Notas iniciais
Como o prometido: aqui vai mais surpresas fofas e apaixonantes!

Enfim estava tudo bem entre nós. Sem brigas, sem discussões, sem desentendimentos, sem obstáculos ou intrigas.

Não posso dizer que será sempre assim, mas depois de tudo que passamos nesses últimos anos posso garantir que nos sairemos muito melhor quando momentos difíceis voltarem a acontecer.

O tempo estava passando tão depressa. Logo, logo estaríamos definitivamente completos. Seriamos uma família, seriamos um só.

Eu ainda tinha o meu trabalho, a Bianca o dela, tínhamos nossos dias conturbados, mas no final do dia estávamos juntos. E isso era o bastante.

Não nos permitiríamos cair na rotina novamente.

Algumas vezes por semana saiamos para jantar fora, caminhar com o Toddy na pracinha, ou preparamos juntos algo para comer em casa mesmo. Assistíamos a um filme, ou uma série, fazíamos piquenique ou íamos a uma lanchonete.

Alguns finais de semana nós viajamos para o interior, para visitar nossos amigos. Ou íamos almoçar na casa dos meus pais. Ou então íamos no cinema, no shopping ou ao parque. Ou até mesmo conhecer novos lugares, experimentar comida novas, conhecer novas pessoas.

Criei o hábito de escrever cartas para a Bianca e as enviava diretamente para o seu trabalho. Ou escrevia bilhetinhos e deixava em alguma parte da casa para ela encontrar. Ou eu lia até ela pegar no sono, ou ficávamos ouvindo música e relembrando os velhos tempos.

Claro, que nem tudo é perfeito, e alguns dias nós nos esquecíamos de tentar manter essa chama sempre acessa. Alguns dias estávamos mais cansados e só queríamos deitar e descansar. As vezes bastava um sorriso, uma troca de olhar ou um abraço.

Eu não queria permitir que essas pequenas dificuldades do dia-a-dia prejudicassem o nosso relacionamento novamente. Não permitia que essas pequenas dificuldades me fizessem esquecer das promessas que eu fiz a ela, de que iria reconquista-la todos os dias e lembrar a ela do quanto eu a amo ou do quando somos melhores juntos.

Dias atrás preparamos um almoço para os amigos para contar sobre a gravidez. Os que não sabiam, principalmente a Duda, ficou chocada e ao mesmo tempo dava pulinhos de ânimo. Ela passou o resto do tempo dizendo o quanto seria bom seu bebê crescer com um bebê que seria alguns meses mais novo que o dela.

Aproveitei aquele domingo em que a Bianca estava fora com as amigas para resolveram os preparativos finais do casamento para lhe fazer uma grande surpresa.

Liguei para o Rafael e pedi sua ajuda.

Primeiro nós desmontamos tudo que estava em um dos quartos de hospedes. Depois arrancamos aquele papel de parede e colocamos o novo que eu tinha comprado ontem e escondido na garagem. Por fim, montamos os móveis.

As sete da noite já estava tudo pronto.

Rafael e eu fomos nos sentar lá fora no quintal cada um com sua cerveja, pois estava fazendo muito calor ali dentro e estávamos bastantes cansados do longo dia de trabalho duro.

— Cara, obrigado por tudo.

— É pra isso que os amigos servem.

Sorri, satisfeito.

— Bianca e eu conversamos muito sobre isso na última semana e eu gostaria de saber se você e a Gabi não querem ser os padrinhos do nosso bebê.

— O quê? – Rafael praticamente saltou do banco. — Mas é claro. Seria uma honra, Felipe!

Nós meios que nos abraçamos e demos tapinhas nas costas um do outro.

Foi bom poder falar com um amigo sobre tudo que andava se passando pela minha cabeça com a chegada do bebê.

Meia hora depois ouvimos a buzina de um carro. Era a Gabi trazendo a Bia para casa. Rafael e eu fomos até elas. Nos despedimos, então eu conduzi a Bianca até dentro de casa.

— Eu tenho uma surpresa.

— Mais uma?

Ela sorria, maravilhada.

— Mas eu preciso que você feche os olhos.

