Eu estava em uma pequena lojinha, estava indo comprar salgadinhos ou algo parecido, não me lembro muito bem, quando um cara de uns 30 anos chegou agitado e apontou uma arma para mim, minha primeira reação foi pensar que era apenas um assalto, levantei minhas mãos e antes que eu pudesse falar qualquer coisa ouvi um barulho de um disparo e praticamente no mesmo momento uma dor em meu abdome. Levei as mão de encontro a dor e vi o sangue. Caí de joelhos, um homem veio ao meu encontro, mas estava tudo ficando escuro, já não conseguia discernir o que as pessoas falavam. Deveria estar ligando para a polícia ou socorro, senti uma mão pressionando algo contra o meu abdome. Antes de apagar completamente ouvi barulhos de sirene.

Dentro da ambulância acordava e via algumas imagens que não tinham nexo algum, os enfermeiros aplicando algo em minhas veias, trocando gases ao tentar fazer um curativo para tentar estancar o ferimento, luzes. Acordei novamente quando senti o baque da maca no chão, avistei uma morena bonita ao lado de uma mulher com cabelos castanhos, falavam alguma coisa para o paramédico, entramos em um elevador e eu apaguei novamente.

Minha vida estava muito boa para ser verdade, estava me dando bem na escola onde trabalhava como professora de artes, os alunos me amavam e eu amava incentiva-los, consegui um contrato com uma galeria para expor os meus trabalhos, mas tudo parecia terminar com um puxar de gatilho.

Eu nunca havia visto aquele homem, aquilo não fora um assalto, parecia mais uma execução, simplesmente chegou e atirou em mim. Eu estava voltando para a casa depois de acertar tudo com a galeria e resolvi para comprar salgadinhos para comer durante o caminho e agora estava num hospital.

Quando a médica tinha me falado que eu havia dormido por dois dias foi difícil de acreditar, tudo pareceu um pesadelo, onde eu não conseguia sair de uma sala escura. Eu ouvia vozes, pessoas conversando comigo, eu reconheci as vozes de Mary e David, mas outras eram estranhas aos meus ouvidos, outra voz que estava sempre ali eu reconheci sendo a de Regina Mills, a médica que havia salvado a minha vida.

Quando eu consegui sair daquela sala escura e abrir os meus olhos a claridade me machucava, estava agitada, sem entender o que estava acontecendo, onde eu estava. Tinha muitas pessoas perto de mim, eu senti algo no meu braço ao tentar me mover. Uma mulher que estava chorando veio para perto e colocou sua mão em minha cama.

—Olá Emma. _ alcancei sua mão rapidamente quando reconheci a voz que falava comigo enquanto eu estava presa. Ela apertou minha mão para confirmar a sua presença._ Sou a doutora Regina Mills e você está no hospital. _ comecei a ficar um pouco agitada quando disse onde estava._ Calma, não precisa se alterar. Emma, você levou um tiro e passou por uma cirurgia delicada._ Ela falava docemente tentando me acalmar. _ Ficou dois dias desacordada. Sua amiga já deve estar chegando.

—Regina? Obrigada._ disse um pouco rouca e ela retribuiu com um sorriso divinamente bonito.

Tentei me levantar, mas parecia que os meus braços não estavam cooperando e senti uma pontada no lugar que levei o tiro. Fiz uma careta de dor.

—Você tem que ir com calma, não vai querer abrir os pontos._ a médica disse me ajudando a ficar sentada._ Emma, você perdeu muito sangue e teve algumas paradas. Está fraca.

—Eu nem conhecia o cara que atirou em mim._ olhei para a médica. E deixei algumas lágrimas escaparem._ Por que? Por que ele atirou em mim?_ comecei a chorar e fui abraçada pela médica morena.

—Aparentemente e rapaz estava drogado e te confundiu com a ex. A polícia já o pegou._ ela disse ainda me abraçando. Ela separou do abraço. E eu senti outra pontada.

—Você não pode fazer esforço algum, Emma. Parte de seu estômago e fígado foi remendada e sua artéria também. _ Ela dizia.

Eu olhava para os cartazes, conheceria aquilo de longe, era arte dos meus alunos, sorri com aquilo.

—Regina, obrigada por cuidar de mim enquanto a Mary não podia.

