O hospital é um organismo vivo, não podia parar em momento algum senão pessoas morreriam, compostos por médicos que dão seu suor e vida, enfermeiros, serventes que nunca podem parar, mas eu estava esgotada, ao menos é o que um plantão na área de emergência faz com uma pessoa, mais duas horas apenas, era o que eu continuava pensando para me manter em pé depois de uma longa cirurgia.

Andava nos corredores brancos e bem iluminados cheios de pessoas que andavam depressa carregando macas, resultados de exames, materiais, pessoas. Estava rumo ao quarto de descanso, pedindo a Deus que estivesse vazio, assim não escutaria nenhum ronco ou barulho insuportável de outro ser humano extremamente cansado como eu.

Cumprimentei duas enfermeiras que passaram por mim e antes de abrir a porta do quarto respirei fundo. Quando a abri não pude deixar de esboçar um sorriso. Não havia nenhuma alma no pequeno quartinho com dois beliches. Virei-me e tranquei a porta, aquele era o meu direito depois de passar oito horas em pé tentando consertar o abdome de uma cara que tinha levado duas facadas em uma briga de bar, um lugar que eu gostaria de estar agora para descontrair, tentar conhecer pessoas novas, que não tivessem nada em relação ao hospital.

Pra falar a verdade nem sabia mais que horas era, se era de madrugada ou de tarde. Nada daquilo importava mais. Tirei meu jaleco e larguei no pé da cama. Soltei meus cabelos negros, passei a mão no rosto e me sentei na estreita cama coberta com lençol azul. Deitei meu corpo permitindo a minha coluna e minhas relaxarem um pouco. Só mais duas horas e eu voltaria para o meu apartamento silencioso e tranquilo, onde eu poderia tomar um bom banho quente, tirar um bom cochilo e ler um livro antes de voltar para o hospital. Nada de namorado ou família ou até mesmo amigos. A minha vida era o hospital. Meus amigos trabalham no hospital. Eu vivo aqui. Talvez nem tenha comida em minha geladeira.

Fechei os meus olhos e respirei fundo. Pronto Regina, agora pode descansar um pouco. Coloquei o meu antebraço no meu rosto cobrindo os meus olhos. Soltei o ar.

O problema de ser médico de trauma e fazer plantão é que se ainda tem meia hora para seu turno acabar e chegar alguém, você fica até a pessoa ser atendida. E foi o que aconteceu logo depois que fechei os olhos. O bipe irritante do meu pager me acordou antes mesmo de pegar no sono. Levantei de modo automático já esfregando os olhos pesados do cansaço e pedintes por uma boa noite de sono, catei o meu jaleco já vestindo-o, abri a porta correndo e corri ainda mais pelos corredores enquanto as pessoas entre as paredes brancas neutras abriam espaço para minha passagem. Prendia o cabelo enquanto corria sem me importar se ficaria ou não um penteado bonito.

Cheguei à ala de emergência. Tinker, minha amiga que na verdade tinha esse apelido por parecer com uma fada, veio me atualizar.

— Emma Swan, 33 anos, levou um tiro no peito durante um assalto em uma loja de conveniência, o estado é crítico e perdeu muito sangue até os paramédicos chegarem._ dizia Tinker. _ Desculpa por ser o final de seu turno, mas mandaram te chamar, você é a melhor para isso já que pode ser caso da cardio também, gastos._ disse impaciente. _ A Belle está vindo também, já que não sabemos onde exatamente a bala atingiu.

—Sem problema._ dizia enquanto colocava o avental e as luvas. Já estava acordada novamente, a adrenalina do desconhecido que enfrentaria me mantinha eletrizada.

—Regina, boa noite. _ então era noite. Depois que eu vi que Bella a cirurgiã geral havia chegado. Fomos para o lado de fora do hospital para esperar pela ambulância que não tardou.

—Boa noite. Inicio de plantão? _ ela concordou com a cabeça e corremos em direção a ambulância que tinha acabado de estacionar.

