Playful Game
6 O Jogo
Notas iniciais
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Well, deixe-me contar uma coisa:
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Eu tenho MUITA sorte. A minha pessoa descuidada acabou sobrecarregando o notebook, o que resultou em uma conhecida tela azul cheia de códigos que eu não entendo enquanto eu escrevia este capítulo. E O PIOR, foram duas vezes. Na primeira, o word recuperou os arquivos, bem bonitinho, mas na segunda, eu ainda não tinha salvo os arquivos recuperados, ou seja: PERDI TUDO.
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MAS A SORTE GRANDE ME SORRIU, e me lembrou que eu tinha salvo uma cópia do capítulo no tumblr, sem publicar (só pra ver se não tinham muitas palavras repetidas, se os parágrafos estavam bem dispostos, e tal). Foi minha salvação, tinha 5 páginas escritas, Gosh. Perdi uma pequena parte, mas nada que não fora recuperável ^^ Só sei que fiquei tão feliz, mas tão feliz... Aaah *-*
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Espero que gostem *.* Desculpem pelas comparações toscas, mas o Kibummie nunca viu nada (?), então tenho que tomar cuidado com as palavras. Boa leitura ^.^
Kibum POV (flashback)
Por trás das grades de metal e de meus tão impuros olhos, sinto vários olhares. São de pessoas que eu não conheço, mas que parecem me conhecer.
São olhos de várias cores.
Mas todos possuem o mesmo olhar de desprezo sobre mim.
–Ele é realmente excêntrico. – Sussurraram.
–Sua fisionomia não lembra um demônio.
–Seu sangue parece ser muito saboroso…
Eram muitas pessoas sussurrando ao mesmo tempo. Eram muitos olhos, muitas palavras, muitas injúrias. Todas direcionadas a mim, sem que eu ao menos soubesse o porquê de estar ali, entre tanta gente.
O que eu havia feito, afinal…?
Nascido.
–Silêncio. – A voz inquisitiva de meu pai se fez presente. Mesmo aqueles que me esnobaram calaram-se diante de sua presença. Eu já me acostumara com a submissão.
–Afinal, porque fomos chamados aqui? – Uma mulher perguntou.
–Iremos decidir o futuro deste menino. – Uma pessoa com um manto negro apontou para mim. Todos naquele lugar fitavam-me.
Eram muitos olhos. Muitas cores. Pequenos murmúrios.
–Ele é um meio anjo, filho de um ser dos Céus e de um ser das Trevas. Não sabemos o que poderá ocorrer se deixarmos esta criança viva. Por esses 5 anos de sua existência, não houveram motivos para o matar, mas ainda é cedo. O Conselho quer uma decisão.
Os murmúrios pareciam espetar-me a pele, incomodavam, eram irritativos. Tentei ao máximo não prestar atenção ao que estava acontecendo ao meu redor, eu só queria sair dali.
Voltar para meu quarto. Voltar para minha solidão.
Mas talvez eu nem sairia com vida daquele local.
Meu pai estava sentado ao lado de dois homens, tão imponentes quanto ele. Os três pareciam elevados, mesmo diante de todos os outros demônios presentes. O que estava à sua direita tinha olhos verdes escurecidos, que olhava-me com uma expressão quase que furiosa. O que estava à esquerda tinha olhos de um azul intenso, mas encarava-me sem muita atenção.
–Garoto. – Uma voz firme e poderosa clamou.
Este mesmo senhor de olhos azuis havia levantado. Os que estavam à sua frente abriram passagem rapidamente, e a figura que vestia um longo manto negro vinha em minha direção.
“Por favor, faça ser rápido.” Pedi em silêncio para alguém que pudesse ouvir meus pensamentos.
Fechei os olhos, esperando meu pedido ser atendido.
Ouvi o metal da gaiola ranger e estalar alto, um ruído horrível. Eu esperava a dor, mas um toque macio tateou meu braço e me puxou para fora daquela prisão.
Não tive coragem para saber de quem era aquele toque afável, que quase me fez pensar que eu ficaria bem. Eu estava aninhado ao colo de alguém, mas não sabia quem era.
–Abra os olhos.
Obedeci, devagar.
O mesmo olhar azul que anteriormente me parecia firme, agora me encarava melancólico.
–Faz-me lembrar do dia em que o vi pela primeira vez. O dia em que o ser benigno de asas brancas pousou diante de mim, naquele sórdido mundo humano, e a levou, seja lá para onde. Menino, teu olho esquerdo é o mesmo azul do horizonte, é o mesmo azul dos anjos. – Ele terminou.
Em seus olhos, eu via refletido um querubim levando consigo uma mulher de olhos azuis, ambos sorrindo, voando juntos por um céu escuro repleto de estrelas. Este senhor que me segurava fitava o casal com um olhar de dor, enquanto os dois partiam e ele ficara sozinho.
–Você pôde ver? – Perguntou-me com uma voz aveludada, acolhedora. Pela primeira vez, senti-me protegido.