—Como você...

—Eu sei.

—Emma!_ Mary Margaret apareceu na porta, começou a chorar quando me viu sentada e conversando com a médica. Ela veio caminhando devagar e me deu um abraço com cuidado.

—Eu vou indo...

—Regina, Doutora Mills,_ minha amiga chamou. _ Muito obrigada._ dizia com lágrimas nos olhos. A médica sorriu e saiu. Ela tinha uma marca em seu lábio superior que acentuava quando sorria.

—Emma, que susto, eu pensei que eu ia perder a única amiga/irmã que tinha._ ela estava tentando controlar o choro._ Como você está?

—Cansada, parece que levei um tiro._ disse rindo. Rir doía também

—Emma! Não brinque com isso!_ disse irritada.

—Calma Mary, estou com um pouco de dor e cansada.

—Já liguei para o David. Ele está trazendo umas roupas suas que eu já tinha separado.

—Mary, essa médica...

—Muito atenciosa, ficou aqui nos momentos que eu não pude. Lembre-me de agradece-la depois novamente, de fazer uma torta ou algo do tipo.

—Olá._ uma médica simpática de cabelos castanhos e olhos claros entrou_ Sou a Bella, sua médica também, a Regina me avisou que você havia acordado.

Ela me examinou, me fez milhares de perguntas dobre a minha alimentação e passou uma dieta para seguir com calma, pediu que eu fizesse uma visitinha a um nutricionista e disse que eu poderia começar a comer comidas leves, que a as enfermeiras levariam para mim.

Quando a médica saiu deixando uma lista de o que comer e o que não comer com a minha amiga ela se virou para mim.

—Eu pesquisei todos os seus médicos no Google._ disse orgulhosa de si mesmo se sentindo uma investigadora de um livro de mistério.

—Olha, só falta a lupa!_ disse brincando._ Diga Sherlock, o que achou.

—Essa médica, a Belle, formada na universidade de Boston e a melhor de sua classe, é casada com o neurologista que te atendeu, Dr. Gold, ele é que praticamente manda aqui. A Regina é formada em Harvard e trabalhou certo tempo em Nova York, de onde veio, até ser convidad para trabalhar aqui, ela é cardiologista e medica de emergência.

—Agora eu entendi o porque de você não ter pirado._ nos rimos._ Ai._ deixei escapar.

—O que foi Emma? Algo de errado?_ me questionou preocupada.

— Dói um pouco quando rio. Mary, e a galeria?

—Já conversei com Ingrid, ela entendeu na hora._ respirei aliviada._ e Já que você está com praticamente todas as obras prontas, ela não viu problema nenhum em remarcar a exposição.

—Que bom! E meus alunos?_ estava com saudades dos meus capetinhas e anjos

—Todos queriam saber como estava a Senhorita Swan. Iriamos marcar uma visita para você amanha, mas graças que você acordou._ ela pegou em minha mão.

—E o cara que atirou em mim?

—Um tal de Neal, já foi preso, pode ficar despreocupada, ele te confundiu com a ex.

—Love?_ ah, não. Não. O que ele estava fazendo aqui? Ouvi os aparelhos apitarem quando vi o homem de cabelos negros e olhos claros parados na porta de meu quarto. Olhei para a minha amiga questionando-a se ela havia avisado para aquele idiota que estava ali._ Emma, fiquei preocupado.

— O que você quer Killian?_ Mary se pronunciou.

— Fui até o prédio seus e o porteiro me disse.

—Mary, já estamos no horário de visitas?

—Sim. Emma, eu quero conversar com você._ os monitores emitiam bipes com mais frequência.

—Eu não Killian, volte para a Millah._ o cansaço já era notável em minha voz, e então uma enfermeira chegou.

—Senhorita Swan, algum problema? _ a enfermeira entrou correndo no quarto e foi de encontro a mim que já estava com dificuldade de respirar._ Chame a Dr Mills! Deem licença por favor._ ela disse para minha amiga e o traste. Mills não demorou muito para chegar.

—O que aconteceu?_ eu estava com a mascara de oxigênio e sozinha dentro do quarto.

— Princípio de arritmia doutora. _ administrei um remédio de leve.

