Acordei com o som estridente do meu despertador. Coloquei as minhas roupas de corrida e fui para a varandinha de meu apartamento, não estava disposta a caminhar na rua, subi na esteira e coloquei a playlist de corrida no meu celular. Coloquei os fones e iniciei minha corrida de quarenta minutos. A imagem de minha paciente veio em minha mente, fiquei preocupada se ela tivesse alguma alteração eles teriam me bipado. Balancei minha cabeça e voltei minha atenção para a minha corrida aumentando a velocidade. Quando terminei estava encharcada de suor. Fui até a cozinha e liguei a cafeteira enquanto fui tomar banho. Optei por algo mais confortável, coloquei um jeans, um sapatinho e uma camisete branca de botões.

Passei um perfume bem fraco, ajeitei o meu cabelo e passei um batom vermelho que acentuava a cicatriz em meus lábio superior, coloquei o meu café em minha caneca térmica e peguei duas torradas para comer enquanto pegava o elevador.

Eu morava relativamente perto do hospital, então não precisava ir de carro.

—Bom dia, senhorita Regina. _ desejou o porteiro

—Bom dia, Carlito._ Já tinha comido as torradas e estava apenas com a caneca em mãos.

O dia estava quente para o clima de Boston, caminhei vinte minutos e cheguei ao hospital.

Fui até o meu consultório. Nem Gold nem Anastasia haviam chegado. Hoje eu não estava de plantão. Ótimo. Troquei de roupa coloquei meu precioso jaleco, e meu tênis confortável e fui fazer minha ronda.

—Bom dia, senhora Anderson!_ cumprimentei a simpática senhora que eu havia operado o seu coração há dois dias.

—Bom dia, Regina._ disse sua filha.

—Ô minha filha, bom dia!_ disse com um sorriso_ Você sabe que eu gosto muito de você._ disse pegando em minha mão_ Mas quero voltar para casa logo.

—Bem_ estava lendo o seu prontuário. _ A senhora pode ir hoje. Eu só vou dar uma olhadinha no corte. Licença_ olhei o corte que estava seco._ Olha, vou te dar alta, mas nada de esforço, tudo bem?_ dizia enquanto escrevia em sua receita._ e quero vê-la daqui uma semana para tirar os pontos e qualquer coisa pode me ligar no meu numero particular.

—Você é um amor! _ disse pegando em meu rosto. _ Já encontrou um amor? Sinto que encontrará logo, você merece doutora.

—Olha que o que ela fala acontece. _ disse a filha enquanto dobrava uma coberta.

—Ultimamente não estou com muito tempo para isso._ sorri para a senhora.

—Ah, que pena._ falou a senhora.

—Bem, ainda tenho que visitar outros pacientes. _ disse para as mulheres com o semblante triste e fez um bico._ não deixa a teimosa fazer esforço e senhora Anderson, uma semana viu?

Sai e visitei outros dois pacientes também casos de cardiologia, todos ali para dar alta. A última era Emma.

Entrei no quarto e me deparei com cartazes e flores. Senti uma atmosfera diferente, boa, calmante. Olhei o seu prontuário, Bella já havia passado ali e Gold também, as enfermeiras já tinham trocado os seus curativos. Mas eu quis olhar, verificar, sentia uma obrigação maior do que as dos outros. Estava tudo normal com seus exames, já tinha um buquê de flores com um cartão de sua amiga. Ela realmente era uma mulher muito bonita. Sentei na poltrona aproveitando o momento de calmaria antes que eu fosse chamada. Permiti aquele momento de silencio enquanto olhava os prontuários dos outros pacientes pelo meu tablet. Logo depois um policial apareceu na porta.

—Senhora, você não tem autorização para estar aqui._ disse firmemente.

—Eu sou a médica dela_ mostrei o meu crachá e ele olhou em uma lista._ Estou analisando os seus exames.

