Please, Don't Eat Me

3 3 - O Que está Acontecendo Comigo?


GABE

Era quase 10hr da manhã, o dia lá fora estava nublado, havia chovido a madrugada toda e ao que aparentava iria chover a qualquer momento, pelo menos era o que o Gabe queria que não acontecesse, dentro de 1 hora ele iria se encontrar com o Alex para fazer as compras para a festa de inicio de semestre, o Sr. Harris havia pegado no pé dele no primeiro dia e provavelmente ele iria fazer isso o resto do ano.

— Então irmãozinho, onde você vai assim todo arrumado? – Sara a irmão do Gabe estava deitada na cama olhando ele se arrumar. – Me diz, quem é ele?

— Primeiro: Eu não estou “todo arrumado”. – Ele fala de uma forma irônica. – E segundo: Como assim ele?

Sara se senta na cama com as pernas cruzadas como se estivesse meditando, ela sorri pra ele de uma forma divertida olhando-o nos olhos através do espelho como se desvendasse todos os segredos dele.

— Primeiro: você está sim todo arrumado. – Ela aponta para a camisa xadrez azul e preta com uma camisa também preta por baixo, uma calça jeans e tênis, de fato ele estava bem arrumado. – E segundo querido irmãozinho, você nunca se arruma tanto, quando você saia com garotas você sempre ia vestido normal como se fosse sair pra comprar qualquer coisa e como eu sei que é um garoto? – Ela arruma os cabelos encaracolados, fecha os olhos e junta às mãos como se estivesse meditando de verdade. – Eu sei que você gosta de garotas e garotos, e se você está se arrumando tanto pela primeira vez, provavelmente é um garoto.

Gabe olhou para a irmã através do espelho e se olhou novamente, pela primeira vez ele estava se arrumando para sair com alguém, de fato era estranho como ele se sentia com relação ao Alex, o desejo de ajudar aquele cara era maior do que qualquer coisa, e nunca ele ajudou alguém a não ser ele mesmo, algo dentro dele estava mudando e não conseguia dizer o que.

— Idiota. – Ele empurra a cabeça de Sara que cai de costas na cama. – E sim eu vou sair com um cara, mas não é o que você está pensando, vamos comprar umas coisas que o professor idiota me pediu pra fazer.

Sara se deita na cama e apoia sua cabeça nos braços cruzados e balança as pernas. – Tudo bem irmãozinho, quando chegar me diga como foi. – Ela sorri e fecha os olhos.

Gabe já estava pronto, ele fica de frente para sua irmã deitada na cama, ele olhou a garota de 11 anos de idade jogada em sua cama, era incrível como uma garota daquela idade pudesse ser tão inteligente. – Sara me diz uma coisa, como você sabia que eu gostava de garotos também?

Ela abre os olhos e o observa, seus olhos castanhos brilhando por conta das lagrimas de sono que estavam ali. – Simples... – Ela boceja. – Eu sou sua irmã observo tudo o que você faz, não foi difícil, além do mais eu olhei as conversas com aquele tal de Jonathan no seu celular mês passado. – Ela sorri como se invadir a privacidade de alguém fosse completamente normal.

— Você anda vendo minhas mensagens? – Gabe se joga na cama e abraça Sara e começa a fazer cocegas nela. – Desde quando você faz isso pirralha? E como você sabe a senha do meu celular?

Sara começava a gargalhar e a tentar se soltar, ela empurrou Gabe pro lado, mas foi um erro, pois ela caiu da cama com um som tão alto que todos da casa poderiam ter escutado. – Desde que eu aprendi a ler e a sua senha é fácil, você sempre coloca nomes de bandas que você gosta, depois da terceira tentativa eu sempre acerto. – Ela levanta passando a mão na cabeça.

Gabe sorri e fica de pé, ele abre os braços. – E então como eu estou?

— Você quer saber se está bonito pra ir comprar matérias pra uma festa? – Sara o olha desconfiado.

