Please remember me.

5 Capítulo 5 - Minha outra metade


Notas iniciais
Humm...voltando a escrever^.^

O coração de Clara batia ansiosamente, procurando Alex. O aeroporto estava lotado e as pessoas impediam que ela o encontrasse. As imagens e sons incoerentes percorriam a cabeça dela como borrões, pois sua atenção estava no sorriso atraente, estampado no rosto do namorado, com os cabelos loiros e olhos azuis.

Alex estava a poucos metros de distância, e Clara correu, empurrando e tropeçando nas pessoas. A alegria era imensa e o estômago dela revirava com as borboletas. A ansiedade se acalmou quando encontrou os braços dele nela, girando-a a e beijando-a levemente na testa, no nariz, na bochecha e finalmente nos lábios. O contagioso beijo dele, que ela tanto desejara, e o contato com o corpo dela, que a deixava eletrizada, eram os melhores presentes de aniversário. Ela nunca o deixaria. Essa era a promessa que fizera, quando começaram a namorar.

– Senti muito a sua falta. – Clara sussurrou no ouvido dele, ainda abraçando-o. Os braços se apertaram mais forte em torno dela.

– Eu também senti muito a sua falta. – Ele sussurrou no mesmo tom que ela, gentil e amável.

Os dois ficaram um bom tempo sem dizer nada, abraçados e matando a saudade um do outro, até que Jess chegou, correndo e gritando, pulando em Clara e fazendo-a quase cair. Alex se pôs atrás dela, dando apoio para as duas não caírem.

– Clara, sua idiota! Senti sua falta, amiga! – Começou a falar, apertando a menina fortemente e soltando-a depois de um tempo. – Você precisa me contar tudo, todos os detalhes, e me apresentar o tal do Patrick! – Jess sorriu empolgada, ignorando o Alex, que estava franzindo o cenho, e começou a andar abraçada à Clara.

– Jess, sério, você não tem noção de quanto tempo eu fiquei acordada e preciso descansar! – Levantou a mão para cobrir a boca com um bocejo, e encontrou o carro de Alex na saída, depois foi direto para o banco da frente, ao lado dele. – Preciso dormir, baby. – Olhou para ele com os olhos sonolentos e descansou a mão na dele, depois apagou.

Alex observava Clara de vez em quando, dormindo tão tranquila que o deixava calmo. E Jess estava quieta, no banco de trás, fazendo o possível para não discutir com ele.

– Nem pense em ficar o dia inteiro com ela! – Avisou brava, olhando Alex pelo retrovisor. – Eu preciso de um tempo com ela, sozinha, só entre garotas, e eu sei que ela vai ficar só essa semana! – Estreitou os olhos e cruzou os braços, virando o rosto para a janela.

Ele começou a rir com a teimosia de Jess. Eles haviam discutido ao longo do caminho para o aeroporto, e ele precisava ficar com Clara até amanhã à noite. Ele tinha que ter certeza de que seria o primeiro a dar os parabéns para ela, como todos os outros anos em que ela fazia aniversário. Ele era sempre o primeiro a ligar para ela, sempre o primeiro a dar o presente dela.

– Jess, sem manha. Clara precisa ficar um tempo comigo e eu preciso que ela fique comigo. – Olhou para ver se ela estava brava, e sim. Ela estava muito brava. – Por favor, Jess. Eu preciso entregar o presente dela primeiro, e preciso da sua colaboração. – Sorriu tentando convencê-la, pelo retrovisor, mas Jess não olhou, só o ignorou. Então bufou, depois não disse mais nada.

– Baby, acorda. – Alex sussurrava na orelha dela, fazendo-a gemer. – Vamos, preciso descarregar suas coisas, senão eu te levava para o quarto sem precisar te acordar. – Ele deu um beijo no pescoço dela. – Mas aí eu não conseguiria te deixar sozinha. – Falou para si mesmo, dando beijos e mais beijos.

– Humm... – Ela gemeu, sentindo os lábios de Alex em seu pescoço e fazendo-a sorrir. Ela adorava quando ele a acordava assim, sempre tão gentil e cuidadoso. – Você não pode me carregar até o seu quarto? Por favor? — Pediu inocente, fazendo beicinho e choramingando. Ele sabia o que ela estava fazendo, provocando-o. Alex mordeu os lábios e pegou Clara pelos braços, levantando-a sem nenhum esforço e carregando-a até a entrada, subindo as escadas, abrindo a porta do quarto dele e a pondo na cama king size.

