Please, Don't Eat Me
2 2 - Desconhecido
ALEX
— Gabriel... – O Sr. Harris lia a lista de presença. – Gabriel? – Olhei ao redor enquanto ele chamava, mas nenhum dos alunos atendeu por aquele nome, até que...
— É Gabe. – Ele se levantou da cadeira para contrariar o professor.
— Eu sabia, eu o conhecia.
— Na lista de presença está Gabriel, então será esse o nome pelo qual irei lhe chamar. – Sr. Harris sentou-se na cadeira e continuou a chamar.
Gabe abaixou a cabeça na carteira e voltou a dormir, era engraçado que a primeira vista, ele não aparentava ser o tipo de cara que dormia na sala de aula, ele parecia ser atencioso e focado nas coisas, talvez eu estivesse enganado com isso ou simplesmente ainda não o tinha conhecido de verdade.
— O que está acontecendo, porque estou tendo essa vontade de conhecê-lo? – Olho para minhas mãos, era estranho, acordei essa manhã vazio por dentro, a morte dela me levou uma parte de mim, mas por alguns segundos eu senti como se esse vazio em meu peito havia sido preenchido.
As aulas se passaram como se estivessem vindo em câmera lenta e ainda por cima tivemos que fazer um teste de aptidão logo no primeiro dia de aula, naquela escola sempre haviam esses testes, eu deveria está acostumado.
Era estranho está naquela sala sem a Gabs, ela fazia falta naqueles momentos, mas sinceramente eu torcia por sua saúde, então eu poderia aguentar esse dia sozinho, eu precisava aguentar esse dia sozinho.
Ao final da aula o Sr. Harris entregou o resultado dos testes, pra falar a verdade ele pediu para o Gabe entregar, acho que o professor encontrou alguém para pegar no pé, ainda bem que não era alguém como eu.
— A que ótimo. – Minha nota havia sido péssima, mas eu não estava preocupado, aqueles testes não influenciavam nada em suas notas na escola, na verdade nunca entendi ao certo para que eles serviam.
— Você tirou uma nota pessoa. – A voz dele me pegou de surpresa. – Alex não é? – Ele se senta ao meu lado e da um sorriso, pegando a prova da minha mão.
— Você poderia falar um pouco mais baixo, não quero que eles saibam a minha nota. – Pego a prova novamente e a guardo.
— O professor me deixou encarregado de fazer umas compras pro dia de abertura, você poderia comprar para mim? – Ele sorri, um tipo de sorriso que escondia alguma coisa.
— Por que eu faria isso? – Amarro os cabelos em um coque, deixando uma mecha na testa, coincidentemente os cabelos dele eram grandes na altura dos ombros e estavam soltos.
— Ei, turma, que coisa espantosa! A nota do Alex no teste foi...
Percebo o que ele estava fazendo, não queria começar o semestre com todos achando que eu era um idiota completo que não conseguia tirar uma boa nota em um teste simples daqueles. – Eu vou, eu vou... – Puxo seu braço, fazendo ele se calar.
— Obrigado. – Era incrível como ele vivia sempre sorrindo. – Aqui está à lista, e nos vemos depois. – Ele toca em meu ombro e o aperta.
— Tu... Tu... Tudo bem... – Eu estava nervoso? Era isso mesmo? Sem chances de eu ficar nervoso com qualquer coisa.
Eu não queria ir para casa, se eu fosse simplesmente aquela dor iria me consumir novamente, eu iria me lembrar de tê-la perdido, iria me lembrar dos dias em que fui feliz, dos dias em que eu a abracei e senti meu corpo vibrar, mas aquilo havia acabado, era estranho está ali naquela escola sem ela, eu não sabia como iria suportar tudo aquilo sem ela.
Subi as escadas que davam pro terraço da escola, era um lugar aberto, todos poderiam ir ali, mas como era tarde, o sol já estava se ponto os alunos preferiam ir pra suas casas a ficar perdendo tempo ali, era o lugar perfeito para pensar, deixar as coisas de lado e simplesmente esquecer os problemas.
O terraço era cercado por uma grade, para que as pessoas pudessem ficar encostados em segurança, me aproximei da beira e apoiei meus braços, olhei para baixo, poucos alunos ainda restavam no jardim da escola, o sol estava se pondo no horizonte e daquele lugar era possível ver praticamente boa parte da cidade.