Um paramédico abriu a porta e já começou a nos atualizar.

— Emma Swan, 33 anos, levou um tiro no peito durante um assalto em uma loja de conveniência, perdeu muito sangue no local, ainda bem que alguém tentou estancar o sangue, teve duas paradas no caminho._ era uma loira que já estava praticamente nua dá cintura para cima apenas com o sutiã e suja de sangue na parte do abdome e com algumas gases jogadas pelo seu corpo na falha tentativa de estar o sangue feita pelos paramédicos, quando tirei uma faixa do rumo da bala mais sangue saiu, a voltei para o lugar no mesmo instante.

—Vocês demoraram de mais._ os repreendi enquanto corríamos para dentro do hospital.

—O trânsito e as pessoas não respeitam mais._ dizia o paramédico mais novo, estava vermelho de nervosismo, deveria ser o primeiro dia, sempre conhecia quando era um novato.

Chegando no elevador ela começou a ter outra parada.

—Ah, qual é!_ subi na maca enquanto que as enfermeiras tentavam prepara-la e Bella estancar o sangue. Comecei a fazer a massagem cardíaca enquanto elas empurravam a maca.

Já estava tentando montar uma estratégia para a cirurgia, pelo que pude ver o projétil havia entrado logo abaixo do externo, poderia ter atingido o estômago, o fígado, o baço, uma artéria, o que explicaria o motivo do sangramento, tudo dependia de ângulos.

Emma Swan, loira, se não fosse pela máscara de oxigênio que tampava seu rosto eu poderia prestar mais atenção em seus traços, parecia uma mulher saudável e forte pelo seu porte físico. Estava pálida e suava muito, seus batimentos cardíacos estavam cada vez mais baixos.

— Bipamos a cardio? _ perguntou Bella.

—Não precisa. _ eu sabia que ela estava me encarado._ Eu sou cardiologista também, por isso que me chamaram.

—Ah, não sabia.

Fizemos a nossa higienização o mais rápido possível enquanto as enfermeiras preparavam Emma e a sala de cirurgia.

Estralei o pescoço e os dedos e pedi o bisturi. Começaria uma batalha ali contra a morte.

Encontrei a bala e vi o estrago que ela tinha feito logo quando a abri. A bala tinha atingido o seu fígado, a artéria e o estômago. Merda. Enquanto eu tentava remendar a sua artéria, Bella costurava o seu estômago. Nesse meio tempo Emma teve outra parada.

—Ah não, não vou deixar você ir. _ falava mais para mim do que para a mulher deitada já quase sem vida naquela mesa fria. Uma enfermeira colocou outra bolsa de sangue O.

Iniciei a massagem cardíaca enquanto Bella tentava estancar o sangramento agora no fígado. Estava concentrada.

—Regina eu não sei de onde está vindo tanto sangue._ ela dizia enquanto tirava as gazes de dentro dela e a olhava procurando por uma fonte. _ Regina. _ eu estava concentrada fazendo a massagem cardíaca.

— O que foi?! _ quase gritei. Estava em estado de alerta tentando salvar uma vida, mas eu também estava esgotada.

—Eu preciso de você aqui._ se virou para um interno. _Ei, você._ o menino fez cara de idiota._ Você faça a massagem.

Troquei com o jovem médico e voltei. Aquela artéria estava praticamente destruída.

—Merda, isso aqui está um estrago. Sucção.

—Já estou acabando com o fígado.

Mais duas horas e acabamos a cirurgia. O único problema que eu via naquele momento era o tempo em que seu coração ficou parado ou a perda de sangue, impedindo a passagem de oxigênio para o seu cérebro. Ela podia entrar em coma, meu maior medo com qualquer paciente que eu lutava tanto para manter vivo. Eu apenas sentia que tinha que salva-la de qualquer maneira, não sabia o motivo.

