Cheguei no acampamento atordoada. Percy me fez correr uns dois quilômetros. Via pontos pretos e não conseguia focalizar minha visão em nada. Isso acontecia sempre que acontecia algo muito... emocionante? Acho que essa é a palavra. Passamos por um arco de madeira, e eu ainda escutava os passos de gigante. Desabei na grama assim que Percy parou de me fazer correr. Fechei os olhos com força e alguns segundos depois abri os olhos e já conseguia focalizar a vista. Levantei com dificuldade, e vi Percy alguns metros longe de mim, conversando com uma garota loira de olhos cinzas. Seus cabelos lisos balançavam de um lado para o outro enquanto chorava e gritava com ele, que tentava manter a calma. Tentei chegar mais perto, mas minhas pernas ainda estavam frouxas, então desabei de novo. Meus olhos ainda estavam abertos, então pude ver Percy e a garota correndo até mim, e tentaram me levantar.
– Ai meus deuses! O que aconteceu com você? — A menina tentava me levantar e checava se eu estava com febre. Ela se virou para Percy e voltou a surtar — Olha o que você fez com a menina! Eu não posso confiar em você pra nada! — Ela voltou a chorar e gritar. Eu não sabia o motivo de ela estar tão preocupada comigo, mas agradecia por alguém aparecer do nada e não me fazer ter um mini ataque cardíaco, o que foi meio raro nas últimas três horas, onde eu estava ou trancafiada em um carro ou correndo que nem uma louca sem nem saber o que estava acontecendo.
– O...Obrigada... Mas... — Falava com dificuldade, e quando conseguia, minha garganta queimava. — Você... Você disse... "Ai meus... Deuses"? Porque "DeuseS"? — Enfatizei o "S" no final. Não seria "Ai meu DEUS?".
– Ah... — Ela hesitou — Bem... Vamos te explicar tudo hoje a noite, na fogueira! Só fique ciente que sua mãe sabe onde você está. Primeiro vamos te levar até a enfermaria, você parece não estar bem... — E logo começou a gritar com Percy denovo — Argh! Olha aí! A garota precisa ir pra enfermaria! En-fer-ma-ria Percy! Você é muito incompetente! Argh! — E foi marchando até uma casa grande no canto do acampamento. Entrou na casa, demorou uns três minutos e veio correndo, com um homem de cadeira de rodas que, incrivelmente, estava correndo mais rápido que a garota.
– Electry — O homem falou, sério mas preocupado — Eu sei que não está entendendo nada, mas venha comigo, irei te explicar algumas coisas, só o básico, para você estar ciente. O resto, todos os detalhes, vão ser falados hoje a noite na fogueira. Não fique preocupada, não somos inimigos. Nossa missão aqui é te proteger. Você, e os outros semi... Os outros... Campistas! É essa a palavra certa por enquanto. Venha, vou te explicar tudo na casa grande.
Eu não entendia nada, mas o homem me conduziu até uma mansão azul, onde entramos, e ele me fez sentar em uma poltrona revestida de couro.
– Tudo bem, primeiro, eu sou Quíron, o diretor de atividades do acampamento. O nosso diretor, Dionísio, bem... Ele foi tirar umas... Férias. Vamos lá, eu sei que você está cheia de dúvidas, então comece com as três que mais importam pra você nesse momento. Pergunte-me as três principais perguntas que estão na sua cabeça.
– Hm... — Eu pensei por um tempo. Eu tinha muitas coisas passando na minha cabeça, não sabia as três principais! Decidi perguntar as três mais simples, já que os detalhes seriam resolvidos na tal fogueira. — Onde estou? Que lugar é esse?
– Esse é o Acampamento Meio-Sangue. Onde você, seus possíveis irmãos por parte de pai e todos os seus... Bem... Primos por parte de pai estão. — Isso não era possível. Meu pai tinha morrido, assim que eu nasci, de câncer, como minha mãe sempre me contara. Então era... Mentira? E que história era aquela de "Irmãos e primos por parte de pai"? Eu não conheço nem minha própria família, Quíron?
– Ok... Estou aqui por um motivo. Qual é?
– Você... Bem, essa é a parte mais complicada, onde todos os novatos falam " O quê?! Só que nunca! Você está brincando com a minha cara!" — Ele fez aspas com as mãos e imitou uma vozinha fina — Mas, bem, tente não surtar, mas você é uma... Semideusa. Meio-Sangue. Filha de um deus com uma mortal.
– O quê?! Só que nunca! Você só deve estar brincando com a minha cara! — Exclamei — É claro que isso é mentira, moço. Essas coisas não existem! Eu sou totalmente católica, não acredito nisso, e ninguém acredita!
– Ah, acreditam. Pelo simples fato de ser a verdade, queridinha. — Ele falou com uma expressão acolhedora, mas ao mesmo tempo sem paciência para o mesmo papo.
– Isso... Tudo bem... Terceira pergunta. — Aquilo iria doer mais que as outras — Quem... Quem é meu pai?
– Ele é um deus. Não sabemos quem ele é ainda, pois ele ainda não te reclamou. Ele não mostrou a você e a todos nós de quem você é filha, mas provavelmente isso irá ocorrer hoje. — Disse ele, com esperança.
– Eu... — Senti minha visão bamba. Sério mesmo? Em só um dia tinha dado uma patada em PMI's, fui raptada por um adolescente desconhecido, corri dois quilômetros e aí descubro que sou uma... Semideusa?! Como Hércules?! E podia ser filha de qualquer deus? E que vou ser convocada, reclamada, ou sei lá, pelo meu pai que eu pensei estar morto? Logo depois de tudo isso passar como um flashback na minha cabeça, vi de novo os pontos pretos, mas aí desmaiei.
Acordei numa sala pintada de branco, com gelo em minha cabeça e a garota que vi mais cedo do meu lado, a dos olhos cinza e cabelos loiros.
– Olá — Disse ela com uma calma acolhedora — Está tudo bem agora. Iremos cuidar de você. Não fique assustada! Isso tudo é verdade, sim, mas não é ruim como você pensa! É até bom! Nós somos uma família. Iremos te acolher!
Uma família... Nunca tinha tido uma família de verdade. Minha mãe nunca ligou muito pra mim, parecia que gostava mais do trabalho do que de mim. Meu pai havia "morrido", e meus primos, tios e avós por parte de mãe nunca dirigiram a palavra a mim. Nunca ligou pra mim. Nunca nem quis saber como eu estava.
– O... Obrigada... — Tentei sorrir, mas meu corpo todo doía.
– Ei, ei! — Ela disse ainda com sua calma — Não se movimente muito. Não faça esforço. Só descanse. A fogueira é daqui a pouco, saberemos quem é seu pai. Eu acho que você não sabe meu nome. Eu me chamo Annabeth.
– O...Ok... Quem... é o seu pai? — Disse eu, com dificuldade.
– Meu pai é mortal, como sua mãe. Minha mãe é Athena, a deusa da sabedoria e inteligencia.
– Ah... Que legal — Agora consegui sorrir um pouco.
Dormi mais um pouco, e logo Annabeth veio me acordar: Era a hora da fogueira.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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