Playful Game

5 O rubro choro da rosa


Notas iniciais
MUUUUITAS NOTAS HOJE! DESCULPEM D:
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Talvez vocês estranhem as atitudes do Jong nesse capítulo, mas lembrem-se de sua natureza. Ele é um demônio, não um ser humano. Então ele não necessariamente tem sentimentos como nós. Tudo vai ser explicado mais pra frente, mas por enquanto é isso :) Às vezes eu sofro por escrever Playful Game justamente por não saber como expressar com palavras alguém que não sente.
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Eu gosto muito desse capítulo :) Ele é meio sombrio mesmo, mas contém muitas informações valiosas para o que acontecerá futuramente. E muitas palavras que eu mesma não sei de quem são, como os primeiros versos. São do Kibum? São do Jong? São de outra pessoa? Deixo vocês tirarem as próprias conclusões.
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É todo em flashback, tá? Desde quando eles eram crianças até antes da morte do pai do Jong. ~^^~
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Me gusta, me gusta, me gusta muito fazer capas! E me gusta muito Kibummie nessa foto *-* Apesar das minhas habilidades patéticas -.-

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Se eu estivesse, enfim liberto,

Se eu pudesse deixar de sofrer,

O meu único problema é você.

A chave que selou meu coração.

Porém, se estivesse solto,

O que me prenderia a este mundo?



Jonghyun POV


Vi-o pela primeira vez com pouco mais de 7 anos. Eu nem fazia ideia de sua existência, até meu pai levar-me para vê-lo.


Ele levou-me ao “quarto” de Kibum. Eu sempre passei por ele, mas nunca nem cogitara explorar. Não desafiaria meu pai, ninguém desafiaria. A ordem era clara:


–“Você não vai querer entrar nesse quarto.” Mas hoje vai entrar. – Ele disse, destrancando a porta com seu próprio sangue. Fez um portal e escreveu algo que não pude compreender. A porta lentamente se abriu, e ele adentrou o quarto. Em silêncio, o segui.


Meu pai sempre fora absoluto. Eu lembro de ter irmãos que um dia desobedeceram-no, e no outro, sumiram. Por isso, minha mãe sempre me alertou para não desobedecer suas ordens e aceitar tudo o que ele quisesse ou dissesse. Assim o fiz, durante toda a minha vida.


–Kibum. – Eu nunca ouvira sua voz tão autoritária quanto agora. Senti meu corpo arrepiar-se internamente, engoli em seco baixinho.


O quarto espaçoso vazio abrigava uma pequena criança, deveria ser mais nova do que eu. Seus cabelos cor de mel eram brilhosos, mesmo com a pouca iluminação do local obscuro e empoeirado. Não havia janelas, nada. Ele estava deitado no chão, mas ao ouvir a voz de meu pai, rapidamente ajoelhou-se e fez uma reverência máxima, recostando a testa no chão.


Meu pai andou até ele e o puxou pelo colarinho da camisa branca suja de pó, forçando-o a se levantar. Kibum não abria os olhos, não demonstrava reação alguma. E eu assistia a tudo tentando esconder meu medo.


–Ele é seu meio irmão, Jonghyun. Mas não é nem será forte como você. Ele vai ser fraco, e se você obedecer-me até os 18 anos, posso dar-lhe o direito de fazer o que quiser com essa coisa inútil. Isso se eu não acabar com ele até lá. – Meu pai disse, como se me apresentasse um novo brinquedo. – Kibum, mostre ao seu irmão o quão desprezível você é.


Neste momento, ele abriu os olhos e os elevou até os meus. As grandes orbes me fitavam com medo, mas quem sentia medo era eu. Aquele olho direito era igual ao meu, igual ao de meu pai.


–Mas por que... O olho esquerdo dele é azul? – Perguntei, tentando manter o controle e não irritar meu pai. Mas aquilo me deixou realmente assustado.


–Ele não é um demônio puro. A mãe dele era um anjo. E veja que exemplo de anjo decente, teve relações com um ser completamente oposto à sua natureza. Só que ela morreu e deixou esse fardo pra mim. – Puxou-o pelos cabelos claros e, sem um pingo de arrependimento ou culpa, jogou-o contra o chão frio.


Alguma coisa em meu interior queria proteger Kibum de meu pai. Na época, eu não sabia o quê.


–Hm? Porque está preocupado? – Meu pai viu o que senti naquele momento. – Quer ser um fracassado que nem ele?? RESPONDA, JONGHYUN!