—Emma, esse remédio é para te acalmar, certo? Você vai dormir um pouco e eu vou conversar com seus amigos. Você não pode se estressar.

Ela saiu e me deixou ainda com a máscara de oxigênio, pude vê-la conversando com Killian e Mary e esta fuzilar com o olhar o rapaz. Vi Regina olhando para mim e depois voltou para os dois e falou mais algumas coisas. Killian saiu enraivecido depois de discutir com Mary e Regina apenas observar.

Mary entrou no quarto e eu já estava sonolenta.

—Ele não vai mais voltar aqui, acho que se ele pisar os pés nesse andar ou no que você será transferida a própria Regina mata ele.

—Ótimo, agora vou tirar um cochilo.

Fui acordada por Mary e uma enfermeira para tirar as sondas e depois tomar um banho, David já tinha passado por lá e deixado as minhas roupas.

Levantei com dificuldade depois de ser libertada da sonda. Mary me ajudou a ir até o pequeno banheiro.

—Você quer ajuda Emma?_ me questionou preocupada e prestativa como sempre.

—Não, Mary, tudo bem._ eu disse quando entrei no banheiro antes de fechar a porta_ Qualquer coisa eu te chamo.

Apenas fechei a porta, se eu trancasse eu sabia que ela piraria do lado de fora, e também sabia que minha amiga estaria o tempo todo encostada na porta pronta para entrar se algo acontecesse.

Tirei a camisola horrorosa e me olhei no espelho. Eu estava abatida, cabelos desgrenhados, ainda pálida, ar cansado, olhos fundos. Afastei-me um pouco mais do espelho e vi o corte. Devia ter uns oito centímetros, partia de debaixo do meu externo em direção ao meu lado direito. Minha mão esquerda se direcionou tremendo na direção dos pontos, toquei-os e tirei rapidamente a minha mão como se aquele ato fosse proibido, uma lágrima caiu, molhando a minha bochecha. Tentei novamente e encostei no primeiro ponto, fechei os olhos e respirei fundo, logo depois a imagem do homem vindo em minha direção e apontando a arma apareceu. Abri os olhos e percebi que estava chorando. Escorei meu peso na pia e abaixei a cabeça. Emma, você tem que ser forte. Respirei novamente e me olhei no espelho. Emma, você é uma mulher forte.

Eu já tinha passado por tanta coisa. Meus pais me abandonaram quando eu ainda era um bebê. Cresci em um orfanato, aos quatro pensei que ia ser finalmente adotada por um casal simpático, mas eles logo engravidaram e me devolveram como se eu fosse apenas um objeto de consolo por não conseguirem ter um filho. Aos dez anos eu conheci Mary Margaret na escola, viramos amigas rapidamente, então frequentava muito a sua casa. Aos quinze, sua mãe me fez uma surpresa quando me mostrou os documentos da adoção ao me buscar no orfanato. Sempre tentei ser a melhor em tudo, com medo de os pais de Mary desistirem de mim e me mandassem de volta ao orfanato.

Eu e Mary, então, crescemos como amigas e irmãs, o que explica o nosso laço. Fizemos faculdade juntas, eu de artes e ela de Inglês e Literatura. Acabamos trabalhando na mesma escola e ainda moramos juntas.

Há uns dois anos conhecia Killian em um bar. Ele estava tocando no dia e eu estava esperando Mary chegar para saber de sua notícia maravilhosa. Depois de tocar quatro música ele andou até o meu lado e se sentou.

—Uma dose de rum, por favor. _ Virou-se para mim._ O que uma dama como você faz por aqui sozinha?

—Esperando uma amiga._ olhei para a porta e vi minha amiga chegando._ Que acaba de chegar._ ele levantou e me disse para esperar até a ultima musica.

Era um rapaz bonito, vistoso, estava com uma calça jeans uma blusa social e um colete e, por cima de tudo, uma jaqueta de couro preta. Votou para o seu violão enquanto minha amiga sentou ao meu lado.

—Ui, quem era aquele? _ perguntou assanhada.

—Não sei._ disse rindo._ Olha só, Mary toda de sorrisos, como foi o fim de semana com o bonitão?_ dei um sorriso malicioso e levantei minhas sobrancelhas.

