmes. — Jessie não sabia se gritava ou se perguntava se Clara estava bem.
–Por que ele teria ciúmes quando eu disse, várias vezes, que o amo? — Clara disse e Jessie bufou.
–Porque ele é um cara que te ama demais e... você não está perto dele! — Jessie estava inconformada com as perguntas dela. — Só para você saber, a diferença de horário é de 8 horas! Aqui na Califórnia são 13:00horas e aí é 21:00horas! — Jessie disse, olhando o relógio de pulso da Michael Kors.
–Eu sei a diferença de horário, Jess. — Clara riu. — Mas se o Alex está com ciúmes então ele está sendo muito infantil. Será que eu ligo para ele?
–Não sei, o namorado é seu. — Jessie deu de ombros e mudou a conversa. — Mas, então, depois me apresenta esse Patrick.
–É claro que eu te apresento! — Clara sorriu. — Você vai gostar dele.
–Ok, amanhã eu te ligo e nós conversamos. Você deve estar consada e eu sei que você vai ligar para o Alex e ficar a noite inteira conversando com ele. — Jessie disse, fazendo Clara rir. — Beijos e boa noite, amiga. — Falou, por fim.
–Boa noite, Jess. — Clara ainda ria, lembrando que estava de dia na Califórnia. — Te ligo amanhã.
–Ok, beijos. — Jessie repondeu, depois desligou.
Clara estava indecisa. Não sabia se ligava para o Alex ou não, e o que diria se ligasse?
Clara não se importou e só discou o número, esperando ele atender.
–Alô? — Alex respondeu ofegante. — Clara?
–Alex? — Clara não sabia o que dizer e se concentrou na voz dele. Ele parecia estar cansado. — Onde você está?
–No vestiário do clube. — Alex descansava no banco. Ele tinha acabado de sair do treino e estava sem fôlego. — Aconteceu alguma coisa?
–Não, só liguei para ouvir sua voz. — Clara mentiu, brincando com o garfo.
–Ah, como minha namorada é fofa. — Alex sorriu jogando os cabelos para trás. — Ela me liga só para ouvir minha voz. Tem alguém tão fofa quanto você, Clara?
–Tem, você. — Riu, deixando o garfo e brincando com uma mecha de cabelo.
–Hey, eu não sou "fofa", eu sou "fofo". — Alex falava, orgulhorso.
–Que meigo, meu namorado é fofo. — Clara soou irônica. — Além de lindo, inteligente e fofo, meu namorado também é convencido, com o ego de um príncipe.
–Sempre, minha flor. — Alex disse fazendo Clara rir. Ela se levantou e pegou o prato, indo para a pia.
–Alex, como você é bobo. — Disse de um jeito carinhoso. — Você não está mais com ciúme?
–Ciúme de quem? — Alex estranhou a pergunta, repentina.
–Do Patrick. — Clara abriu a torneira. — Você estava com ciúme dele, não estava?
–Não, por que? — Alex falou sem alterar a voz. Ele achava estranho Clara mencionar o seu novo amigo e a quem ele estava começando a não gostar.
–Tem certeza? — Ela estava desconfiada. — Nem um pouquinho? Nem quando discutimos ontem?
–Bom... Só um pouco. — Ele estava se trocando, vestindo uma bermuda branca e depois a camiseta preta com gola V, enquanto Clara lavava o prato e o celular ficava em cima da mesa, no viva voz.
–Jess estava certa. — Clara falou alto, sem pensar.
–Com o que "Jessie estava certa"? — Alex parou. Jessie percebia muitas coisas e sempre observava Alex e Clara como um cupido. Ela consertava os desentendimentos dos dois e Alex sabia o que Jessie fazia. Ela era uma boa amiga e isso ele não duvidava.
–Ah... Uhm, ela falou que você provavelmente estava com ciúme quando contei sobre o Patrick e nós quase que discutimos ontem, não é? — Clara hesitou ao falar. — Você estava com um pouco de ciúme, não estava? — Refez a pergunta.