Eu cobri seus olhos com as minhas duas mãos e a ajudei subir as escadas e depois prosseguir até o final do corredor.

— Ai meu Deus, estou nervosa...

— Falta só mais um pouquinho.

Abri a porta do quarto devagar, após ter certeza de que ela permaneceria com os olhos fechados até eu mandar abrir.

— Pronto. Pode abrir os olhos.

Quando ela abriu e olhou em volta sua boca se formou um O.

— Felipe, eu não estou acreditando...

Seus olhos rapidamente se encheram de lágrimas, o que foi o suficiente para me emocionar também.

Eu tinha preparado o quarto do bebê.

As paredes de um cor-de-rosa bem clarinho e suave, com o papel de parede de ursinhos e alguns quadrinhos e porta-retratos com fotos nossas, as últimas tiradas com ela já grávida.

No chão um carpete todo fofo.

Além dos móveis infantis de madeira na cor branca. Um bercinho no centro do cômodo com um mobile também de ursinhos que giram e toca até uma musiquinha de dormir. Um guarda-roupa pequeno e uma cômoda. No outro canto uma prateleira para livros e brinquedos, ainda vazia e uma poltrona com um ursinho de pelúcia.

Bianca andou pelo quarto vagarosamente, tocando cada móvel com cuidado, como se fosse quebrar ou como se ela não acreditasse que fossem reais.

— É lindo! – dizia ela, sem parar.

Depois de ter certeza que ela tinha visto tudo com atenção, eu me aproximei e a abracei por trás.

— Gostou?

— Eu amei!

Ela se virou de frente para mim e eu aproveitei para limpar suas lágrimas e ver ela sorrir daquele jeito bobo todo encantador.

— Só falta as roupinhas, os brinquedos, fraldas...

— Você fez tudo isso sozinho?

— Tive a ajuda do Rafa.... Mas a ideia foi minha.

— Você é maravilhoso!

Ela me beijou, com os braços em volta do meu pescoço.

— Logo tudo estará completo. Pensei em fazermos um chá de bebê na próxima semana. O que você acha? Na verdade, a ideia foi da Nati e ela disse que ficará encarregada de organizar tudo.

— Eu acho ótimo. – digo, beijando a ponta de seu nariz.

Depois descemos, vamos até a cozinha, e enquanto ela fala meio por cima de como foi seu dia com as meninas, eu preparo um macarrão para gente jantar.

Ao final da noite eu ajudo-a se despir – aproveitando para me certificar que ela está a cada dia mais linda – e tomamos banho juntos. Depois tomamos chá e nos deitamos.

Durante a semana vamos a mais uma consulta para ver se está tudo bem com o bebê e se ela cresce forte e saudável.

No sábado nosso dia começa logo cedo. Natália e Luiza aparecem aqui as oito da manhã para começar a preparar o chá de bebê. Eu, claro, não tenho nem por onde escapar.

Duas mesas foram colocadas no canto da sala perto das janelas, onde ficaram o bolo, os doces e lembrancinhas. Enquanto as meninas cuidam da decoração que será toda em rosa pink e rosa claro e branco, eu encho as bexigas e o Toddy se diverte no meio da bagunça.

Quando todas as bexigas estão cheias e eu já estou sem ar, Bianca me ajuda a fazer um arco para colocar perto das mesas. Luiza está na cozinha preparando os brigadeiros e a Nati ainda está arrumando todos os detalhes das mesas.

Ao meio-dia Maria Eduarda, Pedro e os gêmeos chegam de surpresa para ajudar. Maria Eduarda mesmo grávida tem a disposição maior do que qualquer um hoje presente e ela sugere preparar algo pra gente almoçar e reabastecer as energias. Peço para o Pedro arrumar o quintal lá fora e peço para os gêmeos o ajudarem a colocar bexigas cor-de-rosa lá fora.

Por sorte está um dia de sol, mas não um sol muito forte. Pois há bastante nuvens no céu.

Quando damos uma pausa para comer alguma coisa, é quando a campainha toca e os gêmeos saem correndo com o Toddy atrás para abrir a porta. Então o Rafael e a Gabriela aparecerem e se juntam a nós para a refeição.

