Plantão Médico - Swanqueen
9 Capítulo 9
Notas iniciais
A atitude de Emma ao me beijar foi um tanto inusitada para mim, nunca me imaginei em uma situação parecida com aquela de ser beijada por uma paciente. Eu havia agido certo ou errado? O beijo em si não parecia errado, ao contrário, parecia correto até de mais. Os lábios macios de Emma me deixaram com o gosto de quero mais. Eu gostaria de senti-los novamente. Pena que o meu celular tocou na hora indicando uma emergência. Saí da minha sala sem ao menos me despedir direito, não podia saber como Emma reagiria à minha saída nada elegante e educada.
Depois de passar horas em uma cirurgia arrumando os intestinos de um motorista embriagado que passara a noite e a madrugada bebendo e que acabara colidido o carro com outro, entrei exausta em minha sala, já sem a esperança de Emma estar me esperando como se ela não tivesse nada mais para fazer durante toda a sua manhã, apenas suspirei e pendurei o meu jaleco no chapeleiro.
Percebi um envelope branco que não estava em cima de minha mesa quando entrei mais cedo lá com Emma. O peguei sentindo o papel trabalhado e, quando o virei, havia escrito “Doutora Mills” manuscrito, uma caligrafia cuidadosa e meiga. Não pude evitar o sorriso que foi desfeito quando a porta foi aberta subitamente e minha irmã entrou feito um furacão ruivo me dando um susto.
—Ai, Sis... Tive que desmarcar uma cirurgia no joelho de um cara gato para socorrer uma perna estraçalhada por causa de um irresponsável._ ela se jogou no sofá e tampou os olhos com o antebraço._ Acho que já passou o tempo de você trocar esse sofá, está com uma madeira incômoda aqui..._ ela se virou para mim enquanto eu a observava ainda segurando o convite que tinha tirado do envelope._ você está ouvindo o que eu estou falando?
— Você reclamando do meu sofá? Claro que estou._ ela olhou com interesse para o papel em minha mão.
— O que é isso, Regina?_ bati em sua perna pedindo espaço para me sentar ao seu lado no sofá.
—Um convite para uma exposição de uma..._ me lembrei do beijo._ Uma amiga.
—Mais que amiga, eu acho._ ela semicerrou os olhos e puxou o convite de minha mão._ Emma Swan._ disse se lembrando._ Esse nome era o que estava no tablet hoje antes do chamado, a sua paciente! Você vai sair com uma paciente?_ ela puxou as pernas e se sentou em cima das mesmas._ Não tem problema, né?
—Alguém alguma vez já falou que você fala de mais e é chata?
_Apenas você sis. Vai, me conta qual é a história por detrás._ bateu em meu braço e apoiou a cabeça na mão como uma criança ansiosa por uma história.
_Não tem nada, Zel. Eu só salvei a vida dela e ela me chamou para a sua exposição, uma realização de um sonho. _ disse tentando esconder qualquer sinal de maior envolvimento para a minha irmã para evitar mil perguntas uma atrás da outra.
—Se eu não te conhecesse poderia até engolir essa desculpa._ pegou em minha mão._ Vai sis. Desembucha.
—Não era nada até hoje._ desviei os meus olhos da minha irmã e foquei no convite em meu colo._ Até ela me beijar.
—Como?_ demonstrou surpresa e depois curiosidade._ E aí? Ela beija bem?
—Zelena!_ olhei para a minha irmã sem acreditar no que ela estava perguntando.
—O que? O que tem demais na minha pergunta?_ ela apenas me encarou._ Vai... Ela que te beijou?
—Foi._ eu abri um sorriso.
—Alerta sorriso adolescente! E... Você a beijou de volta, não?_ concordei com a cabeça e ela bateu palmas._Yeah!_ juntou as mãos em baixo de seu queixo._ E...
—Eu fui chamada para concertar a barriga de um cara, o do acidente.
—Ah, não acredito que a irresponsabilidade do cara também atrapalhou isso._ ela olhou para o teto e quase gritou._ Minha irmã aqui já tem um tempinho que não beija e quando acontece o destino faz isso? Colabora aí!
—Zel!_ a puxei pelo jaleco e tampei sua boca._ Cala a boca! Eu disse que ligaria para ela depois._ a informei._ Está bom? Agora cale-se!
—O.k._ sentou-se esmorecida na postura de antes e deu de ombros. _ Você vai ligar, não vai?
—Acho que sim, depois do expediente para evitar interrupções.