–Não. – Limitei-me a responder.


–Que bom. – O escárnio era visível na fala de meu pai. Ele puxou novamente o menino jogado ao chão e o empurrou em minha direção. – Prove, Jonghyun. Prove que você não será um fardo pra mim também, prove que você será forte. Demônios não possuem sentimentos. Esqueça essa sua “piedade” infantil e aja como um homem. Bata nessa criança até ele sangrar.


Aproximei-me da pessoa frágil diante de mim. Seus olhos fitavam os meus com algo diferente de medo. Era mais inexpressivo, mas não deixava de ser submisso. Puxei-o pela gola da camisa.


Eu tinha que fazer. Eu não podia demonstrar. Eu não podia sentir.


Naquela hora, bloqueei minha vontade de dizer “desculpe” ao espancá-lo. Estava assegurando minha própria vida.


Fui egoísta. E depois de ver seu nariz e boca sangrando, as marcas roxas em suas bochechas e olhos, toda a culpa, ressentimento e arrependimento deveriam sumir. Eu queria que sumissem.


Meu pai apenas riu e retirou-se do quarto. Soltei Kibum ali e segui-o. Meu irmão nada disse, muito menos reclamou enquanto o maltratei. Com certeza não devia ser a primeira vez que ele sofria esse tipo de agressão.


E as agressões continuaram. A cada vez que meu pai visitava-o, eu era sua companhia. A cada visita, um novo jogo era criado por meu pai. Incontáveis vezes o vi torturar Kibum, o vi agredindo-o, tanto física quanto verbalmente, o vi fazendo coisas que nunca havia tomado conhecimento, muito menos presenciado. Eu assistia tudo em silêncio. Mas mesmo depois de 10 anos, o sentimento estranho da primeira vez que o vi continuava a me perseguir.


No dia de meu aniversário de 17 anos, minha mãe me chamou para conversar. Há anos ela não fazia isso, ou sequer trocávamos palavras.


–Jonghyun. – Sua voz melodiosa, que há tanto eu não ouvia, ecoou pelo local. Ela estava em seu próprio quarto, observando sua própria imagem refletida em um espelho e a minha, ao fundo, enquanto escovava o próprio cabelo.


–Mãe.


–Então hoje fazem 17 anos que eu o concebi. Parabéns, filho. – Ela disse, sem nenhum tipo de emoção. Sempre fora assim, era natural. Tanto para mim quanto para ela. – Suponho que eu deva lhe dar um presente.


Esperei-a continuar.


–Vá para a Terra, Jonghyun. Esse é o meu presente. – Ela continuou a pentear os longos cabelos negros. – Lá, você verá o quão gratificante foram esses seus 17 anos, vivendo sob os dogmas de seu pai, sob os dogmas de um demônio. Os seres humanos pecam tanto quanto nós, porém são fracos porque “sentem”. E lembre-se de todo o esforço que fizemos para que você não se tornasse um fracassado, como seu irmão é. – Ela terminou com desgosto na voz.


Então, ela sabia.


É claro. Eu não conseguiria esconder aquela fraqueza idiota.


–Vá ver seu pai. – Ela ordenou. Assim o fiz, indo até o jardim, onde eu sabia que o encontraria.


Meu pai sempre teve sua pequena obsessão por flores. Mesmo naquele lugar trevoso, obscuro e aterrador que era o inferno, ele cultivava rosas. Rosas vermelhas.


–Jonghyun. Estive pensando, você realmente cumpriu com minhas expectativas. Não plenamente, é claro, mas o suficiente para me deixar satisfeito. A família Kim não admite fracassos. Mas antes de deixá-lo partir para o mundo dos humanos, vou dar-lhe outro presente. Um presente que prometi a dez anos atrás. – Disse, arrancando uma das mais majestosas rosas que haviam ali.


Ele puxou meu braço e com os longos e pontiagudos espinhos do caule da flor, cortou-me o pulso esquerdo até ver meu sangue escorrer. Fez o mesmo consigo e apertou nossos pulsos ensangüentados, misturando o sangue da família Kim.


Naquele momento, pude sentir toda a minha mente sofrer um estalo. O sangue de meu pai passara-me todas as informações e códigos para abrir a porta do quarto de Kibum, sem ao menos dizer uma única palavra.


–Vá visitar seu novo brinquedo. – Sorriu ironicamente e deixou o recinto, levando consigo a rosa ensanguentada.


