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2 Capítulo 2


POV RONNIE

Almoçamos juntos e... ela é um gênio! Me ensinou a teoria da relatividade daquele cara descabelado, e conseguiu me ensinar o que é PI!

Depois que todas as aulas acabaram, Max foi pra minha casa, e ficamos jogados no sofá.

-Ela também...

-RONNIE!- Max gritou.

Olhei assustado pra ele que ria.

-Para de falar dessa menina! Parece que você tá obcecado!

-Ela lê mentes!- Continuei.

-Sim, e eu sou virgem- Ele disse com sarcasmo- E nós nunca nos beijamos- Ele continuou.

-É sério! Na hora do almoço ela disse “Eu não sou domesticável” ou alguma coisa assim, e eu tava pensando que eu ia conseguir domar ela ou alguma coisa assim!- Falei pra ele.

Ele riu.

-Nunca vi uma frase com tantos “alguma coisa assim” na minha vida- Ele suspirou e apontou pro meu celular- Tá tocando.

Mostrei a língua pra ele e peguei o celular.

-Alô?- Falei ainda olhando pra Max.

-Ronnie, é você?- Disse uma voz desesperada do outro lado da linha.

-Sou eu... o que...

-É a Cherry... você tem o meu endereço né? Me ajuda! Vem aqui... eu... AHHHHHHHHH!-E a linha ficou muda.

-O que houve cara?- Max perguntou me olhando assustado.

-Tá com o carro ai?

-Tô- Ele respondeu sem entender- Porquê?

-Precisamos ir pra casa da Cherry.

Levantei desesperado e peguei a jaqueta, Max me seguiu sem entender nada, pulou no carro e foi dirigindo por onde eu mandei, logo paramos na entrada da casa que tinha a moto da Cherry.

Toquei a campainha e esperei. Toquei de novo e nada.

-Vamos invadir- Falei olhando pro Max.

-Você invade e eu fujo.

Revirei os olhos e primeiro virei a maçaneta... a porta estava aberta, então, entrei na casa e comecei a gritar pela Cherry, e nisso ouvi um choro vindo do andar de cima.

Max e eu nos entre olhamos e subimos as escadas. Abrimos a porta que vinha o som e ele se intensificou.

Era um quarto de menina, com coisas peculiares como prateleiras forradas de livros de terror e cabeças encolhidas, e o choro vinha do closet.

Abri a porta e encontrei a Cherry, encolhida no canto, chorando. Quando ela me viu seu sorriso se abriu e ela pulou em mim... só então percebi que ela estava sem camisa.

-Ronnie- Ela falou me abraçando firme-Que bom que veio.

Ficamos daquele jeito até que o Max pigarreou.

-O que houve?- Ele perguntou olhando pra ela que sorriu amarelo me soltando e virando pro closet pra pegar uma jaqueta.

Seu sutiã era preto, diga-se de passagem.

-Acende a luz- Ela disse secando as lágrimas.

O quarto estava revirado, a calça skinny que ela usava estava rasgada, seu cabelo elatava bagunçado, seus lábios cortados e ela tinha alguns roxos pela parte visível de seu abdômen.

-O que...- Nem consegui ter minar a frase.

Ela suspirou, colocou o cabelo atrás da orelha e começou a falar.

-Meu pai... chegou bêbado e... tentou... vocês sabem... aquela coisa... eu resisti e... o quarto e o meu corpo contam a história.

Ela ficava passando a língua de um lado ao outro dentro da boca enquanto olhava para o chão.

-Seu pai fez o que?!- Foi tudo o que eu disse.

-Cadê ele?- Max disse tomando a dianteira.

-Saiu correndo quando ouviu o carro de vocês parando... eu não sabia pra quem ligar e o número do Ronnie estava em primeiro lugar na memória por ter sido o último e vocês são os únicos que realmente tentaram ser legais comigo hoje e...- Ela se jogou nos meus braços de novo e “arranhou” minhas costas.

-Tá tudo bem- Falei abraçando-a- Eu tô aqui... Calma... Max, liga pra polícia- Falei.

Max concordou com a cabeça e saiu do quarto.

-Ela precisa de um lugar pra ficar até que peguemos o pai dela- Disse o policial- Um lugar que seja seguro e ela tenha todo o cuidado e apoio.

-Eu cuido dela- Falei- Ela não vai pra lugar nenhum se não for na minha casa.

-Tudo bem...- O policial falou- Mas preciso que o seu responsável assine alguns papéis.

-Claro, vamos pra casa, meu pai já deve estar chegando do trabalho... vou falar pra ela pegar algumas roupas.

Me dirigi a ela que tomava um café e conversava com uma policial.

-Com licença- Falei- Cherry... você poderia pegar algumas roupas? Você vai ficar fora por um tempo e...

-Me ajuda?- Ela falou.

Sorri.

Subimos as escadas e começamos a pegar roupas em silêncio.

-Pra que orfanato eu vou?- Ela falou enquanto colocava algumas camisetas de bandas numa mala.

-Nenhum. Vai pra minha casa- Falei enquanto pegava uns jeans.

-Melhor que orfanato...

-Espero que isso seja um elogio.

Ela riu e veio na minha direção.

-Você me faz sorrir. Eu gosto disso- Ela fez cara de criança sapeca e me deu um beijo na bochecha.

Pegamos alguns livros e... as cabeças encolhidas... horripilantes... e fomos levados pela polícia para casa.

Meu pai vai morrer do coração quando me vir acompanhado de policias na porta de casa.

Notas finais
Jajá o Craig aparece XD

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