Notas iniciais
Espero que gostem ,beijoss...

Riley: Por que me trouxe à sua casa?

Andrew: Não sei, senti vontade.

Riley: Olha, eu acho melhor eu ir logo, minha mãe vai achar estranho eu ainda não ter chegado.

Disse começando a caminhar, ele segurou meu antebraço assim como fez quando escorreguei na chuva, e me puxou para mais perto.

Andrew: Não vai. Você é supimpa, entra rapidinho.

“Supimpa”? Quem diabos fala supimpa hoje em dia? Nem sei o que significa direito, mas sei que é mais antigo que eu.

Adorei ele ter me chamado de supimpa, mas eu realmente estava com receio de ficar naquela casa com Andrew. Não conhecia ele o suficiente para entrar, só Deus sabe o que eu encontraria lá dentro. Podia ter material de tortura, vampiros, serial killers, ou pior.

Riley: Desculpa, mas já ta tarde. E eu prefiro não arriscar que seu pai chegue em casa e nos veja juntos, ele vai pensar...

Andrew: Eu moro com meu tio, seu professor. E ele não vai pensar nada, não tem que se preocupar.

Ele dizia, chegando cada vez mais perto de mim, percebi que aquilo estava indo longe demais, ele começara a descer as mãos pelos meus braços, chegando até as minhas mãos e as segurando, entrelaçando nossos dedos. Precisava dar um fim àquilo.

Riley: Desculpe, mas não.

Soltei minhas mãos das suas e coloquei a mochila nos dois ombros, andando rápido até uma direção qualquer, sem saber qual o caminho para minha casa. Tudo o que eu conseguia pensar era em como ele envolvia minhas mãos nas suas, e falava de modo tão calmo, qualquer garota se apaixonaria, mas eu não. Não sou qualquer garota, diferente do que eu sei que ele pensa. Ele realmente acha que pode me salvar de uma queda no dia, e no outro dar em cima de mim. Claro que eu gostei, nunca havia sido cantada por um garoto antes.

Ele pode achar que estou me fazendo de difícil, mas eu tenho uma leve cisma de que todo garoto só quer ter mais uma garota na lista do “já peguei”. Desde pequena, quando tive que lidar com o sumiço de meu pai, que havia conquistado minha mãe, mas não passou de uma aventura. Uma aventura que teve suas conseqüências.

Eu sabia a hora de reconhecer um amor verdadeiro, ele chegaria na hora certa, mas Andrew não era ele. Eu tinha certeza disso.

Quando finalmente cheguei a uma rua conhecida, segui o caminho até minha casa. O céu estava nublado, previa uma chuva forte mais tarde. Olhei para meus tênis, estavam sujos de lama, eu usava-os todos os dias, não tinha como não estarem sujos. Esse tênis me trazia muitas lembranças de Jannie, eu havia comprado para ela em seu aniversário de 15 anos, mas ela os recusou, dizendo que ficavam muito melhores em mim. Não era mentira, mas eu sabia que ela recusara por ser dois números menor que tamanho de seu pé.

Quando abri a porta de casa, minha mãe, por incrível que pareça, não estava na sala. Ela devia ter ficado de plantão no super-mercado. Subi para meu quarto, e joguei a mochila sobre a cama, me deitando em seguida na cadeira de sol estendida na varanda de meu quarto. A rua, como sempre, estava tranqüila, e comecei a observar meus dedos, os dedos que estavam entrelaçados com os de Andrew. Será que ele ficara com raiva de mim? Que ficasse eu não pretendia vê-lo nunca mais. Exceto, é claro, nas sextas-feiras. Caramba, eu teria que enfrentá-lo nas aulas de inglês, e evitar a todo custo manter um contato visual, ou um diálogo com ele.

Aos poucos, fui adormecendo na cadeira, e apenas acordei com o barulho desesperado da campanhia. Corri até a porta e, sem nem sequer olhar no olho mágico, à atendi.

E lá estava, Sra. Downley com o irmão mais velho de Jannie, Tyler.

Sra. Downley: Onde está minha filha?!

Riley: Quer entrar?

Ela entra na casa, puxando Tyler pela manga da blusa, e logo que senta-se no sofá, repete a pergunta anterior.

Sra. Downley: Onde está minha filha?!

Riley: Eu... Eu não sei.

Lágrimas se formaram em meus olhos, me segurava para não deixá-las escorrer.

Sra. Downley: Por favor, Riley, se tiver alguma idéia de onde ela esteja, me diga.

Riley: Ela fugiu Sra. D.

Sra. Downley: COMO?! PARA ONDE?!

Riley: Não sei, ela me deixou uma carta dizendo que fugiria com Max, seu namorado. Mas não disse o local, e também avisou ter mudado de número.

Sra. Downley: Por que ela fez isso?

Lágrimas escorreram por todo o rosto de Sra. Downley, fazendo a maquiagem ser borrada. Não me contive e logo comecei a chorar também. Muitas lágrimas desciam pelas minhas bochechas, e pingavam pelo queixo. Abracei a mãe de Jannie, que retribuiu com muita dor. Tyler, que ainda estava desacreditando em tudo isso, respondeu à pergunta de sua mãe.

Tyler: Talvez... Ela estivesse fugindo de algo.

Sra. Downley: Minha filha... eu perdi minha filha...

Ela já estava em um estado de choque, tentei acalmá-la mas as lágrimas só aumentavam. Logo, minha mãe entrou pela porta que ainda estava um pouco aberta desde que Sra. Downley chegou. Ela viu a poça de lágrimas que havíamos deixado e se preocupou.

Mãe: O que houve?

Sra. Downley: Minha filha, Lindsay, minha filha fugiu de casa, não deixou nenhuma pista do lugar que iria.

Mãe: Oh, céus. Venha, Mabel, vou fazer um café bem amargo para você. Então vamos conversar, com calma, o.k?

Ela não respondeu, apenas conseguia chorar, e chorar, e chorar... Logo que desapareceram dentro da cozinha, fui subir para meu quarto, já enxugando as lágrimas, e Tyler me chamou.

Tyler: Riley, eu sei que ela te disse para onde ia, e fico feliz por ser fiel à Jannie, mas te garanto uma coisa...

Ele disse caminhando para mais perto, e sussurrou:

Tyler: Um dia, a cortina vai cair, e todo esse teatrinho vai ser descoberto.

Ele deu as costas, e antes que eu pudesse retrucar, desapareceu por trás da porta. Já esperava que Tyler não acreditasse em mim, mas dizer que minhas lágrimas eram puro teatro era a prova viva de que ele não sabia o que era ter uma amizade verdadeira.

Subi para meu quarto, e mergulhei a cabeça no travesseiro. De repente, meu celular tocou, e, para minha felicidade, era Jannie ligando.