Agora ele era meu...?


Fui até o quarto e, seguindo as ordens que me foram passadas mentalmente em menos de um segundo, destranquei a porta. Até mesmo a língua que meu pai usava para escrever com seu sangue, agora era de meu conhecimento.


“Tubarum strepitu inter desperationem.”


Ele estava lá, sentado, submisso, como sempre. E, como sempre que eu o visitava, fui recebido com uma reverência máxima. Puxei-o, fazendo-o levantar a cabeça e olhar diretamente em meus olhos.


Kibum havia mudado pouco. Seu corpo sempre fora esguio, e continuava a ser. Suas feições lhe davam a aparência de uma mulher, seus olhos ficaram mais estreitos do que quando era criança.


Mas minha vontade de adorá-lo por sua perfeição só crescera.


Apesar de minhas visitas, eu nunca havia feito realmente o que quisesse com Kibum, por meu pai estar sempre presente. Ajoelhei-me até ficar na mesma altura do que ele.


Apesar das condições precárias daquele quarto, Kibum sempre cheirou muito bem. Sua fragrância me encantava, e me fazia querer sentí-la ainda mais. Desabotoei a camisa branca surrada que ele usava, inalando mais daquele perfume perfeito.


Realmente, ele parecia uma garota. Era magro, muito magro. Sua pele claríssima era bela, mesmo coberta por manchas e cicatrizes de agressões. Algumas até mesmo cometidas por mim. Por sorte, seu rosto continuou intacto e perfeito durante todos esses anos.


Inspirei sua pele agora nua do peito, querendo mais daquele aroma atraente. Kibum não reagiu, mas senti-o estremecer quando tirei sua camisa por completo. Era a única roupa que ele usava, e agora, eu o via sem nada. Seu semblante envergonhado era extremamente adorável.


Provei com um beijo seu gosto adocicado.


A reação inicial de Kibum foi se afastar, mas segurei sua nuca e aprofundei o ósculo. Mas somente isso não era suficiente. Meu corpo queria mais toques, mais sensações.


Até eu descer minhas mãos por seu corpo perfeito, meus ofegos eram o único som ali. Mas a partir desse momento, ouvi meu irmão gemer baixinho, como se segurasse as sensações que eu o proporcionava.


Eu nunca havia feito aquilo com um homem, e agora estava fazendo com meu próprio irmão. Mas naquele momento, eu sentia apenas desejo.


Era isso, desejo. O desejo me privava de qualquer remorso ou outro tipo de sentimento que eu não deveria ter. O desejo que me cegava e me fazia ver Kibum apenas como uma fonte de satisfação.


Então, eu saciaria minha vontade carnal.


No meu aniversário de 17 anos, eu havia retirado a inocência de meu irmão. A inocência de um meio anjo.


Mas ao menos, fora um desejo físico. E eu esperava que esse desejo consumisse qualquer tipo de sentimento que eu cheguei a ter por Kibum.


Após minha primeira noite com meu “presente”, fui à Terra. Era tediosa, devo dizer. Eu fiz o que quis lá, conheci tudo sobre os seres humanos. E percebi que o que sentia por Kibum era algo chamado de amor pelos terrestres. Na Terra, não era considerado algo ruim. Mas não era algo que um demônio pudesse sentir.


Vivemos apenas do pecado.


E eu queria logo voltar pra casa para pecar com meu irmão mais novo.


~//~


Anos depois


–Hnn... Aaah.... – Ouvi-o gemer enquanto introduzia-me em seu corpo.


Seus pulsos eram segurados sem fraqueza por minha mão direita, pressionando-os contra suas próprias costas. Suas pernas tremiam, mas com a mão esquerda eu segurava-o pelo quadril firmemente, para não deixá-lo cair. Eu forçava sua entrada a abrir-se para mim, sem um pingo de paciência.


Mordi com força a pele de sua nuca, deixando o local vermelho. Comecei a movimentar meu corpo em seu interior apertado com certa dificuldade.


–Jonghyun, eu... Tenho que diz—


–Cala a boca, Kibum. – Vociferei, apurando ainda mais minhas estocadas, arrancando gritos ainda mais altos de meu irmão mais novo.


Estoquei-o com força por algum tempo, enquanto meus ouvidos deliciavam-se com seus gritos de dor e prazer, até meu corpo se dar por satisfeito e despejar meu sêmen em Kibum, inundando seu interior. Ele estremeceu e acabou por gozar também.