Sinto as lagrimas se formando em meus olhos. – Como eu conseguiria expressar isto... Às vezes eu simplesmente começo odiar tudo ao meu redor. – Olho para baixo e estendo os braços para frente, o vento gelado tocava minha pele fazendo-a arrepiar. – Você me perdoaria se eu decidisse me juntar a você? – Olho para o céu, imaginando que seria ótimo está ao lado dela novamente. – Eu sei que se eu pulasse, eu não estaria com você, dizem que se as pessoas tiram sua própria vida, elas não conseguem ter paz, mas como eu queria poder está ao seu lado.
— Qual o nome? – A voz dele novamente me tira dos meus pensamentos, Gabe estava ao meu lado e não o vi chegando.
— Cara... – Me afasto dele. – Você não pode chegar assim quando uma pessoa está distraída. – Toco em meu peito. — O que está acontecendo comigo? – Meu peito estava apertado. – E o nome era Danny.
— Era? – Ele encosta-se na grade e me encara, seu olhar apreensivo como se estivesse tendo cuidado.
— Ela faleceu há alguns dias. – Olho para o horizonte, como eu estava falando sobre isso com alguém que eu mal conheço?
— Você acha mesmo que pular daqui de cima vai resolver seus problemas? – Ele respira fundo e olha para a palma das mãos. – Acho que você não deveria se preocupar com a perda, isso faz parte da vida sabe? – Ele me olha novamente, aquele rosto cuidadoso, ele estava tentando medir as palavras para que não soassem rudes. – Quando for à hora, vocês estarão juntos novamente.
Ele falava como se tivesse passado por algo parecido ou talvez ele estivesse tentando me confortar? – Não sei se você tem razão, pra falar a verdade ela era a única pessoa que me fazia feliz. – Olho para a palma das minhas mãos, como se ainda sentisse o toque das mãos dela.
— Existem bilhões de pessoas no mundo, sei que deve ser difícil perder alguém que ama, eu não saberia lidar, talvez eu já até tivesse pulado se isso tivesse acontecido comigo, mas no fundo eu sei que em algum lugar existe outra pessoa que pode completar o vazio que você está sentindo no momento, talvez ela esteja mais perto do que você imagina. – Ele sorri um sorriso largo e convidativo. – Sabe, se em algum momento você se sentir sozinho e querer novamente “pular” para se juntar a essa garota, fale comigo, eu conversarei com você, talvez se tiver alguém com quem possa desabafar normalmente você pare com essa ideia idiota. – Ele coloca os braços atrás da cabeça e sorri novamente.
— Novamente esse sorriso. – Sinto meu rosto esquentar, não entendia o motivo de eu está daquele jeito, era estranho, era um sentimento completamente diferente do que eu já havia sentido, era algo que eu desconhecia. – Tudo bem, eu falo com você. – Estendo a mão, ele fica de frente para mim, parado, apenas me olhando era completamente constrangedor era como se eu precisasse daquele aperto de mão, como se eu precisasse sentir que de fato ele estava ali.
— Ótimo. – Gabe aperta a minha mão, ficamos assim por alguns minutos, era como se ele não quisesse me soltar e pra falar a verdade eu não queria que ele o fizesse. – Sebe, eu meio que forcei você a fazer aquelas compras pra festa de abertura, talvez pudéssemos recomeçar de novo. – Ele ainda não havia me soltado. – Talvez a gente pudesse ir juntos comprar as coisas. – Ele olha pro lado, por um momento parecia que ele estava envergonhado.
— Acho que seria uma boa. – Dou um sorriso e finalmente ele solta minha mão. – Nos vemos amanhã então. – Volto a me encostar na grade, fico encarando o horizonte, o céu já escuro, os últimos vestígios do sol era apenas uma mancha alaranjada no céu.
Simplesmente não sabia que o pensar de tudo aquilo, Gabe era o tipo de cara simpático, divertido e interessante que todos pensam conhecer, mas na verdade, ninguém sabe nada dele.
— Eu não acredito que isso esteja acontecendo. – Dou um sorriso e fico encarando minhas mãos. – Sinto como se isso fosse o pior erro da minha vida.
Ele já estava descendo as escadas quando ele se vira novamente.
— Alex, eu respeito os seus problemas, às vezes é ótimo guardar ele para si mesmo, mas saiba que se precisar, eu estarei aqui para te ouvir sempre que precisar, mal nos conhecemos, mas parece como se eu já o conhecesse a um bom tempo. – Ele sorri e por fim desaparece descendo as escadas.
Fico encarando a porta, o que havia acabado de acontecer? Eu simplesmente não conseguia entender nada, isso era algo completamente novo para mim, apesar de o novo me assustar, eu começava a gostar daquilo, começava a gostar do que eu estava sentindo, apesar de que no fundo eu sabia que era um erro.
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