Alex não respondeu de imediato e pensou em cada palavra de Clara. Jessie estava certa. Alex estava começando a não gostar de Patrick e principalmente porque, não era ele quem estava o mais próximo possível de Clara e sim Patrick, morando no mesmo país que ela. Alex pegou a mala e saiu do vestiário, batendo a porta e esbarrando em alguns jogadores, que passavam.
–Alex? — Clara o chamou, depois de ouvir a batida da porta, pelo celular, e ele ainda não respondera á pergunta. — Você continua com ciúme do Patrick? — Perguntou novamente. Ela estava muito concentrada para ouvir a resposta dele e até parara de lavar o prato, deixando a água escorrer.
–Não, Clara. — Ele mentiu, franzindo o cenho. Mas Clara reparou na mudança de voz dele. — Por que eu, teria ciúme de um menino que você conheceu á pouco tempo? — Alex apertou a mão, no qual estava livre e começara a ficar vermelha pelo aperto.
–É, por que? — Clara disse, voltando a lavar a louça. — Por que você teria ciúme de alguém quando eu disse que te amo tanto, várias vezes? — Clara confessou, fazendo Alex relaxar. Ele estava sendo idiota ao ficar com ciúme de Patrick e ele sabia muito bem que Clara não o trocaria por nenhum outro garoto. Ele tinha isso em mente toda vez que Clara confessava o quanto o amava.
–Tem certeza que você me ama? — Alex soou divertido, provocando Clara. Ele estava no caminho para a saída da escola, passando pelo pátio e o corredor.
–É claro que eu te amo! — Clara exclamou. Ela terminara de lavar a louça e passava para a sala, subindo as escadas, com o celular no ouvido, não mais no viva voz. — Alex, você ainda pergunta se eu tenho certeza?! Depois de todos esses anos convivendo com você e provando a cada dia que você era mais importante que qualquer um dos meus ex-namorados, Alex, você vêm me perguntar isso agora?! — Clara estava mais que convencida. Ela tinha certeza que amava ele desde que o conhecera.
–Depois do que você disse não tem como eu justificar o meu ciúme, certo? — Alex sorriu sem perceber que Nicole estava olhando, quando ele descia as escadas, da escola, indo para a calçada. Nicole o seguiu.
–Alex! — Nicole se aproximou, pondo a mão em seu ombro. — Vamos sair algum dia desses? — Ela falava bem perto de seu rosto e Clara ouviu a voz de Nicole.
–Alex, deixa eu dizer "oi" para Nicole. — Clara mandou, com raiva. Ela odiava Nicole, pois ficava dando em cima de Alex e na cara dura, sem se importar com ela estar ali ou não.
Alex passou o celular para Nicole.
–Alguém quer mandar beijos, Nicole. — Ele sorriu, se divertindo. Nicole estranhou, sem saber quem era. Ela pegou o celular, da mão de Alex.
–Alô? — Ela atendeu.
–Olá, Nicole. — Clara disse, sentada na cama. Seu quarto estava pronto e com os móveis postos, cada um em seu lugar. A escrivaninha ao lado da cama, a TV Led de 32 polegadas estava sobre uma mesa, de frente para a cama, o armário decorado e com portas espelhadas estava na parede ao lado da escrivaninha e havia também um criado mudo, perto da janela. A janela estava aberta, com as cortinas brancas balançando sobre a brisa de Londres em uma noite calorenta e Clara estava de pijama, com shorts e uma blusinha baby-doll, ambas em conjunto de um azul turquesa. — Está se divertindo sem a minha presença? — Perguntou.
–Muito, querida. — Nicole sorriu para o Alex e ele devolveu o sorriso, mas cínico. — Vocês já terminaram? Porque, ele não te ama. — Mentiu na frente dele e ele se divertia.
–Claro que não, piranha. — Clara disse com raiva e começou a apertar o travesseiro que estava do seu lado. — E nem pense que nós terminaremos porque, MEU namorado não é de trair e ficar com piranhas que se acham lindas, mas que são burras e metidas igual a p****. Beijos, Nicole. E vê se passa o celular para o MEU NAMORADO porque eu preciso falar com ele.
