Playing God

2 Faço PMI's de bobas/ Percy me arrasta até um acampamento


Depois das primeiras duas aulas, escutei o sinal do intervalo, mas não me levantei. Teria de esperar os "Populares" (PMI's, jogadores de futebol, basquete, jogadoras de volei, membros do conselho estudantil...) passarem, ou eu seria pisotiada, esbarrada, empurrada, ou até chutada por alguma ponta fina de salto alto. Depois que todos passaram, só sobramos eu, Jolline, Joan, Alex (Irmão de Joan), Shelldon e... PMI's?! O que elas faziam na sala depois do sinal? Charlotte, Li e Ambre, olhavam fixamente para cada um de nós.

– E ai, gente? — Ambre falou, com um sorriso malicioso — O que os nerds fazem no intervalo? Ah, já sei, Jollina vai dar uns pegas no Shelldon, enquanto Electry e Joan fingem que não se gostam! — Logo depois disso, senti que meu rosto queimava, e provavelmente estaria vermelha, talvez de vergonha ou de raiva, talvez os dois. Olhei para todos e eles estavam com a mesma cara que eu, menos Ambre e Charllote, que davam gargalhadas, e Shelldon, que cerrava os punhos e com certeza pensava "Não bata em mulheres, Shelldon, não bata em mulheres!".

Todos calados contendo sua raiva, até que Jolline murmurou:

– Jolinne.

– O que?! — Ambre se espantou por Jolline ter dito algo.

– Jolline! — Ela disse um pouco mais alto — Meu nome é Jolline, não Jollina. Aprenda a falar, Ambrega! Ah é, me desculpe, você matou aula de português pra pegar alguns garotos, quer dizer, contaminar alguns garotos!

Eu queria rir, mas me segurei, e simplesmente peguei Jolline pelos ombros, já que ela era um pouco mais baixa que eu, e a levei até a porta, onde eu disse, um pouco alto demais:

– Nós vamos lanchar lá fora hoje, se quiserem se rebaixar ao nível dos nerds, garotas, que fiquem aí.

Antes que elas pudessem ter alguma reação, eu saí, e junto de mim foram todos, Alex, Joan e Shelldon riam, e eu ainda estava me segurando. Ninguém ficou na sala, somente as duas PMI's, que com certeza estariam com caras indignadas.

Ainda rindo, chegamos ao pátio e nos sentamos. Incrivelmente, Joan sentou do meu lado, o que fez com que Shelldon sentasse ao lado de Jolline também, e Alex ficou na ponta. Coitado, normalmente ele sentava ao lado de Jolline, e eles falavam sobre como o preconceito afeta a bolsa de valores. Na verdade, Jolline falava e ele fingia escutar, enquanto ouvia sua playlist de K-Pop e cantarolava.

Depois do intervalo, enquanto voltávamos para a sala percebi Joan me olhando pelo canto dos olhos, o que me fez reparar nas roupas que eu vestia: Um suéter justo preto de gola alta, um short largo vermelho e uma sapatilha verde limão. Meu cabelo estava preso em um coque mal feito, e meus olhos azuis claríssimos estavam com resto de lápis de olho do dia anterior, onde eu fui arrastada pela Jolline até a festa do primo dela. Pela primeira vez na vida senti vergonha de minhas roupas, e eu não sabia porque. Joan era meu amigo! Na verdade, meu melhor amigo. Mesmo que eu tivesse uma quedinha (Na verdade um tombo) por ele, eu não devia me preocupar com coisas fúteis como roupas de grife, ou maquiagem bem passada, ele conhecia quem eu realmente era, mas eu não podia evitar sentir o que sentia.

As últimas 3 aulas foram um completo tédio, exceto pelo fato de Ambre e a amiga terem ido pra sala do diretor, por ficar na sala durante o intervalo sem permissão. Isso parecia bobagem, mas o reitor do colégio era maníaco por limpeza, então qualquer farelo de comida caído no chão das salas era motivo de suspensão, mas nós não comíamos nada no intervalo, então ele permitia que ficássemos ali.

Estava saindo do colégio, me despedindo de Jolline com um "Até amanhã, sua chata!" e rindo. Indo a caminho do meu carro, estacionado na minha vaga comum: A última do estacionamento, algo me puxou pelo ombro. Virei-me o mais rápido que pude, mas não vi ninguém, o que me deixou meio perturbada por causa da primeira temporada inteira de The Walking Dead e depois todos os filmes de Atividade Paranormal assistidos na tarde passada. Pensei ter sido só o vento e virei-me de novo ao caminho do meu carro, até que alguém apareceu misteriosamente na minha frente: Um garoto alto, mas só um pouco a mais que eu, cabelos pretos, olhos de cor verde, uma camisa laranja e um jeans rasgado. Parecia da minha idade, talvez um ou dois anos mais velho.

– Oi?! — Disse eu, assustada.

– Oi... Enh... — Ele encarou o chão e ficou corado — Desculpe se... Te assustei... Eu... Sou Percy, você é a Electry Martinez?

– Anh... Sim! Como você sabe meu nome?! — Fiquei com mais medo ainda! De onde aquele garoto saiu?

– Eu... Bem... Podemos conversa... — Um estrondo o interrompeu. Parecia uma pegada imensa, mas eu não vi nada. Ele pegou minha mão e começou a correr. — Temos que ir!

– O que tá acontecendo?! Que barulho foi esse?! — Mas ele não me respondeu, estava falando com alguém no celular, e estava eufórico.

– Annabeth, Eles chegaram, estou indo aí! — E logo desligou, pelo que parecia, na cara da tal Annabeth. — Electry, vou leva-la ao acampamento, te explicamos o que está acontecendo!

– O que?! Que acampamento?! — Ele não me respondeu, entramos no carro e ele começou a dirigir super rápido. Mal sabia eu que minha nova vida estaria começando.