—Tudo bem._ o policial voltou ao seu posto.

Voltei para a poltrona e continuei olhando os arquivos. Vez ou outra o policial olhava para mim. Eu tinha meu próprio consultório no hospital, mas não tinha nenhuma consulta marcada para hoje e minha secretária que era a mesma que a de Gold não tinha me mandado nenhuma mensagem, e eu estava gostando de estar naquele quarto, mesmo não sendo um local que qualquer pessoa normal gostaria de estar. Fui tirada dos meus devaneios quando me biparam para uma consulta no pronto socorro.

Antes de sair me virei para o policial. Um rapaz alto e musculoso de olhos negros.

— A polícia já achou quem tentou mata-la?

—Ainda estamos procurando, mas já temos um suspeito, a detetive Rizzoli é a melhor.

Fui para a emergência.

—Bom dia Mills. _ disse Tinker. _ Leito 4. _ Me entregou um tablet.

—Bom dia, senhor... Robin!_ disse assustada. O Robin não. Não meu ex.

—Bom dia Regina._ disse meio embolado.

—O que está sentindo?

—Só isso._ ele tirou um pano que estava encharcado de seu braço, tinha um corte feio de quinze centímetros. _ Eu que pedi para te chamar.

Não estava acreditando naquilo com tantos médicos naquele hospital eles me tiraram daquele local tranquilo para costurar o braço de um idiota. E não qualquer idiota.

—Como você fez isso?_ cheguei mais perto e pude sentir o cheiro de whisky em seu hálito, como um homem poderia estar naquele estado logo no início do dia?

—Esqueci as chaves e quebrei uma janela.

—E a Marian? Não estava em casa?_ Marian era a sua esposa que ele tinha escondido durante todo os nosso relacionamento. Analisava o corte.

—Não queria abrir a porta, cheguei muito tarde.

—Onde ela está?_ disse segurando o seu braço.

—Foi levar o Roland para a escola e me deixou aqui, depois me pega._ realmente ele era um idiota.

—Vou pegar o kit de sutura._ sai e um residente passou. _ Jefferson, pode pegar esse caso para mim? É uma simples sutura.

—Claro, Mills.

Não queria mesmo encarar o meu ex, mas antes de sair ouvi ele gritando por mim.

— Robin eu não posso ficar aqui, o Jefferson vai costurar o seu braço e te dar uma glicose na veia para você voltar para a sua mulher são, está bom?

—Regina, me perdoa. Dizia chorando. _ uma enfermeira trouxe a glicose e eu mesma preparei e coloquei a agulha em sua veia.

—Robin, você está bêbado, e você tem uma família e você partiu meu coração e já te pedi para me esquecer._ Olhei para ele._ O Jefferson é um bom médico e..._ eu tive que inventar uma desculpa. _ Já estou em outra._ o residente me encarou e apenas o olhei. Qualquer um daquele hospital sabia que eu não saia com ninguém._ Se cuide Robin, você tem um filho, melhore para ele então. Adeus, Robin.

Sai e deixei o residente cuidando de Robin ainda choroso.

Namoramos por dois anos e durante todo esse tempo ele conseguiu esconder sua família de mim, descobri quando o seu filho veio para no hospital com uma dor abdominal e eu estava de plantão quando eu não deveria. Então ele chegou com a mulher e o filho. Eles estão em um leito e cheguei lendo a ficha do menino enquanto abria as cortinas que separavam os leitos, dei de cara com um Robin preocupado e prestes a ter um ataque cardíaco.

