Please Understand...
2 My Hurt
Notas iniciais
“... Estávamos lutando contra Tiky Mikk, quando o chão sob Lavi e Chaozi partiu... Corri e peguei o martelo de Lavi, mas... o Kodzuchi se despedaçou em minhas mãos e Lavi e Chaozi caíram... Lavi... Lavi...”
– Lavi!!! – gritei. Acordando suado e ofegante.
Desde que voltamos da batalha em Edo, tenho sonhado com a mesma coisa. Lavi caindo. Naquele momento percebi o quão importante ele é para mim. Quando o vi cair, minha mente ficou em branco. Não sabia o que fazer, o que dizer, só sei que uma imensa dor se apoderou de mim e gritei desesperado. O Conde atacou a Lenalee e a mim; consegui salvá-la, mesmo estando ferido.
Quando o Conde começou a falar que a maldita Arca iria sugar o sangue de todos os exorcistas, perdi totalmente a razão e o ataquei – apesar das súplicas de Lenalee. Se meu mestre não tivesse usado a Grave of Maria para me parar, todos estariam mortos.
Fiquei aliviado quando ouvi a voz de Lavi em algum lugar da Arca e impedi que uma lágrima teimosa escorresse pelo meu rosto. Não podia chorar, Lenalee já estava fazendo isso por nós dois.
Claro que fiquei feliz por todos estarem bem, mas o Lavi... é diferente. O que eu sinto por ele é diferente do que eu sinto pelos outros, mas não sei explicar o que é. Não sei se posso chamar isso de amor. Só sei que quando estou com ele, me sinto menos triste.
***
Estava com fome, como sempre, e fui para o refeitório. No caminho encontrei o Kanda e o... Lavi. Senti meu coração dar um pulo quando o vi. Ele estava rindo e gesticulando, enquanto Kanda o olhava indiferente. Eu não sei como esses dois podem ser “amigos”.
Foi Kanda quem percebeu que eu estava lá e quando Lavi me viu, correu até mim e me abraçou. Nessa hora, pensei que fosse desmaiar. Olhei de soslaio para Kanda que estava com o rosto virado e percebi que ele trincava os dentes. Não consegui entender. Será que ele estava com ciúmes do Lavi? Não, isso é impossível.
– Allen, tenho que te contar uma coisa muito importante. – disse, se afastando de mim.
– Pode dizer, Lavi. – sorri, mas por algum motivo, estava com um mau pressentimento sobre essa notícia.
– Eu e a Lenalee estamos namorando. – ele disse, alargando ainda mais o sorriso de um jeito que eu nunca vi. Parecia tão... feliz.
– Isso é ótimo, Lavi! – sorri o máximo que pude para ele não perceber o quanto eu estava abalado com a notícia. Entretanto, quando olhei em direção a Kanda ele me olhava de um jeito estranho, será que ele percebeu que o meu sorriso era falso? Acho que não. Se nem o Lavi, o sucessor do Bookman percebeu, o Kanda muito menos.
– Allen, você está bem? – Lavi me perguntou. Quando ele disse isso tive vontade de chorar.
– Estou, é que eu ainda não comi. Eu esqueci uma coisa no meu quarto, depois eu encontro vocês no refeitório. – saí correndo e nem dei tempo do Lavi falar alguma coisa. Se eu não saísse logo, iria começar a chorar na frente dele e isso é uma coisa que eu não quero.
***
Cheguei no quarto e bati a porta com força, escorreguei até o chão e sem perceber já estava chorando. Eu sabia que o Lavi sentia algo pela Lenalee mas, mesmo assim, não pensei que fosse doer tanto.
Abracei meu travesseiro e me encolhi na cama. Meu estômago reclamava, mas eu não estava com vontade de comer. Não queria sair e encontrar o Lavi e a Lenalee sabendo que eles estão juntos. Provavelmente eu iria começar a chorar.
Fui tirado bruscamente dos meus pensamentos quando Kanda chutou a porta e entrou no quarto.
– Ei, Moyashi! Nós temos... – ele não chegou a terminar a frase e me olhava fixamente. – O que você tem?
– N-Não é nada! – disse, esfregando os meus olhos com as costas da mão.
– Não é o que parece. – ele fechou a porta e sentou ao meu lado na cama – É por causa do que o Coelho disse? Sobre ele e a Lenalee?
– Bem... Sim. – disse. De certa forma, o que eu falava era verdade.
– Hum... Entendo. –ele olhava para o chão com uma expressão desconhecida para mim. Parecia até que estava...triste.
– Kanda, está tudo bem? – disse, aproximando-me dele. Eu estava a centímetros do seu rosto, e pude jurar que tinha visto um leve rubor em suas bochechas, isso antes dele me empurrar e eu cair com tudo no chão. – Por que você fez isso?
– Nós temos uma missão! Então se arrume logo, Moyashi. – disse, enquanto se levantava para sair.
– É Allen! – gritei. Eu realmente odeio quando ele me chama de Moyashi. Meu nome não é difícil de decorar, então por que ele só me chama assim?