Depois de sair de dentro dele, vesti-me observando seu corpo maltratado no chão. Naquele dia, porém, seu comportamento não fora habitual. Ele se levantou, vestiu a camisa rasgada e velha e dirigiu-se para a porta. Não que ele pudesse sair dali, mas nunca havia feito isso, fiquei sem reação.


–Jonghyun... – Ele disse, mas soou-me mais como uma súplica. – Eu...


–Não lembro de ter dado-lhe permissão para falar, Kibum. – Fui firme. Fosse o que fosse, não era boa coisa. – Seu atrevimento não está me agradando.


Ele riu baixo, com desprezo.


–Está querendo morrer?! – Levantei a voz, enfurecido. Ele estava desafiando, e isso me irritava. Talvez por não saber como lidar com aquela situação nova.


–Sim, estou... – Ele disse, movendo o corpo de um lado para o outro, sem sair do lugar. – É uma pena que você não possa me matar, não é?


Minha ira se alastrou. Praticamente voei até ele e agarrei-o pelo pescoço, empurrando-o violentamente contra a parede.


–Vou te mostrar que posso fazer picadinho desse seu corpo imundo. Essa é a última vez que você vai me desafiar assim. ENTENDEU?!


Minha mão firme, apertando seu pescoço fino com o máximo de força que eu podia fazer, que a um humano já teria esfarelado os ossos frágeis, bem parecia ser apenas um carinho a ele. Pela primeira vez, o vi sorrindo.


E, se não fosse a raiva e adrenalina momentâneas, eu teria padecido diante dele.


–Pode me dilacerar em quantas partes você quiser, Jonghyun. – Seus lábios sedutores ciciavam, me convidando. – Pode fazer o que quiser comigo, sou seu. Todo, inteiramente seu, meu mestre.


Inspirei o cheiro da sedução que vinha dele...


E prendia-me a seu olhar impuro.


Juntei nossos corpos e lábios. Não me importei com nada naquele momento. Nem sua ousadia repentina me impediria de querer a meu irmão mais do que qualquer coisa nesse universo.


Beijamo-nos avidamente por algum tempo, até os movimentos intensos nos cansarem.


–Você não pode me matar, Jonghyun. – Sussurrou ardilosamente, como a serpente do Éden. – Você não sabe como me matar.


Apesar de ter consciência de minha irracionalidade pelo ódio, não me impedi. Porque aquela seria uma das minhas únicas oportunidades de dar fim àquela vida miserável que me fazia, tecnicamente, sofrer. Porque a raiva cega o coração, como dizem.


–Enquanto eu puder torturá-lo, vai ser suficiente. – Sorri de canto.


Realmente, eu não sabia como matá-lo. Ninguém além dos líderes sabia como matar um demônio. Esse era um segredo imaculado, mas que eu almejava muito saber. Poderia acabar com todos os problemas que meu irmão me causava, poderia me livrar desse apego idiota que eu sentia por ele.


Amor. Que palavra idiota.


O único “amor” que eu sinto é pelos gritos e expressões de dor que eu causava em Kibum naquele momento. Minha tentativa de dissipar as emoções que insistiam em nascer e me tornar um ser fraco. Era por isso que os humanos eram tão fracos, porque nutriam esses sentimentos inúteis.


–Espero que tenha entendido que o seu buraco é mais embaixo, Kibum. – Eu disse, largando o corpo torturado e ensanguentado ao chão. – Use sua boca apenas para me dar prazer. É só pra isso que você serve.


–Não sei porque você recusa tanto algo que não pode conter, Jong. – Ele sussurrou. – Isso só te machucará, enquanto se segurar. Eu só queria poder te libertar dessa dor, porque você é o meu irmão. Mas não se preocupe. Eu vou lutar pra te deixar bem, Jonghyun.


–Você é fraco. – Falei para quem servisse e saí dali.


Notas finais
Bom, novamente, eu gosto desse capítulo >< Eu gosto do Jong.
Aos leitores fantasmuchos, eu vos aguardo. E o aviso já foi dado. Junso e InsaneVocaloid, I LOVE YOU TWO, SO MUCH. Queria poder dizer isso pra todos os leitores, mas não sei quem lê, fazer o quê :( Até o próximo, e leiam minha fic nadavercomessaaqui, Being You. Só sendo bipolar pra escrever comédia e drama ao mesmo tempo sauhsuahuahsuas xD