Eu me senti como se um prédio de vinte andares tivesse caindo em minha cabeça, mas em todo o momento fui profissional. Não estava tratando do filho, que eu nem sabia que existia, de um namorado meu que me engava. Eu podia ter armado um barraco ou uma guerra, ter enfrentado e contado tudo para a sua mulher. Quando dei alta para o pequeno Roland ele foi atrás de mim. Foi quando eu terminei tudo e voltei para o meu trabalho. Só quando cheguei em casa eu me deixei levar pela emoção e pela dor de ser enganada. Eu deveria ter desconfiado, estava tudo muito perfeito em nosso relacionamento, a única coisa que me perguntava era até quando ele iria me enganar, ou eu ia me deixar ser enganada. Eu a primeira da turma, sempre me achava inteligente, menos quando o assunto era relacionamentos.

Não percebei para onde estava indo até ver o policial parado no quarto. Passei por ele que me cumprimentou com um aceno. Sentei na poltrona ao lado da cama.

—Eu não acredito que ele teve coragem de me chamar._ coloquei a cabeça entre minhas mãos. _Eu fui tão idiota._ levantei minha cabeça e apoiei em minha mão_ E agora estou falando com uma completa estranha em coma._ um sorriso triste brotou em meus lábios, me levantei_ Obrigado por escutar, senhorita Swan._peguei em sua mão e apertei gentilmente. _ Torço para que acorde logo.

Sai novamente do quarto e segui para o meu consultório. Tinha que atualizar a minha leitura.

—Olá, alguma consulta marcada? _ perguntei ao entrar no consultório.

—Não, qualquer coisa te bipo._ Disse Anastasia antes de seu telefone tocar.

Entrei em minha sala e peguei as revistas, um livro e um caderno e saí novamente.

Eu fui para o quarto de Emma, resolvi que ficaria de olho nela, já que não tinha nenhum acompanhante, sua amiga trabalhava e só poderia vir algumas vezes ao dia. Então faria aquele papel e aquele quarto viraria o meu refúgio.

Me acomodei na poltrona do acompanhante com os meus materiais no colo. Comecei o meu estudo e passados trinta minutos a amiga, Mary Margaret, chegou com outro vaso de flores: copos de leite com um cartão.

—Olá!_ ela ficou surpresa ao me ver sentada ao lado da amiga com um caderno e livro em mãos. _Aconteceu alguma coisa?_ estava preocupada

Me levantei no mesmo momento em que ela entrou.

—Não, está tudo bem com ela. Eu pensei que já que você não tem tempo de acompanha-la eu poderia ficar aqui nos momentos de folga._ ela sorriu.

—Muito obrigada Doutora._ colocou o vaso na mesa. _ Consegui uma folga. Foi difícil para a escola me dar uma folga rápida, mas todos os dias a partir das três da tarde eu virei aqui.

—Sem querer ser intrometida._ iniciei receosa. _ Em que a Emma trabalha? Eu vi esses cartazes e...

—Oh._ ficou surpresa com a minha pergunta._ Ela é artista plástico, estava trabalhando para fazer uma exposição em uma galeria e trabalha como professora na mesma escola que eu esses cartazes são dos alunos dela, trouxe ontem e esse vaso dos professores.

—Os alunos devem estar arrasados. E a polícia?

—Pegaram o cara. Acontece que ele tinha confundido ela com a ex. Ele estava passando de moto e estava armado. A viu a loja e pensou que era a ex. Estava drogado e atirou. A detetive me ligou tem uns minutinhos, estava vindo para cá. Vão manter o policial por hoje._ olhamos para ela. Um simples engano e ela estava ali, numa cama de hospital._ teve alguma mudança?

—Até agora nada. Mas está tudo okay com seus exames e estamos positivos com relação ao seu estado.

— Você se importaria de ficar com ela por hoje, tenho que cuidar dos problemas do seguro, tenho que aproveitar essa folga.

—Claro, vou ficar aqui até surgir alguma coisa. _ ela me entregou um papel com seu numero.

—Obrigada._ sorriu sinceramente para mim e retribuí._ Emma, eu estou aqui viu? Todos lá na escola estão preocupados com você, amanhã eles virão te visitar._ passava a mão no rosto da amiga que já estava sem o tubo._ Ô minha amiga_ uma lágrima escorreu de seu rosto pálido._ Eu te amo viu?_ beijou a testa da loira e saiu.