Nicole devolveu o celular de Alex com raiva e virou as costas, batendo os pés.
–O que você disse á ela? — Alex perguntou. Ele achava interessante quando Clara ficava nervosa, com Nicole e com as outras garotas por darem em cima dele. Ele gostava da expressão dela quando mandava uma das garotas ir embora. Pena que ele não podia vê-la agora, se mordendo de raiva. Isso o divertia e ele achava fofo.
–Eu só disse o que ela precisava ouvir. — Clara bufou. — Quem ela pensa que é se aproximando de você! Piranha descarada! Só porque eu não estou aí que ela pode ir agarrando você!
–Agora não sou eu quem está com ciúme, não é? — Alex sorriu, apreciando o momento de crise de Clara. — E, ela não estava me agarrando, Clara.
–Ah, é? Então como que eu ouvi a voz de Nicole tão de perto? — Clara perguntou, pegando um papel em cima da escrivaninha, ao lado da cama, e um lápis preto. Ela começou a fazer um desenho. Era uma casinha, que depois foi completada com uma fonte, um jardim e uma linda família sentada em uma mesa ao lado de uma árvore. O desenho virou uma paisagem do sonho de Clara. Ela estava com o Alex, no jardim florido, e seu pequenino filho loiro.
–Clara? — Alex chamou. Ele estava preocupado por Clara não dizer nadam após um tempo. — Você não está chorando, está? — Perguntou preocupado.
–Não, porque eu choraria? — Clara riu admirando o trabalho. — Eu estava desenhando.
–Humm... E como é o desenho? — Alex ficou curioso, atravessando a rua da antiga casa de Clara, que era caminho para a sua. Ele parou e observou a ex-casa dela.
–É um sonho que eu tive. Você, eu e nosso filhinho. — Clara passava a mão no desenho. — Nós estamos em nossa casa, no jardim, e fazemos um piquenique á tarde. Você me abraça cuidadosamente e eu seguro nosso filho. Ele é sua cópia. Loiro, lindo,fofo e com seus olhos azuis.
–Queria ver o desenho. — Alex sussurrou, extremamente sexy e romântico. — Você não vai me mostrar, vai? — Perguntou carinhoso. Clara não sabia o que falar.
–É claro que eu te mostro, meu amor. Vou tirar uma foto e depois te mando por e-mail. — Disse sorrindo gentil e angelical.
–Mas eu quero ver agora, Clara. — Ele a provocou com sua voz doce. — Eu queria ver o meu "filhinho" agora, mi amor. — Disse, fazendo Clara corar só por pensar nele, a abraçando e sussurrando isso em seu ouvido. Ela nãõ resistia aos encantos dele. O cara era muito sexy.
–Alex, você está me deixando envergonhada. — Disse ainda vermelha. Ele voltou a caminhar, até sua casa.
–Por que está com vergonha? Não quer ter um filho, meu? — Brincou, rindo. Agora Clara estava muito vermelha, mas muito vermelha e escondendo o rosto com o travesseiro.
A porta do quarto de Clara estava aberta e Jake passou, achando estranho como Clara estava: vermelha e abraçando o travesseiro, com o celular no ouvido.
–Clara, você parece uma pimenta! — Jake gritou, da porta. Alex o ouviu e começou a rir.
–Shiiuu, Jake!! — Clara disse, com o dedo na boca, mostrando um sinal para que ele não dissesse nada. Jake entrou no quarto e sentou ao lado de Clara.
–Jake está aí? — Alex perguntou.
–Sim, do meu lado. Quer falar com ele? — Clara sabia que Alex gostava de Jake e Jake idolatrava Alex por ser o exemplo ideal de um homem totalmente perfeito.
–Quero. Ele é meu cunhado, apesar de pequeno e brincalhão. — Clara riu. — Quero conversar com ele. Nós temos assuntos, de homem para homem. — Clara revirou os olhos.
–Jake, o Alex quer falar com você. — Clara deu o celular ao irmão e foi para o banheiro, escovar os dentes, com a porta aberta para ouvir a conversa.
–Alô? — Jake perguntou, com sua voz fina de criança.