Clara começou a beijar o pescoço dele, percorrendo as mãos até a barriga definida, tanquinho, depois subindo até as costas e entrelaçando o corpo com ele, sentindo os músculos de Alex enrijecer a cada toque que ela dava e o perfume contagiante que ele usava a deixava quente. Cada parte de Alex era dela, e isso era uma droga, um vício permanente para cada nervo dela. Ele era tão lindo, tão perfeito e só dela. A outra parte dela. A parte que ela deixou e que ficou aqui, na Califórnia.

–Eu te amo, Alex. – Sussurrou fraca, sentindo a garganta fechar e as lágrimas descerem, percorrendo sua bochecha como cachoeira. – Senti sua falta, muita falta. – E soltou um choro, colocando as mãos no rosto, sem dizer mais nada.

–Clarissa, baby, eu estou aqui. Não precisa chorar, não vou a lugar nenhum. – Respondeu pegando os braços dela e fazendo-a olhar para ele. – Você sabe que eu não vou te deixar. – Falou firme e seguro, olhando fixamente para os olhos mel de Clara.

–Eu sei, mas, eu te deixei. Eu te deixei aqui. Eu deixei minha outra parte aqui! – Soluçou, pondo os braços em volta do pescoço de Alex, apertando forte. – Eu não acredito que te deixei aqui e fui para Londres! – Ela sentiu Alex bufar.

– Clara, eu sei que é difícil e você sabe que não tinha escolha. Foi inevitável, sua mãe achou melhor assim. – Ele respondeu, abraçando-a com cuidado. – Não foi sua culpa, não foi culpa de ninguém. Nem da sua mãe, não foi culpa dela. – Respondeu antecedendo as palavras que viriam. Ele a conhecia muito bem.

–Mas, eu te deixei aqui! – Falou brava consigo mesma. – Eu me culpo, sim. Eu tinha opções de ficar, eu tinha a minha tia Amélia, eu poderia ter ficado com ela.

–Ela te odeia, baby. – Avisou cerrando os punhos. – Seria o inferno ficar com ela, você sabe disso, e eu não iria gostar.

–Eu sei, mas eu faria qualquer coisa para ficar aqui, perto de você. – Pôs a mão no peito dele, depois inclinou a cabeça para beijá-lo nos lábios. – Você não sabe como me matou de saudades.

–Não, eu sei, eu senti o mesmo. – Sorriu, retribuindo o beijo e se endireitando na cama. O som da garagem fez ele franzir o rosto. – Meu pai chegou. – Olhou para a janela e viu o carro do pai estacionar perto do seu. – Nada bom, ele não sabe que você vai ficar aqui. – Voltou a olhar Clara com os cabelos bagunçados e a roupa amassada, mas totalmente sexy e linda. Reparando o cansaço nos olhos dela, resolveu que era melhor parar, ela precisava descansar. – Está com fome? – Perguntou, beijando-a na testa.

–Não, mas preciso de um banho. – Bocejou e espreguiçou, fazendo a roupa levantar. Ela estava com um vestido azul, decotado em V. – Posso usar o seu banheiro?

–O que é meu é seu. – Deu um último beijo e foi até a porta. – Vou pegar suas coisas e já volto. – Disse ele antes de sair.

Alex desceu as escadas correndo, parando na porta da frente quando o pai entrou. Julian era um pai moderno, a cópia de Alex só que mais velho. Cada fisionomia era parecida com ele, e eram até confundidos como irmãos.

–Filho? – Sorriu com os dentes brancos ao ver Alex franzindo o cenho, olhando a mulher ao seu lado. Ela era mais nova que o pai, provavelmente na casa dos trinta e totalmente exposta a ser assediada.

–Pai, Clara vai ficar aqui. – Disse curto e grosso. Passou por eles, fechando a porta com força e indo direto para o Range Rover, pegando as malas de Clara.

Clara estava olhando a janela, vendo Alex descarregar as coisas com raiva. Ela já sabia o motivo da raiva e começou a ficar preocupada, quando uma batida na porta chamou sua atenção.

–Licença. – Julian falou, olhando Clara com um sorriso. – Quanto tempo, menina! – Foi até ela e deu um abraço.