Gabi ordena que Rafa lave a louça, então a Laurinha, a gêmea mais nova, seca a louça e o Tiago, o mais velho, guarda. Gabi ajuda a Bia a guardar alguns objetos que possam derrubar e quebrar. Duda dá uma força para a Pedro lá fora no quintal. Luiza e Nati saem para buscar os doces, salgados e o bolo. E eu termino a decoração.

As cinco e meia está tudo terminado.

Duda e sua família permanecem em nossa casa, enquanto os demais vão para suas casas para se arrumarem para a festa que começara daqui uma hora.

Pedro liga a churrasqueira e eu saio com o Tiago para ir buscar as bebidas. As garotas então lá em cima, já se arrumando.

As seis e meia em ponto os convidados começaram a chegar e se acomodar.

Bianca — de uma bata soltinha azul, um short de elástico, sapatilhas e cabelo solto cheio de cachos — recebe os convidados. Ela está muito sorridente e corada por toda a atenção que está recebendo. E eu subo para me arrumar.

Em quinze minutos estou pronto, de jeans e camisa, além dos meus All Star e o cabelo que eu tentei dar uma organizada.

Cumprimento alguns conhecidos e ajudo a servir as bebidas e os petiscos fresquinhos que acabaram de chegar.

Quando a Gabi chega, ela e o Rafa cuidam do som e das crianças, que estão animadas, pulando no meio da sala ao ritmo da música ou brincando lá fora com o Toddy no quintal.

— Você está bem? – pergunto me aproximando da Bianca, que agora está na cozinha, reabastecendo sua bandeja de salgados.

Desde que a festa começou ela não parou um só quer minuto.

Isso me deixa um pouco preocupado.

— Claro que estou. – ela sorri, ajeitando o cabelo atrás da orelha com a mão livre. — Estou tão feliz com toda essa gente aqui em casa.

Nós nos abraçamos, meio desajeitados, mas nós abraçamos e logo voltamos a circular para servir o pessoal.

Em poucas horas a casa está cheia, bastante movimentada, repleta de vozes. Pessoas conversando por todo lado, comendo, bebendo, saindo e entrando.

Nem percebamos quando uma visita inesperada aparece do nada.

— Mãe? – Bianca arregala os olhos, surpresa.

As duas se abraçam, cheias de carinho e emoção.

Cumprimento o Sr. Sérgio, pai da Bianca.

— Como vão as coisas? – pergunta ele, com um sorrisinho.

— Melhores agora.

Depois que enfim Bianca e a mãe se afastam, Bianca corre para abraçar o pai. Estão todos em volta, olhando para nós.

— Pensou mesmo que iriamos ficar fora dessa? – pergunta a Dona Isadora, se aproximando para me abraçar também.

Nossos amigos vêm ao nosso encontro para falar com os pais da Bianca que há muito tempo eles não veem.

Agora sim a festa está completa.

E logo começaram as brincadeiras entre a mulherada.

Gabi pega uma cadeira e coloca no centro da sala. Luiza se aproximando correndo, segurando uma faixa cor-de-rosa onde se lê: Futura mamãe. Escrito com letras cor branca e cheia de glitter dourado.

Assim que os olhos da Bianca são tapados, a mulherada se aproxima com os presentes que elas deixaram escondidos no carro. Há presentes de vários tamanhos e larguras. Agora a Bianca terá que acertar de quem é o presente ou o que há dentro do embrulho.

A brincadeira logo começa e todos começaram a tirar fotos, principalmente eu que não vou perder nenhum momento.

Como já era de esperar, por ser tão difícil, Bianca erra a maioria das pessoas que deu o presente, mas acerta boa parte do que é. E sempre que ela erra ela paga por isso. Ou seu rosto e barriga são pintados com batom vermelho ou ela tem que pagar algum mico diante de todos, causando risos por toda parte.

A festa seguiu até as duas da madrugada. Pouco a pouco o pessoal foi deixando a casa, restando apenas amigos e familiares.