–S… Sim. – Respondi baixinho.
–Mas o que significa isto?!
–Que aberração!
–Deviam livrar-se dessa ameaça.
–Afinal, ele tem sangue de anjo...
Eram muitas vozes, muitas ameaças. Sem pensar, encolhi-me nos braços daquele que me segurava, sem tirar meus olhos dele. Seus olhos não estavam mais em mim, estavam olhando para as vozes, ou para meu pai e seu companheiro.
–SILÊNCIO! – Alguém gritou. No mesmo momento, sua ordem fora obedecida.
–Este ser é impuro, está muito claro. Ele vê o que nós não vemos. Poderia muito bem ser usado como uma arma contra os anjos, mas pode muito bem voltar-se contra nós. DEEM UM FIM NESSA COISA!
Não tive coragem de virar para ver quem havia decidido isso. Não era a voz de meu pai, nem mesmo a voz do homem de olhos azuis. Sua voz era autoritária, diferente das vozes dos demônios ali. Deveria ser o senhor de olhos verdes.
Fui violentamente levantado, por outra mão. Não via mais os olhos azuis. Agora eu era segurado pelo pescoço, e os olhos verdes e selvagens me fuzilavam com ódio.
Além da fraca cor, eu podia ver algo mais. Mesmo que não quisesse, eu via.
–Seu poder é uma desgraça, garoto. Meu voto é para que o destruam.
Não pensei que seria ruim. Ao menos, eu iria ficar livre. As vozes estavam mais baixas, mais cautelosas.
Senti novamente um puxão, mas dessa vez eu estava sobre os braços do homem que me acalmava.
Eu queria poder chamá-lo de pai.
–Meu voto é para que o mantenham vivo.
Fez-se novamente a confusão de sons entre as pessoas. Eu podia ouvir apoios, contras. Só queria que, de algum jeito, isso acabasse. Queria tudo quieto, vazio, escuro. Ou voltar para meu quarto, ou morrer, eram minhas opções.
–Dê-me motivos, Choi. Ficou com pena desse insignificante? Está esperando que ele o tire mais? Não bastou-lhe perder a esposa?? – O homem de olhos verdes acusou.
A insatisfação e surpresa tomou forma nas palavras dos outros presentes. Apesar disso, minha mente estava focada apenas nos três elevados, e, principalmente, no senhor da família Choi.
Eles três quem decidiriam minha vida.
–Meus motivos são apenas para meu próprio conhecimento, senhor Lee. E se este menino lhe fosse realmente insignificante, não estarias com medo dele. – O senhor Choi disse. – Deixe-o viver, ele não fez nada. Kim não o deixou ao menos sair de seu calabouço, desde seu nascimento. Enquanto ele não causar males, não é preciso preocupação.
–Calunioso. Estás assegurando tua própria morte, Choi. Kim, decida o que vai fazer com esse verme, e decida logo. – O senhor Lee disse.
Eu… Não entendi ao certo o que vi nos olhos dele. Eu não sabia dizer se era bom ou ruim.
Meu pai levantou-se.
–Se cabe a mim decidir o que fazer com meu filho, eu não haveria de pedir tantos presentes aqui. – Ele começou, sua voz grave me causava calafrios, apesar do agradável calor que vinha da pessoa que me segurava. – Choi, Lee, eu agradeço vossa opinião. Mas sei que mais uma pessoa gostaria de fazer-se presente. Senhora Park?
Todos olharam para uma mulher que até então estava oculta entre os outros presentes. Ela não parecia antenada ao que acontecia, apenas quando seu nome foi pronunciado. Os olhos cinzentos, que me lembravam algo como metal líquido, voltaram-se para meu pai.
–Você anseia por esse momento, não é? Você anseia por me ver inerte, fria, sem vida. Talvez porque eu sou a única que sabe do teu real erro nessa história.
–Sempre tão envolvida em assuntos que não lhe dizem respeito. É por isso que sua família arcou com as consequências de seus atos, Park Bom. Porque você não sabe segurar sua própria ousadia. – Meu pai respondeu. – Agora diga o que quer tanto dizer.
–Acho que o senhor Lee esqueceu-se de um pequeno detalhe em seus planos sempre tão bem configurados. Ele, e todos aqui presentes esqueceram-se de que não estão tratando de um ser qualquer. Como pretende matá-lo, senhor Lee? Este menino tem o sangue indestrutível de um demônio e o sangue indestrutível de um anjo. E agora? Será que seus métodos dariam certo? – Ela desafiou.
Eu queria me pronunciar e acabar com tudo aquilo. Talvez se somente abrisse a boca, já me calariam para sempre. Eu queria isso. Eu queria estar longe dali.
–A questão aqui não é matar ou não matar o menino. A questão é saber como matá-lo. – A senhora Park disse.
–E o que sugere que façamos, hein? – O senhor Lee disse com desprezo em sua voz rouca. – Eu duvido que tenha conhecimento de como o matar, senhora Park.
