Playful Game
1 Permita-me sondar
Notas iniciais
Deslizando por entre as ondas,
Passeando por entre as savanas,
Até mesmo numa simples folha verde,
A presa é caçada por seu predador.
Adentrei aquela sala, vasculhando com os olhos cada rastro de cada estudante. Meus olhos azuis passeavam pelos humanos, em busca de um ser em especial.
Ali haviam apenas alunos de 19 anos. Mas, dentre eles, havia alguém como eu, alguém a quem eu procurava.
O demônio. Não um qualquer.
Sorri amistoso para a turma à minha frente. Todos já haviam se ajeitado aos próprios lugares, para que eu, seu novo professor de inglês, pudesse iniciar a aula. Meu objetivo, porém, não era lecionar.
–Good morning, students. My name is Choi Minho, I’ll be your new teacher. – Falei, com um perfeito sotaque inglês. Novamente, sem deixar transparecer, observei as expressões de cada um dos 93 estudantes ali presentes. Pude também ouvir comentários sobre mim. Sobre meus olhos, diziam serem diferentes. Afinal, um homem de aparência coreana não poderia ter olhos azuis. E sobre minha beleza. Nunca haviam visto tamanha perfeição.
Era agradável pensar em como os humanos caíam facilmente em cada tentação. Sem nem ao menos eu diretamente tentá-los. Era interessante observar tal fraqueza estampada nos rostos dos mortais.
O cheiro também me era peculiar. Dentre os alunos ali, eu sentia o cheiro característico do sangue humano, mas tinha certeza de que algum vestígio de sangue demoníaco existia.
Vindo de uma garota em particular.
Após passar uma quantidade significativa de matéria na lousa, observei-a. As meninas ao seu redor sussurravam, e assim descobri seu nome.
Park Sandara.
Um rapaz também exalava um cheiro levemente alterado. Seu nome, Son Dongwoon.
Caminhei por entre os estudantes, enquanto aguardava-os copiar a matéria. Passei pela menina chamada Sandara, que me fitou com um olhar sugestivo. Sorri para ela. Os meninos, inclusive Dongwoon, não estavam copiando a matéria. Antes que eu pudesse repreendê-los, ouvi do outro lado da sala, algo que me chamou a atenção.
–Ei... Você foi ontem no enterro da Krystal?
–Não, não tive coragem... Disseram que a Sica estava bem mal... Não consigo me imaginar na situação dela, com a morte tão violenta da própria irmã.
–É, falaram que foi ela quem encontrou o corpo. E ela ficou em estado de choque, dizem até que os órgãos da menina estavam todos pra fora do corpo.
–Que horror!
Poderia ser apenas uma dedução errada, mas algo me fazia pensar que a pessoa que eu procurava era o culpado.
–Alunos, desculpem por interromper suas conversas não permitidas, mas eu tenho que averiguar um assunto. Façam a lista de exercícios que o monitor irá entregar e devolvam no final da aula. – Eu disse, apressado. Corri para fora da sala.
Ele estava ali, eu senti o cheiro do sangue fresco, provavelmente de alguém recém-assassinado.
Saí da sala e olhei para os lados, procurando. Não havia muitos estudantes no pátio, mas ele estava naquela escola.
“Eu sei que você me procura.”
Congelei. Era a língua proibida, e só os seres das trevas a conheciam. Mesmo entre os demônios, era tão tenebrosa, tão maligna, que os próprios anciãos tinham medo de usá-la. Apenas os três patriarcas usavam-na sem temor.
Mas ele havia usado. E sem um pingo de medo em sua voz.
“Venha me pegar.”
Mais uma vez. Ele estava me desafiando.
“Vou te dar uma dica: Começa agudo, muda o tom, e cala-se para sempre.”
Assim ouvi um grito.
~
Apenas assisti aos diretores darem os pêsames aos pais da aluna morta. O corpo desfigurado havia sido encontrado por mim. Ela se chamava Taeyeon. Tomei o cuidado de não inspirar o cheiro de sua carne fresca, ou poderia me descontrolar. O assassino havia matado-a apenas por prazer, ou para chamar minha atenção.