–Julian! – Respondeu sorridente. Ela gostava de Julian, ele era um pai engraçado e nunca tinha a tratou mal. – Seu filho está com uma crise de raiva lá embaixo! – Avisou, quando se afastou, indicando a janela. – Você precisa parar de trazer mulheres, todo santo dia! – Advertiu o homem na sua frente, que a olhou com um rosto triste.

–Mas eu não consigo. – Murmurou, fazendo uma cara de coitado. Eram tão engraçadas as manhas desse homem que ela nunca imaginaria que ele teria 48 anos.

–Julian, um dia o Alex vai te matar ou vai matar uma dessas mulheres! – Apontou para a porta. — Sério, depois não fale que eu não te avisei! – Olhou acusando ele. – Ele precisa de um pai, não um irmão! – E sentou na cama, bufando. Era estranho, mas era ela que devia estar ouvindo conselhos e não dando conselhos como se fosse a esposa dele, ou a mãe dele. Ele era o adulto, e não ela.

–Clara, sinto muito. – Sentou ao lado dela e encarou o chão. – Eu sei que estou sendo um péssimo pai, mas eu não consigo. Ela me deixou. – O homem ao lado dela era muito confuso. Ele tinha perdido a esposa em um acidente de carro e agora está dormindo com outras. Muito confuso e totalmente incompreensível.

–Julian, você está me decepcionando. – Cerrou os olhos para ele. – Jéssica nunca, nunca gostaria que você acabasse como está! – Levantou a voz, furiosa. – Você não pode continuar lamentando sua perda! Faz três anos! Ela se foi faz três anos! Você não pode acabar destruindo sua vida com meras putas e se distanciar do seu filho!

–Eu não consigo, eu preciso delas. – Pôs as mãos no rosto e parecia que ia chorar. – Essa dor não vai embora, continua todo santo dia quando eu levanto da cama e ela não está lá. – Olhou para Clara com os olhos tristes. – Eu só consigo parar de lembrar nela quando estou com outras mulheres. – Direcionou o olhar para a porta.

–Eu sinceramente não te entendo, Julian! – Deu as costas para ele e saiu do quarto, descendo as escadas com raiva. – Droga! – Sentou no último degrau e sacudiu a cabeça. – Eu não entendo o seu pai, realmente, eu nunca entenderia! – Alex sentou perto dela, com um copo de Vodka na mão.

– Eu sei, eu o entendo Clara. – Ele respondeu calmo. A raiva de antes tinha passado, e ele cheirava a álcool. – Eu sentiria o mesmo se você me deixasse e nunca mais voltasse. – Ele sorriu triste.

– Nunca, mas nunca pense nisso. – Ela estreitou os olhos e pegou o rosto dele com as duas mãos. – Nem pense em ficar como ele se eu o deixar algum dia. – Disse mandando. – Eu odiaria se você se lamentasse o resto da vida. Ouviu?

Alex a encarou por um tempo, depois acenou, triste, sabendo que ela não daria por vencida tão cedo. Ele entendia o pai e sabia que não suportaria perder Clara. Ela era a outra parte dele e a outra vida dele.

–Eu te amo. – Sussurrou no ouvido dela, abraçando-a como se fosse uma delicada rosa. – Deus, eu te amo muito. – Suspirou no cabelo dela e isso a fez rir.

–Eu também te amo, muito, loucamente. – Beijou a testa dele e deslizou as mãos para os sedosos cabelos loiros ondulados, sentindo a falta dele. – Senti sua falta. – Beijou a cabeça de Alex e o sentiu se reconfortar em seu peito, sorrindo como uma criança.

– Você já disse isso. – Falou em um tom brincalhão.

–Eu sei, mas não me canso disso. – E começou a brincar com os cabelos dele entre os dedos. – É o que eu sinto. Eu te amo. Eu senti sua falta imensamente. – Ele sorriu satisfeito e a beijou gentilmente no pescoço.

–Também senti sua falta, baby. — A sinceridade nos olhos dele era verdadeira, sem nenhum pingo de dúvida, ele a amava como ninguém havia amado outra pessoa. A outra metade dele, a que ele nunca desejaria que fosse embora. Ele era um peão nas mão de Clara e ela era a rainha dele, como ele era um rei para ela.

Notas finais
Lindinho, não? ~~Bem, eu queria que o meu personagem masculino fosse mais fofo, diferente do Keith (The Last Tear). xD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.