—Acha nada, você vai._ disse convicta. Levantei as mãos e murmurei um tudo bem. Ela levantou de súbito. _ Vamos almoçar logo, aproveitar a calmaria antes de descobrirem que você está aqui ao invés da emergência.
Levantei e vesti o meu jaleco, deixei o convite em cima de minha mesa onde estava e sai rumo ao refeitório acompanhada de minha irmã.
—Só uma perguntinha: o convite para a exposição é para um ou você pode levar acompanhante?
—Eu ainda não tive a chance lê-lo, Zel._ sentei com meu sanduiche natural e suco sendo imitada por ela.
—Você vai me contar tudo agora, de como aconteceu as coisas. E não pense que irá escapar, porque não vai.
Zelena estava certa, eu não teria escapatória, se eu não contasse naquele instante ela me lembraria até eu me cansar. A insistência é uma arma poderosa para a minha irmã.
Uma vez, após insistir muito e pirraçar os meus pais por meses ela ganhou uma bicicleta como queria: com faixas rosas no guidom, cesta branca, buzina, tudo o que tinha direito. E era sempre assim, conseguia tudo através dessa artimanha totalmente irritante. Então eu sabia que ela ia conseguir o que queria mais cedo ou mais tarde, então evitaria o cansaço.
Disse tudo para ela, desde o momento em que eu a conheci, sobre a cirurgia e tudo mais, até hoje incluindo o beijo.
—Meu Deus, sis...
—Eu estou enlouquecendo? Me diz, por favor.
—Não, Regina._ alcançou a minha mão e a apertou._ Você só está um pouco receosa de entrar em um novo relacionamento levando em conta o fracasso do seu ultimo e por tudo que Emma está passando. É normal.
—Não diria relacionamento._ dei uma gargalhada nervosa._ Não daria para enquadra-lo assim.
—Bem, você rotula como achar melhor, ligue para ela. Veja o que acontece.
—Vou fazer isso.
—Regina, só não se preocupe de mais e à toa, tudo bem?_ lancei um sorriso fraco para minha irmã.
Depois do almoço o dia passou bem rápido e tranquilo, como se o universo estivesse conspirando com Zelena para chegar logo o horário do fim do expediente e eu pudesse, em fim, ligar para Emma.
Comecei a sentir um desconforto enorme causado pela ansiedade. De minuto em minuto eu olhava para o relógio do computador na minha frente enquanto eu assinava alguns papeis no balcão da recepção.
—Regina, o monitor não vai sair andando._ Tinker informou-me ao aproximar _ Ainda bem que hoje não tenho plantão.
—Se você tivesse mais um plantão eu mandaria você para casa. Quantos plantões pegou semana passada?
—Uns quatro. Estou exausta._ deu a volta no balcão e sentou em uma cadeira._ Pode ficar tranquila que amanhã pego apenas o turno noturno e largo na parte da manhã seguinte e recebo o resto do dia.
—Sortuda._ olhei novamente no relógio, cinco minutos para eu poder ir.
—Tá tão ansiosa assim, ou não quer pegar uma emergência?
—Os dois._ terminei de assinar os últimos papeis e entreguei a minha amiga._ Já vou me trocar. Nada de me chamar, ok?
—Tudo bem chefe. _ eu sorri para a minha amiga e saí dali o mais rápido o possível para evitar algum imprevisto.
Entrei em minha pequena sala largando o jaleco e o estetoscópio no chapeleiro e segui para o banheiro, troquei de roupa rapidamente peguei minha bolsa e guardei o convite na mesma e saí quase dando de cara com Zelena.
—Vejo que está com pressa._ levantei uma sobrancelha._ Ah sis, você não me engana.
—Vamos logo Zelena. _ entrelacei o meu braço no dela e praticamente a arrastei.
—Isso que é vontade de não pegar alguma emergência.
Olhei no meu relógio em meu pulso, já havia passado um minuto da minha saída, respirei aliviada agora não poderiam me bipar para apenas suturar um braço cortado, apenas para grandes emergências.
—Tchau, Tinker._ eu disse ao passar pelo balcão. Arrastando Zelena que subitamente parou e quando olhei para o seu rosto não gostei do que vi. Ela voltou correndo para o balcão da recepção e parou em frente à minha amiga.
—Tinker! O que você acha de Emma Swan?_ minha amiga levantou a cabeça de súbito com a pergunta inusitada de minha irmã desmiolada. Olhou para mim que apenas mastigava os meus lábios e olhava para a minha irmã tentando estourar sua cabeça com o poder da mente. Minha amiga deu uma pequena risada.
—Quem, Zelena? Emma Swan?_ ela olhou para mim novamente e eu me aproximei._ Não é aquela sua paciente Regina?