Ele sorri envergonhado, pega o celular a carteira e sai do quarto, deixando Sara sozinha. – E que bom que você sabe sobre mim. – Ele aparece na porta do quarto e sorri.

***

O centro da cidade estava movimentado mesmo com aquele clima, o céu continuava nublado, nuvens escuras cobrindo o céu. Gabe estava em frente ao shopping, ali era um lugar onde poderia encontrar qualquer coisa, então era o lugar perfeito pra fazer as compras pra festa.

Os minutos foram se passando, por algum motivo Gabe estava nervoso, ele estava encostado próximo a uma loja, ele olhou as horas, já haviam se passado 15 minutos da hora marcada, Gabe já estava desistindo de esperar, ele iria fazer as compras e ir pra casa.

— Eu deveria imaginar...

— Imaginar o que? – Alex estava saindo do shopping, ele tomava um milk shake e sorria timidamente.

— É... An... Eu tava pensando alto. – Gabe sorri e vai na direção dele, Alex estava usando uma camisa branca manga comprida com as mangas enroladas até os cotovelos, uma camiseta preta por dentro, bermudas e chinelos, Gabe percebeu que de fato ele havia se vestido como se realmente fosse a um encontro enquanto Alex estava com uma roupa casual. — O que eu tava pensando?

— Roupa legal, vai pra algum lugar depois daqui? – Alex bebe um pouco do Milk shake e olha fixamente pro Gabe.

— Vou encontrar com a minha mãe em um restaurante pra almoçar. – Gabe não queria dizer que tinha se vestido pra sair com o Alex, então preferiu mentir para não passar vergonha.

— Tudo bem. – Alex joga o copo vazio do milk shake na lixeira. – Ta afim de comer algo antes de irmos comprar as coisas?

— Vamos sim. – Gabe sorri e entra no shopping.

Os dois entraram e seguiram pra praça de alimentação do local, ambos pareciam desconfortáveis, era visível que Gabe estava nervoso e esperava algo mais daquilo, enquanto o Alex não demonstrava se estava nervoso ou entediado, às vezes ele bocejava o que deixava o Gabe um pouco desconfortável, ele sentia como se estivesse fazendo algo de errado.

— Então... – Gabe olhou para as próprias mãos e em seguida pro Alex. – Você está bem?

Alex olhou desconfiado e deu um sorriso. – Eu estou bem, mas porque da pergunta?

— Não sei, só queria saber se estava tudo bem, ontem você parecia bem...

— Bem doente... – Alex sorriu envergonhado. – Eu sei, às vezes eu fico daquele jeito, eu só preciso me distrair um pouco que eu melhoro.

— Entendi... – Por impulso Gabe toca na mão do Alex que estava em cima da mesa. – Como eu disse ontem, quando se sentir daquele jeito, pode falar comigo, posso não ser a melhor pessoa do mundo, mas posso lhe ajudar.

Alex olha assustado para a mão do Gabe em cima da sua própria, ele se sentia estranho por aquela situação, Gabe percebe o desconforto do Alex e tira sua mão de cima da dele. – Obrigado por isso, acho que preciso me distrair um pouco. – Alex olha ao redor temendo que alguém tivesse visto aquilo, mas todos que estavam na praça de alimentação estavam comendo, ninguém havia visto o Gabe segurando sua mão.

— Nesse caso a festa de boas vindas vai ser uma boa diversão, a gente pode ir juntos. – A comida deles chega sem dar tempo de Alex responder se aceitava ir com o Gabe. – No caso eu vou com alguns amigos, você pode ir com a gente.

— Claro. – Alex agradece à moça que trouxe o lanche. – Posso levar uma amiga?

— Amiga? – Gabe morde uma batata frita. — Ela é amiga ou algo mais? – Era aquilo que ele queria perguntar, mas preferiu deixar pra lá. – Claro que pode, quanto mais pessoas melhor.

— Então tudo bem, vou levar a Gabi.