—Ele me pediu em namoro!_ ela disse quase gritando.

—Tava demorando né?_ a abracei._ Você não está mais se aguentando de alegria.

—Claro! Ele é perfeito Em.

Terminamos a noite e quando estávamos indo o cantor me alcançou.

—Adoraria vê-la um dia...

—Emma.

—Você poderia me passar seu telefone?

Foi assim que começamos uma linda e estória de amor. Fizemos viagens juntos, saímos para cinema, passeios românticos até um dia eu querer fazer uma surpresa para ele de aniversário em sua casa.

Quando abri a porta de seu apartamento com a chave reserva que ficava debaixo do tapete, ouvi um barulho estranho. Ele estaria trabalhando na editora naquele horário, eu tinha acabado de sair da escola. Segui o barulho. Estava cada vez mais aflita quando percebi do que se tratava.

Abri a porta de seu quarto. Ele estava realmente trabalhando na editora. Killian e Milah estavam nus na cama em uma posição que eu preferia nem ter visto.

—Swan!_ ele gritou atrás de mim enquanto eu corria. A merda do elevador não subia._ Swan,_ ele apareceu vestido apenas uma calça jeans.

—Desde quando Killian?_ não obtive resposta_ Eim? Desde quando?_ já estava chorando. O elevador se abriu._ Não importa mais, não quero nada com você. _ joguei em seu peito a sacola que estava com os enfeites para a festa e entrei no elevador.

Mandei mensagens para todos cancelando a bendita festa surpresa e não falando o motivo. Cheguei ao apartamento que dividia com Mary e ela estava lá, como sempre, para me dar apoio.

Olhei-me novamente no espelho e disse para mim mesma que era forte. Respirei fundo e abri o chuveiro com água morna. Lavei os meus cabelos como se lavando-os a água pudesse levar todos os acontecimentos ruins de minha vida para o ralo, Mary havia levado o meu shampoo e eu a agradeceria imensamente por isso. Meu corpo precisava daquele banho. Minha mente precisava daquele banho.

Quando sai, já vestida um moletom cinza, Mary arrumava tudo em uma bolsa.

—Você vai ser transferida de quarto! Vai para uma ala mais alegre!_ ela dizia. Eu a abracei forte pegando-a de surpresa

—Muito obrigada por tudo, Mary. Não sei o que seria de mim se não tivesse te conhecido.

—Ô minha amiga, também não sei o que seria de mim sem você._ me afastei e sentei novamente na cama.

—Eu quase morri e você não me diz que vai se casar quando eu acordo._ sua feição quando disse aquilo parecia que tinha sido pega fazendo algo ilegal.

—Emma, eu me esqueci completamente!_ eu comecei a rir até começar a doer._ Desculpe-me! Ele me pediu no dia do acontecido com você. Estávamos indo para casa quando recebi o telefonema e nem me passou pela cabeça quando você acordou...

—Eu vi a aliança._ puxei sua mão._ É linda, ele tem bom gosto.

—Era da mãe dele._ ela olhava apaixonada para a aliança.

—Quero ser a dama de honra._ intimei.

—Claro!_ começamos a rir e a Doutora chegou.

—Vejo que já está melhor, Emma!_ disse sorrindo. _ Isso é ótimo._ o sorriso daquela mulher era mágico, por um momento esqueci de tudo o que estava sentindo.

—Acabei que de saber que minha amiga vai se casar, doutora.

—Meus parabéns!_ ela sorriu para Mary. Depois se virou para mim._ Emma, você será transferida de andar porque não podemos ficar usando um quarto de UTI já que você melhorou, então..._ saiu do quarto e voltou empurrando uma cadeira de rodas._ Eu vou te levar para o seu novo quarto.

Regina me empurrava até o elevador e ao meu lado estava Mary, me sentia um pouco inútil sendo empurrada por minha médica em uma cadeira de rodas. Perto do elevador, Mary se lembrou das coisas que tinham ficado no banheiro e voltou para pega-las.

—Então, a Mary me disse que você é artista plástico._ Regina começou a puxar assunto antes que aquilo ficasse estranho.

—Sim, estou preparando até uma exposição numa galeria._ esperávamos o elevador e as portas de metal se abriram._ Você poderia ir me prestigiar quando abrir a exposição!