—Agora eu vou ter outra paciente e vai ser a minha irmã depois de tentar mata-la._ fuzilei a ruiva com o olhar e a loira apenas sorriu.
—Sim, Mills, o que tem Swan?
—Nada, só a Regina que uma coisinha com ela._Tinker abriu a boca em um O e virou sua cabeça em minha direção como numa partida de tênis.
—Amiga!
—”Amiga” nada. Não tem nada, é invenção da Zel, ela é louca, você pode marcar com um psiquiatra amanha para ela, fazendo o favor? E você também é louca, uma amiga casamenteira, isso sim.
—Ainda não tinha falado em casamento, mas se já está nesse ponto, quero ser a madrinha.
Revirei os olhos e respirei fundo, ambas olhavam para mim e riam.
—Tinker, você não sabe da maior._ Pronto, se alguém puder tampar a boca de minha irmã naquele instante eu agradeceria, porque se eu falasse qualquer coisa só serviria para dar mais gás para ela contar._ A minha irmãzinha aqui está pegando a paciente._ ela parou um pouco parecendo ponderar o que estava falando._ Tem algum problema sair com pacientes?_ a confirmação de que minha irmã não é certa.
—Não, a Emma também não é mais paciente da Regina._ percebi que a enfermeira segurava o riso.
—Viu, Regina? Não tem problema nenhum você ligar para ela hoje e marcar um encontro de verdade.
—Regina, você e Emma? Sério? Quando isso?
—Hoje._ Zelena foi mais rápida que eu. _ Antes do chamado elas estavam se beijando na sala da chefe do P.S.._ escorei o meu cotovelo no balcão e tentei esconder meu rosto em minhas mãos. Tinker estava rindo, eu podia sentir ela rindo.
—Amiga, que bom!_ ela segurou em meu antebraço e me fez olhar para seus olhos._ ainda bem que me ouviu.
—Olha, já deu! Vamos, Zelena._ puxei a ruiva pelo braço._ Até amanha, Tinker.
Quando já estávamos fora do hospital e perto do carro, Zelena teve um ataque de risos.
—Ah, o que foi agora?_ bati as mãos nas laterais do meu corpo. _ Você foi muito..._ olhei para a cara dela vermelha de tanto rir._ Irritante em ter contado para a Tinker!_ ela continuava rindo._ Zelena! Pare de rir. Sua chata._ Dei meia volta e andei em direção ao carro ouvindo a risada de minha irmã. Entrei no carro e a esperei entrar também, já se recuperando do ataque de risos.
—Desculpa. Não pude evitar sua cara enquanto eu contava para a Tinker...
—Se você começar a rir novamente eu te jogo do carro em movimento._ falei dura e dei partida no carro.
—Tudo bem. Mas você vai ligar para ela não vai?
—Vou. Entretanto, você vai estar longe, ok? _ antes dela rebater eu continuei._ Vai sim, porque lembra de quando eu estava no colegial e eu fui ligar para o Fred e você ficou tentando me ajudar e acabou atrapalhando tudo? Não quero que você fique perto e nem escute o que vamos conversar.
—Tudo bem, sis._ disse vencida.
—Ótimo._ finalizei aquele tópico._ Operou o joelho daquele gato?
—Sim, correu tudo bem. Pena que ele tem namorado. Não tá sobrando nenhum homem bonito para mim, sis. Ou estão comprometidos ou são gays.
—Acho que você não sabe é procurar.
—Emma simplesmente caiu na sua frente, você não precisou procurar._ ela disse emburrada olhando para o trânsito.
—Zel, você mal chegou aqui em Boston, espere um pouco. E o jeito que eu conheci a Emma não foi um dos melhores e mais recomendável. Ela chegou em estado crítico...
—Sim, sim, desculpe a minha escolha de palavras, mas você deve ter entendido o que eu quis dizer.
—Sim, Zel. Mas você também não deve tomar como exemplo um relacionamento que nem existe.
—Ainda.
—É. Ainda._ Estacionei o carro na garagem do prédio e abria a porta.
—Você acha que eu tenho chance de achar alguém como você achou?
—Zelena!_ a olhei impaciente. E segui para o elevador. Ás vezes eu nem sabia porque ainda dava ouvidos para minha irmã._ Você realmente acha que o modo com que eu conheci a Emma é o melhor?
—Bem..._ ela fez uma cara de pensativa._ Não, mas deu certo, não?_ revirei os olhos e dei as costas para a desmiolada da minha irmã.