Saí daquela sala querendo um banho quente relaxante mais que nunca. Tirei a touca e vesti o meu jaleco novamente. Acompanhei-a até o quarto que ficaria na UTI, cheguei no balcão do setor e deixei o seu prontuário com uma enfermeira enquanto Belle foi chamada para outra consulta.

—Emma Swan?_ perguntou a enfermeira ao ler a fixa_ Uma amiga dela está na sala de espera._ avisou como se aquilo fosse nada.

Aquela era a pior parte do trabalho, avisar para amigos e entes queridos que a pessoa amada estava em coma e não sabíamos o que aconteceria dali para frente. De qualquer maneira eu já havia pedido para Gold, o chefe do setor de neurologia dar uma olhada nela para mim, então eu enrolaria um pouco para ir até sua amiga enquanto ele a consultava. Voltei para o quarto para ver se estava tudo bem, as enfermeiras iriam limpa-la para tirar todo o sangue seco. Olhei para o seu rosto, seus olhos fechados e o tubo em sua boca. Estava pálida, logo sua cor normal voltaria. Peguei em sua mão morna e apertei como se dissesse que tinha alguém ali com ela.

—Está tudo bem Emma._ sussurrei._ Você vai conseguir._ Completei e sai quando as enfermeiras chegaram para limpa-la. Passei em minha sala que já estava fechada, Gold deveria estar atendendo. Sentei um pouco no pequeno sofá que tinha em meu consultório e tentei raciocinar, em apenas um plantão duas longas cirurgias, estava cansada e com medo de ter feito alguma coisa errada ou ter demorado fazer algo devido o cansaço. Esfreguei os olhos e recostei no sofá. Iria troca-lo, estava já gasto e uma madeira começava a incomodar minhas omoplatas. Olhei para a prateleira que ficava atrás de minha cadeira e mesa. Coberta de livros médicos e pastas com arquivos, minha mesa sempre arrumada pela minha secretária evidenciava as minhas leituras um pouco atrasadas. Um peso de papel em formato de coração estava em cima de algumas revistas e artigos impressos. Meu notebook estava fechado e uma luz piscava.

Poderia falar que a coisa mais pessoal naquela sala era o meu computador e o peso de papel que meu pai havia me dado quando decidi ser cardiologista.

Esfreguei novamente os olhos imaginando que as enfermeiras já teriam terminado de dar o “banho” em Emma e Gold estaria já pedindo uma TC. O bom de ser amiga do chefe era que ele não tinha espera para pedir uma tomografia. Levantei-me do sofá e abri o meu computador para desliga-lo devidamente. Fiquei mais alguns minutos encarando o peso de papel e a pinha de revistas atrasadas criando coragem de ir até a amiga da paciente. Respirei fundo e levantei quando decidi que já havia juntado coragem suficiente. Sai e tranquei novamente o meu consultório que dividia com Gold.

Cheguei à área de espera, um lugar de esperança, onde as pessoas esperavam sempre por uma notícia boa e temiam uma ruim. Eu estava indo entregar as duas notícias. Levantei a cabeça para passar um ar de confiança, era uma coisa que eu sempre fazia. Vi uma mulher de cabelos negros e curtos sentada ao lado do seu, imagino, namorado, estava com a cabeça apoiada no ombro do homem e seus olhos estavam fechados, ele olhava para frente e não pareceu ter reparado na minha chegada. Deveria estar digerindo a informação.

—Emma Swan... _ a mulher se levantou num pulo deixando o namorado e correu em minha direção.

—Sim, minha amiga, colega de quarto, sou Mary Margaret. _ estendeu a mão para mim. _ A Emma..._ ela começou a falar, mas as lágrimas a impediram. Seu namorado colocou a mão em seu ombro.

—Elas são como irmãs, cresceram juntas e moram juntas.

—Tem mais alguém da família? _ falei de modo calmo e doce. Achei estranho, geralmente o hospital entrava em contato com familiares, mas elas moravam juntas, então bastava.