Depois do lanche, Alex e Gabe visitaram uma loja de discos, aparentemente ambos tinham o mesmo gosto musical, eles ficaram algum tempo conversando sobre bandas e musicas interessantes, compartilharam gostos e seguiram para a próxima loja, uma loja de quadrinhos e coisas de nerds, como mascaras, roupas, camisetas e miniaturas de personagens de filmes e games.

— O que você acha disso? – Gabe coloca uma mascara de Darth Vader.

Alex sorri e empurra o Gabe de leve. – Ficou ótimo em você, deveria ficar com ela pra sempre.

— Idiota. – Gabe devolve a mascara pra prateleira e começa a rir, ele passa os braços pelo ombro de Alex. – Esse fica bem em você. – Ele pega uma masca do Freddy Krueger e coloca no rosto do Alex.

— Eu fico bem mesmo? – Alex olha de lado, e percebe que o rosto do Gabe estava perto de mais, sua respiração fica mais rápida, ele fica cada vez mais nervoso.

— Claro que fica. – Gabe continua com os braços ao redor do pescoço do Alex, mas logo percebe que o deixava desconfortável, então se afasta e segue para uma outra loja.

O dia já estava no fim, ambos se encontravam já fora do shopping, à chuva caia preguiçosamente. – Preciso ir, minha mãe mandou mensagem preciso ir buscar ela no trabalho.

— Tudo bem eu acabei esquecendo que tinha que encontrar com a minha mãe em um restaurante. – Mas foi bom passar a maior parte do dia com você. — Pensou ele.

— Então, nos vemos amanhã? – Alex estende a mão.

— Espero que sim. – Gabe sorri e aperta a mão dele.

Gabe olha nos olhos do Alex de uma forma que ele nunca tinha olhado, seu coração batia rápido de mais como se fosse sair pela boca, mas algo dentro dele lhe dava forças, como se toda a coragem do mundo lhe preenchesse Gabe puxa Alex para perto e o beija, seus lábios tocando os dele como se eles se completassem, Alex por um momento não retribui, mas segundos depois suas mãos envolvem a cintura de Gabe, lentamente seus dedos tocam a pele dele, fazendo sua pele estremecer ao toque, o beijo foi intenso, Gabe o apertava contra seu corpo que ele conseguia sentir os batimentos do coração de Alex, eles estavam ali, se beijando, perto de mais, intimo de mais, ele gostava daquilo gostava de está ali daquele jeito com aquele cara.

— Eu não esperava que tinha coragem pra fazer tal coisa – Gabe aperta a nuca de Alex deixando o beijo mais intenso.

Alex empurrou Gabe contra a parede, as pessoas observando tudo aquilo, mas para eles não nada importava, ambos estavam ali, juntos em um beijo que fazia Gabe perder o folego a cada toque, Alex passou a mão por baixo da camisa de Gabe, sentindo a pele quente dele...

— Eu preciso ir... – Alex interrompe os pensamentos de Gabe tentando se soltar do toque.

— O que? – Gabe olha para os lados e percebe que tudo aquilo não passou de sua imaginação. — Eu sabia que aquele milk shake com vodka iria me fazer mal. – Pensou ele olhando para a mão do Alex que ele ainda segurava.

— Eu preciso ir e você não me solta. – Alex sorri, um sorriso tímido que deixou Gabe corado.

— Desculpe eu...

— Tudo bem. – Alex consegue finalmente ter sua mão livre. – Me empresta seu celular?

Gabe retira o celular rapidamente do bolso, desbloqueia e entrega pro Alex, ele digita algo e devolve. – Esse é meu numero, me manda mensagem qualquer hora.

Gabe sorri e pega seu celular de volta. – Mandarei sim, até mais...

Alex segue seu caminho deixando ele sozinho, a chuva começou a cair cada vez mais forte, Gabe correu na direção oposta seguindo para sua casa, um sorriso estampado em seu rosto, a felicidade preenchendo seu peito de uma forma que ele jamais imaginaria que sentiria.