—Eu realmente pensei que sairia algo que prestasse de sua boca. Como você se formou em medicina mesmo?_ pude a sentir mostrar a língua para mim._ Hoje o jantar é por sua conta.
—O quê?_ a porta do elevador se abriu e eu saí da caixa metálica._ Por que não disse antes? Assim eu pediria para você parar em algum lugar para comprar comida._ eu girava a chave na fechadura enquanto ela gesticulava ao meu lado.
—Zel,_ respirei fundo e a olhei._ É para isso que vamos ao mercado e enchemos nossa geladeira de comida, para não precisar comprar comida todos os dias._ disse calmamente.
—Mas sis..._ abri a porta e adentrei em meu apartamento a deixando no corredor. Respirei aliviada e me joguei no sofá segurando um riso enquanto ela me olhava estagnada no batente da porta._ Você sabe que eu não gosto de cozinhar.
—Mas quando quer, cozinha deliciosamente._ rebati._ Bora Zel, tem tudo o que você precisa na geladeira. Se te serve de consolo eu limpo a cozinha depois. _ a ruiva deu dois passos para dentro e trancou a porta atrás de si.
Jogou a bolsa em meu colo enquanto eu segurava o riso. O bico que havia formado no rosto de minha irmã era hilário. Ela se arrastou até o quarto onde dormia e largou a casaco voltando logo depois para a cozinha. Passou por mim fazendo um teatro arrastando as pernas como se estivesse indo a força.
—Pense positivo, eu vou limpar a cozinha depois!_ grite para ela enquanto ia em direção ao banheiro para tomar um banho.
—Espero mesmo!_ a ouvi batendo a porta do armário da cozinha.
—Lembre-se: eu te amo, maninha! E não destrua a minha cozinha!
Fechei a porta do banheiro e ainda pude ouvi alguns resmungo vindos de minha irmã. Olhei para o espelho e vi um sorriso estampado em meus lábios. Em parte eu sabia que era devido a palhaça de minha irmã outra, era devido a ansiedade de conversar com Emma e da lembrança do beijo. Eu parecia uma adolescente apaixonada pelo seu primeiro beijo. Me despi e tomei um banho relaxante que não demorou muito.
Sai do meu banheiro com uma toalha no corpo e uma enrolada em meus cabelos, quase tive uma ataque cardíaco quando vi Zelena deitada em minha cama olhando em direção à porta do banheiro.
—Ei, calma, não precisa se assustar!_ disse rindo._ Eu sei que você costuma andar nua por sua casa, mas até parece que nunca te vi sem roupa.
—Ainda tenho que me acostumar com a presença de alguém quase que o tempo todo.
— E depois vem me dizer que não era solitária._ passei por minha irmã ignorando o seu comentário.
Largue a toalha que cobria o meu corpo na cama e abri o meu guarda roupa selecionando um conjunto novo de pijamas.
—Quase não dá para acreditar que somos irmãs._ ela dizia olhando para o teto._ Não temos nada parecido, a não ser o gosto pela medicina.
—Bem, eu puxei a dona Cora e você a vovó. _ virei-me para minha irmã que ainda encarava o teto.
—Nem o papai parece tanto a vovó._ bati em sua perna chamando a sua atenção._ O que fez para o nosso jantar?_ ela esticou para pegar a taça de vinho no criado mudo e se levantou.
—Macarronada, meu amor._ bebericou do líquido._ Minha especialidade.
Saí do quarto sendo seguida pela ruiva até a cozinha de onde vinha um cheiro delicioso. Ela já havia colocado os pratos e uma taça de vinho para mim.
—Parece delicioso._ peguei a taça e bebi um pouco._ Deixou tudo arrumado hoje...
—Sim. E o vinho é para te ajudar a ligar para a Emma._ apontou para a taça em minha mão e colocou a panela com o macarrão em cima da mesa. Olhei para ela, entretanto a mesma não me deu abertura para falar._ Você vai ligar para a Emma enquanto eu estive no meu banho, nem precisa limpar a cozinha se você ligar para ela.
—Tudo bem capitã._ eu havia parado o prato no meio do caminho enquanto minha irmã falava._ Mas é só uma ligação, você sabe não?
—Não, não é só uma ligação.
—Você fala como se o meu futuro dependesse dessa ligação.
—A sua vida sexual futura sim._ eu engasguei com a comida._ Você não gosta de conversar desse assunto? Me poupe, sis._ Ela bebeu um pouco do seu vinho.
—Zelena!_ abri a boca, entretanto nada saiu. A fechei novamente enchendo-a de macarrão. Não adiantaria discutir com Zelena, ela estava certa e eu sabia muito bem desse fato.