—A Emma é órfã. Praticamente foi criada por meus pais._ a mulher disse quando conseguiu controlar o choro. _ Me diga se a minha amiga está bem._ ela disse com os olhos vermelhos e inchados que denunciava um choro recente.

—A cirurgia foi um tanto delicada, ele perdeu muito sangue. A bala atingiu o fígado, o estômago e a artéria. _ respirei fundo, aquela seria a parte mais doida._ O problema foi que ela teve muitas paradas e a última durou mais tempo. _ a mulher já havia voltado a chorar._ Vamos esperar para passar o efeito da anestesia para descartar coma, entretanto já estamos consultando um neurologista neste exato momento, o melhor do hospital.

A mulher, sem avisos, me abraçou ainda chorando.

—Muito obrigada..._ não completou a frase por não saber o meu nome, eu havia esquecido completamente de me apresentar no momento da abordagem da mulher.

—Doutora Mills.

—Muito obrigada Doutora Mills por ter salvado minha amiga._ me soltou._ podemos vê-la?

—Claro, a consulta já deve estar acabando. Podem me acompanhar.

Os levei até o quarto onde Emma estava. Expliquei, durante o caminho, que ela estava entubada ainda, que eles poderiam levar um choque ao vê-la naquele estado e foi o que ocorreu. Da janela do quarto sua amiga desabou, ainda bem que o namorado a segurou.

—David, a Emma... Não pode ser._ começou a chorar e o namorado a abraçou.

—Calma, amor. A polícia vai pegar o ladrão desgraçado que fez isso._ dizia enquanto passava a mão nos cabelos negros da namorada._ E lembre-se que a Emma é forte, ela vai conseguir.

Eu pedi que eles esperassem mais um pouco para eu poder conversar um pouco com Gold.

—Qual o seu parecer?_ o questionei preocupada enquanto chegava mais perto dele.

— Bem, na TC não mostrou nada, eu só pedi para descartar tudo, e ela responde aos estímulos, é só uma questão de tempo, você pode respirar tranquilamente. _ soltei o ar preso e deixei meus ombros relaxarem. _ Parabéns Regina, pode ser que apareça até uma promoção. _ Bateu em meu ombro e saiu do quarto com sua bengala.

Mesmo abatida ela era uma mulher bonita, seus cachos loiros moldavam seu rosto, seus olhos estavam fechados e eu os imaginava claros e cheios de vida. Seus braços também um pouco definidos como o abdome. Se não fosse pelos aparelhos e tubos conectados à ela eu poderia compara-la a um anjo que dormia.

Não pude deixar de esboçar um sorriso com a notícia de Gold, estava tudo bem e era uma questão de tempo.

Chamei seus amigos e expliquei toda a situação, disse que era uma questão de tempo, que a cirurgia foi agressiva e que eles se lembrasse que ela havia perdido muito sangue, seu coração havia passado por um estresse e tanto. Eles entenderam prontamente e eu saí do quarto os deixando. Pela janela do quarto pude ver que a amiga foi em direção da loira pegando em sua mão como eu havia feito antes, beijou sua testa e falou outras coisas. Mexeu na manta que a cobria como se estivesse fora do lugar.

— E aí, Rê?_ Tinker me perguntou enquanto eu observava os amigos chorosos de Emma em seu quarto. _ Ocorreu tudo bem, imagino?

—Tudo ótimo. Agora já posso ir._ disse voltando para a minha amiga e sorrindo.

—Esse sorriso seus... É tão iluminador.

—Acabamos de salvar uma vida, Tinker. _ comecei a andar e ela me seguiu.

—Os policiais querem falar com você._ me informou. Ela sabia que eu detestava isso.

— O que posso fazer? O projétil já foi entregue a eles._ ela deu de ombros.

—Estão te esperando na sala de reunião._ disse pegando o tablet de minha mão e apontando para o elevador. _ tchau, meu plantão começou quando você pegou o caso da Emma._ apertou o botão do elevador que não demorou.

— E o meu parece que nunca terminará._ entrei e fui separada de minha amiga pelas portas de metal.