– Hunf! Só se apresse. –disse com aquele tom arrogante e foi embora.
O Kanda me trata assim desde que eu cheguei à Ordem, parece até que gosta de me irritar. Ele me odeia porque eu tenho esse braço, porque eu sou amaldiçoado e, agora, porque sou um Noah. Mas será que ele não percebe que eu não pedi para ser assim? Que droga! Além de estar com o coração partido, tenho que me preocupar com uma missão e com esse maldito Músico.
***
Estávamos eu e Kanda no trem que nos levaria para Munique, local de nossa próxima missão, junto com um finder chamado Jonathan. Kanda não falou nenhuma palavra desde que saímos da Ordem e olhava a paisagem com um olhar perdido. Tentei conversa algo com ele, mas ou ele não me respondia ou só resmungava, e depois de tantas tentativas acabei desistindo.
Quando chegamos à Munique, Kanda disse que iria procurar a Innocence para poder acabar logo com tudo isso. Ele deve odiar ficar perto de mim. Eu e Jonathan fomos até a pousada onde ficaríamos, e no caminho percebi que ele me olhava de um jeito estranho — deve ser sobre o fato de eu ser um Noah – mas não o culpo, eu também ficaria preocupado de ficar próximo do inimigo.
Depois de muito andar achamos a pousada, ela ficava no sul da cidade e não parecia ser muito segura. Com o dinheiro que a Igreja tem poderia nos deixar em um lugar mais confortável, mas isso seria pedir demais. Peguei minhas malas e fui para o nosso quarto, enquanto Jonathan acertava algumas coisas com a atendente.
O quarto até que era aconchegante. Não era muito arrumado, mas como só íamos ficar até recuperarmos a Innocence, não me importei muito com isso. Depois de um tempo Jonathan apareceu com as malas do Kanda e depois foi para o quarto dele.
Decidi tomar um banho e quando entrei no banheiro vi que tinha uma banheira. Quando entrei na banheira comecei a pensar em como o Lavi e a Lenalee estavam. Eles provavelmente estariam felizes, enquanto eu estava com o coração partido em mil pedaços. Nunca pensei que amar doesse tanto. Se eu soubesse que iria sofrer assim não teria me apaixonado. Mergulhei minha cabeça na água para que as minhas lágrimas não escorressem pelo meu rosto, mas, mesmo assim, não consegui contê-las.
– Moyashi. – Kanda disse. Estava com a cabeça dentro d’água e não o ouvi me chamar. – Moyashi! Você está aí? – gritou, batendo com mais força na porta.
Continuei sem ouvir e comecei a perder os sentidos. Minha visão começou a ficar turva e eu estava engolindo muita água, mas não sai. Talvez essa fosse a melhor opção tanto para mim quanto para as outras pessoas. Estava perdendo a consciência, quando senti meu corpo sendo puxado e braços me envolverem.
Fui levado bruscamente até a cama e quando abri meus olhos, ainda em estado de torpor, vi Kanda me olhando de um jeito que beirava ao desespero. Quando abri a boca para falar algo fui interrompido.
– O que você tem nessa cabeça?! Por que fez isso?! – gritou. Dava para perceber que ele estava com raiva. – Quando tempo pretendia ficar embaixo d’água?!
– Eu... – tentei falar algo, mas as palavras morreram.
– Você gosta tanto da Lenalee a ponto de querer se matar por ela estar com o Coelho?! – gritou.
– Eu não... – me calei. Não podia dizer que amava o Lavi, mas eu tinha que falar com alguém sobre isso. Eu não sei se aguentaria esconder isso por muito tempo. – Eu não gosto da Lenalee.
– Não?! – dava para perceber que ele estava confuso. – Então por quê de tudo isso?
– É que eu... – duvidei se deveria contar e por fim acabei falando. – Eu amo o Lavi.
Fechei meus olhos ao dizer isso, esperando que ele começasse a implicar comigo, mas passaram-se vários segundos e ele continuava calado. Levantei minha cabeça para olhá-lo e o que eu vi me deixou sem palavras.
Kanda estava com o cabelo escondendo o rosto e cerrava com tanta força os punhos, que a as unhas acabavam marcando sua mão. Parecia que ele estava querendo falar alguma coisa, dava para perceber por causa dos lábios trêmulos. Aproximei-me dele e tentei tocá-lo, mas fui empurrado bruscamente.
Bati a cabeça na parede e quando fui gritar com Kanda, senti seus lábios nos meus, fazendo com que me calasse. Fiquei sem ação e deixei que ele continuasse. Quando se afastou, olhei seus olhos e percebi que eles estavam marejados.
Não estava entendendo nada. O que ele pretendia com tudo isso? Eu sempre pensei que ele me odiasse. Então por que me beijou? E por que está lambendo meu pescoço?
Eu amo o Lavi! Sempre sonhei que ele me tocasse de um jeito mais íntimo, mas por que eu estou gostando de ser tocado pelo Kanda?! Eu deveria resistir... mas... é tão bom. Mas eu não posso! Não posso estar gostando disso.
Por favor, alguém me ajude! Mana...
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