Aquele tipo de cena acabava com qualquer um. Aproximei-me mais dos cartazes que antes eu pensava ser muito invasivo ler as mensagens para ela. Eram palavras de melhoras e mensagens motivadoras, “vai ficar tudo bem, senhorita Swan”, “Deus está contigo”, “sei que é forte”. No vaso de flores tinha um cartão do casal de amigos e no outro várias assinaturas de seus colegas de serviço.

—Então, Emma, você é uma artista plástico e professora?_ comecei a conversar com ela, era bom, pelo menos tinha lido aquilo em algum lugar. Se ela conseguisse escutar seria bom ouvir alguém conversando com ela. _ Como consegue? Você faz o que? Pinturas? Esculturas? Gostaria de ver o seu trabalho um dia. _ Me levantei e olhei para ela. _ Você tem cara de quem gosta de desenhar mesmo._ Fui bipada._ Bem, Emma, até mais._ sorri para a moça deitada como se ela pudesse ver.

Arrumei meus livros na poltrona e sai.

—Diga, Tinker.

— Leito um. _ era um caso de princípio de infarto, tratei como mandava o figurino e deixei em observação um policial que não se alimentava direito com uma dieta rica em gorduras e açúcares. Sua sorte foi que sua parceira o levou as forças.

—E aí? Como está a menina do tiro?_ Tinker me perguntou enquanto mexia no tablet.

—Ainda não acordou._ suspirei_ Acho que vou pedir outra consulta com Gold para ver se mudou algo, vou conversar com sua amiga sobre fisioterapia.

—Fiquei sabendo que você está passando um tempo com ela...

—Sim. Ela não tem ninguém e sua amiga não tem tempo. E só fiquei lá um pouco hoje._ a encarei. _ Credo, fofoca voa nesse hospital.

— Você vai para o céu Mills_ ela disse balançando a cabeça.

— É o mínimo que qualquer ser humano pode fazer.

—E o seu ex que esteve aqui hoje?

—Nem me diga..._ fui andando em direção a uma maquina de café.

— Por que será que a sua paciente ainda não acordou?

—Gold não achou uma causa, ela responde aos estímulos externos, mas é como se...

—Ela estivesse dormindo.

—Sim._ respondi de modo triste e biquei o café.

—E você está confiante?_ ela cruzou os braços

—Claro que sim.

Tinker, ou Tania, era enfermeira da área de emergência e nós nos tornamos próximas, podia afirmar que daquele hospital ela era a minha melhor amiga. Havia o Gold e a Mal, mas ela com ela que eu sempre podia contar. Anos trabalhando juntas e desvendando casos mais estranhos no pronto socorro, após alguns casos cansativos começamos a sair para beber e criamos uma amizade um tanto esquisita.

—E o seu ex? _ Escorou na parede e me encarou

—Veio me pedir desculpas. _ dei um gole no café que precisava de doce._ Aquele traste. Ainda não acredito que fui tão idiota e me deixei ser enganada.

—Ah amiga, ele que foi muito inteligente.

—Mesmo assim, como? Durante dois anos?

—Ele se aproveitava de sua rotina de trabalho.

—Às vezes penso se eu não trabalhasse tanto...

—Você não estaria feliz, você é feliz trabalhando assim, é só uma questão de tempo para você achar um homem que te faça feliz sem te enganar.

—É esse o problema, eu era feliz com Robin, mas da forma errada._ falava mais para mim que para ela.

—Você era a amante perfeita que ainda tratou do filho._ ela disse rindo e levou um tapa no braço.

—Certo, fiz por merecer.

Então ouvimos praticamente todos os bipes dos médicos presentes naquela área. Sabíamos o que aquilo significava.

