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1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV RONNIE
Levantei com um pressentimento mais que bom e fui correndo pro espelho.
-O que vai acontecer hoje Ronnie?- Falei pra mim mesmo.
-RONNIE!!! DESCE LOGO MULEQUE!!- Ouvi meu pai gritar do andar de baixo.
Me troquei correndo e desci, onde meu pai já havia preparado o café.
-Come logo e vai pra escola se não vai se atrasar- Ele disse severo porém com amor e saiu pra trabalhar.
Comi tudo correndo e fui a pé mesmo pra escola.
-ROOOOOO!!!!- Ouvi aquela voz vinda do portão da escola.
-Max!- Disse sem ânimo.
-Ihhh... já vi que não tá pra papo...- Ele disse sério.
-Não é isso, é que você é do mesmo jeito todo dia... e...
-Você já viu a aluna nova?- Ele disse me cortando.
Meu sorriso se abriu.
-Aluna nova?- Falei sem esconder o sorriso.
-É meu amigo... chegou uma menina... ela é tipo... SUPER gata, mas é meio... emo... é, meio emo- Ele começou a tagarelar e eu dei as costas.
Fui andando sem saber pra onde ir. E acabei trombando com um cara super “eu vou te matar”.
-Eu vou te matar- Ele disse estalando os dedos.
Ele me deu um soco e um chute no estômago, me fazendo voar longe.
-HEY!- ouvi uma voz feminina.
Minha visão estava embaçada, mas consegui ver uma garota... cabelos castanhos com as pontas de um vermelho fogo... de costas... levando o cara a nocaute.
-Você tá legal?- Ela perguntou me ajudando a sentar.
-Tô...- Disse ainda meio zonzo.
-Deixa eu ver- Ela disse levantando a minha roupa e colocando a mão no meu abdômen- Vem, vou te levar até a enfermaria- Ela disse me ajudando a levantar.
-Quem é você?- Perguntei.
-Cherry, Cherry Liar- Ela disse rindo- Eu sei... eu sei.
Ela me levou até a enfermaria e ficou lá comigo, e eu só conseguia pensar “salvo por uma garota” “pagou mico na frente da garota nova... meus parabéns RONNIE!”.
Quando e enfermeira saiu ela sentou ao meu lado e soltou um risinho.
-Você apanhou feio hein?
-Ria de mim!- Falei de bico- Não vai assistir aula?- Falei mudando de assunto.
-Não. Parece que as regras dessa escola são pouco rígidas... só tive que dizer que era sua amiga.
-E não é?- Perguntei com cara de cachorrinho.
-Olha, eu fui avisada sobre você. E eu não sou dessas- Ela disse séria.
Sorri pra ela.
-Já tomou a iniciativa- Disse sorrindo.
Ela me deu um tapa e saiu rebolando.
-Garotas...- Falei revirando os olhos.
-Te ajudam e te batem- Max disse entrando.
-Grande M!- Disse zuando.
-Hahaha- Ele disse com sarcasmo- Você sabe que eu odeio quando me chamam assim.
-Por isso que eu falei- Disse rindo.
-Tá bom pra almoçar?- Ele perguntou rindo também.
-Bóra lá!- Falei num pulo.
Andamos, naquele estilo “eu sou o cara”, pelos corredores e logo chegamos ao refeitório.
Peguei um hambúrguer e fritas e Max pegou um dog e fomos sentar na NOSSA mesa.
-Olha quem tá ali!- Max disse sorrindo e apontando a garota que me salvara, fora legal comigo e depois me batera.
-Como tá meu cabelo?- Perguntei tentando ver meu reflexo nos olhos dele.
-A mesma merda de sempre.
Mostrei a língua pra ele e fui em direção á mesa em que ela comia sozinha.
-Oi Cherry- Disse me sentando ao lado dela.
Olha me olhou, sorriu rápido e voltou a se concentrar na gelatina.
-Então... porque você está sozinha?- Perguntei.
Ela me olhou, colocou a franja atrás da orelha e sorriu com sarcasmo.
-Porque não tem ninguém comendo comigo- Ela disse.
Eu ri.
-Você é boa nisso- Disse dando meu melhor sorriso sedutor.
-O que você quer?- Ela perguntou... claramente de saco cheio.
-Conversar- Falei sincero.
-Já conseguiu o que queria, agora me deixa em paz Radke- Ela disse séria.
-Não- Falei me pondo de pé.
Ela me encarou e levantou também, a essa altura, Max já estava perto de mim e já se formava uma rodinha.
Ela levantou um braço, ameaçando me dar um tapa e eu o segurei. Ela fez a mesma coisa e eu também, então ficamos nos encarando, enquanto ela lutava pra se soltar.
-Me larga Radke- Ela disse com cara de assassina profissional.
-Se não o que?- Perguntei desafiando.
-Eu grito- Ela ameaçou.
-Baixou o nível hein?- Disse sorrindo de canto.
-O que você quer?- Ela insistiu.
-Conversar- falei- Te conhecer melhor. Pelo visto você não tem muitos amigos.
Ela me olhou firme e relaxou.
-Fazer o que né?- Ela falou mas calma- Pode me soltar? Tá machucando. Se ficar marca e a minha mãe perceber, você vai preso.
-Foi mal- Falei soltando-a rapidamente- Vem sentar comigo?- Pedi.
Ela suspirou, revirou os olhos, olhou o horário no celular e pegou a gelatina.
-Tenho outra escolha?
-Não.
Ela me olhou de uma forma desafiadora. Pelo visto, essa garotinha via me dar trabalho... Mas eu vou domesticá-la.
Ela parou e virou pra mim.
-Eu não sou domesticável.
Estremeci.
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