—Seria um prazer._ ela me empurrou para dentro do elevador e manobrou a cadeira.

—Obrigada por se livrar do Killian para mim._ as portas se abriram e nós saímos.

—Estava fazendo o meu trabalho, percebi que você tinha se alterado apenas quando ele chegou... _passávamos por um corredor cheio de médicos e enfermeiros que corriam ou por quartos onde pessoas choravam. Como alguém poderia trabalhar em um ambiente daqueles e manter aquele sorriso? Senti que ela queria saber mais, estava na sua natureza ser uma pessoa curiosa, mas ela mantinha uma distancia profissional.

—Aquele idiota me traiu._ eu disse rapidamente e ela continuou com seu caminhar ritmado.

—Então ele é um idiota mesmo. Trocar uma moça linda como você por qualquer uma..._ ela havia falado que eu era linda?

—Pois é... _ disse melancólica.

—Chegamos!_ avisou.

—Até quando vou ter que ficar aqui?

—Bem, mais dois dias é muito? Prometo não ser grudenta._ disse sorrindo.

—Que isso... E quando vou poder voltar a dar aulas?

—Vamos tirar os pontos primeiro, fazer mais alguns exames e depois vemos quando volta para a escola._ ela travou as rodas da cadeira e foi para a minha frente._ Ajuda?_ estendeu a mão e a peguei.

—Acho que não são todos os médicos que dão essa atenção aos pacientes. Isso é tratamento especial, doutora? Só porque te dei um baita susto?_ levantei da cadeira e senti uma pontada.

—Digamos que você foi sorteada para ganhar minha atenção de médica. _ ela passou o braço pela minha cintura quando bambeei por causa da dor. _ essas pontadas e repuxões são normais._ disse quase num sussurro enquanto me ajudava a sentar. Pegou minhas pernas e as levantou depois as colocou gentilmente na cama. _ Vou pedir dois exames viu? Vai faze-los amanhã._ segurou em minha canela e sorriu. Uma coisa é certa, ela é uma mulher muito simpática.

—Cheguei._ Mary anunciou quando entrou no quarto com as bolsas nas mãos.

—Só mais dois dias._ disse para a minha amiga_ e estou livre._ olhei para Regina._ Não livre de você é claro._ comecei a sentir minhas bochechas queimarem e mentalmente mandava-as parar_ Você é uma ótima companhia, mas o hospital...

—Eu sei... É um lugar carregado._ balançou a cabeça. _Bem, estou indo, meu turno já acabou tem..._olhou no relógio._ meio hora e não quero ser chamada para outra emergência hoje. Até amanhã Emma_ olhou para mim e parece que se lembrou de minha amiga._ E Mary.

Quando a morena saiu de meu campo de visão, este foi tomado pela cabeça de minha amiga.

—Emma Swan! Sua danadinha!

— O que foi?_ perguntei já sabendo do que se tratava. Ela foi até a porta e a fechou.

—Você só fica vermelha assim... eu te conheço, seu olhar..._ semicerrou os olhos como se estivesse me estudando.

—Ei, para com isso viu?_ dei um tapa nela.

— Quê que tem? Ela salvou sua vida, sua médica, é linda, educada, atenciosa...

—O que você está insinuando? Eu acabei de conhecê-la.

—Estou insinuando que acredito em amor a primeira vista._ disse sorrindo.

—E eu acho que você bateu a cabeça. Ela, como você mesma disse, é minha médica e essa atenção toda é porque, incrivelmente, eu sou sua paciente_ ironizei._ Viaja não amiga.

—Eu não tô viajando, só estou falando o que vi._ ela levantou e foi até a bolsa.

—Maluca. Até parece...

—Você a convidou para a exposição? Pelo amor de Deus, diz que sim.

—Sim, sim. A convidei. Satisfeita agora?_ levantei uma sobrancelha e a encarei.

—Bem, ótimo. Emma, o David vai vir aqui me buscar para eu tomar um banho e trocar de roupa. Mais tarde eu volto, certo?_ beijou minha testa em um ato protetor.

—Vai dar uma namorada também? Eim, eim?_ a cutucava na barriga.