Depois de algum tempo, afastei-me da horda de alunos que consolavam os pais e amigas da menina, caminhando calmamente pelo campus. Senti um corpo aproximar-se do meu, a bons metros de distância. Era Sandara Park.
Fingi não percebê-la me seguindo, para parecer natural. Humano.
Sentei-me em um dos bancos do pátio, e ela se aproximou, sentando-se ao meu lado. O mesmo cheiro da pessoa que eu procurava realmente estava impregnado nela. Mas eu precisava de mais algumas informações.
–Vamos direto ao ponto, senhorita Park. – Sussurrei, atrevidamente puxando-a para meu colo.
Toquei-lhe a pele clara por cima da alça do sutiã, que aparecia, abaixando-a. Ela não se limitou, tentando afrouxar minha gravata e desabotoar minha camisa. Aos poucos, aproximei meus lábios dos dela e abri-os com meus dedos.
Humanos são facilmente atraídos pelo desejo de quebrar regras. Pelo desejo de ter contato com o pecado.
Porque o pecado sempre fora mais proveitoso do que a castidade.
Ao trocar essa carícia, descobri um pouco mais da pessoa que procurava. Era um rapaz, provavelmente da minha “idade”. Inspirando a pele de Sandara, pude ter mais noção do cheiro do assassino desconhecido. Era um perfume de Rosas vermelhas, e o cheiro de mais de 50 pessoas diferentes. Principalmente, de meninos jovens.
Separei meus lábios dos dela, roçando-os em seu pescoço. A garota arfou, e minha visão sobre-humana ansiava por ver o líquido que corria por suas veias criar uma cascata ali, na minha frente.
Não me impediria de pecar. Afinal, eu sou o pecado.
Pousei minhas mãos sobre seu rosto, uma de cada lado da pequena face. Ela sorriu, e eu também.
Desnuquei-a.
~
Após me livrar do corpo inerte da menina, voltei minha atenção para o rapaz assassino. Ele não havia dado mais nenhuma “pista”, o que me parecia preocupante. Mas era apenas o primeiro dia da caçada. Logo eu retornaria.
Passei o dia inteiro vagando pela cidade, somente pensando. Tentei concentrar-me no meio de tantos cheiros e sons naquela maldita cidade.
De noite, invadi um apartamento qualquer e matei seu dono, sem deixar muitos rastros. Eu não tinha “fome”, fora apenas por necessidade. Era organizado e limpo, mas agora estava manchado de sangue, por todos os lados. E havia um corpo jogado no tanque da lavanderia.
Apesar de meus esforços para não sucumbir ao desejo por seres humanos, minha natureza sempre falou mais alto. E assim, quando uma mulher chegou, não resisti ao fazê-la minha. Mas logo terminei com sua vida também.
Algumas horas depois, uma conhecida adentrou o apartamento. Não liguei para o fato de estar nu e sujo de sangue. Ela já havia me visto daquele jeito.
–Minho. – Sua voz adocicada chamou-me. Ela veio da sacada aberta, entrando no quarto. Reprimiu um silvo de nojo ao ver o corpo pálido da mulher ao pé da cama.
–Sulli. – Cumprimentei. Ela era minha irmã. Devia ter uns 10 anos que não nos víamos, mas sua beleza continuava impecável. E desejável.
–Fiquei sabendo de sua “presa”. – Ela disse, rondando o quarto. – Ao que parece, ele é mais astuto que você. Não faz nem 20 minutos que o vi aqui na frente do prédio.
–Impossível. – Eu disse, me levantando. – Eu não iria deixá-lo se aproximar tanto assim.
Jinri aproximou-se perigosamente de mim. As duas safiras dissimuladas me convidavam, ou melhor, quase me obrigavam a tocá-la, a querê-la. E, aos poucos, minha mente ia cedendo.
–Tenho algumas informações que podem lhe ser muito preciosas... – Ela começou. Eu sempre soube de suas verdadeiras intenções, então empurrei-a contra a cama.
–Diga-me então. – Sussurrei, rasgando seu vestido ínfimo.
A noite seria muito divertida.
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