Malévola, chefe do pronto socorro, designava as funções de todos e informava os acontecidos enquanto todos do P.S corriam para se preparar. Joguei o meu café amargo na lixeira e me preparei.

—Um acidente com um caminhão que explodiu e ouve um engarrafamento com três carros que colidiram. Os quero preparados para receber os queimados e os feridos. Já estão a caminho quatro ambulâncias. Algumas salas de cirurgias já estão preparadas para alguns casos._ flava enquanto as pessoas corriam._ Regina, Bella e Leroy, a primeira ambulância é suas.

Corremos para fora do prédio e vimos as ambulâncias se aproximarem.

—Nós duas novamente, Regina._ dizia a simpática Bella. Leroy nem nos cumprimentou.

—Homem, 45 anos..._ o paramédico levantou a malha térmica evidenciando um pedaço de ferro no abdome do homem. _ E sua perna está quebrada..._ a perna estava em um ângulo esquisito, mas aquilo não era para mim, era para o Leroy.

—Minha esposa._ o homem tirou a mascara de oxigênio e falou quase num sussurro.

—Sua esposa deve estar vindo ai._ eu disse quando avistei a outra ambulância. August e Ruby estavam recebendo, era uma mulher grávida.

—Minha esposa está grávida e teve uma explosão e depois..._ ele começou a chorar.

—Como vocês querem proceder?

—Preciso de um raio-x da perna dele. _ corremos para um leito.

—Ele está estabilizado por enquanto._ eu dizia enquanto passava o aparelho de ultrassonografia. _ O pedaço de ferro estancou o sangramento.

— E isso aqui é cirurgia mesmo._ disse Leroy quando viu as imagens.

A cirurgia não demorou muito, quando saí fui logo para a cantina, ainda estava com a minha toca estampada com maças, pedi a Bella que obtivesse notícias da mulher do paciente para quando ele acordasse. Peguei um sanduiche natural e um suco. Quando dei a primeira mordida minha amiga se sentou ao meu lado.

—Eita dia corrido...

—Acabei de receber uma mensagem que uma paciente quer ser atendida hoje porque quer viajar amanha. Vou comer aqui e voar para o consultório.

—Está surgindo um boato no P.S que a Mal vai sair desse hospital._ disse como se aquilo não fosse nada enquanto eu quase me engasguei.

—O que? Aquilo vai virar uma bagunça sem ela! E ela faz parte do conselho!

— E o Gold também faz, ouvi dizer que o seu nome está cotado para a substituição.

—Mas sendo chefe do P.S eu não teria tempo para os meus pacientes particulares.

—Tem alguém aí dentro?_ bateu em minha cabeça com o dedo indicador incredula._ Você seria a chefe do pronto socorro, sua tonta!

—Isso seria interessante, mas não se esqueça de que a filha dela, que só trabalha no P.S também deve estar concorrendo e eu prefiro cardiologia, você sabe. Estou pensando em largar a emergência.

—Não se atreva, Regina Mills! Você é uma das melhores daquele lugar!

—Eu não vou falar mais nada porque, como você mesma disse, é só um boato e eu vou indo porque tenho uma consulta com uma senhora um pouco irritante daqui uma hora e quero dar uma descansada. _ me levantei e deixei minha amiga me xingando.

Lembrei que tinha algumas revistas minhas no quarto de Emma, subi para a UTI, o seu quarto ainda estava vazio, nada de novo, os equipamentos emitiam bipes ritmados.

—Olá Emma. Não se preocupe, mais tarde Mary deve chegar._ peguei em sua mão._ Não vou poder ficar muito tempo, tenho uma consulta._ Peguei meu material e sai dali.

—Já fez o seu horário de almoço?_ perguntei para a secretária de cabelos castanhos.

—Não, estou indo agora, não demoro.