Gabi e eu varemos o chão. Bia, sua mãe e Luiza levaram os presentes lá para cima, para o quarto do bebê que agora todos já conheciam. Pedro, Rafael e o pai da Bia deram uma geral no quintal. Os gêmeos ainda estavam bem elétricos, brincando com o Toddy por todos os lados. A Duda e a Nati ficaram com a cozinha.

Não arrumamos absolutamente tudo, mas demos uma boa organizada na maior parte, deixando o chão limpinho, a louça lavada, o resto das comidas e das bebidas guardadas e os móveis em seus devidos lugares.

Luiza e Natália foram as primeiras a irem embora. Nós agradecemos a ajuda. Maria Eduarda, os filhos e o Pedro foram com a Gabi e o Rafa. Eles iriam dormir na antiga casa, onde a Gabi ainda morava com o pai. E por mais que tivéssemos insistido, os pais da Bia preferiram ir dormir em um hotel, prometendo voltar mais tarde.

Bianca estava bastante cansada quando subimos para o quarto, já eu apesar de cansado não estava com sono. Tomamos banho e vestimos algo mais leve.

— Vamos ver os presentes? – ela sugeriu, animada.

— Eu pensei que você quisesse dormir e ver isso amanhã com as outras.

— Prefiro que a gente veja primeiro.

Ela pegou a minha mão e me levou até ao lado, até o quarto do bebê.

Os presentes estavam por todos os lados, boa parte desembrulhado.

Começamos a organizar os pacotes de fralde em uma pilha no chão, em um canto escondido. Depois pegamos os lenços umedecidos, sabonetes, perfumes, óleos, shampoo e condicionadores e organizamos sobre a cômoda. Ganhamos também um abajur, banheira e alguns brinquedos que foram colocados em um lugar especifico.

Por fim, sentamos no chão sobre o carpete e começamos a olhar dobrar as roupinhas: camisetinhas, shortinhos, fraldinhas, vestidinhos, saias, camisetinhas, calças e os milhares de macacões. Uma coisa mais linda que a outra. A maioria em tons de cor-de-rosa.

Era tanto coisa que rapidamente preencheu a maioria das gavetas.

Ganhamos também alguns sapatinhos e meias, tão pequenos, que pareciam coisas de bonecas. Era impossível não sorrir e imaginar a nossa bebê usando cada um daqueles sapatinhos no futuro.

Ganhamos tiaras, laços, presilhas.

O quarto enfim ficou completamente preenchido, com ursinhos e bonecas, roupinhas, objetos decorativos por toda parte. Agora só faltava mesmo o nosso bebê aqui, conosco, em nossos braços. Só de pensar nisso sinto um arrepio. Eu não vejo a hora...

Puxo a Bianca para mais perto. Ela senta entre as minhas pernas e eu a envolvo com meus braços, apoiando meu queixo em seu ombro e sentindo o cheirinho bom do seu shampoo empreguiçado em seus cabelos.

— Eu andei pensando em alguns nomes... – comentou ela, passando a mão devagarzinho no meu braço.

— Sério? Eu também pensei em alguns. – digo, sentindo o carinho dela na minha pele sensível. — Mas fala você primeiro...

Ela sorri docemente.

— Eu gosto de Helena, Cecília, Lívia, Mariana...

— Eu gosto bastante de Helena e Cecília. Gosto também de Fernanda, Catarina, Olívia.

— Eu adorei todos. – ela riu, balançando a cabeça de um lado para o outro. — São tantas opções. E agora? Como vamos nos decidir?

— Vamos esperar mais um tempo. – deposito um beijinho em seu ombro, depois outro em seu pescoço desnudo. — Sei que no momento certo saberemos qual é a escolha certa a se fazer.

Bianca se vira de frente para mim, toca suavemente meu rosto enquanto sorri e me olha compenetrada.

— Às vezes eu ainda não consigo acreditar que você está aqui comigo e que está tudo bem entre nós e que no final deu tudo certo.

Aproximo meu rosto do dela.

— Eu e você sempre daremos certo. Não importa o que aconteça, se você estiver comigo eu farei qualquer coisa por nós.

E nos beijamos ali mesmo, enrolados no chão do quarto da nossa filha que estava cada vez mais perto de chegar.

Notas finais
De quais nomes mencionados vocês mais gostaram? Comentem!