Fui me arrastando para a sala de reuniões, no meio do caminho peguei um café em máquinas para me manter acordada.

Abria a porta e dei de cara com uma mulher branca, alta e magra de cabelos cacheados e rebeldes ao lado de um detetive já mais velho e roliço. A mulher foi a primeira a se pronunciar com uma voz rouca.

—Você deve ser a Doutora Regina Mills que cuidou da senhorita Emma Swan. Sou a detetive Rizzoli e detetive Korsak. _ mostrou o distintivo e ela estendeu a mão para me cumprimentar e eu vi uma aliança em seu dedo anelar esquerdo e na mão do detetive também. Eles perceberam o meu olhar. _Não somos casados._ esbocei um cara de “ah, entendi.” E me senti envergonhada.

—Sim, o que desejam? _ disse puxando uma cadeira para descansar as pernas.

—Vimos as filmagens da loja e não achamos que foi um simples assalto. A pessoa não se direcionou em momento algum para o caixa ou os outros fregueses, foi em direção à vítima._ ainda não tinha descoberto onde queriam chegar, mas o jeito com que ela dizia vitima me incomodava um pouco, para mim a palavra vítima naquele contexto remetia a apenas pessoas mortas, sei que ela se encaixava na vítima de tentativa de assassinato, mas mesmo assim, me senti desconfortável._ precisamos saber da atual situação da vítima._ disse completando o detetive mais velho.

—Ela está em observação de coma. Pode acordar ou não a qualquer momento, perdeu muito sangue, seu coração passou por muito extresse. Seus amigos estão nesse exato momento com ela.

—Muito obrigado. _ eles apenas queriam saber se abririam um caso de homicídio ou tentativa._ vamos colocar um policial na porta do quarto dela até descobrir o que ele queria com ela.

Fui dispensada e comecei a andar sem rumo pelos corredores, quando dei por mim eu estava perto do quarto da minha ultima paciente. Os detetives estavam conversando com seus amigos. Pedi para a enfermeira me chamasse se qualquer coisa mudasse no quadro de Emma.

Qualquer alteração, mesmo que mínima. Voltei ao meu consultório, troquei de roupa e peguei minha bolsa para sair antes de qualquer coisa.

Cheguei ao conforto silencioso que meu apartamento me proporcionava, larguei minha bolsa no sofá e fui deixando as peças de roupa pelo caminho até no banheiro. Olhei-me no espelho. Meus olhos fundos de sono, as olheiras contrastavam com o branco da pele. Era nítido que eu estava morta de cansaço. Porem estava feliz por ter salvado duas vidas durante o meu plantão. Liguei o chuveiro na água quente e fiquei por um momento apenas sentindo a água cair em minhas costas e me deixar vermelha, aquilo me relaxava.

Debaixo do chuveiro era o melhor lugar para se pensar na vida. E a primeira coisa que eu pensei foi na minha paciente. O que ela havia feito ou se metido para levar um tiro? Ela parecia ser uma pessoa do bem, era a impressão que eu tinha ao olhar para o seu rosto angelical.

Não aparentava ser problemas com drogas, comecei a divagar sobre as possibilidades até me lembrar que já tinha muitos problemas na vida para tentar entender os problemas dos outros, ela era problema meu apenas no hospital, que eu deixasse a detetive Rizzoli e o detetive Korsak resolverem o caso do tiro.

Aquela detetive não me era estranha. A conhecia de algum lugar, uma revista, ou do próprio hospital. Mas era o Hospital Geral de Boston, era enorme. Saí do banho enrolada uma toalha enquanto o cabelo molhado pingava em minhas costas. Liguei o notebook e pesquisei sobre ela.