—Ah, para com isso._ segurou minhas mãos como se eu fosse uma criança malina._ Você sabe que não. E no máximo em duas horas vou estar aqui de novo. Não faz nenhum esforço viu?

—Tudo bem, mamãe.

—Ás vezes eu acho que sou mesmo.

—Ah, e falando nisso. A tia Eva e tio Leopoldo? Você contou?

—Ainda não, não quero estragar a viagem deles. Você me entende?_ ela perguntou preocupada.

—Claro! Do jeito que são pegariam o primeiro avião. E fora que semana que vem eles chegam.

—E nós vamos levar uma bronca por não ter avisado._ fez um bico e olhou para cima. Seu celular apitou e ela olhou na bolsa. _David!... Sim, ela está acordada... Acho que sim... Tá, te espero aqui._ se virou para mim._ Ele vai subir para te ver.

David não demorou muito e chegou ao quarto sorrindo.

—Emma! Como é bom te ver acordada!_ me deu um abraço de leve.

—E melhor ainda quando descobre que seus amigos vão se casar!_ ele olhou para Mary confuso._ Se vocês combinaram de me contar juntos então ela não deveria ter usado o anel.

—E aí? Quando sai?

—Em dois dias, amanha vou fazer uns exames e a médica está confiante.

—Que bom! E a comida do hospital?

—Estou ansiosa para deliciar-me com a famosa gelatina!_ ironizei.

—Bem, temos que ir, já voltamos._ eles deram as mãos e eu não pude deixar de esboçar um sorriso por meus amigos, pela felicidade deles, que mereciam muito.

—Vocês são tão fofos juntos!_ coloquei as mãos na bochecha e eles se olharam._ Quero um selinho agora, já que não vi o pedido!_ eles se beijaram e eu fiz um “own” de fofura. Eu estava feliz por eles e no fundo com um tiquinho de invejinha de minha amiga que tinha dado sorte no amor, no campo onde eu sempre falhava, até onde o amor deveria ser garantido, o amor dos meus pais, eu tinha falhado, o que mantinha sempre em frente era o amor da minha amiga e seus pais que eram os meus pais também.

Eu já estava desacreditando, amor verdadeiro não existia para mim.

Sabia que em algum lugar ali Mary Margaret deveria ter colocado um caderno de desenhos, ela sabia que eu sempre tinha que carregar um. Levantei com cuidado, estava fazendo algo contra a lei na opinião dela, vasculhei a bolsa e achei um caderno e carvão. Voltei para a cama e liguei a televisão, só para ouvir algo enquanto desenhava.

Comecei a fazer riscos aleatórios enquanto vez ou outra olhava para as notícias, quando percebi tinha feito um formato de um rosto e desenhava os lábios. Foi quando me assustei. Eu estava desenhando a minha médica? Já estava naquele ponto, o que custava terminar? O rosto dela era bonito em qualquer momento, concentrada e com a cara mais fechada ou sorrindo quando era simpática comigo, então era algo bom de desenhar, tentava lembrar os detalhes, como seus lábios ficava quando sorria, se mantinha-os juntou ou afastados, como suas bochechas ficavam, seus olhos.

Fui interrompida quando uma funcionária trouxe uma bandeja com meu jantar. Fechei o caderno e o coloquei na beirada da cama e deixei que ela entrasse.

Era gelatina, algumas torradas e suco. Ainda não podia comer nada pesado, ela deixou tudo lá no quarto e saiu e de sobremesa meus remédios que imaginei serem de dor e contra infecção.

Depois de “jantar” e meia hora depois a mulher voltar para pegar a bandeja, tentei terminar o desenho. Já estava na etapa de finalizar quando ouvi a voz de Mary cumprimentar alguém, virei rapidamente a página do caderno e fiz um rápido rabisco de uma flor.

—Olha o que encontrei!_ mostrei para ela quando cruzou o batente da porta._ Obrigada por ter trago, eu enlouqueceria sem meus bebês.

—Você sem seus desenhos é como eu sem meus livros. Jantou?_ largou sua bolsa em um pequeno armário.

—Até que a gelatina não é tão ruim.

Conversamos mais um tempo sobre o que ela estava achando da ideia de casamento, até eu me cansar e pegar no sono enquanto ela falava algo sobre usar ou não a grinalda.