Entrei em minha sala, a mesa sempre arrumada, a prateleira, o sofá e uma maca. Abri a porta do pequeno banheiro e joguei uma água no rosto. Penteei o cabelo, escovei os dentes e passei novamente o batom vermelho. Arrumei minha mesa, liguei o computador e chequei os meus e-mails. Nada novo. Joguei-me no sofá com os livros que eu havia levado antes para o quarto de Emma. Fiquei presa na minha leitura e não vi o tempo passar até Anastasia bater na porta.

—Sim?_ ela enfiou a cabeça na sala.

—A senhora Martin chegou._ avisou e esperou por minha resposta.

—Um minuto e já a chamo.

Levantei, vesti o jaleco e arrumei o meu material de estudo e chamei a senhora.

Não estou reclamando, mas ninguém merecia uma paciente daquelas. Não seguia uma dieta, não tomava os medicamentos no horário, sua filha não agia e parecia estar ali arrastada. Por mais que eu falasse que sentir uma fisgada no local do corte fosse normal ela insistia querer fazer outros exames que depois de insistir conseguiu os pedidos.

—A senhora pode marcar com a...

—Não, não, vou fazer quando chegar de viagem.

—Tudo bem, _ disse desistindo e larguei a caneta na mesa._ Então quando estiverem prontos é só vir aqui e não se esqueça da dieta e de tomar os remédios corretamente._ forcei um sorriso.

—Tudo bem doutora, mas se não funcionar...

—Tenho certeza que vai é só tomar direitinho, tudo bem?

—Tudo._ disse nervosa por eu ter cortado.

Quando dispensei a pequena senhora e sua filha meu pager apitou, gelei quando vi que era da UTI.

—Emma!_ eu disse e sai correndo da minha sala quase esbarrando em minha paciente idosa.

Desci as escadas correndo quando vi que o elevador iria demorar. Quando virei a pequena esquina eu vi um movimento anormal em seu quarto que significava apenas uma coisa: Emma estava tendo uma parada.

Entrei no quarto e o enfermeiro começou me atualizar. Mandei dar um remédio para tentar controlar o seu coração, peguei as pás e mandei carregar.

Meu coração estava aflito, batia tão forte contra a minha caixa torácica que parecia que iria parrar a qualquer momento, nem eu estava entendendo a minha aflição. Descarreguei as pás e nada.

—Qual é Emma?_ tentei novamente e nada. Olhei para o monitor cardíaco. Olhei o ritmo. Respirei fundo fechei os olhos e dei um murro em seu coração no momento que achei oportuno. Senti um alivio como se tivesse tirado o peso do mundo de minhas costas e eu pudesse respirar normalmente quando vi que seu coração havia encontrado o ritmo normal. Todos olhavam assustados para mim que encarava o monitor. Só percebi que estava chorando quando senti uma mão em meu ombro. O motivo do meu choro? Não sei, já havia passado por situações parecidas e nunca tinha tido uma reação daquelas. Só sei que aquela mulher mexia comigo sem ao menos olhar em minha cara, era como uma ligação, eu sentia algo diferente quando estava perto dela quando tocava em sua mão. Passei as mãos enxugando as lágrimas e direcionei minha atenção para onde todos olhavam. Emma estava acordando.

A loira estava abrindo os olhos vagarosamente como se a luz a machucasse. Cheguei mais perto.

—Olá Emma. _ coloquei minha mão perto da sua e ela alcançou minha mão rapidamente e agitada. Surpreendi-me e todos ali também, apertei sua mão._ Sou a doutora Regina Mills e você está no hospital. _ seus batimentos aceleraram._ Calma, não precisa se alterar. Emma, você levou um tiro e passou por uma cirurgia delicada._ eu flava calmamente, o pessoal já estava dispersando. _Ficou dois dias desacordada. Sua amiga já deve estar chegando.

—Regina? Obrigada._ disse numa voz rouca, mas bela. Seus olhos eram verdes e, mesmo assustados , eram maravilhosos. Eu apenas sorri agradecida.