–Não vou dar minha opinião sobre isso. Eu sei o que você pretende, Kim. E saiba que não vai dar certo. – Ela respondeu, virando-se até a saída do local.
–Nojenta. Ainda vou te ver sem vida, sua biscate. – A voz tomada pela fúria provinha do meu pai.
Todos aguardaram a senhora Park partir com um meio sorriso no rosto.
–Minha decisão foi tomada. – Meu pai disse, virando-se a nós. – Vou deixá-lo viver, por enquanto. Mas com algumas limitações.
De qualquer forma, estou aliviado. Não importa o que viria.
Todos os demônios formaram uma circunferência ao meu redor, menos meu pai, o senhor Choi, que ainda me segurava e o senhor Lee. Os braços acolhedores do senhor Choi me levantaram, dessa vez me abraçando de frente para ele, tomando cuidado com as saliências que vinham de minhas costas. Eu não podia mais ver quem estava atrás de mim.
Senti minha camisa sendo rasgada com certo cuidado pela parte de trás. Suspirei de alívio por minhas asas agora libertas. Apesar de ainda machucarem, por estarem sempre compressas ao tecido da camisa.
–Prepare-se, vai doer. – O senhor Choi murmurou no meu ouvido, sua mão quente pousando em minha nuca.
…
Ouviu-se um estalo, e nada mais.
Talvez o grito que se formara em minha garganta não tivesse tempo para ser expelido.
Fora rápido demais. Rápido demais para meu corpo reagir. Pensei que meu rosto congelaria naquela expressão que pude ver refletida nos olhos do senhor Lee, que estava quase em minha frente.
Horror seria pouco para descrever.
A dor se alastrou fulminante, como se queimasse cada célula de meu corpo, tirando-me aos poucos do choque.
A poça vermelha já se espalhava pelo chão, aos pés do senhor Choi. Juntamente com as lágrimas que vertiam dos meus olhos e pingavam no chão, misturando-se ao líquido carmesim.
–Vire-o. – Meu pai disse.
Lentamente, o senhor Choi obedeceu.
Meu pai sorria. Sorria com desprezo, um desprezo que ele nunca havia direcionado a mim tão vivamente.
Em sua mão, um amontoado de penas desgastas e sujas. Pingavam sangue. Um sangue vermelho vivo, como o do chão.
Ele largou aquilo e se aproximou lentamente. A mão do senhor Choi não estava mais em minha nuca, mas meu pai pôs a dele ali. Com a mão livre, acariciou meu rosto.
–Este sangue será a última coisa que você vai enxergar. – Sorriu, apontando diante de meus olhos as unhas afiadas, banhadas em meu próprio sangue.
Tudo ficou escuro.
~ / / ~
O tempo não passava.
A dor fora tão forte que havia retirado toda a minha sensibilidade. Então, se ainda doía, eu não sabia dizer. .
O sangue no chão já estava praticamente seco. Mesmo assim, o cheiro me deixava enjoado. Me fazia querer vomitar.
As lágrimas também não saíam mais.
Talvez tivessem acabado. Talvez meu sangue tivesse acabado.
Eu queria que minha vida tivesse acabado.
Eu não sabia ao certo onde estava. Ao julgar pelo concreto frio que eu sentia sobre minha pele, aquele era o meu quarto.
Durante aquele período que me pareceu uma eternidade, ninguém veio até mim. O senhor Choi, a quem eu queria tanto agradecer por algum motivo que eu não sabia ao certo, parecia ter sido apenas fruto da minha imaginação.
E a dor podia ser parte desse pesadelo.
Meus olhos não abriam. Mas eu podia ver claramente os olhos vermelhos me dizendo:
“Vou te torturar do mesmo modo que torturei sua mãe.”
E ao ver todo o sofrimento que ele a causou, todas as lágrimas que caíram de seus olhos azulados, todos os machucados em seu corpo perfeito, toda a dor...
Desde o primeiro momento, ele a enganara. Ela nunca quis ter nada com ele.
Fora manipulada por seu jogo sujo.
Trinquei os dentes, afogado na escuridão.
“Vou fazê-lo sentir tudo o que ela sentiu.” Prometi a mim mesmo severamente. “Não importa que eu seja mais fraco. Vou desafiá-lo no seu próprio jogo, e vou vencer.”
“Vou te destruir, pai.”
Notas finais
Meu shupa obrigada para a Junso, porque ela me deu uma ideia incrível. "Ele" vai aparecer no próximo cap *.* ahsuahsuahsaus
Ah, cometi uma "gafe" ao colocar a Dara e a Bom como humana e demônio, respectivamente. As duas têm o mesmo sobrenome, mas não tem nenhuma ligação, ok? A Dara foi só uma coadjuvante, por isso não pensei muito quando decidi. Mas como a Bom tem um papel fundamental na história, não pude mudá-la :( Então finjam que não tem nada a ver, tá? shuahsahu)
Até logo (eu espero)~
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