–Hey, Jake, tudo bem? — Alex disse. Ele gostava de conversar com Jake. O achava engraçado.
–Eu estou bem, mas acho que a Clara não estava. — Respondeu sincero. — Ela parecia uma pimenta de tão vermelha. Por que ela estava assim? — Cochichou para Clara não ouvir. Alex riu.
–Porque, Jake, ela disse que me ama muito. — Alex brincou. — Está mantendo a promessa, não está?
–Sim, senhor! Nenhum garoto se aproximou dela, até agora. — O pequeno falou alto, fazendo Clara escutar e Alex rir.
–Ótimo, então continue cumprindo a promessa, ok? — Alex estava sorrindo.
–Sim! — Jake assentiu.
Clara terminou de escovar os dentes, penteou os cabelos e ajustou o relógio para o horário certo. Eram 22:30 p.m. e ela já estava com sono. Era difícil se acostumar com o horário de Londres.
–Jake, deixa eu falar com o Alex. — Clara pediu.
–Alex, a Clara quer falar com você. — Jake disse. — E eu estou com sono, boa noite. — Bocejou.
–Boa noite, Jake. — Alex se despediu do pequeno cunhado.
Jake deu o celular para Clara e saiu do quarto.
–Alex, o que você perguntou ao Jake? — Agora ela estava curiosa.
–Segredo. De homem para homem. — Falou rindo. Ele tinha feito uma promessa com o Jake. Disse que daria todos os carrinhos de brinquedo que colecionava, desde seus sete anos, se Jake prometesse proteger Clara de qualquer menino que aparecesse e ficasse muito "próximo dela". Foi difícil explicar ao garoto como serio o "próximo de Clara". Enfim, Jake entendeu.
–Alex, te amo. — Clara disse. Ela estava carente. Sentia muita falta dele e de seus abraços, beijos, sussurros e caricias. — Quero você ao meu lado, Alex.
–Eu também. Eu te amo, Clara. — Alex disse, entrando em casa. O carro do seu pai não estava na garagem, então, ele provavelmente não estava. Subiu as escadas e foi para o quarto, onde tudo estava limpo e com as janelas abertas. O quarto de Alex era todo em branco, com os armários, a escrivaninha, as prateleiras de livros e sua coleção de miniatura de carros. Ele adorava carros desde pequeno e sempre foi muito organizado. Cada carrinho estava com sua embalagem, limpo e bem cuidado. Devia ter mais de cem carros.
Alex foi para a janela e olhou a paisagem, de braços cruzados e encostado na janela. Dava para ver a praia, carros, casas e pessoas.
–Alex, quando eu vou te ver? — Clara deitou na cama, se arrumando embaixo dos cobertores. Ela já estava pronta para dormir.
–Clara, seu aniversário está chegando, não está? — Alex disse e clara fez um "sim", silêncioso. Ele não precisava perguntar, pois sabia a data do aniversário dela. — Clara, você não quer passar o seu aniversário comigo? Aqui, na Califórnia. — Clara abriu um sorriso, radiante e alegre.
–Alex, é claro que eu quero! Mas, eu não sei se minha mãe vai deixar e ela naõ gosta que eu viaje sozinha. — Ela perdeu o ânimo. — Você conhece minha mãe. A senhora Grazielle é muito preocupada! — Se estressou, fazendo Alex rir.
–Clara, seu namorado consegue convencer sua mãe. — Alex disse, continuando a rir, aos poucos sorrindo. — Eu falo com ela, pode deixar. Você vai voltar aos meus braços em poucos dias.
–Certo, você precisa convencê-la! — Exigiu.
–Eu sei, Clara. — Ele sorriu, apreciando a brisa da janela. — Você precisa dormir, Clara. Depois eu falo com sua mãe.
–Ok. — Ela apagou o abajour, em cima do criado-mudo. — Eu te amo, não se esqueça. — Avisou, antes de fechar os olhos.
–Eu sei, Clara. — Falou suave, carinhoso. — Durma comigo, mi amor.
–Esteja sempre em meu coração, Alex. — Clara desligou o celular e caiu no sono.
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