A incrível detetive Rizzoli que havia aprendido o Cirurgião, agora me lembrava daquele caso, foi logo quando me mudei para Boston, cheguei a trabalhar com a Catherine Cordell, a mulher que o psicopata queria pegar e fez da vida dela um inferno, ela saiu do hospital logo depois do caso ser concluído e eu fiquei em seu lugar. Ela tinha se casado há pouco tempo com uma legista conhecida doutora Maura Isles. Já havia lido alguns artigos dela, aparentava ser muito inteligente. Lembrei da minha conclusão a respeito dos dois detetives e senti-me um pouco envergonhada por ter achado que os detetives eram casados. O que o cansaço não faz com a mente das pessoas? Dei uma risada.

Fechei o notebook, chega de olhar a vida dos outros. Fui até a geladeira e arrepiei quando o frio da geladeira tocou em minha pele ainda quente do banho. Meu almoço ás dez horas da manhã seria restos de pizza de dois dias atrás. Ainda estavam bons então esquentei enquanto colocava um pijama confortável. Liguei a televisão em um canal de noticias. Comia enquanto assistia as notícias em relação a política e depois começou a falar da onda de violência. Então apareceu o caso de Emma.

Eu esperava que aparecesse a filmagem na qual a detetive havia comentado, mas claro que eles não iriam liberar isso logo no inicio das investigações, eu estava com dó de sua amiga/irmã por tudo que ela estava passando e por tudo que iria passar. Não é fácil descobrir que sua amiga está à beira da morte e que foi vítima de tentativa de homicídio. Terminei de comer a pizza, escovei os dentes e cai na cama. Quando começou a chover.

Dormir com chuva me relaxava ainda mais, o que me propiciou pegar no sono mais rapidamente.

Acordei por volta das seis da tarde. Fui até minha prateleira no meu pequeno escritório e peguei um livro qualquer para me distrair. Estava no meio da leitura de um clássico da literatura brasileira, que me encantava muito, quando minha irmã me ligou.

—Hey, sis! _ sua voz extremamente alegre e contagiante fez aparecer um sorriso em meu rosto.

—Já sei o motivo da chuva._ brinquei, ela não me ligava muito, devido as nossas profissões que demandavam todo o nosso tempo.

—Nossa, sis._ fingiu um tom de decepção._ Como você está? Já achou algum boy?_ voltou para o tom animado de sempre.

—Zel, você sabe que prefiro cookies a homens, os biscoitinhos com gotas de chocolates não me darão dor de cabeça. _ a ouvi rindo.

—Mas te dão quilinhos a mais com que se preocupar._ ela riu e eu a imitei._ Tô te ligando para avisar que vou passar um tempinho ai em Boston. Fui convidada a trabalhar no hospital, ser chefe da ortopedia! É o máximo, não? Se tudo der certo vou trabalhar com você!_ ela dizia animada, podia imagina-la pulando no sofá de sua casa como uma criança. _Sempre quisemos trabalhar juntas mesmo!

—Que legal!_ estava feliz_ Vou deixar um quarto separado para você.

—Vou levar alegria para sua vida, semana que vem eu chego aí._ avisou

—Eu te pego no aeroporto?

—Não vou de carro mesmo, te aviso antes para deixar as chaves na portaria do prédio se você estiver no hospital no dia, até parece que não vai estar._ disse num tom de deboche.

—Você sabe que...

—Você vive para aquele hospital porque você ama o que faz e blá, blá, blá, mas você tem que viver também sis!_ me interrompeu. Eu não gostava de levar sermão sobre a minha vida amorosa que sempre me machucava, então decidir ignorar essa parte da vida.

—Tudo bem. Você não se importa se eu desligar? Acabei de sair de um plantão, estou morta._ bocejei.

—Vai lá. Beijo, te amo, sis.

Desliguei o celular e voltei para a leitura. O que minha irmã tinha falado era certo, mas eu simplesmente não tinha coragem de me envolver novamente com ninguém, sempre me machucava e continuaria assim. Voltei para a minha leitura, li quase o livro todo, pedi outra pizza e depois de comer fui dormir novamente, no dia seguinte iria para o hospital reiniciar a minha rotina e depois teria que ir ao supermercado reabastecer minha geladeira.