—Como vai trabalho apenas no P.S.? Quando você vai comandar aquilo sozinha?_ ela mudou de assunto sabendo que aquele outro me incomodava bastante.
—Um mês. Estou amando, já ficava lá muito tempo, só sinto falta de atender no consultório e a calmaria que me trazia.
—Eu estou amando comandar a ortopedia. Meu sonho._ ela dizia olhando para cima.
Continuamos a conversa sobre o trabalho até lavar todas as vasilhas sujas. Fui até a sala com uma taça na mão e o celular na outra. Zelena apareceu na porta da cozinha com sua cabeleira ruiva.
—Vai ligar agora enquanto eu tomo um banho.
—Vou sim._ Desbloqueei o celular e deixei a taça na mesinha de centro. Minha irmã passou por mim e eu ouvi a porta do banheiro se fechar.
Digitei o número de Emma que eu havia pegado da sua ficha e por algum motivo me vi prendendo a respiração. Respirei novamente após o segundo toque quando ouvi a sua voz doce na linha dizendo “alô”.
—Alô?
—Emma, sou eu Regina.
—Regina!_ ela pareceu bastante alegre ao constatar que era eu.
—Eu..._ encarei a taça de vinho já quase vazia em minha frente e fechei os olhos. Por onde eu começaria? Não fazia menor ideia. Respirei fundo e abri os olhos novamente. Zelena poderia estar ao meu lado me ajudando. E quando conclui esse pensamento a cabeleira ruiva de minha irmã surgiu do nada me dando um susto. Posso jurar que pulei do sofá enquanto via a minha irmã se contorcer de rir.
—Regina? Tudo bem?_ a voz preocupada de Emma me fez voltar ao presente e ignorar a minha irmã.
—Está, tudo bem. Foi a minha irmã que meu deu um susto aparecendo do nada. _ ouvi uma risada fraca._ Eu estou te ligando._ olhei para minha irmã que gesticulava para eu continuar._ Porque fomos é..._ limpei a garganta e pude ouvir um fraco “hum”._ Interrompidas._ a ruiva fazia gestos de comemoração. Eu peguei uma almofada e arremessei em sua direção sentindo as minhas bochechas queimarem.
—Sim, eu percebi isso._ Emma disse em meio a risadas.
— Desculpe-me. Se eu pudesse eu teria evitado._ Zelena desenhava corações no ar enquanto me rodeava. Mandei o dedo do meio para ela que apenas riu.
—Sem problema, é o seu trabalho Regina. Eu entendo.
—Eu estava imaginando se você gostaria de... Sei lá. Tomar um café comigo?
—Claro, adoraria._ Eu abri um sorriso e Zelena se sentou ao meu lado. _ Que tal amanhã?_ ela propôs.
—Sim, claro, amanhã é um ótimo dia já que vou sair mais cedo. Que tal umas 16 horas tem um café ótimo próximo do parque perto do hospital. Sabe onde é?
—Sim, sim. Amanhã. 16 horas no café do parque. Aguardo ansiosamente, Doutora Mills.
— Eu também, Senhorita Swan. Tenha uma boa noite.
—Você também.
Fiquei com o celular pendurado no ouvido mais um tempo esperando pelo ato hesitante de desligar a ligação enquanto ouvia a sua respiração fraca do outro lado da linha. Cuidadosamente encerrei a ligação e encarei minha irmã.
—Você é mesmo uma vaca, Zelena Mills!_ ela começou a rir e eu apenas levantei pegando a taça e bebendo em um gole o resto do líquido. Fui em direção à cozinha enquanto ouvia Zelena atrás de mim rindo._ O combinado era você ir tomar seu banho enquanto eu conversava com ela.
—Se eu não tivesse aparecido para te dar uma forcinha você não a teria convidado, sis._ ela cruzou os braços e escorou no batente da porta me encarando com um sorriso.
—Está rindo de quê, Zel?_ passei por ela para me jogar no sofá.
—Rindo de sua cara._ a olhei confusa buscando por uma explicação plausível._ Você não sabe se fica com a carranca por eu ter te irritado ou fica com um sorriso besta no rosto por ter falado com a sua paciente linda.
—Me poupe Zel.
—Digo apenas as verdades. _ saiu cantarolando e ouvi a porta do banheiro ser fechada e logo depois o barulho do chuveiro.
Deixei o meu corpo afundar no sofá e fiquei a encarar o teto branco. Eu sabia que estava com um sorriso muito besta no rosto. Apenas um idiota não veria. E isso tudo por causa de um simples telefonema para tomar um café no parque.
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